quarta-feira, agosto 18, 2010

Luís Zanguineto

É o meu novo ódio de estimação. É o tipo que traduziu o Expendables e não sabe falar inglês. É um bocado estranho. Gostava de ter o contacto dele para lhe perguntar por que raio fez ele aquilo, onde é que aprendeu inglês e se viu sequer o filme ou estava a olhar para outro sítio qualquer. Toda a minha vida vi legendas ao lado, desde ver o The Year Punk Broke na SIC Radical e ler "a Dee Dee Ramone" ou "o J. Mascotts" (quando os nomes vêm todos creditados) até ouvir o Biography Channel a falar d'"a Alan Parsons" e a Claire a perguntar à Nate no Six Feet Under se ela gosta "do Sleater-Kinney". Às vezes percebe-se (mas não se desculpa) por ser conhecimento específico e não haver tempo para os tradutores e encolhe-se ombros por não haver nada a fazer. Já legendas como as do Expendables não têm justificação possível. O Dolph Lundgren é agarrado e o tradutor só se lembra disso a meio. Quando o Sly lhe diz "You're using", o grande Luís Zanguineto escreve "Ainda estás utilizável". Isto, claro, além de traduzir mal, sem perceber, quase todas as frases do filme, especialmente os comentários atirados para o ar, que são quase todos desprovidos da linguagem colorida das personagens e ganham um novo significado, totalmente diferente do que estava planeado. Luís Zanguineto, por favor demite-te. Pára de estragar filmes com as tuas legendas terríveis. És mesmo muito mau no teu trabalho e devias dedicar-te a outra coisa. Eu falo americano e é o Expendables, mas tenho medo de que gente como esta traduza os filmes falados noutro estrangeiro que não o americano. Assusta-me.

sexta-feira, julho 23, 2010

Inception

Incrível, sem dúvida, mas alguém devia dizer ao Nolan que ele não sabe escrever diálogos (é assim tão difícil pedir a alguém para fazê-lo por ele?) e que a exposição deve ser evitada e não abusada. Ou ele faltou à aula do "Show, don't tell"?

domingo, julho 04, 2010

Time to sit back and unwind

É triste que, no dia a seguir a um (bom) barbecue de apresentação do (óptimo) É uma Água dos PAUS, bem complementado pelo 2001 do Dre e o Bitte Orca dos Dirty Projectors (não há, nem nunca houve, saco para o embuste que são os cLOUDDEAD, muito menos ao sol), saia uma banda sonora perfeita para qualquer evento ao ar livre. Falo, é claro, da mixtape do Mick Boogie com o Jazzy Jeff, com todas as canções do mundo que sabem a Verão. Até a mais óbvia, a perfeita, do próprio JJ, o mega-clássico "Summertime" (OK, falta a "Roller Skating Jam Named 'Saturdays'", não se pode ser gritantemente óbvio). Até dá vontade de ter um terraço e fazer barbecues a toda a hora.

sexta-feira, junho 04, 2010

Ideia

O Get Him to the Greek tem um bromance entre o Russell Brand (magro) e o Jonah Hill (gordo). Gostava de fazer um filme com um bromance entre eu agora (magro) e eu há um ano e tal (gordo). Judd Apatow, liga-me.

quarta-feira, junho 02, 2010

We need new noise

Esta remistura da "New Noise" dos Refused pelos Bloody Beetroots não é só abjecta e moralmente reprovável, é também a pior coisa que ouvi em toda a minha vida. Não sou xenófobo, mas, entre os Bloody Beetroots e os Crookers, se tens um duo de música de dança, és italiano e gostas de rock mas não gostas de rock, odeio-te de morte e pára, por favor, estás a estragar o mundo.

segunda-feira, maio 24, 2010

And so it goes...

Uma pequena parte de mim morreu hoje. E valeu a pena, acho eu. Vou ter saudades – e muitas – dos recaps do Videogum, que eram uma das melhores coisas do mundo. Bem, teremos sempre o "Hey, what's up with Topher Grace?", bebé.

domingo, maio 23, 2010

Renovação do ódio

Há dias em que saio de casa e adoro o mundo e as pessoas que nele habitam. Vou pela rua a andar e a cantar e a dançar e às vezes até espalho pelos outros – essas pessoas que adoro – a minha contagiante boa disposição. Ora, isso é péssimo e nocivo para o mundo. As nossas vidas precisam de um pouco de ódio para equilibrar a balança. E, ciclicamente, eu preciso de algo que renove o meu ódio por pessoas e gente. Por isso é que estou contente (por estar zangado) outra vez: chegou a época dos festivais de Verão.
O Rock in Rio é um centro comercial gigante que não vende nada que tu queiras comprar. E isso atrai imensa gente. Tudo começou no metro na sexta-feira à tarde. Foi aí que vi a minha primeira patilha à mitra do fim-de-semana. Estava longe de ser a última. Vinha associada, como tantas outras, a um corpo de culturista, cabelo descolorado em cima com quantidades industriais de gel, bem como a uma namorada a condizer, com rabo saído à stripper. Basicamente, era o primeiro de muitos casais com a colecção toda da D&G.
Por falar nisso, tenho uma sugestão que melhoraria o mundo muito mais que um milhão de edições do Rock in Rio. Decapitação automática para todos os clientes da D&G. Era simples e eficaz e nada injusto. Pensa bem. Há justificação para ser cliente da D&G? Não. É só uma ideiazinha, mas se todos nós tivessemos ideias destas, talvez a existência do Rock in Rio não fosse necessária, porque o mundo já estaria salvo e não seria preciso estar a lutar por um mundo melhor.
Mas o Rock in Rio existe e possibilita experiências que eu nunca teria de outra maneira. Por exemplo, descobri um corte de cabelo à DJ Pauly D do Jersey Shore, o que mostra que, felizmente, essa soberba série já tem repercussões por cá, o que é muito positivo. O recinto está desenhado de maneira que, dentro do teu campo de visão, nunca haja menos que dois logótipos de marcas importantes nem menos de vinte pessoas que tu queiras executar sem julgamento. Alguém me explica por que raio é que há pessoas que, não sendo o Bruce Willis a fazer de John McClane, têm o desplante de sair à rua de wife beater (não há justificação possível para isso, tal como não há justificação possível para fazer compras na D&G). Ou, pior, de manga cava. Há quem pareça ter passado o ano inteiro a malhar no ginásio para mostrar os músculos num festival de Verão.
Neste centro comercial vende-se tudo menos música. Há uma loja da Fnac que vende no máximo dos máximos dez álbuns diferentes, dois ou três livros e um ou outro DVD. Tirando isso, não há mais música à venda. Há, sim, stands em que "celebridades" são mestres de cerimónias e animam as pessoas com piadas terríveis. Num stand da Etic a dizer "THE ETIC SHOW" atrás está o Manuel Marques a dizer "se calhar devia imitar a Shakira para me ouvirem". Um bocado abaixo há uma coisa que diz "Control Peep Show" e tem raparigas de coro a dançar ao som de canções de cabaré escolhidas pelo Gimba (alguém que adoro do fundo do coração e tinha uma camisa incrivelmente feia, a condizer com o ambiente). Atrás das dançarinas, o mestre de cerimónias: Quimbé. Nunca percebi bem quem é o Quimbé nem o que ele faz na realidade, mas a falta de piada dele e o facto de haver gente a rir com as suas piadas terríveis é daquelas coisas que me dão uma injecção de ódio pelas pessoas.
Não sou preto, mas a forma como o John Mayer pega nos blues e noutras músicas negras e transforma aquilo nas suas canções anodinamente hediondas ofende-me pessoalmente. A maior parte das coisas de que gosto ou são feitas por pretos ou por brancos que querem ser pretos e tocar música de pretos e falham redondamente quando o tentam. Está aí a piada. Se calhar o problema do Mayer é saber tocar realmente guitarra. É que, a julgar pelo que ele diz à Rolling Stone e pela maneira como se portava quando era convidado do Conan, o Mayer até é um gajo com piada e adorava que isso se notasse nas canções terríveis dele.
Apesar de gostar do Elton John (e ouvir "Tiny Dancer" ao vivo é incrível, não quero saber se não gostas da canção por causa do Almost Famous e do Cameron Crowe ser idiota, tu é que és idiota, vai-te embora e pára de me chatear), as únicas razões que eu tinha para ir (além do male bonding que é sempre reforçado neste tipo de eventos em que um gajo tem de andar em pé de um lado para o outro à seca) estavam no segundo dia eram os Major Lazer (por causa do Skerrit Bwoy) e o gajo dos XX (não tenho qualquer apreço pelos XX, mas os sets do gajo, com dubstep porreiro e pop, são incríveis).
O tipo dos XX esvaziou a tenda electrónica, que no dia antes tinha estado cheia de gajos que pensavam que estavam no Pacha de Ofir. T-shirts de gola em V e tipos que se punham às cavalitas uns dos outros e punham as palmas das mãos no ar para puxar pela malta eram o complemento perfeito para DJs que passavam sopros manhosos enquanto punham o dedo no ar. Abominável. Ou seja, os mitras não gostam de dubstep (tirando quatro ou cinco pastilhados que dançavam como se aquilo fosse bailado), como a maior parte dos fãs de XX odiariam os sets do gajo (mas graças a Deus que um puto que se veste de preto e tem ar de ter a discografia completa dos Cure não entra por esse lado como DJ).
O Skerrit Bwoy não tem qualquer tipo de talento descernível, a não ser o facto de ser o Skerrit Bwoy 24 horas por dia, especialmente em cima de um palco ou de uma coluna. Veio só o Diplo (o Switch ficou noutro sítio qualquer), o Skerrit Bwoy e duas dançarinas que serviam para colmatar o desconhecimento e a vergonha do público perante o daggering (provavelmente, a melhor dança de sempre). Houve pouco daggering, mas foi bom daggering, com o Skerrit a vergá-las sorridentes e a simular a cópula. A música era porreira, mas soa melhor em disco, talvez pelo facto de o Skerrit ser um mero hype man que praticamente não se ouve e, assim, o Diplo não puxar tanto pelos vocalistas pré-gravados.
Não estava cheio, as pessoas devem ter ficado cansadas depois dos 2 Many DJs, que fizeram um set que considero ser moralmente questionável. Tocam as mesmas músicas de sempre, com passagens perfeitas, sem qualquer erro ou espaço de manobra. Parece estar tudo pré-gravado. Não havia imagens nos ecrãs, por isso até duvido que eles tenham estado lá. Pode acusar-se os Daft Punk de fazer o mesmo, mas nunca vi os Daft Punk ao vivo e uma vez quando foram com o Kanye West aos Grammies eles estavam a tocar nuns botõezinhos e por isso aquilo é ao vivo, estás a ver? Isto podia nem ser, já que havia enimações atrás dos gajos que eram as capas dos discos que eles estavam a tocar e a alternar, em tempo real. Além disso, porra, devia ser proibido passar-se New Order e, duas malhas depois, Joy Division (agora que penso nisso, devia ser proibido passar-se Joy Division, outra medida por um mundo melhor).
Adorava ter tido coragem/companhia para experimentar o daggering. Teria tornado a minha (má) experiência num mau festival em algo muito mais proveitoso e memorável. Às vezes penso que, passada a fase da adolescência do elitismo e o caraças de só ouvir cenas desconhecidas (ou que pensava eu serem desconhecidas) até tenho uns gostos bastante mainstream. Mas vou a um festival destes e fico impressionado com aquilo em que as pessoas caem. Mesmo. No último episódio do 30 Rock (que foi especialmente bom numa temporada assim-assim – o que não quer dizer que não continue a ser uma das melhores séries cómicas do mundo de sempre), a Liz Lemon conhece o Matt Damon e, em conversa, ela diz: "I hate people too!" Senti-me assim. Por falar nisso, também é especialmente doloroso lembrar-me de que o Chuck Lorre tem duas séries horríveis no ar (e vem aí mais uma a caminho, sobre pessoas gordas, o tópico mais brejeiro de sempre, óptimo para um gajo que escreve comédia tão horrível) e o 30 Rock não é visto assim por tanta gente, ou seja: AS PESSOAS SÃO ESTÚPIDAS. Felizmente, tive alguns colegas com quem partilhar o ódio. É que, quando se odeia pessoas, não faz sentido deixar esse ódio todo para nós. É bonito partilhá-lo com os outros. O mundo é um sítio melhor assim.

