Temo-nos todos divertido imenso com o Charlie Sheen, mas é muito grave se ele for substituído pelo Rob Lowe no Two and a Half Men. É impossível sublinhar o quão má e detestável a série é, e pensar que o Lowe – uma pessoa que, tal como o Paul Rudd, é ao mesmo tempo hilariante, bonito, talentoso e adorável – pode deixar o Parks and Recreation, onde faz um trabalho maravilhoso como uma personagem que está constantemente feliz, e começar a trabalhar numa das maior abominações da sociedade ocidental é assustador. Tenho medo, muito medo.
quinta-feira, março 10, 2011
terça-feira, março 08, 2011
Return of the Mac
O Prodigy saiu ontem da prisão, onde esteve durante anos não sei por que raio (nem quero saber, por medo). Só me lembro de que o Return of the Mac era incrível e esta cantiga nova tem um beat magistral, naquela onda de "vivemos no início dos anos 90" contra a qual não tenho nada se for tão bem feita como é aqui.
Fiasco
Era 2005 e, por cima de um sample da "Move On Up" do Curtis Mayfield, o Kanye West tocava o céu. Algures a meio aparecia um tipo vindo do nada, alguém de quem nunca tinha ouvido falar, que se apresentava ao mundo com "Yes, yes, guess who's on third? Lupe still like Lupin the Third." Fiquei impressionado, o flow era incrível, cheio de personalidade. Seguiu-se "Kick, Push", um clássico moderno, e um disco que tinha algumas malhas fixes. O sucessor não era tão bom, mas ainda tinha um bocadinho de nada porreiro. Não me lembro – por ser tão mau – do que é que aconteceu entretanto, mas ontem chegou-me o Lasers às mãos e fiquei verdadeiramente triste. Onde é que este gajo errou? Por quê? Tanta promessa, tanto talento e depois...tanta parvoíce. Não perdi o respeito por ele quando, numa homenagem aos A Tribe Called Quest – que, quando apareceu, dizia nunca ter ouvido –, disse "I lik'em yellow, brown, Puerto-rican and Haitian" – qualquer pessoa que tenha martelado até à exaustão a "Electric Relaxation" sabe que o Phife diz "I lik'em brown, yellow", o que é totalmente diferente – e depois se esquece do resto da letra. Mas, foda-se, Lasers é tão, cheio de tão maus beats (a sério, não há ninguém escolha mais mal beats no mundo inteiro), armado em Black Eyed Peas (há um gajo qualquer chamado MDMA ou que é que canta três refrães nojentos), a almejar ser a banda sonora irritante de uma ida à Pull & Bear num sábado à tarde. Há três que se safam, e o Lupe Fiasco ainda tem talento, mas é tão mal usado que chega a ser confrangedor. O gajo não podia, tipo, contratar o Rick Ross ou alguém do género para lhe escolher beats? A sério, esse gajo sabe.
domingo, março 06, 2011
Knowing
Quando era miúdo sonhava com ter à minha disposição todos os episódios alguma vez feitos dos Simpsons para poder vê-los quando quisesse. Achava que dessa forma nunca poderia estar aborrecido, nem sequer triste. Mesmo que visse episódios repetidos, eram tantos e tão densos que era impossível lembrar-me de tudo e, mesmo assim, não tenho nada contra rir-me outra vez das mesmas piadas se estas forem realmente boas. Sem o James L. Brooks, produtor executivo daquilo, a série nunca teria sido a mesma (além do nome dele ter aberto portas, consta que há pouca gente como ele a saber dar a volta a histórias e piadas que não funcionam). Já para não falar do facto de, algures nos anos 90, o Brooks ter reparado num menino chamado Wes Anderson e ter servido de mentor dele, tanto em termos de escrita como em termos de negócio. Ou seja, não era preciso adorar os filmes dele para adorá-lo. Mas também os adoro.
Vi o As Good as it Gets em 1998. Não sei por que raio, mas uma professora e um colega tinham recomendado o filme na aula, o que não era propriamente comum nas aulas do sexto ano. Acho que fui a um aniversário qualquer no Burger King e depois atravessei a rua para ir às Amoreiras ver o filme com a minha família. Não me lembro assim tanto de pormenores do género sobre outros filmes que vi na altura, por isso deve querer dizer alguma coisa. O essencial é: ninguém escreve personagens (e relações entre elas) e diálogos como o James L. Brooks (o meu irmão, que raramente decora citações de filmes na perfeição – como qualquer pessoa normal, engana-se sempre numa ou outra palavra –, ainda hoje sabe de cor a parte em que o Jack Nicholson apresenta a Helen Hunt ao Greg Kinnear: "Carol the waitress, Simon the fag"). E isso ainda hoje é verdade.
Apesar de o How Do You Know? ser fraquinho, não é mau. O Paul Rudd continua a ser o tipo mais adorável de sempre, das poucas pessoas no mundo com quem é impossível embirrar e das raras pessoas que têm talento, beleza e piada ao mesmo tempo, e vai bem, tal com o Owen Wilson. Não gosto da Reese Witherspoon, mas também não vai mal. O problema é que o Jack Nicholson nunca, nem num milhão de anos, seria o pai do Paul Rudd, e parece só estar no filme porque o James L. Brooks acha que ele é o melhor actor de sempre, o filme tem meia hora a mais – o Brooks, que tanto entretenimento me proporcionou ao longo dos anos, aborreceu-me num ou noutro momento – e parece, superficialmente, uma comédia romântica banal, apesar de não ser (a sala estava quase cheia, mas quase ninguém se riu das piadas, se calhar há ali qualquer coisa que, em termos de tom ou de ritmo de piadas, não bate certo, mas eu ri-me na mesma; isto se calhar explica o facto de ter sido um flop) e de dar voltas inteligentes aos lugares comuns do género. Não consigo perceber por que raio é que levou tanta porrada. Não é o Broadcast News? Claro que não, nenhum filme é o Broadcast News, porra. O James L. Brooks pode ter sido ultrapassado pelos discípulos dele (o James L. Brooks é muito mais um escritor do que um realizador, e o Wes Anderson é ambos e o Judd Apatow – fã confesso – anda a aproximar-se do nível dele e nunca fez, como realizador, nada tão fraco como este How Do You Know?), mas não ficou senil e não deixou de saber escrever. E isso é muito importante.
Vi o As Good as it Gets em 1998. Não sei por que raio, mas uma professora e um colega tinham recomendado o filme na aula, o que não era propriamente comum nas aulas do sexto ano. Acho que fui a um aniversário qualquer no Burger King e depois atravessei a rua para ir às Amoreiras ver o filme com a minha família. Não me lembro assim tanto de pormenores do género sobre outros filmes que vi na altura, por isso deve querer dizer alguma coisa. O essencial é: ninguém escreve personagens (e relações entre elas) e diálogos como o James L. Brooks (o meu irmão, que raramente decora citações de filmes na perfeição – como qualquer pessoa normal, engana-se sempre numa ou outra palavra –, ainda hoje sabe de cor a parte em que o Jack Nicholson apresenta a Helen Hunt ao Greg Kinnear: "Carol the waitress, Simon the fag"). E isso ainda hoje é verdade.
Apesar de o How Do You Know? ser fraquinho, não é mau. O Paul Rudd continua a ser o tipo mais adorável de sempre, das poucas pessoas no mundo com quem é impossível embirrar e das raras pessoas que têm talento, beleza e piada ao mesmo tempo, e vai bem, tal com o Owen Wilson. Não gosto da Reese Witherspoon, mas também não vai mal. O problema é que o Jack Nicholson nunca, nem num milhão de anos, seria o pai do Paul Rudd, e parece só estar no filme porque o James L. Brooks acha que ele é o melhor actor de sempre, o filme tem meia hora a mais – o Brooks, que tanto entretenimento me proporcionou ao longo dos anos, aborreceu-me num ou noutro momento – e parece, superficialmente, uma comédia romântica banal, apesar de não ser (a sala estava quase cheia, mas quase ninguém se riu das piadas, se calhar há ali qualquer coisa que, em termos de tom ou de ritmo de piadas, não bate certo, mas eu ri-me na mesma; isto se calhar explica o facto de ter sido um flop) e de dar voltas inteligentes aos lugares comuns do género. Não consigo perceber por que raio é que levou tanta porrada. Não é o Broadcast News? Claro que não, nenhum filme é o Broadcast News, porra. O James L. Brooks pode ter sido ultrapassado pelos discípulos dele (o James L. Brooks é muito mais um escritor do que um realizador, e o Wes Anderson é ambos e o Judd Apatow – fã confesso – anda a aproximar-se do nível dele e nunca fez, como realizador, nada tão fraco como este How Do You Know?), mas não ficou senil e não deixou de saber escrever. E isso é muito importante.
quinta-feira, março 03, 2011
Anne & Jerry 2
Já voltaram, sobre os Óscares e quão bom era o frango nos jantares dos Emmy e dos Tony a que foram. Delicioso e adorável, como sempre.
Foda-se
Num país onde o talento é recompensado, o Tim e o Eric (do Awesome Show, Great Job!, que é a coisa estranha mais hilariante do mundo) juntam os seguintes nomes no elenco do primeiro filme que vão fazer: o Will Ferrell e o Zach Galifianakis (que são o Will Ferrell e o Zach Galifianakis), o Will Forte (que é o MacGruber e partiu loiça como convidado no 30 Rock e no Flight of the Conchords), o Jeff Goldblum (ainda não me saiu da cabeça aquele dueto com o Biz Markie), o John C. Reilly (lembrei-me recentemente da canção incrível que ele cantou nos Óscares há uns anos sobre o facto de a comédia nunca ganhar prémios, ele mencionava o facto de que apareceu no Talladega e no Boogie Nights), o Robert Loggia (nem sabia que ainda estava vivo, pensava que ou o Al Pacino o tinha morto no Scarface ou o Tom Hanks o tinha cansado até à morte com aquele piano de pés do Big) e o William Atherton (o douchebag burocrata por excelência dos anos 80, a sério, o Die Hard e o Ghostbusters – duas das coisas mais puras e bonitas que o mundo já conheceu – não seriam tão incríveis sem ele). Por cá, A Família Mata. Não há por onde falhar.
quarta-feira, março 02, 2011
30 Rock
Por muito que o Luís diga que o 30 Rock anda fraquinho – e ele tem razão, até certo ponto –, o Alec Baldwin continua a ser a razão pela qual me levanto todos os dias. O que me lembra este discurso tocante da Tina Fey e a citação do Michael Keaton que me fez perceber que não era só a voz do Baldwin (algo que me faz preferir o Royal Tenenbaums ao Rushmore: pode ter menos Bill Murray, mas tem a narração do Alec Baldwin) que me fascinava, era também o cabelo: When you look at the [clip] reel of this guy ... and the photographs and pictures, and you see the range of the things he’s done ... I think to myself, What an extraordinary head of hair this man has. No, he does.
terça-feira, março 01, 2011
Sopranos, misoginia e os Óscares
No This Recording, um must-read da Molly Lambert. Sou um gajo (tipo é mais simpático, não é?), sim, e gosto imenso de mamas (e de rabos, e ainda bem que nunca tive de fazer a escolha que o Kenny "Fucking" Powers teve de fazer na segunda temporada do Eastbound and Down), mas muitas vezes sinto-me como o Ira Wright, a personagem do Seth Rogen no Funny People (e, por falar nisso, ele sempre achei que ele escrevia muito bem para mulheres, e até antes disto):
My friends are very sexually aggressive, which is hard for me. You know, we’ll watch television and they’ll just see a hot girl will come on and they’ll just be, “Man, I wanna fuck the shit out of that girl, man!… I’m gonna fuck that girl!” And I, like, can’t even say that. I can’t even pretend I would do that. I see a hot girl on TV and I’m like, “Man, I would friend the shit out of her!… I’d friend her all night! I would be her girlfriend!… I would drive her to the airport, man!… I would hold her purse while she shopped, all over her tits!
Entre as coisas que mais quero ver em 2011 contam-se o Bridesmaids (e não é só por ter sido realizado pelo Paul Feig – que terá para sempre um espaço reservado dentro do meu coração –, é por todas as mulheres envolvidas e por parecer ter realmente muita piada, se bem que ache que é um pouco ofensivo ninguém ter convidado a Mindy Kaling – que, a par da Abby Elliott, foi a melhor parte do Friends With Benefits –, quer dizer, tipo, a Ellie Kemper tornou o Somewhere mais tolerável) e a adaptação televisiva do I Don't Care About Your Band, o livro incrível da Julie Klausner que é tipo Sexo e a Cidade, mas em bom (sem ter nada a ver, claro, que ter isso como referência máxima e almejar fazer humor com esse universo como objectivo nunca fez bem a ninguém). Vai ser com a Lizzy Caplan, e não há ninguém melhor no mundo. Por falar em Klausner, lembrei-me desta citação dela numa entrevista:
Q: What do you hope to see from ladies in comedy in the future?
A: I want the funny best girl friend in comedy movies to be every bit as fucking fat as the leading man.
Eu também quero ver isso. O mundo só tem a ganhar com isso. E não, não é com aberrações do Chuck Lorre que vamos lá.
(por outro lado, também tenho medo de que isto pareça uma daquelas cenas do género "não sou racista, tenho imensos amigos pretos" ou "não sou homofóbico, gosto de duas canções do Elton John" – ainda por cima gosto de muito mais que duas)
My friends are very sexually aggressive, which is hard for me. You know, we’ll watch television and they’ll just see a hot girl will come on and they’ll just be, “Man, I wanna fuck the shit out of that girl, man!… I’m gonna fuck that girl!” And I, like, can’t even say that. I can’t even pretend I would do that. I see a hot girl on TV and I’m like, “Man, I would friend the shit out of her!… I’d friend her all night! I would be her girlfriend!… I would drive her to the airport, man!… I would hold her purse while she shopped, all over her tits!
Entre as coisas que mais quero ver em 2011 contam-se o Bridesmaids (e não é só por ter sido realizado pelo Paul Feig – que terá para sempre um espaço reservado dentro do meu coração –, é por todas as mulheres envolvidas e por parecer ter realmente muita piada, se bem que ache que é um pouco ofensivo ninguém ter convidado a Mindy Kaling – que, a par da Abby Elliott, foi a melhor parte do Friends With Benefits –, quer dizer, tipo, a Ellie Kemper tornou o Somewhere mais tolerável) e a adaptação televisiva do I Don't Care About Your Band, o livro incrível da Julie Klausner que é tipo Sexo e a Cidade, mas em bom (sem ter nada a ver, claro, que ter isso como referência máxima e almejar fazer humor com esse universo como objectivo nunca fez bem a ninguém). Vai ser com a Lizzy Caplan, e não há ninguém melhor no mundo. Por falar em Klausner, lembrei-me desta citação dela numa entrevista:
Q: What do you hope to see from ladies in comedy in the future?
A: I want the funny best girl friend in comedy movies to be every bit as fucking fat as the leading man.
Eu também quero ver isso. O mundo só tem a ganhar com isso. E não, não é com aberrações do Chuck Lorre que vamos lá.
(por outro lado, também tenho medo de que isto pareça uma daquelas cenas do género "não sou racista, tenho imensos amigos pretos" ou "não sou homofóbico, gosto de duas canções do Elton John" – ainda por cima gosto de muito mais que duas)
Anne & Jerry
Um dos pontos altos das minhas semanas é ver, às segundas-feiras, os vídeos da Anne Meara e do Jerry Stiller – os pais do Ben Stiller – a improvisar sobre a actualidade. Gente que é casada há mais de 55 anos, que tem piada natural para dar e vender – e para passar de geração em geração. A cereja no topo do bolo é que, como qualquer pessoa com dois dedos de testa, não gostam do Dane Cook. É terça-feira e ainda não há episódio desta semana. O Jerry Stiller tem 83 anos, a Anne Meara 81. Deverei ficar preocupado?
Comunidade
Com o The League, o Jon Lajoie ensinou-me o que eram eskimo brothers, ou seja, esquimós que partilharam o mesmo igloo, dois rapazes que se tornaram amigos porque ambos usufruiram da companhia da mesma rapariga. Mais recentemente, no terrível Friends With Benefits, o Ludacris, além de ter usado a pior selecção de camisas que já vi num filme (e de ter continuado o que faz na "Area Codes" ao fazer ainda mais um trocadilho com "ho", algo que eu não achava fisicamente possível depois dessa tour-de-force) , mostrou-me o que era um tunnel buddy, que é mais ou menos a mesma coisa, só que sem a parte da amizade. Nunca na vida conheceria estas expressões ou estes contextos se não fosse esta gente e quase que vivo vicariamente através dessas personagens. Por isso é que gosto tanto do Abed do Community: tudo o que ele aprendeu sobre a vida e as relações foi através da televisão. Não sou totalmente assim – tenho, sei lá, uma vida e tal –, mas é uma das razões que fazem com que o Community seja a minha série favorita neste momento. É isso e os quatro episódios da série que são verdadeiras obras-primas: o do paintball, o do filme da máfia, o de Natal e o do Dungeons & Dragons (se eu fosse realmente como o Abed ou como o Judd Apatow saberia de os títulos deles, mas devo voltar a sublinhar que tenho uma vida e, por isso, não sei...vá, pronto, sei que o do paintball se chama Modern Warfare).
Charlie Sheen
O melhor disto tudo é que o Charlie Sheen, depois de anos a tentar, está finalmente a ter piada.
segunda-feira, fevereiro 28, 2011
Bale
Gostei muito do facto de o Christian Bale ter dado uma de Daniel Day-Lewis e ter aparecido de barba. Aplaudo intensamente a maneira como ele apresentou aquela barba ruiva – sim, é uma cena, imensa gente morena/loira/etc. tem barba ruiva – fraquíssima ao mundo. Está tudo na atitude, é preciso confiança para usar uma barba tão pobre com a beard swagger de um Zach Galifianakis ou alguém do género.
Shaolin
Aquilo ontem acabou com um coro de crianças de Staten Island a cantar e eu já nem me lembrava disso. Huh? É desprestigiante para uma cerimónia que se quer séria juntar mais de sete pessoas de Staten Island em cima de um palco e dar-lhes microfones sem nenhuma delas se chamar RZA, GZA, Ol' Dirty Bastard, Method Man, Raekwon, Inspectah Deck, Masta Killa, U-God ou Cappadonna.