segunda-feira, maio 03, 2010

CIMENTO. 2006-2010

Grande parte dos últimos quatro anos foi passada, de uma maneira ou de outra, a ser membro dos CIMENTO. Éramos três tipos que passavam música, mais nada, mas era quase como um estilo de vida. Mesmo que não estivéssemos a passar música, estávamos a comprar música, a falar sobre música, em concertos, a falar de futuros sets, de como seria bom passar isto e aquilo, de como seria bom ir aqui ou ali. Agora, ao que tudo indica, acabou.
Milhentos DJs dizem-se eclécticos, mas sabem que não podem fazer certas coisas a meio dos sets e costumam cingir-se a apenas alguns géneros. Como não-DJs, nunca soubemos o que não fazer. Não havia regras. Simon & Garfunkel no Lux? Fizemo-lo. "Tiny Dancer" do Elton John, em tantos sítios, abraçados, a cantar a letra toda? Também. Sem problemas. Stooges, Sonic Youth e Metallica lado a lado com Beyoncé, Rihanna e Kelis? Aconteceu. Os The Tough Alliance em todos os sets, mesmo em sítios em que só nós os três é que os conhecíamos? Não importava, adoramo-los, são, tirando os Wu-Tang Clan, a banda mais CIMENTO. de sempre.
Há umas semanas fui ao Pacha de Madrid. No andar de baixo a música era terrível, alternada com algo decente muito de vez em quando. Aborrecido, encontrei um segundo andar que passava rap e r&b e no qual toda a gente dançava feliz e contente e alegre. Eu fiz o mesmo. Gosto das canções, mas senti-me sujo. Sei que a música de dança e as discotecas devem ser anónimas, com o foco sobre a música e não sobre a pessoa que a passa, e que é tudo isso que faz a cultura de DJs ser diferentes. Todas aquelas canções estavam escolhidas para agradar ao máximo a quem lá ia, sem qualquer personalidade ou critério. O DJ não se mexia, não parecia ter grande prazer no que estava a fazer. Nós, CIMENTO., não sabíamos fazer passagens (às vezes esforçávamo-nos mais ou menos e lá saía uma sem querer), mas sabíamos divertir-nos e ter prazer no que estávamos a fazer. Sabíamos dançar e ficar contentes e passar-nos completamente e, parece, passar esse entusiasmo para as pessoas.
Há uns anos, íamos mais ou menos uma vez por semana à Carbono comprar discos. As prateleiras dos cinco euros eram todas nossas. Recheámos as nossas malas com discos de rap e r&b e éramos, invariavelmente, julgados pelos tipos claramente roquistas que estavam ao balcão. Tenho a certeza de que se riam quando nos íamos embora. Éramos óptimos clientes, clientes habituais, mas éramos sempre mal tratados. Mesmo assim, era um ritual porreiro, que mostrava como encarávamos isto tudo: pensávamos constantemente sobre as malhas que queríamos passar e ansiávamos pelo próximo set para podermos fazê-lo. Entretanto abriu a Louie Louie e a Carbono não passa de uma má memória. Só que há uma atenuante: não é má. Por muito que discutíssemos ou amuássemos (e eu à cabeça), as memórias, pelo menos as minhas, são todas boas.
Na segunda metade de 2007, havia sets de CIMENTO. praticamente todas as semanas. 2008 também foi um bom ano, mas lá para o fim começou a escassear. A escassez agravou-se em 2009 e em 2010, sets, mal vê-los. Tudo bem. Os discos iam acumulando e a vontade de passá-los também, sem qualquer escoamento. Fomos a muitos sítios. O principal, a nossa casa, sempre foi o Left, onde começámos e, pelos vistos, acabámos. Mas também fomos presença assídua durante uns tempos no Mini-Mercado (lembro especialmente a passagem de Agosto para Setembro de 2007 e o meu aniversário em 2007 e 2008), tocámos uma vez no Lux, umas três ou quatro vezes no Lounge, duas vezes (noites incríveis) na Casa Conveniente, fomos ao Plano B no Porto (com a Joana M. e a Sara, obrigado), à Sociedade Harmonia Eborense em Évora (com a Joana B., talvez a maior groupie de sempre de CIMENTO.), ao Cinema Paraíso em Leiria (foram acompanhar-nos o Nicolai, a Joana B. e o Ramos), um casamento, ao primeiro aniversário do Museu Berardo, a uma festa da Católica no Porto, a Santa Maria da Feira, a uma festa da Time Out. Não me lembro de mais agora, mas, por quatro anos, pude andar por Lisboa e por Portugal a passar música com dois dos meus melhores amigos. Podia ter sido muito pior. Passei de ficar em casa por não ter nada para fazer para fazer o melhor que havia para fazer. Até, uma vez no Lux, fui reconhecido por duas raparigas, que me perguntaram se não era dos CIMENTO. "Gostamos bué de CIMENTO., vimo-vos uma vez no Mini-Mercado." Foi o meu único momento de fama.
Fizemos dançar muitas pessoas e, especialmente, fizemo-nos dançar a nós próprios. Amigos e amigas, alguns que conheci lá, ou não, gente como várias Joanas, a Carin, a Sara, a Maria, a Rita, a Ana e, last but not least, até a Nika. E montes de outras pessoas, espero eu. Cada segundo valeu a pena e foi provavelmente das melhores coisas que já me aconteceram na vida desde sempre. Espero que sejamos como o Jay-Z (alguém que os três adoramos) e regressemos da reforma daqui a pouco tempo.


quarta-feira, abril 21, 2010

Nevermind

O que é que estás a fazer neste preciso momento? Bem sei que nunca gostei de Nirvana, mas pára tudo e vai ler isto. Grande, grande André.

segunda-feira, abril 19, 2010

Singular

Este não foi publicado porque já tem umas semanas (foi escrito pré-leak dos LCD e pré-vídeo de "Drunk Girls", ou seja, antes de hoje):

LCD Soundsystem
Drunk Girls
YouTube

Não tenha medo. "Drunk Girls" não é daquelas canções introspectivas dos LCD Soundsystem que tanto podem ser excelentes como aborrecidíssimas. Não, é LCD Soundsystem com tudo aquilo que se espera deles: repetição, minimalismo, guitarras pós-punk, gritinhos, tiques vocais, sintetizadores, diversão e linhas de baixo simples e boas. A temática é a perfeita para a festa: raparigas bêbedas. Porque, já perguntava a avó de toda a gente, o que é uma festa sem espécimes do sexo feminino alcoolizados?

R. Kelly
Be My #2
YouTube

Esqueça "Be My Baby" das Ronettes. O que está a dar é ser romântico, mas não em demasia. Esta canção de R. Kelly é uma canção de amor, mas não é um amor qualquer. É o amor por uma amante. A mensagem é simples: "amo-te, mas tenho uma principal, queres ser a minha secundária?" Acontece que é a melhor canção de R. Kelly em muitos anos, com um instrumental disco-sound cheio de funk inesperado, com guitarras, cordas e sopros foleiros. A produção é de Jack Splash, dos revivalistas do funk futurista PlantLife, e lembra as discotecas dos anos 70 onde se dançava de patins.

Jamie Lidell
The Ring
Pitchfork.tv

Sobre Van Morrison, o crítico Greil Marcus dizia que nenhum branco cantava assim. Era uma referência à capacidade vocal extraordinária do irlandês que se pode aplicar na perfeição a Jamie Lidell. Mas onde Morrison vai lá pela dor, Lidell vai lá pelo mel. Enquanto os (óptimos) dois álbuns anteriores de Lidell eram soul retro, cheios de grandes canções, o próximo, Compass, vai ser mais experimental. "The Ring" prova isso mesmo. É uma canção suja – cortesia da voz a fazer de guitarra e de baixo e de um trompete, tudo bem distorcido –, com piano e palmas, que muito deve aos blues, mas não deixa de ter toneladas de funk. Viciante.

segunda-feira, março 29, 2010

Sobre a misoginia



Melhor canção de sempre, certo? Talvez o Stephin Merritt, fã confesso de Phil Spector, o senhor que produziu a canção, concorde (também podemos fazer uma generalização irracional igual àquelas que Alberto Gonçalves: os Grizzly Bear, cujo vocalista é gay, fizeram uma versão desta canção, por isso é provável que Stephin Merrit, que também é gay, de Nova Iorque, e músico, a adore). E o que é? É uma canção escrita por Carole King e Gerry Goffin, um casal, sobre uma mulher cujo parceiro lhe bate. E, quanto mais lhe bate, mais ela percebe que ele gosta dela. Uma perspectiva muito bonita. A ideia era protestar esse tipo de mentalidade, mas isso não está explícito em lado nenhum. Podia perfeitamente estar a legitimar-se a coisa. Aposto que o senhor Alberto Gonçalves, que se insurge contra a misoginia do hip-hop, não tem nada contra esta canção. Nem contra o Phil Spector, um senhor que tem um vasto historial de pouca misoginia. É complicado, para uma mulher que ande com ele, acabar com a relação. Não é que ele seja irresistível, é só que ele tende a pegar numa pistola e apontá-la à cabeça de todas as pessoas do sexo feminino que ousem deixá-lo. Mas não é misógino porque não fez a escolha de vida errada, a do rap. É aceitável para o Alberto Gonçalves e para o seu herói Stephin Merritt.
Reparem e olhem à vossa volta: há misoginia em todo o lado. Achar que é perpetuada apenas pelo rap ou pelo metal não é só estúpido e idiota, é altamente irresponsável. O Phil Spector é um génio, ninguém duvida disso, mas é violento com mulheres e traumatiza-as para a vida. Também o era o Notorious B.I.G., que batia na Faith Evans. Nada altera o facto de terem feito música incrível, da melhor que alguma vez se fez. A produção do Spector na "Be My Baby" das Ronettes – para ser um bocadinho mais como Alberto Gonçalves e recorrer apenas ao óbvio – perde a beleza? As primeiras palavras do Biggie na "Juicy" ("It was all a dream, I used to read Word Up Magazine") e tudo o resto, a história rags-to-riches que ele conta tão bem deixa de ser tocante e uma das mais belas cartas de amor ao rap de sempre? Não. As atitudes deles são reprováveis e devem ser combatidas, sim. Fingir que só existem ali ou, pior, que é lá que nascem, é perigoso.

Apelo a um homem de negócios

A qual destas pessoas é que daria emprego?



Ao tipo de barba por fazer, vestido com um casaco de cabedal e uma camisa manhosa, que enverga um misto entre boné e boina na cabeça?


Ou ao senhor aprumado e bem vestido?

Um destes dois fez a escolha de vida perigosa (e errada) que é o hip-hop. Veja se adivinha qual deles foi.

domingo, março 28, 2010

Alberto, meu amor

Ó palhacito, custa-me estar a afirmar o que para mim é tão óbvio e tão claro como a pele branca de toda a gente que endeusas: estás a fazer uma generalização incorrecta. Nem todo o hip-hop é misógino, nem todo o hip-hop é contra o sistema (que dizer, por exemplo, da transformação dos rappers em quase corporações, do Jay-Z dizer "I'm not a businessman, I'm a business, man", de ser presidente da Def Jam, da ideia do "Black Republican" com o Nas, do caralho que te foda, etc.). Nem todo o hip-hop é preto, nem todo o hip-hop é marginal. Mas não, não consegues perceber isso. Já para não falar da misoginia no rock (olha o Iggy Pop sobre as mulheres: "However close they come I'll always pull the rug from under them. That's where my music is made." ). Sabes ler? Como qualquer pessoa com um coração, adoro os primeiros dois álbuns dos Weezer. O azul tem uma canção chamada "No One Else", em que o Rivers Cuomo diz que quer uma rapariga que não sorria a mais ninguém, que quando ele não está não sai de casa e deixa a maquilhagem na estante. Basicamente, ele quer uma rapariga com trela. Isto quando até o Dr. Dre, o Snoop Dogg e o Ice Cube deixam as hoes deles ir à rua sozinhas de vez em quando.

quarta-feira, março 24, 2010

Como escrever

Memo do David Mamet para os guionistas do The Unit:

TO THE WRITERS OF THE UNIT
GREETINGS.
AS WE LEARN HOW TO WRITE THIS SHOW, A RECURRING PROBLEM BECOMES CLEAR.
THE PROBLEM IS THIS: TO DIFFERENTIATE BETWEEN *DRAMA* AND NON-DRAMA. LET ME BREAK-IT-DOWN-NOW.
EVERYONE IN CREATION IS SCREAMING AT US TO MAKE THE SHOW CLEAR. WE ARE TASKED WITH, IT SEEMS, CRAMMING A SHITLOAD OF *INFORMATION* INTO A LITTLE BIT OF TIME.
OUR FRIENDS. THE PENGUINS, THINK THAT WE, THEREFORE, ARE EMPLOYED TO COMMUNICATE *INFORMATION* — AND, SO, AT TIMES, IT SEEMS TO US.
BUT NOTE:THE AUDIENCE WILL NOT TUNE IN TO WATCH INFORMATION. YOU WOULDN’T, I WOULDN’T. NO ONE WOULD OR WILL. THE AUDIENCE WILL ONLY TUNE IN AND STAY TUNED TO WATCH DRAMA.
QUESTION:WHAT IS DRAMA? DRAMA, AGAIN, IS THE QUEST OF THE HERO TO OVERCOME THOSE THINGS WHICH PREVENT HIM FROM ACHIEVING A SPECIFIC, *ACUTE* GOAL.
SO: WE, THE WRITERS, MUST ASK OURSELVES *OF EVERY SCENE* THESE THREE QUESTIONS.
1) WHO WANTS WHAT?
2) WHAT HAPPENS IF HER DON’T GET IT?
3) WHY NOW?
THE ANSWERS TO THESE QUESTIONS ARE LITMUS PAPER. APPLY THEM, AND THEIR ANSWER WILL TELL YOU IF THE SCENE IS DRAMATIC OR NOT.
IF THE SCENE IS NOT DRAMATICALLY WRITTEN, IT WILL NOT BE DRAMATICALLY ACTED.
THERE IS NO MAGIC FAIRY DUST WHICH WILL MAKE A BORING, USELESS, REDUNDANT, OR MERELY INFORMATIVE SCENE AFTER IT LEAVES YOUR TYPEWRITER. *YOU* THE WRITERS, ARE IN CHARGE OF MAKING SURE *EVERY* SCENE IS DRAMATIC.
THIS MEANS ALL THE “LITTLE” EXPOSITIONAL SCENES OF TWO PEOPLE TALKING ABOUT A THIRD. THIS BUSHWAH (AND WE ALL TEND TO WRITE IT ON THE FIRST DRAFT) IS LESS THAN USELESS, SHOULD IT FINALLY, GOD FORBID, GET FILMED.
IF THE SCENE BORES YOU WHEN YOU READ IT, REST ASSURED IT *WILL* BORE THE ACTORS, AND WILL, THEN, BORE THE AUDIENCE, AND WE’RE ALL GOING TO BE BACK IN THE BREADLINE.
SOMEONE HAS TO MAKE THE SCENE DRAMATIC. IT IS NOT THE ACTORS JOB (THE ACTORS JOB IS TO BE TRUTHFUL). IT IS NOT THE DIRECTORS JOB. HIS OR HER JOB IS TO FILM IT STRAIGHTFORWARDLY AND REMIND THE ACTORS TO TALK FAST. IT IS *YOUR* JOB.
EVERY SCENE MUST BE DRAMATIC. THAT MEANS: THE MAIN CHARACTER MUST HAVE A SIMPLE, STRAIGHTFORWARD, PRESSING NEED WHICH IMPELS HIM OR HER TO SHOW UP IN THE SCENE.