Ideia
E que tal o Justin Timberlake para o ano? Não é como se o James Franco não fosse fisicamente capaz de ter piada – teve, até certo ponto –, é só que não se esforçou minimamente. A sério, o gajo tem piada (foi das melhores partes da cerimónia de ontem, o que não é dizer muito), não há ninguém no mundo que não goste dele (nem há quaisquer razões para isso), a criançada gosta dele e ia ter imenso tempo para se preparar. Afinal, não é como se andasse a fazer música. Se é apelar à juventude que eles querem, sem usar cómicos a sério e gente que sabe realmente o que está a fazer, não vejo melhor solução.
127 Horas
Não é porque o gajo está preso numa fenda durante a maior parte do filme (os gajos conseguem, até certo ponto, dar a volta ao problema de isso ser intrinsecamente aborrecido), não é por causa dos flashbacks e das alucinações foleiríssimas em que o pai dele é o tipo do Everwood (algo que, na minha cabeça, transporta o filme automaticamente para o campo do manhoso), nem é porque os truques e efeitos especiais são irritantes. É mesmo por terem a Lizzy Caplan a fazer de irmã dele e desperdiçarem-na numa mensagem de voice-mail e em duas imagens tenebrosas. O tipo de gente que tem a Lizzy Caplan ao seu dispor e não faz nada com ela é o tipo de gente com o qual não quero ter nada a ver.
Um pensamento assustador
Se a ideia é tornar os Óscares uma cerimónia menos chata e mais apelativa para os jovens, por que raio é que fazem uma cerimónia SEM PIADA? Terá a ver com o facto de a juventude gostar de aberrações sem comic relief como o Twilight? É um bocado triste/assustador pensar num mundo em que as pessoas são treinadas desde pequenas para nunca se rirem.
Vai-te lixar, Bruce Vilanch
Há uns dias, o AV Club publicou uma entrevista com o Bruce Vilanch, um tipo que é pago a peso de ouro para ter um corte de cabelo ridículo e usar t-shirts sem piada mas fazer o ar de quem tem a maior piada do mundo. É também um dos responsáveis pelo que sai da boca dos apresentadores dos Óscares, que este ano foram especialmente terríveis (por razões óbvias, o James Franco terá para sempre um lugar no meu coração). Isto foi o que ele disse sobre o Ricky Gervais a apresentar os Globos de Ouro:
I mean, he never hit funny. Making jokes about The Tourist is just not funny; it’s just kind of mean-spirited and cruel. I think that partially is that he lost his cuddly—he was heavier and befuddled and kind of looked a bit lost [last year], and this year, he came out and he was like a shark. He took his jacket off, and his body’s all worked out, and it’s not a sympathetic character up there. He was just a mean kind of player. Plus, I thought his targets were lame. I mean, Charlie Sheen and how old Bruce Willis is? I mean, this is old stuff. Scientology and who’s gay and who’s not? This is not fresh target material to make jokes about. All you can be is outrageous—you’re not going to be funny. All you’re going to get is a lot of “oooooohhhhh.” And that’s what he got. He got a lot of “oooooohhhhs.”
And yet, a cerimónia sem piada foi a escrita por ele (e até houve direito a bocas ao Charlie Sheen). Vai-te lixar, Bruce Vilanch. E é óbvio que actores nunca mais deviam apresentar os Óscares. Bom esforço, malta, vou continuar a olhar para o Daniel Desario e para a...huh...errr...a sério, não tenho nada contra ela, mas não me consigo lembrar de um único papel dela ou não ser aquele em que ela mostra as mamas e tem Parkinson numa comédia romântica ou aquele em que ela é uma princesa de uma ilha qualquer e neta da Julie Andrews (são coisas que não acontecem todos os dias nos filmes)...vou continuar a olhar para vocês com o mesmo respeito de sempre, mas aborreceram-me de morte. Foi quase tão mau como o Hugh Jackman. Quase.
I mean, he never hit funny. Making jokes about The Tourist is just not funny; it’s just kind of mean-spirited and cruel. I think that partially is that he lost his cuddly—he was heavier and befuddled and kind of looked a bit lost [last year], and this year, he came out and he was like a shark. He took his jacket off, and his body’s all worked out, and it’s not a sympathetic character up there. He was just a mean kind of player. Plus, I thought his targets were lame. I mean, Charlie Sheen and how old Bruce Willis is? I mean, this is old stuff. Scientology and who’s gay and who’s not? This is not fresh target material to make jokes about. All you can be is outrageous—you’re not going to be funny. All you’re going to get is a lot of “oooooohhhhh.” And that’s what he got. He got a lot of “oooooohhhhs.”
And yet, a cerimónia sem piada foi a escrita por ele (e até houve direito a bocas ao Charlie Sheen). Vai-te lixar, Bruce Vilanch. E é óbvio que actores nunca mais deviam apresentar os Óscares. Bom esforço, malta, vou continuar a olhar para o Daniel Desario e para a...huh...errr...a sério, não tenho nada contra ela, mas não me consigo lembrar de um único papel dela ou não ser aquele em que ela mostra as mamas e tem Parkinson numa comédia romântica ou aquele em que ela é uma princesa de uma ilha qualquer e neta da Julie Andrews (são coisas que não acontecem todos os dias nos filmes)...vou continuar a olhar para vocês com o mesmo respeito de sempre, mas aborreceram-me de morte. Foi quase tão mau como o Hugh Jackman. Quase.
quinta-feira, fevereiro 17, 2011
terça-feira, fevereiro 15, 2011
Swanson
Que me perdoe o Tom Haverford, mas o Ron Swanson (e, por conseguinte, o Duke Silver) faz-me feliz. A sério que faz.

Gostava que o Nick Offerman me desse aulas de carpintaria.

Gostava que o Nick Offerman me desse aulas de carpintaria.
terça-feira, fevereiro 08, 2011
Vencer
Quando o Seth Rogen era gordo, não era tão gordo quanto eu era quando era gordo. E quando ele emagreceu, não emagreceu tanto quanto eu. Ele fê-lo por uma razão específica, para fazer o Green Hornet (e para se enrolar com a Aubrey Plaza no Funny People). Eu não, fi-lo porque me apeteceu. Toda a gente, ou pelo menos quem escreveu criticamente sobre ele, odiou o Green Hornet. Eu não. Diverti-me, ri-me e senti-me como uma criança altamente entretida. Era um filme sobre o facto de os americanos terem crescido ricos e mimados e terem óptimas condições mas serem preguiçosos e os chineses, que nunca tiveram nada, terem-se esforçado e treinado para serem melhores que eles em tudo, não era? Dou pontos extra ao split screen à Thomas Crown Affair. Só não gostei de ter pago uma exorbitância para vê-lo, sob condições deploráveis, numa sala terrível, ainda para mais cheia de crianças de 10 anos que pura e simplesmente não se calavam. De certa maneira, senti-me como elas se devem sentir quando vêem o Twilight ou filmes detestáveis do género. Ou seja, contente, mas com a adição de me ter rido, algo que só acontece no Twilight em cenas que eram supostamente sérias (é isso, aliás, que é verdadeiramente detestável nessa saga nojenta: a falta de vontade de fazer rir). O filme foi um sucesso de bilheteira, rendeu algum dinheiro, mas de certa maneira falhou. Eu não. Há que dizer que nunca venci o que quer que fosse na vida. Nada, absolutamente nada. E, mesmo assim, houve, no mundo, quem me tenha considerado um vencedor, o que me levou a dizer, num certo sítio, um chorrilho de parvoíces ridículas (e a esquecer-me de mencionar que tenho saudades de ter mamas e de suar mesmo durante o Inverno). Há sempre uma primeira vez, que também será provavelmente a última. É que posso ter ganho esta etapa, mas acho que o Seth Rogen vai ganhar as outras.
segunda-feira, janeiro 31, 2011
O melhor emprego do mundo
Há cinco anos, se me falassem do Jimmy Fallon, provavelmente diria uma variação de "esse gajo é o pior de sempre". E teria razões para tal. Afinal, estamos a falar de um tipo que era conhecido pelas imitações de celebridades – e, por falar nisso, imitar vozes de outras pessoas não é um talento significativo ou válido em lado nenhum, o que interessa é a piada que está por detrás das imitações, e adorava que um dia Portugal percebesse isso, porra – e por se partir a rir em tudo o que era sketch. Um gajo que fez o Taxi – que no outro dia estava a passar na SIC ou na TVI e não é assim tão horrível como passei anos a pensar que seria, é só muito fraquinho –, alguém que tentou uma carreira em Hollywood mas falhou. Quando o anunciaram como substituto do Conan O'Brien quase chorei. "Este gajo não tem piada", pensei eu. E continua a não ter, ou, pelo menos, não tem piada natural.
Mas é divertido. E o programa dele é divertido. Pode não ser hilariante ("funny"), mas é "fun" ("divertido"). Ele é porreiro, tem um faro para boas ideias e rodeia-se das pessoas certas (os Roots e o A.D. Miles, por exemplo), isto além de ter uma cultura cómica fora do normal (ele adora aquilo, idolatra as coisas que interessam, dá espaço a boa gente). E tem momentos incríveis. Não falo do medley com o Justin Timberlake sobre a história do hip-hop – que é óptimo –, mas, por exemplo, de ter o Jeff Goldblum, do nada, a tocar piano e a cantar "Just a Friend" com o Biz Markie, um daqueles momentos totalmente gratuitos que me fazem sorrir de orelha a orelha (como o próprio Fallon sorri). Ou o Steven Tyler a cantar "Walk This Way" com o Jimmy Fallon e o Black Thought a fazerem de Run e DMC com Adidas e calças pretas. Tudo incrível, tudo delicioso. Ele diverte-se e eu também. Ele tem o melhor emprego do mundo. De sempre. Nem sequer precisa de ter piada, algo que lhe tira imensa pressão de cima.
Já para não falar dos convidados musicais em si. Que outro sítio do mundo é que pode ter Liquid Liquid, Tom Tom Club, a reunião dos Dismemberment Plan e ainda haver espaço para uma banda residente que fica tão boa a tocar "Late in the Evening" com o Paul Simon como "Bring the Noise" com os Public Enemy, "Straight Outta Compton" com o Ice Cube, "So What'cha Want" com os Beastie Boys ou canções do último do Ludacris, dos Clipse ou do Rick Ross?
Isto só serve para provar que às vezes os ódios não duram para sempre e que quem é mau hoje poderá ser bom amanhã, ou que daqui a uns anos posso olhar para trás e pensar que afinal não era assim tão mau. Continuo, porém, com a certeza de que quem faz piadas básicas com o nome "Lyonce Viiktórya" não merece uma segunda oportunidade. É que já percebemos, toda a gente do mundo sabe que o nome é estranho, ridículo e hilariante, não é preciso mesmo mais nada.
Mas é divertido. E o programa dele é divertido. Pode não ser hilariante ("funny"), mas é "fun" ("divertido"). Ele é porreiro, tem um faro para boas ideias e rodeia-se das pessoas certas (os Roots e o A.D. Miles, por exemplo), isto além de ter uma cultura cómica fora do normal (ele adora aquilo, idolatra as coisas que interessam, dá espaço a boa gente). E tem momentos incríveis. Não falo do medley com o Justin Timberlake sobre a história do hip-hop – que é óptimo –, mas, por exemplo, de ter o Jeff Goldblum, do nada, a tocar piano e a cantar "Just a Friend" com o Biz Markie, um daqueles momentos totalmente gratuitos que me fazem sorrir de orelha a orelha (como o próprio Fallon sorri). Ou o Steven Tyler a cantar "Walk This Way" com o Jimmy Fallon e o Black Thought a fazerem de Run e DMC com Adidas e calças pretas. Tudo incrível, tudo delicioso. Ele diverte-se e eu também. Ele tem o melhor emprego do mundo. De sempre. Nem sequer precisa de ter piada, algo que lhe tira imensa pressão de cima.
Já para não falar dos convidados musicais em si. Que outro sítio do mundo é que pode ter Liquid Liquid, Tom Tom Club, a reunião dos Dismemberment Plan e ainda haver espaço para uma banda residente que fica tão boa a tocar "Late in the Evening" com o Paul Simon como "Bring the Noise" com os Public Enemy, "Straight Outta Compton" com o Ice Cube, "So What'cha Want" com os Beastie Boys ou canções do último do Ludacris, dos Clipse ou do Rick Ross?
Isto só serve para provar que às vezes os ódios não duram para sempre e que quem é mau hoje poderá ser bom amanhã, ou que daqui a uns anos posso olhar para trás e pensar que afinal não era assim tão mau. Continuo, porém, com a certeza de que quem faz piadas básicas com o nome "Lyonce Viiktórya" não merece uma segunda oportunidade. É que já percebemos, toda a gente do mundo sabe que o nome é estranho, ridículo e hilariante, não é preciso mesmo mais nada.
quinta-feira, janeiro 27, 2011
segunda-feira, novembro 15, 2010
Incredibilidade 2010
My Beautiful Dark Twisted Fantasy (e G.O.O.D. Fridays).
The Social Network.
Scott Pilgrim vs. the World.
I Don't Care About Your Band.
Kenny "Fucking" Powers (pelo segundo ano consecutivo) + Eduardo Sanchez.
Justified e Luther.
Treme.
Contra, The Stimulus Package, The Monitor Sir Lucious Left Foot e The ArchAndroid.
Boardwalk Empire.
O Twitter do Steve Martin.
Os abraços do Wayne Coyne, do Esau Mwamwaya (e da Nika).
The Social Network.
Scott Pilgrim vs. the World.
I Don't Care About Your Band.
Kenny "Fucking" Powers (pelo segundo ano consecutivo) + Eduardo Sanchez.
Justified e Luther.
Treme.
Contra, The Stimulus Package, The Monitor Sir Lucious Left Foot e The ArchAndroid.
Boardwalk Empire.
O Twitter do Steve Martin.
Os abraços do Wayne Coyne, do Esau Mwamwaya (e da Nika).
terça-feira, novembro 02, 2010
Being Charlie Sheen
Não é fácil. Charlie acorda todos os dias, empurra a prostituta da noite anterior para o lado, levanta-se da cama e olha-se ao espelho. Sente-se mal, velho, acabado. Passam-lhe uma dúzia de pensamentos negativos pela cabeça: "O meu pai é incrível, foi o melhor presidente dos Estados Unidos de sempre, e eu não"; "Em termos de filmes do John Hughes, eu fiz de criminoso no Ferris Bueller's Day Off, o meu mano fez de beto desportista no Breakfast Club e, ao contrário de mim, parece ser um ser humano com o qual as pessoas podem simpatizar"; "Nasci e cresci rico, sou o actor mais bem pago da televisão", etc.
É aí que entra em jogo o primeiro risco de cocaína do dia. Entra-lhe pela narina e, tal como a água limpa a sujidade, o detergente colombiano livra a sua mente de dúvidas. Dá duas chapadas, uma em cada face, e, a muito custo, decide que vai acordar e encarar mais um dia de trabalho. "O mundo precisa de ti, Charlie", pensa ele enquanto tira do armário uma das centenas de camisas de bowling feias que lá guarda. Logo a seguir, mete-se no carro. No lugar do morto vai a primeira acompanhante de luxo do dia, que trabalha enquanto ele guia até ao estúdio onde é filmado o Two and a Half Men. A meio do caminho, Charlie liga à sua mulher. "Também tenho pensado em ti, amor. Não, nunca mais te apontarei uma faca."
A dor intensifica-se quando olha para um dos actores com quem ele partilha a série. "Este gajo foi o Ducky do Pretty in Pink, eu fui um criminoso no Ferris Bueller's Day Off." Vai ao camarim e acompanha um risco com um shot de whisky. Tudo corre bem. O guião é, como sempre, imaculado. A história do episódio envolve o facto de um homem rico e emocionalmente imaturo estar à procura do amor enquanto dorme com centenas mulheres bonitas e educa o seu sobrinho. As piadas são das melhores que o Chuck Lorre já escreveu para ele, cheias de inteligentíssimos trocadilhos e metáforas sexuais ou reciclagens de frases machistas anteriores.
Sem grande esforço, acaba o trabalho. Mais um dia, mais um zero para a conta bancária. Será mesmo assim? Não, Charlie prefere não ir para casa descansar. Ainda tem muito que fazer. Afinal, há prostitutas para contratar e usar, dealers por contactar e, do alto da bebedeira, quartos para destruir e esposas para ameaçar violentamente. É difícil ser Charlie Sheen e devíamos estar todos muito gratos pelo facto de ele, dia após dia, continuar a lutar para que nos possamos rir. Com ele, nunca dele.
É aí que entra em jogo o primeiro risco de cocaína do dia. Entra-lhe pela narina e, tal como a água limpa a sujidade, o detergente colombiano livra a sua mente de dúvidas. Dá duas chapadas, uma em cada face, e, a muito custo, decide que vai acordar e encarar mais um dia de trabalho. "O mundo precisa de ti, Charlie", pensa ele enquanto tira do armário uma das centenas de camisas de bowling feias que lá guarda. Logo a seguir, mete-se no carro. No lugar do morto vai a primeira acompanhante de luxo do dia, que trabalha enquanto ele guia até ao estúdio onde é filmado o Two and a Half Men. A meio do caminho, Charlie liga à sua mulher. "Também tenho pensado em ti, amor. Não, nunca mais te apontarei uma faca."
A dor intensifica-se quando olha para um dos actores com quem ele partilha a série. "Este gajo foi o Ducky do Pretty in Pink, eu fui um criminoso no Ferris Bueller's Day Off." Vai ao camarim e acompanha um risco com um shot de whisky. Tudo corre bem. O guião é, como sempre, imaculado. A história do episódio envolve o facto de um homem rico e emocionalmente imaturo estar à procura do amor enquanto dorme com centenas mulheres bonitas e educa o seu sobrinho. As piadas são das melhores que o Chuck Lorre já escreveu para ele, cheias de inteligentíssimos trocadilhos e metáforas sexuais ou reciclagens de frases machistas anteriores.