THIS NEED IS WHY THEY *CAME*. IT IS WHAT THE SCENE IS ABOUT. THEIR ATTEMPT TO GET THIS NEED MET *WILL* LEAD, AT THE END OF THE SCENE,TO *FAILURE* – THIS IS HOW THE SCENE IS *OVER*. IT, THIS FAILURE, WILL, THEN, OF NECESSITY, PROPEL US INTO THE *NEXT* SCENE.
ALL THESE ATTEMPTS, TAKEN TOGETHER, WILL, OVER THE COURSE OF THE EPISODE, CONSTITUTE THE *PLOT*.
ANY SCENE, THUS, WHICH DOES NOT BOTH ADVANCE THE PLOT, AND STANDALONE (THAT IS, DRAMATICALLY, BY ITSELF, ON ITS OWN MERITS) IS EITHER SUPERFLUOUS, OR INCORRECTLY WRITTEN.
YES BUT YES BUT YES BUT, YOU SAY: WHAT ABOUT THE NECESSITY OF WRITING IN ALL THAT “INFORMATION?”
AND I RESPOND “*FIGURE IT OUT*” ANY DICKHEAD WITH A BLUESUIT CAN BE (AND IS) TAUGHT TO SAY “MAKE IT CLEARER”, AND “I WANT TO KNOW MORE *ABOUT* HIM”.
WHEN YOU’VE MADE IT SO CLEAR THAT EVEN THIS BLUESUITED PENGUIN IS HAPPY, BOTH YOU AND HE OR SHE *WILL* BE OUT OF A JOB.
THE JOB OF THE DRAMATIST IS TO MAKE THE AUDIENCE WONDER WHAT HAPPENS NEXT. *NOT* TO EXPLAIN TO THEM WHAT JUST HAPPENED, OR TO*SUGGEST* TO THEM WHAT HAPPENS NEXT.
ANY DICKHEAD, AS ABOVE, CAN WRITE, “BUT, JIM, IF WE DON’T ASSASSINATE THE PRIME MINISTER IN THE NEXT SCENE, ALL EUROPE WILL BE ENGULFED IN FLAME”
WE ARE NOT GETTING PAID TO *REALIZE* THAT THE AUDIENCE NEEDS THIS INFORMATION TO UNDERSTAND THE NEXT SCENE, BUT TO FIGURE OUT HOW TO WRITE THE SCENE BEFORE US SUCH THAT THE AUDIENCE WILL BE INTERESTED IN WHAT HAPPENS NEXT.
YES BUT, YES BUT YES *BUT* YOU REITERATE.
AND I RESPOND *FIGURE IT OUT*.
*HOW* DOES ONE STRIKE THE BALANCE BETWEEN WITHHOLDING AND VOUCHSAFING INFORMATION? *THAT* IS THE ESSENTIAL TASK OF THE DRAMATIST. AND THE ABILITY TO *DO* THAT IS WHAT SEPARATES YOU FROM THE LESSER SPECIES IN THEIR BLUE SUITS.
FIGURE IT OUT.
START, EVERY TIME, WITH THIS INVIOLABLE RULE: THE *SCENE MUST BE DRAMATIC*. it must start because the hero HAS A PROBLEM, AND IT MUST CULMINATE WITH THE HERO FINDING HIM OR HERSELF EITHER THWARTED OR EDUCATED THAT ANOTHER WAY EXISTS.
LOOK AT YOUR LOG LINES. ANY LOGLINE READING “BOB AND SUE DISCUSS…” IS NOT DESCRIBING A DRAMATIC SCENE.
PLEASE NOTE THAT OUR OUTLINES ARE, GENERALLY, SPECTACULAR. THE DRAMA FLOWS OUT BETWEEN THE OUTLINE AND THE FIRST DRAFT.
THINK LIKE A FILMMAKER RATHER THAN A FUNCTIONARY, BECAUSE, IN TRUTH, *YOU* ARE MAKING THE FILM. WHAT YOU WRITE, THEY WILL SHOOT.
HERE ARE THE DANGER SIGNALS. ANY TIME TWO CHARACTERS ARE TALKING ABOUT A THIRD, THE SCENE IS A CROCK OF SHIT.
ANY TIME ANY CHARACTER IS SAYING TO ANOTHER “AS YOU KNOW”, THAT IS, TELLING ANOTHER CHARACTER WHAT YOU, THE WRITER, NEED THE AUDIENCE TO KNOW, THE SCENE IS A CROCK OF SHIT.
DO *NOT* WRITE A CROCK OF SHIT. WRITE A RIPPING THREE, FOUR, SEVEN MINUTE SCENE WHICH MOVES THE STORY ALONG, AND YOU CAN, VERY SOON, BUY A HOUSE IN BEL AIR *AND* HIRE SOMEONE TO LIVE THERE FOR YOU.
REMEMBER YOU ARE WRITING FOR A VISUAL MEDIUM. *MOST* TELEVISION WRITING, OURS INCLUDED, SOUNDS LIKE *RADIO*. THE *CAMERA* CAN DO THE EXPLAINING FOR YOU. *LET* IT. WHAT ARE THE CHARACTERS *DOING* -*LITERALLY*. WHAT ARE THEY HANDLING, WHAT ARE THEY READING. WHAT ARE THEY WATCHING ON TELEVISION, WHAT ARE THEY *SEEING*.
IF YOU PRETEND THE CHARACTERS CANT SPEAK, AND WRITE A SILENT MOVIE, YOU WILL BE WRITING GREAT DRAMA.
IF YOU DEPRIVE YOURSELF OF THE CRUTCH OF NARRATION, EXPOSITION,INDEED, OF *SPEECH*. YOU WILL BE FORGED TO WORK IN A NEW MEDIUM - TELLING THE STORY IN PICTURES (ALSO KNOWN AS SCREENWRITING)
THIS IS A NEW SKILL. NO ONE DOES IT NATURALLY. YOU CAN TRAIN YOURSELVES TO DO IT, BUT YOU NEED TO *START*.
I CLOSE WITH THE ONE THOUGHT: LOOK AT THE *SCENE* AND ASK YOURSELF “IS IT DRAMATIC? IS IT *ESSENTIAL*? DOES IT ADVANCE THE PLOT?
ANSWER TRUTHFULLY.
IF THE ANSWER IS “NO” WRITE IT AGAIN OR THROW IT OUT. IF YOU’VE GOT ANY QUESTIONS, CALL ME UP.
LOVE, DAVE MAMET
SANTA MONICA 19 OCTO 05
(IT IS *NOT* YOUR RESPONSIBILITY TO KNOW THE ANSWERS, BUT IT IS YOUR, AND MY, RESPONSIBILITY TO KNOW AND TO *ASK THE RIGHT Questions* OVER AND OVER. UNTIL IT BECOMES SECOND NATURE. I BELIEVE THEY ARE LISTED ABOVE.)

segunda-feira, março 22, 2010

Mais Alberto Gonçalves

Nesta pérola de vídeo, Alberto Gonçalves fala-nos do melhor da década que passou. Em termos musicais, fala-nos Stephin Merritt (dos Magnetic Fields, que, apesar do conservadorismo, até reconhece que a produção dos Bomb Squad para os Public Enemy é importantíssima, isto numa lista de canções mais importantes do século XX, uma por ano) e Nellie MacKay (esta última não existiria sem o rap, o "ruído" de que Alberto Gonçalves tanto fala). E, melhor ainda, explica: "Na televisão gostei de Friends e Frasier, as sitcoms que infelizmente parecem ter presidido ao enterro do género. Gostei menos dos Sopranos do que das possibilidades narrativas e estéticas que Os Sopranos abriram e que hoje se notam em produtos como o House, um vício de que não abdico." Em suma: "eu não vi televisão nos anos 2000". As "possibilidades narrativas e estéticas de Os Sopranos" é uma frase bonita que não diz muito. O que é que House tem a ver com aquilo? Será a importância dos sonhos, algo que vem do Twin Peaks? E que dizer de um tipo que destaca de uma década inteira de televisão Friends e Frasier (séries que, aliás, começaram nos anos 90)? Estamos a falar de uma década óptima, em que as "possibilidades narrativas e estéticas" foram abertas de uma maneira até então inimaginável. Estamos a falar da década de Arrested Development, e o gajo fala-me de Friends e Frasier. Nada contra, a não ser o facto de eu já não ter dez anos e ser preciso um bocadinho mais do que o mínimo necessário para me fazer rir (não que não me ria de vez em quando com aquilo). O mundo de Alberto Gonçalves é um mundo cinzento e conservador. O senhor gosta de destacar que foi a Nova Iorque e viu Stephen Sondheim na Broadway, que conviveu com ele e que viu o filme do Tim Burton baseado nele. Podia ter ido a Brooklyn ou ao Bronx, mas não foi, porque são sítios em que quase toda a gente fez as escolhas erradas de vida. Podia ter vivido a cidade, usufruído das vistas, das pessoas, mas isso já tinha feito em DVD e corria sempre o risco de encontrar gente com opções duvidosas de vida. Também diz que Gran Torino não traz grande novidade, mas isso é quase um pleonasmo: Alberto Gonçalves não gosta nem da diferença nem da novidade. O mundo de Alberto Gonçalves é um mundo onde não há qualquer fascínio nem gosto pelo novo e o desconhecido, onde as escolhas certas e mais óbvias são as únicas possíveis, ignorando o essencial: tudo o que é hoje em dia canónico já foi um dia novo e desconhecido ("no shit, Sherlock!", aposto que não fazias ideia disto e acabaste de descobrir porque eu escrevi). O mundo de Alberto Gonçalves é um mundo onde eu não quero, de todo, viver.

Isto ainda se usa? Parte 2

Agora pus-me a pensar: será a minha opinião de que o tipo é um idiota chapado válida? Talvez seja. Afinal de contas, sou branco e ando na rua de camisa para dentro das calças (que não são largas). Mas, ao mesmo tempo, posso estar a ouvir o Ready to Die ou o The Blueprint, algo que faço normalmente várias vezes por semana. Será uma escolha de vida correcta ou estarei eu a enganar toda a gente e serei, portanto, perigoso? Estou a ouvir pretos do hip-hop, mas estou vestido de uma forma aceitável para a sociedade. Que diria o Alberto Gonçalves de mim? Que diria ele, por exemplo, do guarda-roupa do Common, que esconde a sua verdadeira essência como alguém que escoheu o estilo de vida do rap? Ou de todos os rappers que usam fatos que não são dois números acima? Dá para ver que o Jay-Z fez uma escolha de vida errada quando veste Tom Ford ou estará ele a ludibriar as pessoas? Talvez ele devesse usar algum tipo de marca que o identificasse como alguém que fez uma escolha de vida errada. Também gostava de saber os problemas que o Alberto Gonçalves tem quando vê os Roots no Late Night with Jimmy Fallon. Vestem todos fato e tocam instrumentos "a sério", algo que pode ser bastante ambíguo. São uma espécie de Cavalo de Tróia, entram pelo mundo confortável dos talk shows nocturnos, mas como raio é que se percebe que fizeram a escolha do demónio quando decidiram dedicar a vida ao hip-hop e, por conseguinte, a Satanás?

Isto ainda se usa?

Pensava que este tipo de estupidez/ignorância/idiotice já não se usava. Sinceramente. O que vale é que o Rui Miguel Abreu – o pior pesadelo de Alberto Gonçalves: um tipo inteligentíssimo e cultíssimo, que mesmo assim escolhe não usar fato e gostar de hip-hop – o põe no sítio. Vale a pena ler o chorrilho de parvoíces do senhor para ler a resposta do Rui. Ninguém o faria melhor (eu, por exemplo, falharia redondamente: cairia no facilitismo de arranjar três ou quatro exemplos para contrariar cada frase e opinião do idiota, num namedropping inconsequente, ou chamar-lhe-ia "idiota" a cada frase), e é preciso mais gente a pensar/escrever assim (ao invés de haver uma geração inteira de bloggers que têm um orgasmo com o The Wire quatro ou cinco anos depois de acharam que tinha "demasiados pretos" ou coisa que o valha porque o Guardian ou o que quer que seja os avisou de que aquilo era bom – nada contra descobrir o The Wire demasiado tarde, só contra o preconceito que muita gente dita culta tem contra "coisas de pretos").

sábado, fevereiro 13, 2010

Sonho

A vida devia ser um set constante do DâM-FunK, com todos solos de keytar que isso comporta.

domingo, fevereiro 07, 2010

O melhor site do mundo. De sempre

Selleck Waterfall Sandwich. É exactamente aquilo que parece ser: montagens do Tom Selleck perto de cascatas com sanduíches lá no meio. Uma ideia obviamente genial.

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Embuste

Fazem o que fizeram ao Gervais ao Martin e ao Baldwin e eu juro que mato alguém. Para ver, no máximo dos máximos, cinco minutos dele? Estão a gozar comigo? OK, Jeff Bridges é uma das maiores pessoas vivas, não haja dúvida disso, e há dois ou três prémios que foram bem mandados. Mas, porra, cinco minutos de Gervais? Não sabem aproveitar a parte boa da vida?

sábado, janeiro 16, 2010

Um dia triste

As a deal nears for Conan O'Brien's exit from NBC, one thing is certain: the characters and recurring comedy bits O'Brien originated during his 16-plus years on "Late Night" and "The Tonight Show" will not follow the host when he leaves NBC.

The Peacock owns the intellectual property behind such popular O'Brien characters as Pimpbot 5000 and Conando, as well as recurring segments such as In the Year 3000 and Desk Driving. Sources involved in the settlement negotiations say NBC is keeping the copyrighted and trademarked elements of O'Brien's shows as part of the deal. That means the bits and characters will likely never be seen after O'Brien's "Tonight" ends its run Jan 22. ‬

While the vast majority of the characters O'Brien introduced are said to owned by NBC, it's unclear who controls Triumph the Insult Comic Dog, the crass canine puppet that is perhaps O'Brien's most popular recurring bit. Triumph was originated by writer and longtime O'Brien pal Robert Smigel, whose reps declined to comment on whether Smigel or NBC owned rights to the character.


Cresci com o Conan. Cresci com estas personagens. Nunca me saiu da cabeça um sketch de há mais de 10 anos em que, em pleno dia dos namorados, o Conan ia num Masturdate: jantava sozinho e, se a noite corresse bem, ia para casa e tocava-se. Uma parte de mim morreu hoje, disso não tenho dúvida nenhuma.

2009

Também me esqueci disto:



Foda-se.

terça-feira, janeiro 12, 2010

I'm on mah grind, shawty, don't block my shine, shawty

As melhores cantigas de 2009. Esqueci-me dos Grizzly Bear ("Two Weeks", claro) e do Raekwon ("The House of Flying Daggers", beat monstro do J. Dilla que um dia servirá para começar guerras).

terça-feira, dezembro 15, 2009

Aziz+AC

Na última Fader há uma entrevista incrível. É o Aziz Ansari a falar, por e-mail, com os Animal Collective. E no fim há fotografias deles todos (os quatro Animal Collective, sim, o Deakin também entra, e o Aziz) em pequenos. É uma troca de e-mails com links de YouTube para malhas de rap/new jack swing/hip-house dos anos 90 e vídeos estranhos. Quando for grande quero entrevistar pessoas assim.