Sem grande esforço, acaba o trabalho. Mais um dia, mais um zero para a conta bancária. Será mesmo assim? Não, Charlie prefere não ir para casa descansar. Ainda tem muito que fazer. Afinal, há prostitutas para contratar e usar, dealers por contactar e, do alto da bebedeira, quartos para destruir e esposas para ameaçar violentamente. É difícil ser Charlie Sheen e devíamos estar todos muito gratos pelo facto de ele, dia após dia, continuar a lutar para que nos possamos rir. Com ele, nunca dele.
terça-feira, outubro 19, 2010
quinta-feira, outubro 07, 2010
Coincidência?
Nesta (altamente deprimente) entrevista, o Mitchell Hurwitz diz que o objectivo dele, ao criar o Arrested Development, era fazer uns Simpsons com imagem real. Nesta mesa redonda com o Edgar Wright, o Judd Apatow, o Todd Phillips, o Adam McKay e o John Landis, o Wright diz que o Spaced era uma tentativa de fazer uns Simpsons com imagem real. Ou seja, duas das melhores séries cómicas dos últimos 11 anos (a sério, o Spaced já tem 11 anos) surgiram a tentar transpor os Simpsons para o mundo real. Será que isso quererá dizer alguma coisa? Não encontro nenhuma citação do Dan Harmon, mas parece-me que o objectivo do Community era basicamente esse. Se ao menos o Chuck Lorre tivesse esse objectivo em mente quando cria sitcoms, em vez de "apelar ao mínimo denominador comum e fazer rir pessoas sem cérebro com as mesmas piadas batidíssimas de sempre", talvez o mundo fosse um sítio melhor. E é mesmo muito, muito triste que Running Wilde não tenha pegado. Supostamente, se pegasse, a fama da série daria finalmente ao mundo o filme do Arrested Development. É por estas e por outras que não podemos ter coisas boas, o mundo estraga-as.
terça-feira, outubro 05, 2010
'Ye
Sempre disse que o Eddie Murphy dos anos 80 era unfuckwithable. O 'Ye de '10 também é.
É do fato vermelho, de certeza.
terça-feira, setembro 21, 2010
segunda-feira, setembro 20, 2010
sexta-feira, setembro 10, 2010
Betos
Há uns meses, entrevistei o Rostam Batmanglij e, além de me ter esquecido de lhe perguntar, como provavelmente lhe perguntaram mil vezes, se não era estranho ter como apelido "BATMANglij" e pertencer a uma banda chamada "Vampire Weekend", deu-me para falar sobre o mundo dos betos. "Cresci à volta dele, até certo ponto, mas nunca senti que fosse o meu mundo", disse-me ele, e eu apressei-me a dizer que também tinha sido assim comigo. Antes disso, contou-me que o seu interesse nesse mundo era puramente estético. Tal como o meu. Porque, apesar de eu vestir praticamente só camisas e polos, usar sapatos de vela e nunca andar desfraldado – "qualidades" que se podem aplicar apenas a betos vintage, e que pouca ou nenhuma importância têm hoje em dia –, orgulho-me de pouco ou nada ter a ver com betos a sério. Isto porque a generalidade dos betos inclui algumas das PIORES PESSOAS QUE JÁ EXISTIRAM NO MUNDO. Gente racista, misógina, ignorante, estúpida, sexista, homofóbica, altamente idiota, sem horizontes para expandir, com mentalidades fechadas e retrógadas e atitudes altamente detestáveis. Acabo de perceber que podia dizer isto tudo do Archie Bunker, mas o Archie Bunker tinha um coração e não fazia por mal. Os betos fazem por mal. Pode ser como tudo na vida, todos os grupos têm pessoas boas, pessoas más, pessoas assim-assim e o caraças. Não quero dizer que o campino do símbolo da Ralph Lauren torna as pessoas piores, mas hoje, depois de, na semana passada, ter lidado com betos poucos sérios que têm um ar bastante vintage e são uns idiotas de merda, apetece-me odiar betos, tendo em conta que as piores pessoas com que já me cruzei na vida eram betos. Ainda vou, contudo, gostar do Whit Stillman e divertir-me.
quarta-feira, setembro 08, 2010
Comic Sans
O Casamento a Três é um filme que existe e, além de ser terrível, usa Comic Sans MS nos créditos e no genérico. Isto não é uma piada. O filme saiu mesmo para as salas. Assusta-me um bocadinho de nada ninguém ter reparado que havia Comic Sans envolvido.
domingo, setembro 05, 2010
Comercialidade
Ontem à noite, num casamento, pediram-me para passar algo mais comercial. O que é que estava a tocar nessa altura? Michael Jackson. E não era uma faixa obscura do meio de um álbum. Era a porra do "Thriller". Não sei se quero viver num mundo em que há algo mais comercial que o Michael Jackson. Não era essa a magia da coisa? Um artista em que todos podíamos concordar, que todos podíamos adorar, canções universais, que são boas e das quais toda a gente gosta, que partem qualquer pista de dança ao meio, que levam qualquer pessoa, normal ou snobe, à loucura? Pelos vistos não, e isso deprime-me.
quinta-feira, setembro 02, 2010
Caro Verão
O Wayne Coyne deu-me um abraço. Pouco tempo depois, o Esau Mwamwaya deu-me um abraço. Eu, que não sou abraçável por aí além (não é bem falta de auto-estima, é só que raramente há gente a abraçar-me pouco tempo depois de me conhecer), não pedi nada. Eles é que me quiseram abraçar, de livre vontade. Antes disso tudo, os Very Best tinham tocado para praticamente ninguém, como a Rye Rye ainda antes e os Flaming Lips depois. É quase criminoso desperdiçar cartazes destes em festivais que não são feitos para ver música e onde se pode andar durante três ou quatro dias sem ouvir absolutamente nada. Mas, obviamente, os Flaming Lips foram mágicos. O Wayne Coyne, apesar de ser perigosamente parecido com um hippie, não merece um tiro na cabeça. Não sabe não entreter e desligar. O Wayne Coyne é entretenimento, além de fazer música incrível. Lembra-me um pouco o Nile Rodgers (sem a importância histórica): podia ficar a vê-los a existir, meramente, durante horas e horas a fio, ou para sempre (um bocado como o Christopher Guest e a banda britânica). E nunca me aborreceria. Enfim, o Wayne Coyne merece um abraço (mesmo que seja ele próprio a dá-lo). Dormi num carro num parque de estacionamento e no dia a seguir num hotel de cinco estrelas. No T-Club do Algarve vi a maior concentração de jogadores de polo ao peito de sempre (não consigo compreender aqueles modelos com um jogador de polo gigante e números nas mangas dos polos) e um imigrante britânico veio-me pedir Average White Band. Se calhar fez parte deles. É o tipo de coisa que um membro dos Average White Band faria, reformar-se e ir viver para o Algarve, apanhar sol e usar jogadores de polo ao peito até ao final da vida. Passei BATIDA (gosto imenso de BATIDA) e ninguém se importou, até gostaram, o que é bom, mas ninguém me abraçou. Aposto que se o Wayne Coyne e o Esau Mwamwaya lá estivessem teria recebido no mínimo dois abraços.
quarta-feira, setembro 01, 2010
Duas coisas muito importantes
Não é preciso comentário:
One of my new-wave idols, Scritti Politti’s Green Gartside, used to tell a story about the days when he was an abrasive art-school punk. One night in the spring of 1980, he was the Electric Ballroom in Manchester, England, talking to Joy Division’s lead singer Ian Curtis, frustrated by the dead end of their doom-and-gloom musical styles. “I don’t think I was able to offer him any solace, nor he I,” Green said. “We were feeling pretty dejected and found our respective ways out of it.”
A week later, Ian Curtis killed himself, and Green began playing disco. Ian Curtis’s old bandmates went disco too, renaming themselves New Order. Green never looked back. As he proclaimed, “Fear of pop is an infantile disorder – you should face up to it like a man."
Rob Sheffield, Talking to Girls about Duran Duran (livro incrível, como seria de esperar depois do Love is a Mixtape, e eu iria mais além: o mundo tornou-se um sítio melhor quando os chatérrimos Joy Division acabaram e os New Order nasceram automaticamente pouco chatos)
So why not just let go of the conceit of originality, and let the songbook stand? The revival problem is also the repertory question. Very few people complain that “Hamlet” is restaged every year. Why treat music differently from any other art? Once the original authors are absent, and we agree that their ideas are perfect as is, there seems little reason to monkey with them.
I admit to having dismissed most of these acts out of hand on first listen. Their live shows began dismantling my skepticism. We are broadly taught to respect the innovator, to trust that he or she is doing something important. But we also like what we like, and I like a strong downbeat.
Sasha Frere-Jones, "The delicate art of revivals"
One of my new-wave idols, Scritti Politti’s Green Gartside, used to tell a story about the days when he was an abrasive art-school punk. One night in the spring of 1980, he was the Electric Ballroom in Manchester, England, talking to Joy Division’s lead singer Ian Curtis, frustrated by the dead end of their doom-and-gloom musical styles. “I don’t think I was able to offer him any solace, nor he I,” Green said. “We were feeling pretty dejected and found our respective ways out of it.”
A week later, Ian Curtis killed himself, and Green began playing disco. Ian Curtis’s old bandmates went disco too, renaming themselves New Order. Green never looked back. As he proclaimed, “Fear of pop is an infantile disorder – you should face up to it like a man."
Rob Sheffield, Talking to Girls about Duran Duran (livro incrível, como seria de esperar depois do Love is a Mixtape, e eu iria mais além: o mundo tornou-se um sítio melhor quando os chatérrimos Joy Division acabaram e os New Order nasceram automaticamente pouco chatos)
So why not just let go of the conceit of originality, and let the songbook stand? The revival problem is also the repertory question. Very few people complain that “Hamlet” is restaged every year. Why treat music differently from any other art? Once the original authors are absent, and we agree that their ideas are perfect as is, there seems little reason to monkey with them.
I admit to having dismissed most of these acts out of hand on first listen. Their live shows began dismantling my skepticism. We are broadly taught to respect the innovator, to trust that he or she is doing something important. But we also like what we like, and I like a strong downbeat.
Sasha Frere-Jones, "The delicate art of revivals"
quarta-feira, agosto 18, 2010
Zanguineto
Parece que não sou o único a odiar o trabalho dele. Há fãs antigos: aqui. E há gente que ficou até ao final do filme à espera do nome dele e depois o assentou para ir Googlar e acabou por vir cá ter. É enternecedor.
Luís Zanguineto
É o meu novo ódio de estimação. É o tipo que traduziu o Expendables e não sabe falar inglês. É um bocado estranho. Gostava de ter o contacto dele para lhe perguntar por que raio fez ele aquilo, onde é que aprendeu inglês e se viu sequer o filme ou estava a olhar para outro sítio qualquer. Toda a minha vida vi legendas ao lado, desde ver o The Year Punk Broke na SIC Radical e ler "a Dee Dee Ramone" ou "o J. Mascotts" (quando os nomes vêm todos creditados) até ouvir o Biography Channel a falar d'"a Alan Parsons" e a Claire a perguntar à Nate no Six Feet Under se ela gosta "do Sleater-Kinney". Às vezes percebe-se (mas não se desculpa) por ser conhecimento específico e não haver tempo para os tradutores e encolhe-se ombros por não haver nada a fazer. Já legendas como as do Expendables não têm justificação possível. O Dolph Lundgren é agarrado e o tradutor só se lembra disso a meio. Quando o Sly lhe diz "You're using", o grande Luís Zanguineto escreve "Ainda estás utilizável". Isto, claro, além de traduzir mal, sem perceber, quase todas as frases do filme, especialmente os comentários atirados para o ar, que são quase todos desprovidos da linguagem colorida das personagens e ganham um novo significado, totalmente diferente do que estava planeado. Luís Zanguineto, por favor demite-te. Pára de estragar filmes com as tuas legendas terríveis. És mesmo muito mau no teu trabalho e devias dedicar-te a outra coisa. Eu falo americano e é o Expendables, mas tenho medo de que gente como esta traduza os filmes falados noutro estrangeiro que não o americano. Assusta-me.
sexta-feira, julho 23, 2010
Inception
Incrível, sem dúvida, mas alguém devia dizer ao Nolan que ele não sabe escrever diálogos (é assim tão difícil pedir a alguém para fazê-lo por ele?) e que a exposição deve ser evitada e não abusada. Ou ele faltou à aula do "Show, don't tell"?
domingo, julho 04, 2010
Time to sit back and unwind
É triste que, no dia a seguir a um (bom) barbecue de apresentação do (óptimo) É uma Água dos PAUS, bem complementado pelo 2001 do Dre e o Bitte Orca dos Dirty Projectors (não há, nem nunca houve, saco para o embuste que são os cLOUDDEAD, muito menos ao sol), saia uma banda sonora perfeita para qualquer evento ao ar livre. Falo, é claro, da mixtape do Mick Boogie com o Jazzy Jeff, com todas as canções do mundo que sabem a Verão. Até a mais óbvia, a perfeita, do próprio JJ, o mega-clássico "Summertime" (OK, falta a "Roller Skating Jam Named 'Saturdays'", não se pode ser gritantemente óbvio). Até dá vontade de ter um terraço e fazer barbecues a toda a hora.
sexta-feira, junho 04, 2010
Ideia
O Get Him to the Greek tem um bromance entre o Russell Brand (magro) e o Jonah Hill (gordo). Gostava de fazer um filme com um bromance entre eu agora (magro) e eu há um ano e tal (gordo). Judd Apatow, liga-me.
quarta-feira, junho 02, 2010
We need new noise
Esta remistura da "New Noise" dos Refused pelos Bloody Beetroots não é só abjecta e moralmente reprovável, é também a pior coisa que ouvi em toda a minha vida. Não sou xenófobo, mas, entre os Bloody Beetroots e os Crookers, se tens um duo de música de dança, és italiano e gostas de rock mas não gostas de rock, odeio-te de morte e pára, por favor, estás a estragar o mundo.
segunda-feira, maio 24, 2010
And so it goes...
Uma pequena parte de mim morreu hoje. E valeu a pena, acho eu. Vou ter saudades – e muitas – dos recaps do Videogum, que eram uma das melhores coisas do mundo. Bem, teremos sempre o "Hey, what's up with Topher Grace?", bebé.
domingo, maio 23, 2010
Renovação do ódio
Há dias em que saio de casa e adoro o mundo e as pessoas que nele habitam. Vou pela rua a andar e a cantar e a dançar e às vezes até espalho pelos outros – essas pessoas que adoro – a minha contagiante boa disposição. Ora, isso é péssimo e nocivo para o mundo. As nossas vidas precisam de um pouco de ódio para equilibrar a balança. E, ciclicamente, eu preciso de algo que renove o meu ódio por pessoas e gente. Por isso é que estou contente (por estar zangado) outra vez: chegou a época dos festivais de Verão.
O Rock in Rio é um centro comercial gigante que não vende nada que tu queiras comprar. E isso atrai imensa gente. Tudo começou no metro na sexta-feira à tarde. Foi aí que vi a minha primeira patilha à mitra do fim-de-semana. Estava longe de ser a última. Vinha associada, como tantas outras, a um corpo de culturista, cabelo descolorado em cima com quantidades industriais de gel, bem como a uma namorada a condizer, com rabo saído à stripper. Basicamente, era o primeiro de muitos casais com a colecção toda da D&G.
Por falar nisso, tenho uma sugestão que melhoraria o mundo muito mais que um milhão de edições do Rock in Rio. Decapitação automática para todos os clientes da D&G. Era simples e eficaz e nada injusto. Pensa bem. Há justificação para ser cliente da D&G? Não. É só uma ideiazinha, mas se todos nós tivessemos ideias destas, talvez a existência do Rock in Rio não fosse necessária, porque o mundo já estaria salvo e não seria preciso estar a lutar por um mundo melhor.
Mas o Rock in Rio existe e possibilita experiências que eu nunca teria de outra maneira. Por exemplo, descobri um corte de cabelo à DJ Pauly D do Jersey Shore, o que mostra que, felizmente, essa soberba série já tem repercussões por cá, o que é muito positivo. O recinto está desenhado de maneira que, dentro do teu campo de visão, nunca haja menos que dois logótipos de marcas importantes nem menos de vinte pessoas que tu queiras executar sem julgamento. Alguém me explica por que raio é que há pessoas que, não sendo o Bruce Willis a fazer de John McClane, têm o desplante de sair à rua de wife beater (não há justificação possível para isso, tal como não há justificação possível para fazer compras na D&G). Ou, pior, de manga cava. Há quem pareça ter passado o ano inteiro a malhar no ginásio para mostrar os músculos num festival de Verão.
Neste centro comercial vende-se tudo menos música. Há uma loja da Fnac que vende no máximo dos máximos dez álbuns diferentes, dois ou três livros e um ou outro DVD. Tirando isso, não há mais música à venda. Há, sim, stands em que "celebridades" são mestres de cerimónias e animam as pessoas com piadas terríveis. Num stand da Etic a dizer "THE ETIC SHOW" atrás está o Manuel Marques a dizer "se calhar devia imitar a Shakira para me ouvirem". Um bocado abaixo há uma coisa que diz "Control Peep Show" e tem raparigas de coro a dançar ao som de canções de cabaré escolhidas pelo Gimba (alguém que adoro do fundo do coração e tinha uma camisa incrivelmente feia, a condizer com o ambiente). Atrás das dançarinas, o mestre de cerimónias: Quimbé. Nunca percebi bem quem é o Quimbé nem o que ele faz na realidade, mas a falta de piada dele e o facto de haver gente a rir com as suas piadas terríveis é daquelas coisas que me dão uma injecção de ódio pelas pessoas.
Não sou preto, mas a forma como o John Mayer pega nos blues e noutras músicas negras e transforma aquilo nas suas canções anodinamente hediondas ofende-me pessoalmente. A maior parte das coisas de que gosto ou são feitas por pretos ou por brancos que querem ser pretos e tocar música de pretos e falham redondamente quando o tentam. Está aí a piada. Se calhar o problema do Mayer é saber tocar realmente guitarra. É que, a julgar pelo que ele diz à Rolling Stone e pela maneira como se portava quando era convidado do Conan, o Mayer até é um gajo com piada e adorava que isso se notasse nas canções terríveis dele.