domingo, dezembro 13, 2009

Doismilenove

Tantos reis, tanto de memorável: o "I'm on a Boat", com os Lonely Island a fazer uma malha que é uma malha e mesmo assim é uma piada, é provavelmente a melhor canção do T-Pain e tem tanto e tanto de bom, tanto o vídeo quanto a música; o Danny McBride e a sua detestabilidade adorável como Kenny "Fucking" Powers (Eastbound and Down é a série do ano); o Aziz Ansari e a sua doce douchebaggery como Tom Haverford (menção honrosa para o enorme Nick Offerman como Ron Swanson, é criminoso o Parks and Recreation ainda não se ter estreado em Portugal); o Zach Galifianakis, o seu Ray Hueston (e o Ted Danson e o Jason Schwartzman, trio maravilha no Bored to Death) e o seu Alan Garner do Hangover que lhe deu a merecida fama após tantos e tantos anos; a ira da Jane Lynch no impressionante Glee (adoro estar a ver o High School Musical em bom e haver uma piada tão acutilante que me faz questionar se ainda estou a ver a mesma série), e a sua também merecidíssima fama (é das pessoas com mais piada no mundo inteiro, uma mente que diz as frases mais brilhantes com uma rapidez incrível, além disso também estava boa no Party Down – outro crime não ter chegado cá –, que infelizmente não a poderá ter mais por causa do Glee); o GANA e o CENA e especialmente o "És um fartote" d'A Pandilha na cena do Goodfellas, bem com incontáveis outros momentos destes tipos brilhantes que criaram sozinhos um mundo inteiro cómico e novo sem se parecer com nada do que veio antes, sem referências aparentes e com muita piada; os grunhidos do Clint Eastwood no Gran Torino; o Norberto Lobo, que me ajudou a ler imensos livros ("Do Alto da Faia" é enorme); o "Shine Blockas" do Big Boi com o Gucci Mane, que é tudo aquilo que eu queria na vida de uma canção rap e muito mais, inclusivamente o cowbell da TR-808 – acho que é o meu som favorito de sempre (obrigado ao Chico por me ter chateado com essa merda no eléctrico, ter-me-ia passado ao lado); o Panda Bear confundir estatuto social com coisas materiais; o episódio do Flight of the Conchords realizado pelo Michel Gondry (genial, e "Carol Brown" é das canções do ano); já que estou nisso, o Fernando Brito, depois de uma prestação maravilhosa e hilariante como director do hospital num dos melhores episódios d'Um Mundo Catita (não me canso de dizer que é das melhores cenas de sempre da televisão portuguesa) fez um general maravilhoso num vídeo passado durante O Artista Português é tão bom Quanto os Melhores na sexta no S. Luiz; o Bill Murray ter morrido duas vezes (uma boa, outra má, isto relativamente falando, já que o Bill Murray, um dos maiores tesouros mundiais, nunca deve morrer); o Seth Rogen ter emagrecido (e eu também, ainda mais que ele) e ter feito do Funny People algo tão especial (e sortudo, acaba por ficar com a Aubrey Plaza); a Jenny Slate no Bored to Death, tão pouco e tanto ao mesmo tempo (não tive tempo para apreciá-la totalmente no Saturday Night Live, a maior parte dos sketches aborrece-me de morte); os BlakRoc e o rap-rock, mas em bom; o Mos Def e o incrível Ecstatic; os Grizzly Bear em todo o lado; "Empire State of Mind" (era só uma questão de tempo até fechar um episódio do Gossip Girl, e já agora a menção do Cristiano Ronaldo no Gossip Girl também marcou imenso o ano); e tantas e tantas outras cenas.
Gostava de agradecer à Joana S. pel'O Wrestler, o Milk e o Vicky Cristina Barcelona (e todos os outros, mas esse foi o melhor), à Joana B. pela Valsa com Bashir (e pelo Rachel Getting Married, o David Byrne e o A-Trak), à Sara pelas Titan Thursdays, à Rita pelos Abraços Desfeitos, à Carin pelo segundo Gran Torino, à Sofia pelo Hangover (e todos os outros gloriosamente maus, especialmente o da Nia Vardalos – o facto de ela ter uma carreira é um ultraje para gregas com piada como tu ou a Tina Fey), à Ana pel'O Visitante, à Maria pelo Maxime e o pré-Maxime, a outros amigos (especialmente ao Jaco pelo Synecdoche, New York, ao Nel e ao Júlio e não me lembro de mais quem pelo Caos Calmo e ao Paco e o Afonso – e mais muitos outros – pelo Arena de Torres Vedras, os filmes bons e os maus, o K'Naan e o bowling) e a mim próprio por tantos outros. E a todos os meus amigos por tantas outras coisas (o Ilo e o Super Bock em Stock, ou o Ilo e o Mário e a festa da Time Out, por exemplo, ou todas as Joanas do mundo por tudo).
Esqueci-me de muita coisa e é triste ter morrido o Michael Jackson e o John Hughes (e muitos mais que agora não me ocorrem ou não me marcaram tanto), mas pronto, o mundo há-de ir ao sítio.

segunda-feira, novembro 23, 2009

Herman e expectativas

Quando era (mais) puto, lá por 1996 ou 1997, tinha a esperança secreta de que um dia a Herman Enciclopédia saísse em CD-ROM, tal como o genérico parecia prometer. Tinha tudo gravado em VHS, hoje em dia tenho os dois volumes em DVD. Não é a mesma coisa. Queria uma alternativa ao Encarta 96, à Diciopédia ou algo parecido.E agora já não vale a pena. O mundo mudou e ninguém se interessaria por isso.

quinta-feira, novembro 19, 2009

Sobre 2012

Acho que adoro praticamente todos os actores envolvidos em 2012 e acho que o Danny Glover devia ser mesmo presidente dos Estados Unidos.

segunda-feira, novembro 16, 2009

Blakroc

A ideia por detrás da existência dos Blakroc, o novo projecto dos Black Keys com gente como o Mos Def, o Ludacris, o Pharoahe Monch, o RZA e imensa gente, é tão simples que até impressiona nunca ninguém ter pensado nela antes (especialmente o Mos Def, que falhou redondamente quando tentou fazê-lo sozinho): é rap-rock, mas em bom. Finalmente (e não, a era dourada da Def Jam e os OutKast não contam).

terça-feira, novembro 10, 2009

Chuck Lorre outra vez

Alguém comentou, a propósito do meu ódio pelo Chuck Lorre, o seguinte:

"VOCE EH IMBECIL SUA FDP? TWO AND A HALF MEN E A SERIE DE MAIOR SUCESSO ATUALMENTE SUA INGUA DE UMA PORRA.. ATE CONCORDO QUE THE BIG BAND THEORY SEJA UMA MERDA, NAO ASSISTO AQUILO NEM PELO CARALHO, MAS FALAR QUE TWO AND A HALF MEN NAO EH MANERO? VA ARRUMAR UMA PIROCA PRA TE SATISFAZER Q ISSO EH FALTA DE PICA NA BUCETA.

Obrigado pela atencao,
vitu"

Acabei de perceber que estava errado. Como pude eu ignorar a "série de maior sucesso actualmente"? O Chuck Lorre é um génio! Façam-lhe uma estátua.

quarta-feira, novembro 04, 2009

Sim, eu vejo os Óscares

E depois do indescritível e basicamente pior de sempre Hugh Jackman, Steve Martin e Alec Baldwin vão apresentar a cerimónia conjuntamente. Às vezes o mundo é um sítio tão bonito, meninas e meninos.

segunda-feira, outubro 26, 2009

Buraka Som Sistema na New Yorker

Depois de várias menções no blog dele, o Sasha Frere-Jones – que eu sigo quase religiosamente – escreve sobre Buraka Som Sistema na New Yorker.

sexta-feira, outubro 23, 2009

Assustador

O Greg Tate, num texto do Village Voice sobre o Michael Jackson quando este morreu há uns meses, lançava uma hipótese que é algo assustadora:

The scariest thing about the Motown legacy, as my father likes to argue, is that you could have gone into any Black American community at the time and found raw talents equal to any of the label's polished fruit: the Temptations, Marvin Gaye, Diana Ross, Stevie Wonder, Smokey Robinson, or Holland-Dozier-Holland—all my love for the mighty D and its denizens notwithstanding. Berry Gordy just industrialized the process, the same as Harvard or the CIA has always done for the brightest prospective servants of the Evil Empire.

Ontem, no Guardian, numa peça sobre o Numero Group – fiquei com imensa vontade de, quando tiver dinheiro, comprar a tal última compilação de luxo que sai agora dessa editora de reedições obscuras –, o Simon Reynolds fala do mesmo:

The music industry is a harsh, cruel business at the best of times, but it seems particularly so in black music if only because – from Detroit, MI to Kingston, Jamaica to Bow, E3 – there is such an overflowing wellspring of talent that it can often seem arbitrary who gets to succeed and who never gets the break. So many of the groups unearthed by Numero are only a notch away from being Booker T and the MGs, or the Temptations, or Martha and the Vandellas.

At the same time I can't help wondering if it makes sense for someone like me to spend time on historically marginal music when I've yet to "do" Ray Charles or Sam Cooke, i.e. incontestably epochal artists in the history of American music. As the series expands (Smart's Palace is the eleventh) Shipley acknowledges feeling "a bit of fatigue with Eccentric Soul … they do become variations on a theme. It's the same story: black musicians facing the same problems." The inexhaustible wellspring of black musical creativity can be … well, exhausting.


Talvez seja por isto que há muita gente racista. Por falta de tempo e paciência.

Michael Ian Black, deprimido

Pode estar a gozar ou a falar a sério, mas o Michael Ian Black tem dois posts incríveis sobre a depressão dele no seu óptimo blog. Como é que alguém que pertenceu ao The State e pertence a Stella – não gosto muito do Michael and Michael Have Issues – pode ser cronicamente deprimido? É muito triste, mas bem escrito e até me faz rir.

segunda-feira, outubro 19, 2009

Ali boma yé

O arquivo inteiro da revista Life até ao final de 1972 está online. Calha bem, porque nas últimas semanas procurei, em vão, esta edição de 1971 cuja capa é a Fight of the Century, o primeiro combate entre o Muhammad Ali e o Joe Frazier no Madison Square Garden. Ali perdeu, mas viria a ganhar os dois combates seguintes. O texto, chamado Ego, é do Norman Mailer e algumas das fotografias são do Frank Sinatra, daí o meu interesse. Anos depois o Mailer viria a escrever The Fight, sobre o Rumble in the Jungle, quando o Ali ganhou ao George Foreman no Zaire e voltou a ser o campeão (foi ao ler esse livro que surgiu o meu interesse, "Ali boma yé" era o que se gritava em Kinshasa, algo como "Ali mata-o", o que fica mal para título de post porque o Ali perdeu este combate específico). Sempre pensei que o Frank Sinatra não tivesse conseguido bilhetes bons para a luta, e por isso é que tinha ido como fotógrafo. Mas, segundo o editorial, ele já tinha bilhetes e planeava tirar fotografias, a Life é que lhe pediu para ver algumas delas e publicá-las. Três campeões, uma boa maneira de estrear este arquivo.

Aborrecimento #2

Mais que isso, dou por mim com a canção do genérico do Bored to Death na cabeça. Já não me acontecia desde o 30 Rock.

Aborrecimento

O Gene Siskel – diz o Roger Ebert, que eu não tenho idade para saber quem era o Gene Siskel – perguntava várias vezes: "Is this film more interesting than a documentary of the same actors having lunch?" E às vezes não era. Bored to Death podia perfeitamente ser assim. Quer dizer, é o Jason Schwartzman com o Zach Galifianakis e o Ted Danson – já tive sonhos parecidos que a Igreja nunca aprovaria –, e, independentemente da premissa, eu veria qualquer que fosse o projecto em que estivessem os três envolvidos. Sem sequer pestanejar. Ao princípio foi isso que fiz.
Há tantas séries e tantos filmes que prometem, pelo elenco, pela gente envolvida, pela premissa, e depois vê-se e não são nada de especial. Sim, sei que sou culpado por demasiada excitação por projectos que depois não dão em nada, ou que dou veredictos demasiado cedo, sem me saber proteger de futuros fiascos. Mas desta vez tudo correu bem. Depositei a minha fé em algo e foi recompensado.
Nem sempre foi assim. A princípio, passei dois episódios a ver bons diálogos, boas piadas, mas sem eu querer saber muito da série. Um escritor não consegue escrever o segundo romance e põe um anúncio no Craigslist para ser detective privado, isto depois de reler um livro do Raymond Chandler. Ainda por cima a namorada acabou com ele. Então começa a receber, na parte kitsch da coisa, quase a imitar o fumo e as mulheres que entram no escritório dos detectives dos film noir e o caraças, clientes e a resolver os casos. Sempre com medo, cheio de neuroses e sem grande auto-confiança. O que, sim, admito, é uma boa ideia, mas consegue esgotar-se em poucos minutos.
Mas chega o terceiro episódio e nem sequer há um caso. Nada disso. Há um episódio que, do início ao fim, é brilhante. E passo do gostar muito ao adorar em segundos. Tem o Jim Jarmusch a fazer dele próprio, o cabelo do Jim Jarmusch, o Jim Jarmusch a andar de bicicleta num loft e a falar com o Ted Danson (o cabelo deles é tão bonito e parecido, até a própria personagem do Danson diz que o Jarmusch tem óptimo cabelo). Quase que me fez perdoar o aborrecimento que foi o último do Jarmusch (duas horas a fazer exactamente o mesmo para no fim ir matar o Bill Murray?). E duas ou três frases memoráveis, como a do pai da miúda menor que o Schwartzman quase leva para a cama: “Lives don’t change, we simply become more comfortable with our core misery, which is a form of happiness."
Param-me na rua – porque sabem que eu gosto desta gente, e na verdade só aconteceu duas vezes e só foi na rua, ninguém me parou propriamente assim do nada – e perguntam-me se tenho visto Bored to Death, e todos concordamos que o terceiro episódio foi brilhante. E foi. E é pouco provável que algum dos próximos episódios seja tão bom. Entre a parte do detective privado, kitsch, tosca, até quase banal e ridícula, está tudo cheio de referências a alta cultura, livros e filmes e o caraças, mas não é preciso conhecê-las para rir ou gostar daquilo, só para atingir certas piadas (no episódio de ontem a personagem do Danson diz que as revistas do Jann Wenner começaram a vender quando ele se tornou gay). E acho que, à custa da série, vou comprar um ou dois livros do Jonathan Ames, o tipo que a criou e que dá o nome à personagem do Schwartzman.
Acredito que aquilo de que mais gosto, que me diz mais, tem um bom balanço entre coração e piada. É isso que procuro em tudo, quer seja no que faço ou no que vejo. Não é sempre assim. Mas às vezes gosto de coisas que só têm um). E dou por mim a querer saber desta gente toda, e não só da personagem do Zach Galafianakis (por razões óbvias de identificação). Mesmo que, à partida – e especialmente a personagem do Jason Schwartzman –, aquela gente pudesse ser demasiado estilizada para querermos saber deles. A saber mais ou menos o que que tipo de coisas é que dizem, que pensam, as ideias estranhas e até doentias do Danson e o do Galafianakis, por onde é que podem surpreender, etc. Isso, para mim, é boa escrita. Se houver umas piadas pelo meio, ainda melhor. Há isso tudo aqui, e é por isso que as minhas segundas-feiras ganharam um ritual.

sexta-feira, outubro 09, 2009

Big Baby Jesus


Obrigado, pessoa que colou esta imagem do Ol' Dirty Bastard pela Baixa, por alegrares os meus dias e noites. Se te identificares e me provares que foste tu pago-te uma imperial um dia destes. Aposto que ele, se não tivesse infelizmente falecido, também te pagaria uma imperial, ou dar-te-ia um bafo de crack ou algo parecido. Ou talvez ele apenas diria "I'll fuck yo' ass up" por andares a espalhar a imagem dele por aí. Nunca saberemos. Só sei que te tenho de agradecer alguns sorrisos que me provocaste.

domingo, setembro 27, 2009

Medo

O Rodrigo Guedes de Carvalho tem uma barba. Deixou-a crescer por causa das eleições, de certeza. Só para se parecer com o Wolf Blitzer. O meu medo é que apareça aqui no meio o will.i.am por holograma.

sábado, setembro 05, 2009

X-Tiano parte 2

Não fui só eu que fiquei excitado com o X-Tiano no Gossip Girl. Até na América repararam. O Pete L'Official escreve sobre isso no blog do Hua Hsu.

quarta-feira, setembro 02, 2009

OMG X-TIANO!!!

Portuguesas e portugueses:

Chegámos ao nosso auge como país. Somos finalmente alguém no mundo. Somos gente. Como? Agradeçam ao nosso Cristiano Ronaldo.



Aqui está a prova. É a antevisão de uma cena da terceira temporada do Gossip Girl. E porra, a Blair vira-se para a Serena e diz que sabe que ela fez o Cristiano Ronald no Verão. Incrível, não é? Chegámos ao Gossip Girl. Os americanos adoram-nos. Tudo começou com as modelos portugueses no blog do Kanye West, depois veio a Paris e o X-Tiano, e agora ele é mencionado no Gossip Girl. E uma das personagens tem um caso com ele. Não é magnífico? Nunca tive tanto orgulho na minha nação como neste preciso momento e achei que devia partilhar isto com toda a gente que lê o meu blog e não, não vou dizer "com todos os três" porque parece sempre ser uma piada auto-depreciativa com imensa piada mas, tipo, porra, toda a gente do mundo já fez esta piada uma vez na vida e qual é a ideia de estar sempre a repetir as piadas dos outros, mesmo que tenha imensa piada, percebem, é porque ninguém lê o blog, a sério, percebem, estão a ver, estou a gozar com o facto de o blog ter pouca audiência, mas a verdade é que tem mais piada quando se está a falar de um meio muito mais lido ou visto ou assim, desta maneira não tem grande piada, e é basicamente por isso, e por medo da falta de originalidade, que não faço a piada, estou a brincar, não tenho medo nenhum da falta de originalidade, é só que acho estúpido estar a repetir essa piada que tanta gente má já fez, porque há gente por aí que diz piadas e não tem piada nenhuma, e não, não vou dizer "eu também não tenho" porque também seria um bocado a mesma coisa, o importante é que o X-Tiano comeu a Serena e que se fala sobre isso, porra, ele é mencionado no Gossip Girl, acho que alguém devia fazer um poster ou no mínimo tirar uma fotografia a este momento e emoldurar na parede dos grandes feitos do povo português em Portugal e no mundo, mas pergunto-me a mim próprio se terá sido antes ou depois da gripe que ele teve porque não quero que a Serena Van Der Woodsen apanhe doenças, coitada, menina, abafa-te que vem aí o frio e depois ficas doente e não quero que estejas doente, tens festas para onde ir e um pára-arranca amoroso com o Dan Humphrey para viver, por favor não adoeças porque não gosto de te ver mal.

xoxo,
Rodrigo

terça-feira, setembro 01, 2009

Hoje

O dia de hoje pode ser resumido em apenas três magníficas letras: "H", "O" e "V". Porque não há mais nada. Mesmo mais nada.