Apesar de gostar do Elton John (e ouvir "Tiny Dancer" ao vivo é incrível, não quero saber se não gostas da canção por causa do Almost Famous e do Cameron Crowe ser idiota, tu é que és idiota, vai-te embora e pára de me chatear), as únicas razões que eu tinha para ir (além do male bonding que é sempre reforçado neste tipo de eventos em que um gajo tem de andar em pé de um lado para o outro à seca) estavam no segundo dia eram os Major Lazer (por causa do Skerrit Bwoy) e o gajo dos XX (não tenho qualquer apreço pelos XX, mas os sets do gajo, com dubstep porreiro e pop, são incríveis).
O tipo dos XX esvaziou a tenda electrónica, que no dia antes tinha estado cheia de gajos que pensavam que estavam no Pacha de Ofir. T-shirts de gola em V e tipos que se punham às cavalitas uns dos outros e punham as palmas das mãos no ar para puxar pela malta eram o complemento perfeito para DJs que passavam sopros manhosos enquanto punham o dedo no ar. Abominável. Ou seja, os mitras não gostam de dubstep (tirando quatro ou cinco pastilhados que dançavam como se aquilo fosse bailado), como a maior parte dos fãs de XX odiariam os sets do gajo (mas graças a Deus que um puto que se veste de preto e tem ar de ter a discografia completa dos Cure não entra por esse lado como DJ).
O Skerrit Bwoy não tem qualquer tipo de talento descernível, a não ser o facto de ser o Skerrit Bwoy 24 horas por dia, especialmente em cima de um palco ou de uma coluna. Veio só o Diplo (o Switch ficou noutro sítio qualquer), o Skerrit Bwoy e duas dançarinas que serviam para colmatar o desconhecimento e a vergonha do público perante o daggering (provavelmente, a melhor dança de sempre). Houve pouco daggering, mas foi bom daggering, com o Skerrit a vergá-las sorridentes e a simular a cópula. A música era porreira, mas soa melhor em disco, talvez pelo facto de o Skerrit ser um mero hype man que praticamente não se ouve e, assim, o Diplo não puxar tanto pelos vocalistas pré-gravados.
Não estava cheio, as pessoas devem ter ficado cansadas depois dos 2 Many DJs, que fizeram um set que considero ser moralmente questionável. Tocam as mesmas músicas de sempre, com passagens perfeitas, sem qualquer erro ou espaço de manobra. Parece estar tudo pré-gravado. Não havia imagens nos ecrãs, por isso até duvido que eles tenham estado lá. Pode acusar-se os Daft Punk de fazer o mesmo, mas nunca vi os Daft Punk ao vivo e uma vez quando foram com o Kanye West aos Grammies eles estavam a tocar nuns botõezinhos e por isso aquilo é ao vivo, estás a ver? Isto podia nem ser, já que havia enimações atrás dos gajos que eram as capas dos discos que eles estavam a tocar e a alternar, em tempo real. Além disso, porra, devia ser proibido passar-se New Order e, duas malhas depois, Joy Division (agora que penso nisso, devia ser proibido passar-se Joy Division, outra medida por um mundo melhor).
Adorava ter tido coragem/companhia para experimentar o daggering. Teria tornado a minha (má) experiência num mau festival em algo muito mais proveitoso e memorável. Às vezes penso que, passada a fase da adolescência do elitismo e o caraças de só ouvir cenas desconhecidas (ou que pensava eu serem desconhecidas) até tenho uns gostos bastante mainstream. Mas vou a um festival destes e fico impressionado com aquilo em que as pessoas caem. Mesmo. No último episódio do 30 Rock (que foi especialmente bom numa temporada assim-assim – o que não quer dizer que não continue a ser uma das melhores séries cómicas do mundo de sempre), a Liz Lemon conhece o Matt Damon e, em conversa, ela diz: "I hate people too!" Senti-me assim. Por falar nisso, também é especialmente doloroso lembrar-me de que o Chuck Lorre tem duas séries horríveis no ar (e vem aí mais uma a caminho, sobre pessoas gordas, o tópico mais brejeiro de sempre, óptimo para um gajo que escreve comédia tão horrível) e o 30 Rock não é visto assim por tanta gente, ou seja: AS PESSOAS SÃO ESTÚPIDAS. Felizmente, tive alguns colegas com quem partilhar o ódio. É que, quando se odeia pessoas, não faz sentido deixar esse ódio todo para nós. É bonito partilhá-lo com os outros. O mundo é um sítio melhor assim.
O Rock in Rio é um centro comercial gigante que não vende nada que tu queiras comprar. E isso atrai imensa gente. Tudo começou no metro na sexta-feira à tarde. Foi aí que vi a minha primeira patilha à mitra do fim-de-semana. Estava longe de ser a última. Vinha associada, como tantas outras, a um corpo de culturista, cabelo descolorado em cima com quantidades industriais de gel, bem como a uma namorada a condizer, com rabo saído à stripper. Basicamente, era o primeiro de muitos casais com a colecção toda da D&G.
Por falar nisso, tenho uma sugestão que melhoraria o mundo muito mais que um milhão de edições do Rock in Rio. Decapitação automática para todos os clientes da D&G. Era simples e eficaz e nada injusto. Pensa bem. Há justificação para ser cliente da D&G? Não. É só uma ideiazinha, mas se todos nós tivessemos ideias destas, talvez a existência do Rock in Rio não fosse necessária, porque o mundo já estaria salvo e não seria preciso estar a lutar por um mundo melhor.
Mas o Rock in Rio existe e possibilita experiências que eu nunca teria de outra maneira. Por exemplo, descobri um corte de cabelo à DJ Pauly D do Jersey Shore, o que mostra que, felizmente, essa soberba série já tem repercussões por cá, o que é muito positivo. O recinto está desenhado de maneira que, dentro do teu campo de visão, nunca haja menos que dois logótipos de marcas importantes nem menos de vinte pessoas que tu queiras executar sem julgamento. Alguém me explica por que raio é que há pessoas que, não sendo o Bruce Willis a fazer de John McClane, têm o desplante de sair à rua de wife beater (não há justificação possível para isso, tal como não há justificação possível para fazer compras na D&G). Ou, pior, de manga cava. Há quem pareça ter passado o ano inteiro a malhar no ginásio para mostrar os músculos num festival de Verão.
Neste centro comercial vende-se tudo menos música. Há uma loja da Fnac que vende no máximo dos máximos dez álbuns diferentes, dois ou três livros e um ou outro DVD. Tirando isso, não há mais música à venda. Há, sim, stands em que "celebridades" são mestres de cerimónias e animam as pessoas com piadas terríveis. Num stand da Etic a dizer "THE ETIC SHOW" atrás está o Manuel Marques a dizer "se calhar devia imitar a Shakira para me ouvirem". Um bocado abaixo há uma coisa que diz "Control Peep Show" e tem raparigas de coro a dançar ao som de canções de cabaré escolhidas pelo Gimba (alguém que adoro do fundo do coração e tinha uma camisa incrivelmente feia, a condizer com o ambiente). Atrás das dançarinas, o mestre de cerimónias: Quimbé. Nunca percebi bem quem é o Quimbé nem o que ele faz na realidade, mas a falta de piada dele e o facto de haver gente a rir com as suas piadas terríveis é daquelas coisas que me dão uma injecção de ódio pelas pessoas.
Não sou preto, mas a forma como o John Mayer pega nos blues e noutras músicas negras e transforma aquilo nas suas canções anodinamente hediondas ofende-me pessoalmente. A maior parte das coisas de que gosto ou são feitas por pretos ou por brancos que querem ser pretos e tocar música de pretos e falham redondamente quando o tentam. Está aí a piada. Se calhar o problema do Mayer é saber tocar realmente guitarra. É que, a julgar pelo que ele diz à Rolling Stone e pela maneira como se portava quando era convidado do Conan, o Mayer até é um gajo com piada e adorava que isso se notasse nas canções terríveis dele.
Apesar de gostar do Elton John (e ouvir "Tiny Dancer" ao vivo é incrível, não quero saber se não gostas da canção por causa do Almost Famous e do Cameron Crowe ser idiota, tu é que és idiota, vai-te embora e pára de me chatear), as únicas razões que eu tinha para ir (além do male bonding que é sempre reforçado neste tipo de eventos em que um gajo tem de andar em pé de um lado para o outro à seca) estavam no segundo dia eram os Major Lazer (por causa do Skerrit Bwoy) e o gajo dos XX (não tenho qualquer apreço pelos XX, mas os sets do gajo, com dubstep porreiro e pop, são incríveis).
O tipo dos XX esvaziou a tenda electrónica, que no dia antes tinha estado cheia de gajos que pensavam que estavam no Pacha de Ofir. T-shirts de gola em V e tipos que se punham às cavalitas uns dos outros e punham as palmas das mãos no ar para puxar pela malta eram o complemento perfeito para DJs que passavam sopros manhosos enquanto punham o dedo no ar. Abominável. Ou seja, os mitras não gostam de dubstep (tirando quatro ou cinco pastilhados que dançavam como se aquilo fosse bailado), como a maior parte dos fãs de XX odiariam os sets do gajo (mas graças a Deus que um puto que se veste de preto e tem ar de ter a discografia completa dos Cure não entra por esse lado como DJ).
O Skerrit Bwoy não tem qualquer tipo de talento descernível, a não ser o facto de ser o Skerrit Bwoy 24 horas por dia, especialmente em cima de um palco ou de uma coluna. Veio só o Diplo (o Switch ficou noutro sítio qualquer), o Skerrit Bwoy e duas dançarinas que serviam para colmatar o desconhecimento e a vergonha do público perante o daggering (provavelmente, a melhor dança de sempre). Houve pouco daggering, mas foi bom daggering, com o Skerrit a vergá-las sorridentes e a simular a cópula. A música era porreira, mas soa melhor em disco, talvez pelo facto de o Skerrit ser um mero hype man que praticamente não se ouve e, assim, o Diplo não puxar tanto pelos vocalistas pré-gravados.
Não estava cheio, as pessoas devem ter ficado cansadas depois dos 2 Many DJs, que fizeram um set que considero ser moralmente questionável. Tocam as mesmas músicas de sempre, com passagens perfeitas, sem qualquer erro ou espaço de manobra. Parece estar tudo pré-gravado. Não havia imagens nos ecrãs, por isso até duvido que eles tenham estado lá. Pode acusar-se os Daft Punk de fazer o mesmo, mas nunca vi os Daft Punk ao vivo e uma vez quando foram com o Kanye West aos Grammies eles estavam a tocar nuns botõezinhos e por isso aquilo é ao vivo, estás a ver? Isto podia nem ser, já que havia enimações atrás dos gajos que eram as capas dos discos que eles estavam a tocar e a alternar, em tempo real. Além disso, porra, devia ser proibido passar-se New Order e, duas malhas depois, Joy Division (agora que penso nisso, devia ser proibido passar-se Joy Division, outra medida por um mundo melhor).
Adorava ter tido coragem/companhia para experimentar o daggering. Teria tornado a minha (má) experiência num mau festival em algo muito mais proveitoso e memorável. Às vezes penso que, passada a fase da adolescência do elitismo e o caraças de só ouvir cenas desconhecidas (ou que pensava eu serem desconhecidas) até tenho uns gostos bastante mainstream. Mas vou a um festival destes e fico impressionado com aquilo em que as pessoas caem. Mesmo. No último episódio do 30 Rock (que foi especialmente bom numa temporada assim-assim – o que não quer dizer que não continue a ser uma das melhores séries cómicas do mundo de sempre), a Liz Lemon conhece o Matt Damon e, em conversa, ela diz: "I hate people too!" Senti-me assim. Por falar nisso, também é especialmente doloroso lembrar-me de que o Chuck Lorre tem duas séries horríveis no ar (e vem aí mais uma a caminho, sobre pessoas gordas, o tópico mais brejeiro de sempre, óptimo para um gajo que escreve comédia tão horrível) e o 30 Rock não é visto assim por tanta gente, ou seja: AS PESSOAS SÃO ESTÚPIDAS. Felizmente, tive alguns colegas com quem partilhar o ódio. É que, quando se odeia pessoas, não faz sentido deixar esse ódio todo para nós. É bonito partilhá-lo com os outros. O mundo é um sítio melhor assim.
segunda-feira, maio 03, 2010
CIMENTO. 2006-2010
Grande parte dos últimos quatro anos foi passada, de uma maneira ou de outra, a ser membro dos CIMENTO. Éramos três tipos que passavam música, mais nada, mas era quase como um estilo de vida. Mesmo que não estivéssemos a passar música, estávamos a comprar música, a falar sobre música, em concertos, a falar de futuros sets, de como seria bom passar isto e aquilo, de como seria bom ir aqui ou ali. Agora, ao que tudo indica, acabou.
Milhentos DJs dizem-se eclécticos, mas sabem que não podem fazer certas coisas a meio dos sets e costumam cingir-se a apenas alguns géneros. Como não-DJs, nunca soubemos o que não fazer. Não havia regras. Simon & Garfunkel no Lux? Fizemo-lo. "Tiny Dancer" do Elton John, em tantos sítios, abraçados, a cantar a letra toda? Também. Sem problemas. Stooges, Sonic Youth e Metallica lado a lado com Beyoncé, Rihanna e Kelis? Aconteceu. Os The Tough Alliance em todos os sets, mesmo em sítios em que só nós os três é que os conhecíamos? Não importava, adoramo-los, são, tirando os Wu-Tang Clan, a banda mais CIMENTO. de sempre.
Há umas semanas fui ao Pacha de Madrid. No andar de baixo a música era terrível, alternada com algo decente muito de vez em quando. Aborrecido, encontrei um segundo andar que passava rap e r&b e no qual toda a gente dançava feliz e contente e alegre. Eu fiz o mesmo. Gosto das canções, mas senti-me sujo. Sei que a música de dança e as discotecas devem ser anónimas, com o foco sobre a música e não sobre a pessoa que a passa, e que é tudo isso que faz a cultura de DJs ser diferentes. Todas aquelas canções estavam escolhidas para agradar ao máximo a quem lá ia, sem qualquer personalidade ou critério. O DJ não se mexia, não parecia ter grande prazer no que estava a fazer. Nós, CIMENTO., não sabíamos fazer passagens (às vezes esforçávamo-nos mais ou menos e lá saía uma sem querer), mas sabíamos divertir-nos e ter prazer no que estávamos a fazer. Sabíamos dançar e ficar contentes e passar-nos completamente e, parece, passar esse entusiasmo para as pessoas.
Há uns anos, íamos mais ou menos uma vez por semana à Carbono comprar discos. As prateleiras dos cinco euros eram todas nossas. Recheámos as nossas malas com discos de rap e r&b e éramos, invariavelmente, julgados pelos tipos claramente roquistas que estavam ao balcão. Tenho a certeza de que se riam quando nos íamos embora. Éramos óptimos clientes, clientes habituais, mas éramos sempre mal tratados. Mesmo assim, era um ritual porreiro, que mostrava como encarávamos isto tudo: pensávamos constantemente sobre as malhas que queríamos passar e ansiávamos pelo próximo set para podermos fazê-lo. Entretanto abriu a Louie Louie e a Carbono não passa de uma má memória. Só que há uma atenuante: não é má. Por muito que discutíssemos ou amuássemos (e eu à cabeça), as memórias, pelo menos as minhas, são todas boas.
Na segunda metade de 2007, havia sets de CIMENTO. praticamente todas as semanas. 2008 também foi um bom ano, mas lá para o fim começou a escassear. A escassez agravou-se em 2009 e em 2010, sets, mal vê-los. Tudo bem. Os discos iam acumulando e a vontade de passá-los também, sem qualquer escoamento. Fomos a muitos sítios. O principal, a nossa casa, sempre foi o Left, onde começámos e, pelos vistos, acabámos. Mas também fomos presença assídua durante uns tempos no Mini-Mercado (lembro especialmente a passagem de Agosto para Setembro de 2007 e o meu aniversário em 2007 e 2008), tocámos uma vez no Lux, umas três ou quatro vezes no Lounge, duas vezes (noites incríveis) na Casa Conveniente, fomos ao Plano B no Porto (com a Joana M. e a Sara, obrigado), à Sociedade Harmonia Eborense em Évora (com a Joana B., talvez a maior groupie de sempre de CIMENTO.), ao Cinema Paraíso em Leiria (foram acompanhar-nos o Nicolai, a Joana B. e o Ramos), um casamento, ao primeiro aniversário do Museu Berardo, a uma festa da Católica no Porto, a Santa Maria da Feira, a uma festa da Time Out. Não me lembro de mais agora, mas, por quatro anos, pude andar por Lisboa e por Portugal a passar música com dois dos meus melhores amigos. Podia ter sido muito pior. Passei de ficar em casa por não ter nada para fazer para fazer o melhor que havia para fazer. Até, uma vez no Lux, fui reconhecido por duas raparigas, que me perguntaram se não era dos CIMENTO. "Gostamos bué de CIMENTO., vimo-vos uma vez no Mini-Mercado." Foi o meu único momento de fama.
Fizemos dançar muitas pessoas e, especialmente, fizemo-nos dançar a nós próprios. Amigos e amigas, alguns que conheci lá, ou não, gente como várias Joanas, a Carin, a Sara, a Maria, a Rita, a Ana e, last but not least, até a Nika. E montes de outras pessoas, espero eu. Cada segundo valeu a pena e foi provavelmente das melhores coisas que já me aconteceram na vida desde sempre. Espero que sejamos como o Jay-Z (alguém que os três adoramos) e regressemos da reforma daqui a pouco tempo.
Milhentos DJs dizem-se eclécticos, mas sabem que não podem fazer certas coisas a meio dos sets e costumam cingir-se a apenas alguns géneros. Como não-DJs, nunca soubemos o que não fazer. Não havia regras. Simon & Garfunkel no Lux? Fizemo-lo. "Tiny Dancer" do Elton John, em tantos sítios, abraçados, a cantar a letra toda? Também. Sem problemas. Stooges, Sonic Youth e Metallica lado a lado com Beyoncé, Rihanna e Kelis? Aconteceu. Os The Tough Alliance em todos os sets, mesmo em sítios em que só nós os três é que os conhecíamos? Não importava, adoramo-los, são, tirando os Wu-Tang Clan, a banda mais CIMENTO. de sempre.
Há umas semanas fui ao Pacha de Madrid. No andar de baixo a música era terrível, alternada com algo decente muito de vez em quando. Aborrecido, encontrei um segundo andar que passava rap e r&b e no qual toda a gente dançava feliz e contente e alegre. Eu fiz o mesmo. Gosto das canções, mas senti-me sujo. Sei que a música de dança e as discotecas devem ser anónimas, com o foco sobre a música e não sobre a pessoa que a passa, e que é tudo isso que faz a cultura de DJs ser diferentes. Todas aquelas canções estavam escolhidas para agradar ao máximo a quem lá ia, sem qualquer personalidade ou critério. O DJ não se mexia, não parecia ter grande prazer no que estava a fazer. Nós, CIMENTO., não sabíamos fazer passagens (às vezes esforçávamo-nos mais ou menos e lá saía uma sem querer), mas sabíamos divertir-nos e ter prazer no que estávamos a fazer. Sabíamos dançar e ficar contentes e passar-nos completamente e, parece, passar esse entusiasmo para as pessoas.
Há uns anos, íamos mais ou menos uma vez por semana à Carbono comprar discos. As prateleiras dos cinco euros eram todas nossas. Recheámos as nossas malas com discos de rap e r&b e éramos, invariavelmente, julgados pelos tipos claramente roquistas que estavam ao balcão. Tenho a certeza de que se riam quando nos íamos embora. Éramos óptimos clientes, clientes habituais, mas éramos sempre mal tratados. Mesmo assim, era um ritual porreiro, que mostrava como encarávamos isto tudo: pensávamos constantemente sobre as malhas que queríamos passar e ansiávamos pelo próximo set para podermos fazê-lo. Entretanto abriu a Louie Louie e a Carbono não passa de uma má memória. Só que há uma atenuante: não é má. Por muito que discutíssemos ou amuássemos (e eu à cabeça), as memórias, pelo menos as minhas, são todas boas.
Na segunda metade de 2007, havia sets de CIMENTO. praticamente todas as semanas. 2008 também foi um bom ano, mas lá para o fim começou a escassear. A escassez agravou-se em 2009 e em 2010, sets, mal vê-los. Tudo bem. Os discos iam acumulando e a vontade de passá-los também, sem qualquer escoamento. Fomos a muitos sítios. O principal, a nossa casa, sempre foi o Left, onde começámos e, pelos vistos, acabámos. Mas também fomos presença assídua durante uns tempos no Mini-Mercado (lembro especialmente a passagem de Agosto para Setembro de 2007 e o meu aniversário em 2007 e 2008), tocámos uma vez no Lux, umas três ou quatro vezes no Lounge, duas vezes (noites incríveis) na Casa Conveniente, fomos ao Plano B no Porto (com a Joana M. e a Sara, obrigado), à Sociedade Harmonia Eborense em Évora (com a Joana B., talvez a maior groupie de sempre de CIMENTO.), ao Cinema Paraíso em Leiria (foram acompanhar-nos o Nicolai, a Joana B. e o Ramos), um casamento, ao primeiro aniversário do Museu Berardo, a uma festa da Católica no Porto, a Santa Maria da Feira, a uma festa da Time Out. Não me lembro de mais agora, mas, por quatro anos, pude andar por Lisboa e por Portugal a passar música com dois dos meus melhores amigos. Podia ter sido muito pior. Passei de ficar em casa por não ter nada para fazer para fazer o melhor que havia para fazer. Até, uma vez no Lux, fui reconhecido por duas raparigas, que me perguntaram se não era dos CIMENTO. "Gostamos bué de CIMENTO., vimo-vos uma vez no Mini-Mercado." Foi o meu único momento de fama.
Fizemos dançar muitas pessoas e, especialmente, fizemo-nos dançar a nós próprios. Amigos e amigas, alguns que conheci lá, ou não, gente como várias Joanas, a Carin, a Sara, a Maria, a Rita, a Ana e, last but not least, até a Nika. E montes de outras pessoas, espero eu. Cada segundo valeu a pena e foi provavelmente das melhores coisas que já me aconteceram na vida desde sempre. Espero que sejamos como o Jay-Z (alguém que os três adoramos) e regressemos da reforma daqui a pouco tempo.
quarta-feira, abril 21, 2010
segunda-feira, abril 19, 2010
Singular
Este não foi publicado porque já tem umas semanas (foi escrito pré-leak dos LCD e pré-vídeo de "Drunk Girls", ou seja, antes de hoje):
LCD Soundsystem
Drunk Girls
YouTube
Não tenha medo. "Drunk Girls" não é daquelas canções introspectivas dos LCD Soundsystem que tanto podem ser excelentes como aborrecidíssimas. Não, é LCD Soundsystem com tudo aquilo que se espera deles: repetição, minimalismo, guitarras pós-punk, gritinhos, tiques vocais, sintetizadores, diversão e linhas de baixo simples e boas. A temática é a perfeita para a festa: raparigas bêbedas. Porque, já perguntava a avó de toda a gente, o que é uma festa sem espécimes do sexo feminino alcoolizados?
R. Kelly
Be My #2
YouTube
Esqueça "Be My Baby" das Ronettes. O que está a dar é ser romântico, mas não em demasia. Esta canção de R. Kelly é uma canção de amor, mas não é um amor qualquer. É o amor por uma amante. A mensagem é simples: "amo-te, mas tenho uma principal, queres ser a minha secundária?" Acontece que é a melhor canção de R. Kelly em muitos anos, com um instrumental disco-sound cheio de funk inesperado, com guitarras, cordas e sopros foleiros. A produção é de Jack Splash, dos revivalistas do funk futurista PlantLife, e lembra as discotecas dos anos 70 onde se dançava de patins.
Jamie Lidell
The Ring
Pitchfork.tv
Sobre Van Morrison, o crítico Greil Marcus dizia que nenhum branco cantava assim. Era uma referência à capacidade vocal extraordinária do irlandês que se pode aplicar na perfeição a Jamie Lidell. Mas onde Morrison vai lá pela dor, Lidell vai lá pelo mel. Enquanto os (óptimos) dois álbuns anteriores de Lidell eram soul retro, cheios de grandes canções, o próximo, Compass, vai ser mais experimental. "The Ring" prova isso mesmo. É uma canção suja – cortesia da voz a fazer de guitarra e de baixo e de um trompete, tudo bem distorcido –, com piano e palmas, que muito deve aos blues, mas não deixa de ter toneladas de funk. Viciante.
LCD Soundsystem
Drunk Girls
YouTube
Não tenha medo. "Drunk Girls" não é daquelas canções introspectivas dos LCD Soundsystem que tanto podem ser excelentes como aborrecidíssimas. Não, é LCD Soundsystem com tudo aquilo que se espera deles: repetição, minimalismo, guitarras pós-punk, gritinhos, tiques vocais, sintetizadores, diversão e linhas de baixo simples e boas. A temática é a perfeita para a festa: raparigas bêbedas. Porque, já perguntava a avó de toda a gente, o que é uma festa sem espécimes do sexo feminino alcoolizados?
R. Kelly
Be My #2
YouTube
Esqueça "Be My Baby" das Ronettes. O que está a dar é ser romântico, mas não em demasia. Esta canção de R. Kelly é uma canção de amor, mas não é um amor qualquer. É o amor por uma amante. A mensagem é simples: "amo-te, mas tenho uma principal, queres ser a minha secundária?" Acontece que é a melhor canção de R. Kelly em muitos anos, com um instrumental disco-sound cheio de funk inesperado, com guitarras, cordas e sopros foleiros. A produção é de Jack Splash, dos revivalistas do funk futurista PlantLife, e lembra as discotecas dos anos 70 onde se dançava de patins.
Jamie Lidell
The Ring
Pitchfork.tv
Sobre Van Morrison, o crítico Greil Marcus dizia que nenhum branco cantava assim. Era uma referência à capacidade vocal extraordinária do irlandês que se pode aplicar na perfeição a Jamie Lidell. Mas onde Morrison vai lá pela dor, Lidell vai lá pelo mel. Enquanto os (óptimos) dois álbuns anteriores de Lidell eram soul retro, cheios de grandes canções, o próximo, Compass, vai ser mais experimental. "The Ring" prova isso mesmo. É uma canção suja – cortesia da voz a fazer de guitarra e de baixo e de um trompete, tudo bem distorcido –, com piano e palmas, que muito deve aos blues, mas não deixa de ter toneladas de funk. Viciante.
segunda-feira, março 29, 2010
Sobre a misoginia
Melhor canção de sempre, certo? Talvez o Stephin Merritt, fã confesso de Phil Spector, o senhor que produziu a canção, concorde (também podemos fazer uma generalização irracional igual àquelas que Alberto Gonçalves: os Grizzly Bear, cujo vocalista é gay, fizeram uma versão desta canção, por isso é provável que Stephin Merrit, que também é gay, de Nova Iorque, e músico, a adore). E o que é? É uma canção escrita por Carole King e Gerry Goffin, um casal, sobre uma mulher cujo parceiro lhe bate. E, quanto mais lhe bate, mais ela percebe que ele gosta dela. Uma perspectiva muito bonita. A ideia era protestar esse tipo de mentalidade, mas isso não está explícito em lado nenhum. Podia perfeitamente estar a legitimar-se a coisa. Aposto que o senhor Alberto Gonçalves, que se insurge contra a misoginia do hip-hop, não tem nada contra esta canção. Nem contra o Phil Spector, um senhor que tem um vasto historial de pouca misoginia. É complicado, para uma mulher que ande com ele, acabar com a relação. Não é que ele seja irresistível, é só que ele tende a pegar numa pistola e apontá-la à cabeça de todas as pessoas do sexo feminino que ousem deixá-lo. Mas não é misógino porque não fez a escolha de vida errada, a do rap. É aceitável para o Alberto Gonçalves e para o seu herói Stephin Merritt.
Reparem e olhem à vossa volta: há misoginia em todo o lado. Achar que é perpetuada apenas pelo rap ou pelo metal não é só estúpido e idiota, é altamente irresponsável. O Phil Spector é um génio, ninguém duvida disso, mas é violento com mulheres e traumatiza-as para a vida. Também o era o Notorious B.I.G., que batia na Faith Evans. Nada altera o facto de terem feito música incrível, da melhor que alguma vez se fez. A produção do Spector na "Be My Baby" das Ronettes – para ser um bocadinho mais como Alberto Gonçalves e recorrer apenas ao óbvio – perde a beleza? As primeiras palavras do Biggie na "Juicy" ("It was all a dream, I used to read Word Up Magazine") e tudo o resto, a história rags-to-riches que ele conta tão bem deixa de ser tocante e uma das mais belas cartas de amor ao rap de sempre? Não. As atitudes deles são reprováveis e devem ser combatidas, sim. Fingir que só existem ali ou, pior, que é lá que nascem, é perigoso.
Apelo a um homem de negócios
A qual destas pessoas é que daria emprego?

Ao tipo de barba por fazer, vestido com um casaco de cabedal e uma camisa manhosa, que enverga um misto entre boné e boina na cabeça?

Ou ao senhor aprumado e bem vestido?
Um destes dois fez a escolha de vida perigosa (e errada) que é o hip-hop. Veja se adivinha qual deles foi.

Ao tipo de barba por fazer, vestido com um casaco de cabedal e uma camisa manhosa, que enverga um misto entre boné e boina na cabeça?

Ou ao senhor aprumado e bem vestido?
Um destes dois fez a escolha de vida perigosa (e errada) que é o hip-hop. Veja se adivinha qual deles foi.
domingo, março 28, 2010
Alberto, meu amor
Ó palhacito, custa-me estar a afirmar o que para mim é tão óbvio e tão claro como a pele branca de toda a gente que endeusas: estás a fazer uma generalização incorrecta. Nem todo o hip-hop é misógino, nem todo o hip-hop é contra o sistema (que dizer, por exemplo, da transformação dos rappers em quase corporações, do Jay-Z dizer "I'm not a businessman, I'm a business, man", de ser presidente da Def Jam, da ideia do "Black Republican" com o Nas, do caralho que te foda, etc.). Nem todo o hip-hop é preto, nem todo o hip-hop é marginal. Mas não, não consegues perceber isso. Já para não falar da misoginia no rock (olha o Iggy Pop sobre as mulheres: "However close they come I'll always pull the rug from under them. That's where my music is made." ). Sabes ler? Como qualquer pessoa com um coração, adoro os primeiros dois álbuns dos Weezer. O azul tem uma canção chamada "No One Else", em que o Rivers Cuomo diz que quer uma rapariga que não sorria a mais ninguém, que quando ele não está não sai de casa e deixa a maquilhagem na estante. Basicamente, ele quer uma rapariga com trela. Isto quando até o Dr. Dre, o Snoop Dogg e o Ice Cube deixam as hoes deles ir à rua sozinhas de vez em quando.
quarta-feira, março 24, 2010
Como escrever
Memo do David Mamet para os guionistas do The Unit:
TO THE WRITERS OF THE UNIT
GREETINGS.
AS WE LEARN HOW TO WRITE THIS SHOW, A RECURRING PROBLEM BECOMES CLEAR.
THE PROBLEM IS THIS: TO DIFFERENTIATE BETWEEN *DRAMA* AND NON-DRAMA. LET ME BREAK-IT-DOWN-NOW.
EVERYONE IN CREATION IS SCREAMING AT US TO MAKE THE SHOW CLEAR. WE ARE TASKED WITH, IT SEEMS, CRAMMING A SHITLOAD OF *INFORMATION* INTO A LITTLE BIT OF TIME.
OUR FRIENDS. THE PENGUINS, THINK THAT WE, THEREFORE, ARE EMPLOYED TO COMMUNICATE *INFORMATION* — AND, SO, AT TIMES, IT SEEMS TO US.
BUT NOTE:THE AUDIENCE WILL NOT TUNE IN TO WATCH INFORMATION. YOU WOULDN’T, I WOULDN’T. NO ONE WOULD OR WILL. THE AUDIENCE WILL ONLY TUNE IN AND STAY TUNED TO WATCH DRAMA.
QUESTION:WHAT IS DRAMA? DRAMA, AGAIN, IS THE QUEST OF THE HERO TO OVERCOME THOSE THINGS WHICH PREVENT HIM FROM ACHIEVING A SPECIFIC, *ACUTE* GOAL.
SO: WE, THE WRITERS, MUST ASK OURSELVES *OF EVERY SCENE* THESE THREE QUESTIONS.
1) WHO WANTS WHAT?
2) WHAT HAPPENS IF HER DON’T GET IT?
3) WHY NOW?
THE ANSWERS TO THESE QUESTIONS ARE LITMUS PAPER. APPLY THEM, AND THEIR ANSWER WILL TELL YOU IF THE SCENE IS DRAMATIC OR NOT.
IF THE SCENE IS NOT DRAMATICALLY WRITTEN, IT WILL NOT BE DRAMATICALLY ACTED.
THERE IS NO MAGIC FAIRY DUST WHICH WILL MAKE A BORING, USELESS, REDUNDANT, OR MERELY INFORMATIVE SCENE AFTER IT LEAVES YOUR TYPEWRITER. *YOU* THE WRITERS, ARE IN CHARGE OF MAKING SURE *EVERY* SCENE IS DRAMATIC.
THIS MEANS ALL THE “LITTLE” EXPOSITIONAL SCENES OF TWO PEOPLE TALKING ABOUT A THIRD. THIS BUSHWAH (AND WE ALL TEND TO WRITE IT ON THE FIRST DRAFT) IS LESS THAN USELESS, SHOULD IT FINALLY, GOD FORBID, GET FILMED.
IF THE SCENE BORES YOU WHEN YOU READ IT, REST ASSURED IT *WILL* BORE THE ACTORS, AND WILL, THEN, BORE THE AUDIENCE, AND WE’RE ALL GOING TO BE BACK IN THE BREADLINE.
SOMEONE HAS TO MAKE THE SCENE DRAMATIC. IT IS NOT THE ACTORS JOB (THE ACTORS JOB IS TO BE TRUTHFUL). IT IS NOT THE DIRECTORS JOB. HIS OR HER JOB IS TO FILM IT STRAIGHTFORWARDLY AND REMIND THE ACTORS TO TALK FAST. IT IS *YOUR* JOB.
EVERY SCENE MUST BE DRAMATIC. THAT MEANS: THE MAIN CHARACTER MUST HAVE A SIMPLE, STRAIGHTFORWARD, PRESSING NEED WHICH IMPELS HIM OR HER TO SHOW UP IN THE SCENE.
THIS NEED IS WHY THEY *CAME*. IT IS WHAT THE SCENE IS ABOUT. THEIR ATTEMPT TO GET THIS NEED MET *WILL* LEAD, AT THE END OF THE SCENE,TO *FAILURE* – THIS IS HOW THE SCENE IS *OVER*. IT, THIS FAILURE, WILL, THEN, OF NECESSITY, PROPEL US INTO THE *NEXT* SCENE.
ALL THESE ATTEMPTS, TAKEN TOGETHER, WILL, OVER THE COURSE OF THE EPISODE, CONSTITUTE THE *PLOT*.
ANY SCENE, THUS, WHICH DOES NOT BOTH ADVANCE THE PLOT, AND STANDALONE (THAT IS, DRAMATICALLY, BY ITSELF, ON ITS OWN MERITS) IS EITHER SUPERFLUOUS, OR INCORRECTLY WRITTEN.
YES BUT YES BUT YES BUT, YOU SAY: WHAT ABOUT THE NECESSITY OF WRITING IN ALL THAT “INFORMATION?”
AND I RESPOND “*FIGURE IT OUT*” ANY DICKHEAD WITH A BLUESUIT CAN BE (AND IS) TAUGHT TO SAY “MAKE IT CLEARER”, AND “I WANT TO KNOW MORE *ABOUT* HIM”.
WHEN YOU’VE MADE IT SO CLEAR THAT EVEN THIS BLUESUITED PENGUIN IS HAPPY, BOTH YOU AND HE OR SHE *WILL* BE OUT OF A JOB.
THE JOB OF THE DRAMATIST IS TO MAKE THE AUDIENCE WONDER WHAT HAPPENS NEXT. *NOT* TO EXPLAIN TO THEM WHAT JUST HAPPENED, OR TO*SUGGEST* TO THEM WHAT HAPPENS NEXT.
ANY DICKHEAD, AS ABOVE, CAN WRITE, “BUT, JIM, IF WE DON’T ASSASSINATE THE PRIME MINISTER IN THE NEXT SCENE, ALL EUROPE WILL BE ENGULFED IN FLAME”
WE ARE NOT GETTING PAID TO *REALIZE* THAT THE AUDIENCE NEEDS THIS INFORMATION TO UNDERSTAND THE NEXT SCENE, BUT TO FIGURE OUT HOW TO WRITE THE SCENE BEFORE US SUCH THAT THE AUDIENCE WILL BE INTERESTED IN WHAT HAPPENS NEXT.
YES BUT, YES BUT YES *BUT* YOU REITERATE.
AND I RESPOND *FIGURE IT OUT*.
*HOW* DOES ONE STRIKE THE BALANCE BETWEEN WITHHOLDING AND VOUCHSAFING INFORMATION? *THAT* IS THE ESSENTIAL TASK OF THE DRAMATIST. AND THE ABILITY TO *DO* THAT IS WHAT SEPARATES YOU FROM THE LESSER SPECIES IN THEIR BLUE SUITS.
FIGURE IT OUT.
START, EVERY TIME, WITH THIS INVIOLABLE RULE: THE *SCENE MUST BE DRAMATIC*. it must start because the hero HAS A PROBLEM, AND IT MUST CULMINATE WITH THE HERO FINDING HIM OR HERSELF EITHER THWARTED OR EDUCATED THAT ANOTHER WAY EXISTS.
LOOK AT YOUR LOG LINES. ANY LOGLINE READING “BOB AND SUE DISCUSS…” IS NOT DESCRIBING A DRAMATIC SCENE.
PLEASE NOTE THAT OUR OUTLINES ARE, GENERALLY, SPECTACULAR. THE DRAMA FLOWS OUT BETWEEN THE OUTLINE AND THE FIRST DRAFT.
THINK LIKE A FILMMAKER RATHER THAN A FUNCTIONARY, BECAUSE, IN TRUTH, *YOU* ARE MAKING THE FILM. WHAT YOU WRITE, THEY WILL SHOOT.
HERE ARE THE DANGER SIGNALS. ANY TIME TWO CHARACTERS ARE TALKING ABOUT A THIRD, THE SCENE IS A CROCK OF SHIT.
ANY TIME ANY CHARACTER IS SAYING TO ANOTHER “AS YOU KNOW”, THAT IS, TELLING ANOTHER CHARACTER WHAT YOU, THE WRITER, NEED THE AUDIENCE TO KNOW, THE SCENE IS A CROCK OF SHIT.
DO *NOT* WRITE A CROCK OF SHIT. WRITE A RIPPING THREE, FOUR, SEVEN MINUTE SCENE WHICH MOVES THE STORY ALONG, AND YOU CAN, VERY SOON, BUY A HOUSE IN BEL AIR *AND* HIRE SOMEONE TO LIVE THERE FOR YOU.
REMEMBER YOU ARE WRITING FOR A VISUAL MEDIUM. *MOST* TELEVISION WRITING, OURS INCLUDED, SOUNDS LIKE *RADIO*. THE *CAMERA* CAN DO THE EXPLAINING FOR YOU. *LET* IT. WHAT ARE THE CHARACTERS *DOING* -*LITERALLY*. WHAT ARE THEY HANDLING, WHAT ARE THEY READING. WHAT ARE THEY WATCHING ON TELEVISION, WHAT ARE THEY *SEEING*.
IF YOU PRETEND THE CHARACTERS CANT SPEAK, AND WRITE A SILENT MOVIE, YOU WILL BE WRITING GREAT DRAMA.
IF YOU DEPRIVE YOURSELF OF THE CRUTCH OF NARRATION, EXPOSITION,INDEED, OF *SPEECH*. YOU WILL BE FORGED TO WORK IN A NEW MEDIUM - TELLING THE STORY IN PICTURES (ALSO KNOWN AS SCREENWRITING)
THIS IS A NEW SKILL. NO ONE DOES IT NATURALLY. YOU CAN TRAIN YOURSELVES TO DO IT, BUT YOU NEED TO *START*.
I CLOSE WITH THE ONE THOUGHT: LOOK AT THE *SCENE* AND ASK YOURSELF “IS IT DRAMATIC? IS IT *ESSENTIAL*? DOES IT ADVANCE THE PLOT?
ANSWER TRUTHFULLY.
IF THE ANSWER IS “NO” WRITE IT AGAIN OR THROW IT OUT. IF YOU’VE GOT ANY QUESTIONS, CALL ME UP.
LOVE, DAVE MAMET
SANTA MONICA 19 OCTO 05
(IT IS *NOT* YOUR RESPONSIBILITY TO KNOW THE ANSWERS, BUT IT IS YOUR, AND MY, RESPONSIBILITY TO KNOW AND TO *ASK THE RIGHT Questions* OVER AND OVER. UNTIL IT BECOMES SECOND NATURE. I BELIEVE THEY ARE LISTED ABOVE.)
TO THE WRITERS OF THE UNIT
GREETINGS.
AS WE LEARN HOW TO WRITE THIS SHOW, A RECURRING PROBLEM BECOMES CLEAR.
THE PROBLEM IS THIS: TO DIFFERENTIATE BETWEEN *DRAMA* AND NON-DRAMA. LET ME BREAK-IT-DOWN-NOW.
EVERYONE IN CREATION IS SCREAMING AT US TO MAKE THE SHOW CLEAR. WE ARE TASKED WITH, IT SEEMS, CRAMMING A SHITLOAD OF *INFORMATION* INTO A LITTLE BIT OF TIME.
OUR FRIENDS. THE PENGUINS, THINK THAT WE, THEREFORE, ARE EMPLOYED TO COMMUNICATE *INFORMATION* — AND, SO, AT TIMES, IT SEEMS TO US.
BUT NOTE:THE AUDIENCE WILL NOT TUNE IN TO WATCH INFORMATION. YOU WOULDN’T, I WOULDN’T. NO ONE WOULD OR WILL. THE AUDIENCE WILL ONLY TUNE IN AND STAY TUNED TO WATCH DRAMA.
QUESTION:WHAT IS DRAMA? DRAMA, AGAIN, IS THE QUEST OF THE HERO TO OVERCOME THOSE THINGS WHICH PREVENT HIM FROM ACHIEVING A SPECIFIC, *ACUTE* GOAL.
SO: WE, THE WRITERS, MUST ASK OURSELVES *OF EVERY SCENE* THESE THREE QUESTIONS.
1) WHO WANTS WHAT?
2) WHAT HAPPENS IF HER DON’T GET IT?
3) WHY NOW?
THE ANSWERS TO THESE QUESTIONS ARE LITMUS PAPER. APPLY THEM, AND THEIR ANSWER WILL TELL YOU IF THE SCENE IS DRAMATIC OR NOT.
IF THE SCENE IS NOT DRAMATICALLY WRITTEN, IT WILL NOT BE DRAMATICALLY ACTED.
THERE IS NO MAGIC FAIRY DUST WHICH WILL MAKE A BORING, USELESS, REDUNDANT, OR MERELY INFORMATIVE SCENE AFTER IT LEAVES YOUR TYPEWRITER. *YOU* THE WRITERS, ARE IN CHARGE OF MAKING SURE *EVERY* SCENE IS DRAMATIC.
THIS MEANS ALL THE “LITTLE” EXPOSITIONAL SCENES OF TWO PEOPLE TALKING ABOUT A THIRD. THIS BUSHWAH (AND WE ALL TEND TO WRITE IT ON THE FIRST DRAFT) IS LESS THAN USELESS, SHOULD IT FINALLY, GOD FORBID, GET FILMED.
IF THE SCENE BORES YOU WHEN YOU READ IT, REST ASSURED IT *WILL* BORE THE ACTORS, AND WILL, THEN, BORE THE AUDIENCE, AND WE’RE ALL GOING TO BE BACK IN THE BREADLINE.
SOMEONE HAS TO MAKE THE SCENE DRAMATIC. IT IS NOT THE ACTORS JOB (THE ACTORS JOB IS TO BE TRUTHFUL). IT IS NOT THE DIRECTORS JOB. HIS OR HER JOB IS TO FILM IT STRAIGHTFORWARDLY AND REMIND THE ACTORS TO TALK FAST. IT IS *YOUR* JOB.
EVERY SCENE MUST BE DRAMATIC. THAT MEANS: THE MAIN CHARACTER MUST HAVE A SIMPLE, STRAIGHTFORWARD, PRESSING NEED WHICH IMPELS HIM OR HER TO SHOW UP IN THE SCENE.
THIS NEED IS WHY THEY *CAME*. IT IS WHAT THE SCENE IS ABOUT. THEIR ATTEMPT TO GET THIS NEED MET *WILL* LEAD, AT THE END OF THE SCENE,TO *FAILURE* – THIS IS HOW THE SCENE IS *OVER*. IT, THIS FAILURE, WILL, THEN, OF NECESSITY, PROPEL US INTO THE *NEXT* SCENE.
ALL THESE ATTEMPTS, TAKEN TOGETHER, WILL, OVER THE COURSE OF THE EPISODE, CONSTITUTE THE *PLOT*.
ANY SCENE, THUS, WHICH DOES NOT BOTH ADVANCE THE PLOT, AND STANDALONE (THAT IS, DRAMATICALLY, BY ITSELF, ON ITS OWN MERITS) IS EITHER SUPERFLUOUS, OR INCORRECTLY WRITTEN.
YES BUT YES BUT YES BUT, YOU SAY: WHAT ABOUT THE NECESSITY OF WRITING IN ALL THAT “INFORMATION?”
AND I RESPOND “*FIGURE IT OUT*” ANY DICKHEAD WITH A BLUESUIT CAN BE (AND IS) TAUGHT TO SAY “MAKE IT CLEARER”, AND “I WANT TO KNOW MORE *ABOUT* HIM”.
WHEN YOU’VE MADE IT SO CLEAR THAT EVEN THIS BLUESUITED PENGUIN IS HAPPY, BOTH YOU AND HE OR SHE *WILL* BE OUT OF A JOB.
THE JOB OF THE DRAMATIST IS TO MAKE THE AUDIENCE WONDER WHAT HAPPENS NEXT. *NOT* TO EXPLAIN TO THEM WHAT JUST HAPPENED, OR TO*SUGGEST* TO THEM WHAT HAPPENS NEXT.
ANY DICKHEAD, AS ABOVE, CAN WRITE, “BUT, JIM, IF WE DON’T ASSASSINATE THE PRIME MINISTER IN THE NEXT SCENE, ALL EUROPE WILL BE ENGULFED IN FLAME”
WE ARE NOT GETTING PAID TO *REALIZE* THAT THE AUDIENCE NEEDS THIS INFORMATION TO UNDERSTAND THE NEXT SCENE, BUT TO FIGURE OUT HOW TO WRITE THE SCENE BEFORE US SUCH THAT THE AUDIENCE WILL BE INTERESTED IN WHAT HAPPENS NEXT.
YES BUT, YES BUT YES *BUT* YOU REITERATE.
AND I RESPOND *FIGURE IT OUT*.
*HOW* DOES ONE STRIKE THE BALANCE BETWEEN WITHHOLDING AND VOUCHSAFING INFORMATION? *THAT* IS THE ESSENTIAL TASK OF THE DRAMATIST. AND THE ABILITY TO *DO* THAT IS WHAT SEPARATES YOU FROM THE LESSER SPECIES IN THEIR BLUE SUITS.
FIGURE IT OUT.
START, EVERY TIME, WITH THIS INVIOLABLE RULE: THE *SCENE MUST BE DRAMATIC*. it must start because the hero HAS A PROBLEM, AND IT MUST CULMINATE WITH THE HERO FINDING HIM OR HERSELF EITHER THWARTED OR EDUCATED THAT ANOTHER WAY EXISTS.
LOOK AT YOUR LOG LINES. ANY LOGLINE READING “BOB AND SUE DISCUSS…” IS NOT DESCRIBING A DRAMATIC SCENE.
PLEASE NOTE THAT OUR OUTLINES ARE, GENERALLY, SPECTACULAR. THE DRAMA FLOWS OUT BETWEEN THE OUTLINE AND THE FIRST DRAFT.
THINK LIKE A FILMMAKER RATHER THAN A FUNCTIONARY, BECAUSE, IN TRUTH, *YOU* ARE MAKING THE FILM. WHAT YOU WRITE, THEY WILL SHOOT.
HERE ARE THE DANGER SIGNALS. ANY TIME TWO CHARACTERS ARE TALKING ABOUT A THIRD, THE SCENE IS A CROCK OF SHIT.
ANY TIME ANY CHARACTER IS SAYING TO ANOTHER “AS YOU KNOW”, THAT IS, TELLING ANOTHER CHARACTER WHAT YOU, THE WRITER, NEED THE AUDIENCE TO KNOW, THE SCENE IS A CROCK OF SHIT.
DO *NOT* WRITE A CROCK OF SHIT. WRITE A RIPPING THREE, FOUR, SEVEN MINUTE SCENE WHICH MOVES THE STORY ALONG, AND YOU CAN, VERY SOON, BUY A HOUSE IN BEL AIR *AND* HIRE SOMEONE TO LIVE THERE FOR YOU.
REMEMBER YOU ARE WRITING FOR A VISUAL MEDIUM. *MOST* TELEVISION WRITING, OURS INCLUDED, SOUNDS LIKE *RADIO*. THE *CAMERA* CAN DO THE EXPLAINING FOR YOU. *LET* IT. WHAT ARE THE CHARACTERS *DOING* -*LITERALLY*. WHAT ARE THEY HANDLING, WHAT ARE THEY READING. WHAT ARE THEY WATCHING ON TELEVISION, WHAT ARE THEY *SEEING*.
IF YOU PRETEND THE CHARACTERS CANT SPEAK, AND WRITE A SILENT MOVIE, YOU WILL BE WRITING GREAT DRAMA.
IF YOU DEPRIVE YOURSELF OF THE CRUTCH OF NARRATION, EXPOSITION,INDEED, OF *SPEECH*. YOU WILL BE FORGED TO WORK IN A NEW MEDIUM - TELLING THE STORY IN PICTURES (ALSO KNOWN AS SCREENWRITING)
THIS IS A NEW SKILL. NO ONE DOES IT NATURALLY. YOU CAN TRAIN YOURSELVES TO DO IT, BUT YOU NEED TO *START*.
I CLOSE WITH THE ONE THOUGHT: LOOK AT THE *SCENE* AND ASK YOURSELF “IS IT DRAMATIC? IS IT *ESSENTIAL*? DOES IT ADVANCE THE PLOT?
ANSWER TRUTHFULLY.
IF THE ANSWER IS “NO” WRITE IT AGAIN OR THROW IT OUT. IF YOU’VE GOT ANY QUESTIONS, CALL ME UP.
LOVE, DAVE MAMET
SANTA MONICA 19 OCTO 05
(IT IS *NOT* YOUR RESPONSIBILITY TO KNOW THE ANSWERS, BUT IT IS YOUR, AND MY, RESPONSIBILITY TO KNOW AND TO *ASK THE RIGHT Questions* OVER AND OVER. UNTIL IT BECOMES SECOND NATURE. I BELIEVE THEY ARE LISTED ABOVE.)
segunda-feira, março 22, 2010
Mais Alberto Gonçalves
Nesta pérola de vídeo, Alberto Gonçalves fala-nos do melhor da década que passou. Em termos musicais, fala-nos Stephin Merritt (dos Magnetic Fields, que, apesar do conservadorismo, até reconhece que a produção dos Bomb Squad para os Public Enemy é importantíssima, isto numa lista de canções mais importantes do século XX, uma por ano) e Nellie MacKay (esta última não existiria sem o rap, o "ruído" de que Alberto Gonçalves tanto fala). E, melhor ainda, explica: "Na televisão gostei de Friends e Frasier, as sitcoms que infelizmente parecem ter presidido ao enterro do género. Gostei menos dos Sopranos do que das possibilidades narrativas e estéticas que Os Sopranos abriram e que hoje se notam em produtos como o House, um vício de que não abdico." Em suma: "eu não vi televisão nos anos 2000". As "possibilidades narrativas e estéticas de Os Sopranos" é uma frase bonita que não diz muito. O que é que House tem a ver com aquilo? Será a importância dos sonhos, algo que vem do Twin Peaks? E que dizer de um tipo que destaca de uma década inteira de televisão Friends e Frasier (séries que, aliás, começaram nos anos 90)? Estamos a falar de uma década óptima, em que as "possibilidades narrativas e estéticas" foram abertas de uma maneira até então inimaginável. Estamos a falar da década de Arrested Development, e o gajo fala-me de Friends e Frasier. Nada contra, a não ser o facto de eu já não ter dez anos e ser preciso um bocadinho mais do que o mínimo necessário para me fazer rir (não que não me ria de vez em quando com aquilo). O mundo de Alberto Gonçalves é um mundo cinzento e conservador. O senhor gosta de destacar que foi a Nova Iorque e viu Stephen Sondheim na Broadway, que conviveu com ele e que viu o filme do Tim Burton baseado nele. Podia ter ido a Brooklyn ou ao Bronx, mas não foi, porque são sítios em que quase toda a gente fez as escolhas erradas de vida. Podia ter vivido a cidade, usufruído das vistas, das pessoas, mas isso já tinha feito em DVD e corria sempre o risco de encontrar gente com opções duvidosas de vida. Também diz que Gran Torino não traz grande novidade, mas isso é quase um pleonasmo: Alberto Gonçalves não gosta nem da diferença nem da novidade. O mundo de Alberto Gonçalves é um mundo onde não há qualquer fascínio nem gosto pelo novo e o desconhecido, onde as escolhas certas e mais óbvias são as únicas possíveis, ignorando o essencial: tudo o que é hoje em dia canónico já foi um dia novo e desconhecido ("no shit, Sherlock!", aposto que não fazias ideia disto e acabaste de descobrir porque eu escrevi). O mundo de Alberto Gonçalves é um mundo onde eu não quero, de todo, viver.
Isto ainda se usa? Parte 2
Agora pus-me a pensar: será a minha opinião de que o tipo é um idiota chapado válida? Talvez seja. Afinal de contas, sou branco e ando na rua de camisa para dentro das calças (que não são largas). Mas, ao mesmo tempo, posso estar a ouvir o Ready to Die ou o The Blueprint, algo que faço normalmente várias vezes por semana. Será uma escolha de vida correcta ou estarei eu a enganar toda a gente e serei, portanto, perigoso? Estou a ouvir pretos do hip-hop, mas estou vestido de uma forma aceitável para a sociedade. Que diria o Alberto Gonçalves de mim? Que diria ele, por exemplo, do guarda-roupa do Common, que esconde a sua verdadeira essência como alguém que escoheu o estilo de vida do rap? Ou de todos os rappers que usam fatos que não são dois números acima? Dá para ver que o Jay-Z fez uma escolha de vida errada quando veste Tom Ford ou estará ele a ludibriar as pessoas? Talvez ele devesse usar algum tipo de marca que o identificasse como alguém que fez uma escolha de vida errada. Também gostava de saber os problemas que o Alberto Gonçalves tem quando vê os Roots no Late Night with Jimmy Fallon. Vestem todos fato e tocam instrumentos "a sério", algo que pode ser bastante ambíguo. São uma espécie de Cavalo de Tróia, entram pelo mundo confortável dos talk shows nocturnos, mas como raio é que se percebe que fizeram a escolha do demónio quando decidiram dedicar a vida ao hip-hop e, por conseguinte, a Satanás?
Isto ainda se usa?
Pensava que este tipo de estupidez/ignorância/idiotice já não se usava. Sinceramente. O que vale é que o Rui Miguel Abreu – o pior pesadelo de Alberto Gonçalves: um tipo inteligentíssimo e cultíssimo, que mesmo assim escolhe não usar fato e gostar de hip-hop – o põe no sítio. Vale a pena ler o chorrilho de parvoíces do senhor para ler a resposta do Rui. Ninguém o faria melhor (eu, por exemplo, falharia redondamente: cairia no facilitismo de arranjar três ou quatro exemplos para contrariar cada frase e opinião do idiota, num namedropping inconsequente, ou chamar-lhe-ia "idiota" a cada frase), e é preciso mais gente a pensar/escrever assim (ao invés de haver uma geração inteira de bloggers que têm um orgasmo com o The Wire quatro ou cinco anos depois de acharam que tinha "demasiados pretos" ou coisa que o valha porque o Guardian ou o que quer que seja os avisou de que aquilo era bom – nada contra descobrir o The Wire demasiado tarde, só contra o preconceito que muita gente dita culta tem contra "coisas de pretos").
sábado, fevereiro 13, 2010
domingo, fevereiro 07, 2010
O melhor site do mundo. De sempre
Selleck Waterfall Sandwich. É exactamente aquilo que parece ser: montagens do Tom Selleck perto de cascatas com sanduíches lá no meio. Uma ideia obviamente genial.
segunda-feira, janeiro 18, 2010
Embuste
Fazem o que fizeram ao Gervais ao Martin e ao Baldwin e eu juro que mato alguém. Para ver, no máximo dos máximos, cinco minutos dele? Estão a gozar comigo? OK, Jeff Bridges é uma das maiores pessoas vivas, não haja dúvida disso, e há dois ou três prémios que foram bem mandados. Mas, porra, cinco minutos de Gervais? Não sabem aproveitar a parte boa da vida?
sábado, janeiro 16, 2010
Um dia triste
As a deal nears for Conan O'Brien's exit from NBC, one thing is certain: the characters and recurring comedy bits O'Brien originated during his 16-plus years on "Late Night" and "The Tonight Show" will not follow the host when he leaves NBC.
The Peacock owns the intellectual property behind such popular O'Brien characters as Pimpbot 5000 and Conando, as well as recurring segments such as In the Year 3000 and Desk Driving. Sources involved in the settlement negotiations say NBC is keeping the copyrighted and trademarked elements of O'Brien's shows as part of the deal. That means the bits and characters will likely never be seen after O'Brien's "Tonight" ends its run Jan 22.
While the vast majority of the characters O'Brien introduced are said to owned by NBC, it's unclear who controls Triumph the Insult Comic Dog, the crass canine puppet that is perhaps O'Brien's most popular recurring bit. Triumph was originated by writer and longtime O'Brien pal Robert Smigel, whose reps declined to comment on whether Smigel or NBC owned rights to the character.
Cresci com o Conan. Cresci com estas personagens. Nunca me saiu da cabeça um sketch de há mais de 10 anos em que, em pleno dia dos namorados, o Conan ia num Masturdate: jantava sozinho e, se a noite corresse bem, ia para casa e tocava-se. Uma parte de mim morreu hoje, disso não tenho dúvida nenhuma.
The Peacock owns the intellectual property behind such popular O'Brien characters as Pimpbot 5000 and Conando, as well as recurring segments such as In the Year 3000 and Desk Driving. Sources involved in the settlement negotiations say NBC is keeping the copyrighted and trademarked elements of O'Brien's shows as part of the deal. That means the bits and characters will likely never be seen after O'Brien's "Tonight" ends its run Jan 22.
While the vast majority of the characters O'Brien introduced are said to owned by NBC, it's unclear who controls Triumph the Insult Comic Dog, the crass canine puppet that is perhaps O'Brien's most popular recurring bit. Triumph was originated by writer and longtime O'Brien pal Robert Smigel, whose reps declined to comment on whether Smigel or NBC owned rights to the character.
Cresci com o Conan. Cresci com estas personagens. Nunca me saiu da cabeça um sketch de há mais de 10 anos em que, em pleno dia dos namorados, o Conan ia num Masturdate: jantava sozinho e, se a noite corresse bem, ia para casa e tocava-se. Uma parte de mim morreu hoje, disso não tenho dúvida nenhuma.
terça-feira, janeiro 12, 2010
I'm on mah grind, shawty, don't block my shine, shawty
As melhores cantigas de 2009. Esqueci-me dos Grizzly Bear ("Two Weeks", claro) e do Raekwon ("The House of Flying Daggers", beat monstro do J. Dilla que um dia servirá para começar guerras).
segunda-feira, dezembro 28, 2009
terça-feira, dezembro 15, 2009
Aziz+AC
Na última Fader há uma entrevista incrível. É o Aziz Ansari a falar, por e-mail, com os Animal Collective. E no fim há fotografias deles todos (os quatro Animal Collective, sim, o Deakin também entra, e o Aziz) em pequenos. É uma troca de e-mails com links de YouTube para malhas de rap/new jack swing/hip-house dos anos 90 e vídeos estranhos. Quando for grande quero entrevistar pessoas assim.
domingo, dezembro 13, 2009
Doismilenove
Tantos reis, tanto de memorável: o "I'm on a Boat", com os Lonely Island a fazer uma malha que é uma malha e mesmo assim é uma piada, é provavelmente a melhor canção do T-Pain e tem tanto e tanto de bom, tanto o vídeo quanto a música; o Danny McBride e a sua detestabilidade adorável como Kenny "Fucking" Powers (Eastbound and Down é a série do ano); o Aziz Ansari e a sua doce douchebaggery como Tom Haverford (menção honrosa para o enorme Nick Offerman como Ron Swanson, é criminoso o Parks and Recreation ainda não se ter estreado em Portugal); o Zach Galifianakis, o seu Ray Hueston (e o Ted Danson e o Jason Schwartzman, trio maravilha no Bored to Death) e o seu Alan Garner do Hangover que lhe deu a merecida fama após tantos e tantos anos; a ira da Jane Lynch no impressionante Glee (adoro estar a ver o High School Musical em bom e haver uma piada tão acutilante que me faz questionar se ainda estou a ver a mesma série), e a sua também merecidíssima fama (é das pessoas com mais piada no mundo inteiro, uma mente que diz as frases mais brilhantes com uma rapidez incrível, além disso também estava boa no Party Down – outro crime não ter chegado cá –, que infelizmente não a poderá ter mais por causa do Glee); o GANA e o CENA e especialmente o "És um fartote" d'A Pandilha na cena do Goodfellas, bem com incontáveis outros momentos destes tipos brilhantes que criaram sozinhos um mundo inteiro cómico e novo sem se parecer com nada do que veio antes, sem referências aparentes e com muita piada; os grunhidos do Clint Eastwood no Gran Torino; o Norberto Lobo, que me ajudou a ler imensos livros ("Do Alto da Faia" é enorme); o "Shine Blockas" do Big Boi com o Gucci Mane, que é tudo aquilo que eu queria na vida de uma canção rap e muito mais, inclusivamente o cowbell da TR-808 – acho que é o meu som favorito de sempre (obrigado ao Chico por me ter chateado com essa merda no eléctrico, ter-me-ia passado ao lado); o Panda Bear confundir estatuto social com coisas materiais; o episódio do Flight of the Conchords realizado pelo Michel Gondry (genial, e "Carol Brown" é das canções do ano); já que estou nisso, o Fernando Brito, depois de uma prestação maravilhosa e hilariante como director do hospital num dos melhores episódios d'Um Mundo Catita (não me canso de dizer que é das melhores cenas de sempre da televisão portuguesa) fez um general maravilhoso num vídeo passado durante O Artista Português é tão bom Quanto os Melhores na sexta no S. Luiz; o Bill Murray ter morrido duas vezes (uma boa, outra má, isto relativamente falando, já que o Bill Murray, um dos maiores tesouros mundiais, nunca deve morrer); o Seth Rogen ter emagrecido (e eu também, ainda mais que ele) e ter feito do Funny People algo tão especial (e sortudo, acaba por ficar com a Aubrey Plaza); a Jenny Slate no Bored to Death, tão pouco e tanto ao mesmo tempo (não tive tempo para apreciá-la totalmente no Saturday Night Live, a maior parte dos sketches aborrece-me de morte); os BlakRoc e o rap-rock, mas em bom; o Mos Def e o incrível Ecstatic; os Grizzly Bear em todo o lado; "Empire State of Mind" (era só uma questão de tempo até fechar um episódio do Gossip Girl, e já agora a menção do Cristiano Ronaldo no Gossip Girl também marcou imenso o ano); e tantas e tantas outras cenas.
Gostava de agradecer à Joana S. pel'O Wrestler, o Milk e o Vicky Cristina Barcelona (e todos os outros, mas esse foi o melhor), à Joana B. pela Valsa com Bashir (e pelo Rachel Getting Married, o David Byrne e o A-Trak), à Sara pelas Titan Thursdays, à Rita pelos Abraços Desfeitos, à Carin pelo segundo Gran Torino, à Sofia pelo Hangover (e todos os outros gloriosamente maus, especialmente o da Nia Vardalos – o facto de ela ter uma carreira é um ultraje para gregas com piada como tu ou a Tina Fey), à Ana pel'O Visitante, à Maria pelo Maxime e o pré-Maxime, a outros amigos (especialmente ao Jaco pelo Synecdoche, New York, ao Nel e ao Júlio e não me lembro de mais quem pelo Caos Calmo e ao Paco e o Afonso – e mais muitos outros – pelo Arena de Torres Vedras, os filmes bons e os maus, o K'Naan e o bowling) e a mim próprio por tantos outros. E a todos os meus amigos por tantas outras coisas (o Ilo e o Super Bock em Stock, ou o Ilo e o Mário e a festa da Time Out, por exemplo, ou todas as Joanas do mundo por tudo).
Esqueci-me de muita coisa e é triste ter morrido o Michael Jackson e o John Hughes (e muitos mais que agora não me ocorrem ou não me marcaram tanto), mas pronto, o mundo há-de ir ao sítio.
Gostava de agradecer à Joana S. pel'O Wrestler, o Milk e o Vicky Cristina Barcelona (e todos os outros, mas esse foi o melhor), à Joana B. pela Valsa com Bashir (e pelo Rachel Getting Married, o David Byrne e o A-Trak), à Sara pelas Titan Thursdays, à Rita pelos Abraços Desfeitos, à Carin pelo segundo Gran Torino, à Sofia pelo Hangover (e todos os outros gloriosamente maus, especialmente o da Nia Vardalos – o facto de ela ter uma carreira é um ultraje para gregas com piada como tu ou a Tina Fey), à Ana pel'O Visitante, à Maria pelo Maxime e o pré-Maxime, a outros amigos (especialmente ao Jaco pelo Synecdoche, New York, ao Nel e ao Júlio e não me lembro de mais quem pelo Caos Calmo e ao Paco e o Afonso – e mais muitos outros – pelo Arena de Torres Vedras, os filmes bons e os maus, o K'Naan e o bowling) e a mim próprio por tantos outros. E a todos os meus amigos por tantas outras coisas (o Ilo e o Super Bock em Stock, ou o Ilo e o Mário e a festa da Time Out, por exemplo, ou todas as Joanas do mundo por tudo).
Esqueci-me de muita coisa e é triste ter morrido o Michael Jackson e o John Hughes (e muitos mais que agora não me ocorrem ou não me marcaram tanto), mas pronto, o mundo há-de ir ao sítio.
domingo, dezembro 06, 2009
segunda-feira, novembro 23, 2009
Herman e expectativas
Quando era (mais) puto, lá por 1996 ou 1997, tinha a esperança secreta de que um dia a Herman Enciclopédia saísse em CD-ROM, tal como o genérico parecia prometer. Tinha tudo gravado em VHS, hoje em dia tenho os dois volumes em DVD. Não é a mesma coisa. Queria uma alternativa ao Encarta 96, à Diciopédia ou algo parecido.E agora já não vale a pena. O mundo mudou e ninguém se interessaria por isso.
quinta-feira, novembro 19, 2009
Sobre 2012
Acho que adoro praticamente todos os actores envolvidos em 2012 e acho que o Danny Glover devia ser mesmo presidente dos Estados Unidos.
segunda-feira, novembro 16, 2009
Blakroc
A ideia por detrás da existência dos Blakroc, o novo projecto dos Black Keys com gente como o Mos Def, o Ludacris, o Pharoahe Monch, o RZA e imensa gente, é tão simples que até impressiona nunca ninguém ter pensado nela antes (especialmente o Mos Def, que falhou redondamente quando tentou fazê-lo sozinho): é rap-rock, mas em bom. Finalmente (e não, a era dourada da Def Jam e os OutKast não contam).
quarta-feira, novembro 11, 2009
terça-feira, novembro 10, 2009
Chuck Lorre outra vez
Alguém comentou, a propósito do meu ódio pelo Chuck Lorre, o seguinte:
"VOCE EH IMBECIL SUA FDP? TWO AND A HALF MEN E A SERIE DE MAIOR SUCESSO ATUALMENTE SUA INGUA DE UMA PORRA.. ATE CONCORDO QUE THE BIG BAND THEORY SEJA UMA MERDA, NAO ASSISTO AQUILO NEM PELO CARALHO, MAS FALAR QUE TWO AND A HALF MEN NAO EH MANERO? VA ARRUMAR UMA PIROCA PRA TE SATISFAZER Q ISSO EH FALTA DE PICA NA BUCETA.
Obrigado pela atencao,
vitu"
Acabei de perceber que estava errado. Como pude eu ignorar a "série de maior sucesso actualmente"? O Chuck Lorre é um génio! Façam-lhe uma estátua.
"VOCE EH IMBECIL SUA FDP? TWO AND A HALF MEN E A SERIE DE MAIOR SUCESSO ATUALMENTE SUA INGUA DE UMA PORRA.. ATE CONCORDO QUE THE BIG BAND THEORY SEJA UMA MERDA, NAO ASSISTO AQUILO NEM PELO CARALHO, MAS FALAR QUE TWO AND A HALF MEN NAO EH MANERO? VA ARRUMAR UMA PIROCA PRA TE SATISFAZER Q ISSO EH FALTA DE PICA NA BUCETA.
Obrigado pela atencao,
vitu"
Acabei de perceber que estava errado. Como pude eu ignorar a "série de maior sucesso actualmente"? O Chuck Lorre é um génio! Façam-lhe uma estátua.
quarta-feira, novembro 04, 2009
Sim, eu vejo os Óscares
E depois do indescritível e basicamente pior de sempre Hugh Jackman, Steve Martin e Alec Baldwin vão apresentar a cerimónia conjuntamente. Às vezes o mundo é um sítio tão bonito, meninas e meninos.
segunda-feira, outubro 26, 2009
Buraka Som Sistema na New Yorker
Depois de várias menções no blog dele, o Sasha Frere-Jones – que eu sigo quase religiosamente – escreve sobre Buraka Som Sistema na New Yorker.
sexta-feira, outubro 23, 2009
Assustador
O Greg Tate, num texto do Village Voice sobre o Michael Jackson quando este morreu há uns meses, lançava uma hipótese que é algo assustadora:
The scariest thing about the Motown legacy, as my father likes to argue, is that you could have gone into any Black American community at the time and found raw talents equal to any of the label's polished fruit: the Temptations, Marvin Gaye, Diana Ross, Stevie Wonder, Smokey Robinson, or Holland-Dozier-Holland—all my love for the mighty D and its denizens notwithstanding. Berry Gordy just industrialized the process, the same as Harvard or the CIA has always done for the brightest prospective servants of the Evil Empire.
Ontem, no Guardian, numa peça sobre o Numero Group – fiquei com imensa vontade de, quando tiver dinheiro, comprar a tal última compilação de luxo que sai agora dessa editora de reedições obscuras –, o Simon Reynolds fala do mesmo:
The music industry is a harsh, cruel business at the best of times, but it seems particularly so in black music if only because – from Detroit, MI to Kingston, Jamaica to Bow, E3 – there is such an overflowing wellspring of talent that it can often seem arbitrary who gets to succeed and who never gets the break. So many of the groups unearthed by Numero are only a notch away from being Booker T and the MGs, or the Temptations, or Martha and the Vandellas.
At the same time I can't help wondering if it makes sense for someone like me to spend time on historically marginal music when I've yet to "do" Ray Charles or Sam Cooke, i.e. incontestably epochal artists in the history of American music. As the series expands (Smart's Palace is the eleventh) Shipley acknowledges feeling "a bit of fatigue with Eccentric Soul … they do become variations on a theme. It's the same story: black musicians facing the same problems." The inexhaustible wellspring of black musical creativity can be … well, exhausting.
Talvez seja por isto que há muita gente racista. Por falta de tempo e paciência.
The scariest thing about the Motown legacy, as my father likes to argue, is that you could have gone into any Black American community at the time and found raw talents equal to any of the label's polished fruit: the Temptations, Marvin Gaye, Diana Ross, Stevie Wonder, Smokey Robinson, or Holland-Dozier-Holland—all my love for the mighty D and its denizens notwithstanding. Berry Gordy just industrialized the process, the same as Harvard or the CIA has always done for the brightest prospective servants of the Evil Empire.
Ontem, no Guardian, numa peça sobre o Numero Group – fiquei com imensa vontade de, quando tiver dinheiro, comprar a tal última compilação de luxo que sai agora dessa editora de reedições obscuras –, o Simon Reynolds fala do mesmo:
The music industry is a harsh, cruel business at the best of times, but it seems particularly so in black music if only because – from Detroit, MI to Kingston, Jamaica to Bow, E3 – there is such an overflowing wellspring of talent that it can often seem arbitrary who gets to succeed and who never gets the break. So many of the groups unearthed by Numero are only a notch away from being Booker T and the MGs, or the Temptations, or Martha and the Vandellas.
At the same time I can't help wondering if it makes sense for someone like me to spend time on historically marginal music when I've yet to "do" Ray Charles or Sam Cooke, i.e. incontestably epochal artists in the history of American music. As the series expands (Smart's Palace is the eleventh) Shipley acknowledges feeling "a bit of fatigue with Eccentric Soul … they do become variations on a theme. It's the same story: black musicians facing the same problems." The inexhaustible wellspring of black musical creativity can be … well, exhausting.
Talvez seja por isto que há muita gente racista. Por falta de tempo e paciência.
Michael Ian Black, deprimido
Pode estar a gozar ou a falar a sério, mas o Michael Ian Black tem dois posts incríveis sobre a depressão dele no seu óptimo blog. Como é que alguém que pertenceu ao The State e pertence a Stella – não gosto muito do Michael and Michael Have Issues – pode ser cronicamente deprimido? É muito triste, mas bem escrito e até me faz rir.
segunda-feira, outubro 19, 2009
Ali boma yé
O arquivo inteiro da revista Life até ao final de 1972 está online. Calha bem, porque nas últimas semanas procurei, em vão, esta edição de 1971 cuja capa é a Fight of the Century, o primeiro combate entre o Muhammad Ali e o Joe Frazier no Madison Square Garden. Ali perdeu, mas viria a ganhar os dois combates seguintes. O texto, chamado Ego, é do Norman Mailer e algumas das fotografias são do Frank Sinatra, daí o meu interesse. Anos depois o Mailer viria a escrever The Fight, sobre o Rumble in the Jungle, quando o Ali ganhou ao George Foreman no Zaire e voltou a ser o campeão (foi ao ler esse livro que surgiu o meu interesse, "Ali boma yé" era o que se gritava em Kinshasa, algo como "Ali mata-o", o que fica mal para título de post porque o Ali perdeu este combate específico). Sempre pensei que o Frank Sinatra não tivesse conseguido bilhetes bons para a luta, e por isso é que tinha ido como fotógrafo. Mas, segundo o editorial, ele já tinha bilhetes e planeava tirar fotografias, a Life é que lhe pediu para ver algumas delas e publicá-las. Três campeões, uma boa maneira de estrear este arquivo.
Aborrecimento #2
Mais que isso, dou por mim com a canção do genérico do Bored to Death na cabeça. Já não me acontecia desde o 30 Rock.
Aborrecimento
O Gene Siskel – diz o Roger Ebert, que eu não tenho idade para saber quem era o Gene Siskel – perguntava várias vezes: "Is this film more interesting than a documentary of the same actors having lunch?" E às vezes não era. Bored to Death podia perfeitamente ser assim. Quer dizer, é o Jason Schwartzman com o Zach Galifianakis e o Ted Danson – já tive sonhos parecidos que a Igreja nunca aprovaria –, e, independentemente da premissa, eu veria qualquer que fosse o projecto em que estivessem os três envolvidos. Sem sequer pestanejar. Ao princípio foi isso que fiz.
Há tantas séries e tantos filmes que prometem, pelo elenco, pela gente envolvida, pela premissa, e depois vê-se e não são nada de especial. Sim, sei que sou culpado por demasiada excitação por projectos que depois não dão em nada, ou que dou veredictos demasiado cedo, sem me saber proteger de futuros fiascos. Mas desta vez tudo correu bem. Depositei a minha fé em algo e foi recompensado.
Nem sempre foi assim. A princípio, passei dois episódios a ver bons diálogos, boas piadas, mas sem eu querer saber muito da série. Um escritor não consegue escrever o segundo romance e põe um anúncio no Craigslist para ser detective privado, isto depois de reler um livro do Raymond Chandler. Ainda por cima a namorada acabou com ele. Então começa a receber, na parte kitsch da coisa, quase a imitar o fumo e as mulheres que entram no escritório dos detectives dos film noir e o caraças, clientes e a resolver os casos. Sempre com medo, cheio de neuroses e sem grande auto-confiança. O que, sim, admito, é uma boa ideia, mas consegue esgotar-se em poucos minutos.
Mas chega o terceiro episódio e nem sequer há um caso. Nada disso. Há um episódio que, do início ao fim, é brilhante. E passo do gostar muito ao adorar em segundos. Tem o Jim Jarmusch a fazer dele próprio, o cabelo do Jim Jarmusch, o Jim Jarmusch a andar de bicicleta num loft e a falar com o Ted Danson (o cabelo deles é tão bonito e parecido, até a própria personagem do Danson diz que o Jarmusch tem óptimo cabelo). Quase que me fez perdoar o aborrecimento que foi o último do Jarmusch (duas horas a fazer exactamente o mesmo para no fim ir matar o Bill Murray?). E duas ou três frases memoráveis, como a do pai da miúda menor que o Schwartzman quase leva para a cama: “Lives don’t change, we simply become more comfortable with our core misery, which is a form of happiness."
Param-me na rua – porque sabem que eu gosto desta gente, e na verdade só aconteceu duas vezes e só foi na rua, ninguém me parou propriamente assim do nada – e perguntam-me se tenho visto Bored to Death, e todos concordamos que o terceiro episódio foi brilhante. E foi. E é pouco provável que algum dos próximos episódios seja tão bom. Entre a parte do detective privado, kitsch, tosca, até quase banal e ridícula, está tudo cheio de referências a alta cultura, livros e filmes e o caraças, mas não é preciso conhecê-las para rir ou gostar daquilo, só para atingir certas piadas (no episódio de ontem a personagem do Danson diz que as revistas do Jann Wenner começaram a vender quando ele se tornou gay). E acho que, à custa da série, vou comprar um ou dois livros do Jonathan Ames, o tipo que a criou e que dá o nome à personagem do Schwartzman.
Acredito que aquilo de que mais gosto, que me diz mais, tem um bom balanço entre coração e piada. É isso que procuro em tudo, quer seja no que faço ou no que vejo. Não é sempre assim. Mas às vezes gosto de coisas que só têm um). E dou por mim a querer saber desta gente toda, e não só da personagem do Zach Galafianakis (por razões óbvias de identificação). Mesmo que, à partida – e especialmente a personagem do Jason Schwartzman –, aquela gente pudesse ser demasiado estilizada para querermos saber deles. A saber mais ou menos o que que tipo de coisas é que dizem, que pensam, as ideias estranhas e até doentias do Danson e o do Galafianakis, por onde é que podem surpreender, etc. Isso, para mim, é boa escrita. Se houver umas piadas pelo meio, ainda melhor. Há isso tudo aqui, e é por isso que as minhas segundas-feiras ganharam um ritual.
Há tantas séries e tantos filmes que prometem, pelo elenco, pela gente envolvida, pela premissa, e depois vê-se e não são nada de especial. Sim, sei que sou culpado por demasiada excitação por projectos que depois não dão em nada, ou que dou veredictos demasiado cedo, sem me saber proteger de futuros fiascos. Mas desta vez tudo correu bem. Depositei a minha fé em algo e foi recompensado.
Nem sempre foi assim. A princípio, passei dois episódios a ver bons diálogos, boas piadas, mas sem eu querer saber muito da série. Um escritor não consegue escrever o segundo romance e põe um anúncio no Craigslist para ser detective privado, isto depois de reler um livro do Raymond Chandler. Ainda por cima a namorada acabou com ele. Então começa a receber, na parte kitsch da coisa, quase a imitar o fumo e as mulheres que entram no escritório dos detectives dos film noir e o caraças, clientes e a resolver os casos. Sempre com medo, cheio de neuroses e sem grande auto-confiança. O que, sim, admito, é uma boa ideia, mas consegue esgotar-se em poucos minutos.
Mas chega o terceiro episódio e nem sequer há um caso. Nada disso. Há um episódio que, do início ao fim, é brilhante. E passo do gostar muito ao adorar em segundos. Tem o Jim Jarmusch a fazer dele próprio, o cabelo do Jim Jarmusch, o Jim Jarmusch a andar de bicicleta num loft e a falar com o Ted Danson (o cabelo deles é tão bonito e parecido, até a própria personagem do Danson diz que o Jarmusch tem óptimo cabelo). Quase que me fez perdoar o aborrecimento que foi o último do Jarmusch (duas horas a fazer exactamente o mesmo para no fim ir matar o Bill Murray?). E duas ou três frases memoráveis, como a do pai da miúda menor que o Schwartzman quase leva para a cama: “Lives don’t change, we simply become more comfortable with our core misery, which is a form of happiness."
Param-me na rua – porque sabem que eu gosto desta gente, e na verdade só aconteceu duas vezes e só foi na rua, ninguém me parou propriamente assim do nada – e perguntam-me se tenho visto Bored to Death, e todos concordamos que o terceiro episódio foi brilhante. E foi. E é pouco provável que algum dos próximos episódios seja tão bom. Entre a parte do detective privado, kitsch, tosca, até quase banal e ridícula, está tudo cheio de referências a alta cultura, livros e filmes e o caraças, mas não é preciso conhecê-las para rir ou gostar daquilo, só para atingir certas piadas (no episódio de ontem a personagem do Danson diz que as revistas do Jann Wenner começaram a vender quando ele se tornou gay). E acho que, à custa da série, vou comprar um ou dois livros do Jonathan Ames, o tipo que a criou e que dá o nome à personagem do Schwartzman.
Acredito que aquilo de que mais gosto, que me diz mais, tem um bom balanço entre coração e piada. É isso que procuro em tudo, quer seja no que faço ou no que vejo. Não é sempre assim. Mas às vezes gosto de coisas que só têm um). E dou por mim a querer saber desta gente toda, e não só da personagem do Zach Galafianakis (por razões óbvias de identificação). Mesmo que, à partida – e especialmente a personagem do Jason Schwartzman –, aquela gente pudesse ser demasiado estilizada para querermos saber deles. A saber mais ou menos o que que tipo de coisas é que dizem, que pensam, as ideias estranhas e até doentias do Danson e o do Galafianakis, por onde é que podem surpreender, etc. Isso, para mim, é boa escrita. Se houver umas piadas pelo meio, ainda melhor. Há isso tudo aqui, e é por isso que as minhas segundas-feiras ganharam um ritual.
sexta-feira, outubro 09, 2009
Big Baby Jesus

Obrigado, pessoa que colou esta imagem do Ol' Dirty Bastard pela Baixa, por alegrares os meus dias e noites. Se te identificares e me provares que foste tu pago-te uma imperial um dia destes. Aposto que ele, se não tivesse infelizmente falecido, também te pagaria uma imperial, ou dar-te-ia um bafo de crack ou algo parecido. Ou talvez ele apenas diria "I'll fuck yo' ass up" por andares a espalhar a imagem dele por aí. Nunca saberemos. Só sei que te tenho de agradecer alguns sorrisos que me provocaste.
domingo, setembro 27, 2009
Medo
O Rodrigo Guedes de Carvalho tem uma barba. Deixou-a crescer por causa das eleições, de certeza. Só para se parecer com o Wolf Blitzer. O meu medo é que apareça aqui no meio o will.i.am por holograma.
sábado, setembro 05, 2009
X-Tiano parte 2
Não fui só eu que fiquei excitado com o X-Tiano no Gossip Girl. Até na América repararam. O Pete L'Official escreve sobre isso no blog do Hua Hsu.
quarta-feira, setembro 02, 2009
OMG X-TIANO!!!
Portuguesas e portugueses:
Chegámos ao nosso auge como país. Somos finalmente alguém no mundo. Somos gente. Como? Agradeçam ao nosso Cristiano Ronaldo.
Aqui está a prova. É a antevisão de uma cena da terceira temporada do Gossip Girl. E porra, a Blair vira-se para a Serena e diz que sabe que ela fez o Cristiano Ronald no Verão. Incrível, não é? Chegámos ao Gossip Girl. Os americanos adoram-nos. Tudo começou com as modelos portugueses no blog do Kanye West, depois veio a Paris e o X-Tiano, e agora ele é mencionado no Gossip Girl. E uma das personagens tem um caso com ele. Não é magnífico? Nunca tive tanto orgulho na minha nação como neste preciso momento e achei que devia partilhar isto com toda a gente que lê o meu blog e não, não vou dizer "com todos os três" porque parece sempre ser uma piada auto-depreciativa com imensa piada mas, tipo, porra, toda a gente do mundo já fez esta piada uma vez na vida e qual é a ideia de estar sempre a repetir as piadas dos outros, mesmo que tenha imensa piada, percebem, é porque ninguém lê o blog, a sério, percebem, estão a ver, estou a gozar com o facto de o blog ter pouca audiência, mas a verdade é que tem mais piada quando se está a falar de um meio muito mais lido ou visto ou assim, desta maneira não tem grande piada, e é basicamente por isso, e por medo da falta de originalidade, que não faço a piada, estou a brincar, não tenho medo nenhum da falta de originalidade, é só que acho estúpido estar a repetir essa piada que tanta gente má já fez, porque há gente por aí que diz piadas e não tem piada nenhuma, e não, não vou dizer "eu também não tenho" porque também seria um bocado a mesma coisa, o importante é que o X-Tiano comeu a Serena e que se fala sobre isso, porra, ele é mencionado no Gossip Girl, acho que alguém devia fazer um poster ou no mínimo tirar uma fotografia a este momento e emoldurar na parede dos grandes feitos do povo português em Portugal e no mundo, mas pergunto-me a mim próprio se terá sido antes ou depois da gripe que ele teve porque não quero que a Serena Van Der Woodsen apanhe doenças, coitada, menina, abafa-te que vem aí o frio e depois ficas doente e não quero que estejas doente, tens festas para onde ir e um pára-arranca amoroso com o Dan Humphrey para viver, por favor não adoeças porque não gosto de te ver mal.
xoxo,
Rodrigo
Chegámos ao nosso auge como país. Somos finalmente alguém no mundo. Somos gente. Como? Agradeçam ao nosso Cristiano Ronaldo.
Aqui está a prova. É a antevisão de uma cena da terceira temporada do Gossip Girl. E porra, a Blair vira-se para a Serena e diz que sabe que ela fez o Cristiano Ronald no Verão. Incrível, não é? Chegámos ao Gossip Girl. Os americanos adoram-nos. Tudo começou com as modelos portugueses no blog do Kanye West, depois veio a Paris e o X-Tiano, e agora ele é mencionado no Gossip Girl. E uma das personagens tem um caso com ele. Não é magnífico? Nunca tive tanto orgulho na minha nação como neste preciso momento e achei que devia partilhar isto com toda a gente que lê o meu blog e não, não vou dizer "com todos os três" porque parece sempre ser uma piada auto-depreciativa com imensa piada mas, tipo, porra, toda a gente do mundo já fez esta piada uma vez na vida e qual é a ideia de estar sempre a repetir as piadas dos outros, mesmo que tenha imensa piada, percebem, é porque ninguém lê o blog, a sério, percebem, estão a ver, estou a gozar com o facto de o blog ter pouca audiência, mas a verdade é que tem mais piada quando se está a falar de um meio muito mais lido ou visto ou assim, desta maneira não tem grande piada, e é basicamente por isso, e por medo da falta de originalidade, que não faço a piada, estou a brincar, não tenho medo nenhum da falta de originalidade, é só que acho estúpido estar a repetir essa piada que tanta gente má já fez, porque há gente por aí que diz piadas e não tem piada nenhuma, e não, não vou dizer "eu também não tenho" porque também seria um bocado a mesma coisa, o importante é que o X-Tiano comeu a Serena e que se fala sobre isso, porra, ele é mencionado no Gossip Girl, acho que alguém devia fazer um poster ou no mínimo tirar uma fotografia a este momento e emoldurar na parede dos grandes feitos do povo português em Portugal e no mundo, mas pergunto-me a mim próprio se terá sido antes ou depois da gripe que ele teve porque não quero que a Serena Van Der Woodsen apanhe doenças, coitada, menina, abafa-te que vem aí o frio e depois ficas doente e não quero que estejas doente, tens festas para onde ir e um pára-arranca amoroso com o Dan Humphrey para viver, por favor não adoeças porque não gosto de te ver mal.
xoxo,
Rodrigo
terça-feira, setembro 01, 2009
Hoje
O dia de hoje pode ser resumido em apenas três magníficas letras: "H", "O" e "V". Porque não há mais nada. Mesmo mais nada.
Quem eu sou
Tenho imenso entusiasmo por tudo. Não tenho qualquer tipo de filtro. Tudo aquilo de que falo vai mudar a tua vida. Acredita em mim.
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