Quem eu sou

Tenho imenso entusiasmo por tudo. Não tenho qualquer tipo de filtro. Tudo aquilo de que falo vai mudar a tua vida. Acredita em mim.

sexta-feira, agosto 07, 2009

John Hughes

Nem quero acreditar. Ligo-me à internet para ver o meu mail e descubro que o John Hughes morreu. Pode ter escrito o Sozinho em Casa, o Beethoven e o caraças, mas isso entreteve-me quando eu era pequeno, apesar de hoje em dia não ter paciência nenhuma. Mas escreveu (e realizou) alguns dos melhores filmes de adolescentes de sempre (se tiver de pensar assim por alto, o Ferris Bueller's Day Off é o meu favorito) e fez-me muito feliz muitas vezes. Além de ter sido uma influência enorme na malta toda desta década em que eu insisto obsessivamente. Estou demasiado transtornado para fazer mais sentido ou sequer escrever mais. O meu herói morreu.

quarta-feira, julho 15, 2009

Alive

Foi mais ou menos assim. Para um texto (só um bocadinho) mais sério, ver a Time Out desta semana, hoje nas bancas.

segunda-feira, julho 13, 2009

Dane/Raaaaaaaandy

Mais Raaaaaaaandy. Agora é um documentário. Como é que o Dane Cook vai continuar a ser respeitado nalgum lado depois disto continua a ser um mistério, mas idiotas como ele vencem sempre, por isso é esperar para ver. É porreiro que a trupe Judd Apatow tenha tomado conta da comédia e tenha sucesso. É o triunfo de gente mais ou menos decente (ou que pelo menos parece, quero lá saber do resto) com piada. Algo que o tipo nunca terá. Continuará apenas a debitar o mesmo humor vazio e piadas que não são piadas, são só um testemunho de como o gajo é o maior do mundo (na cabeça dele). Mesmo que o Mike White diga que aquilo passou da comédia daqueles que levam porrada para a comédia dos que dão porrada, isso não é verdade (e o Mike White, mesmo que muito bom, é completamente passado dos cornos e só deve estar triste por não ser incluído nos projectos). E serve para resumir as personagens: o Adam Scott a fazer de irmão do Will Ferrell no Step Brothers é caracterizado como um douchebag porque, entre outras coisas, é fã do Dane Cook. Um promenor tão simples e tão eficaz. "É fã do Dane Cook? Idiota de merda." Provavelmente o Dane Cook não tem piada porque nunca teve de ter piada na vida. Olha-se para o Seth Rogen, para o Jonah Hill ou mesmo para o Jason Segel e percebe-se logo por que raio é que eles tiveram de desenvolver um sentido de humor brutal. Olha-se para o Dane Cook e percebe-se por que é que ele é um idiota de merda. Mas depois como é que se explica o Paul Rudd e o Adam Scott terem piada? Com aquelas carinhas nunca tiveram de ter. Mas têm. Porque se esforçaram. O Dane Cook nasceu, venceu, ficou famoso, venceu mais, e é um nojo. O marketing viral à volta deste filme é tão bom, mas tão bom, que espero mesmo que o filme valha a pena. Por falar em marketing, gosto das entrevistas do Sacha Baron Cohen à volta do Brüno e de tudo isso, mas o filme falha redondamente. Ri, mas não tanto como o Hangover (e não é só pelo Zach Galifianakis) e saí de lá a pensar em como aquilo não tinha propósito nenhum. Não servia para nada. Esperava algo que crucificasse para sempre a homofobia. Mas não. Ele mal pega nisso. Tal como o Borat (que tinha, lá no meio, algum propósito), é um filme falhado que não tenho vontade nenhuma de alguma vez rever. E eu revejo obsessivamente muitas comédias. E eu gosto do Sacha Baron Cohen, do programa do Ali G (do inglês e o americano). Em filme é que não, obrigado.

Beethoven 2

São quase três da manhã e está a passar o Beethoven 2 na TVI. Isto não é uma piada. Alguém lá na TVI está a rir imenso à custa disto. Só pode.

domingo, julho 12, 2009

And that's the double truth, Ruth

O Ghostbusters como melhor filme do mundo. No Times. Totalmente verídico. Algo tão puro, tão bonito e tão mágico. Lembro-me de provavelmente a minha citação preferida do 30 Rock, quando o Jason Sudeikis mente à Tina Fey e lhe diz que consultou um médico, o Peter Venkman. Ela depois percebe que ele está a enganá-la e proclama: "You used Ghostbusters for evil!" Que é algo que não se faz. Nunca. Pegar em algo tão inocente e intocável e usar para o mal é muito feio. E, claro, devia haver uma estátua do Bill Murray em cada sala de aula e blá blá blá blá blá, maior de sempre, blá blá blá, um génio, blá blá blá, não falha uma no filme, blá blá blá, etc.

sexta-feira, julho 10, 2009

Alive

Estou a cobrir o Alive (textos seguir-se-ão mais para a semana noutros sítios) e fico sempre cheio de pena que os TV On The Radio nunca dêem concertos à altura deles em Portugal. O problema é sempre o som, é tramado misturar aquilo bem e eles precisam de alguém que esteja uma tarde inteira com eles a tratar daquilo, o que é impraticável num festival. Mais: no texto de antevisão do Jorge Manuel Lopes (uma referência, um mentor, um patrão – literalmente – e alguém a quem devo muitíssimo) para a Time Out, falava-se do facto de eles terem bons discos e acharem que a música boa já estava toda feita e não era preciso inovar mais nada. A minha ideia deles – e aquilo de que sempre gostei neles, já há cinco ou mais anos – é justamente a contrária. Não vejo, tal como ele, uma necessidade neles de emular a fase de Berlim do David Bowie, nem sinto nada disso. Uma das primeiras coisas que escrevi neste blog, há três anos, foi algo como "On The Radio são a melhor banda de pós-punk da actualidade, por muitas razões, sendo a maior delas não quererem soar ao que soavam as bandas de pós-punk canónicas." (ou foi mesmo isto). E ainda concordo com isso. Parece-me mais um dos ódios de estimação do Jorge do que outra coisa qualquer: até os compara ao Beck, outro ódio de estimação que não compreendo (cresci a ouvir o Odelay, e "unfuckwithable" é uma expressão que associo ao trabalho deles nesse disco e no Paul's Boutique dos Beastie Boys).

Singular mais uma vez

Mais um Singular (não tem havido espaço). Notas: outra grande remistura do Fred Falke é a da "Two Weeks" dos Grizzly Bear (acho até que gosto mais do que esta); na "D.O.A." não é um violino, é um clarinete (ou por aí, o som é demasiado parecido com o de um violino mas é claramente de sopro, algo que me escapou quando escrevi o texto com aquilo na memória e devia ter confirmado) e cada vez gosto mais do raio da canção, o texto foi escrito pré-vídeo, e apesar do gozo todo aí pelos blogs, é um vídeo cheio de pinta (e, porra, tem o Harvey Keitel a meio, num cameo totalmente aleatório, e também tem o LeBron James).

The Gossip - Heavy Cross (Fred Falke Remix) Pretty Much Amazing

Agora que já toda a gente percebeu mais ou menos que uma "nova canção" dos Gossip é igual a todas as antigas, é nas remisturas que a coisa aquece. Esta é de Fred Falke, que tem assinado remisturas irrepreensíveis sempre que basicamente põe os dedos nalguma canção. É capaz de ser menos dançável que o original, mas é melhor, mais foleira e mais espacial, com sintetizadores, guitarras e baixos usados num contexto totalmente diferente daquele que surge nos Gossip. É assim que se transforma o banal em sublime.

Jay-Z - D.O.A. (Death of Auto Tune) OnSMASH

Jay-Z proclama a morte do auto tune, o efeito que, usado sob certos parâmetros, transforma as vozes dos cantores em algo quase alienígena. Não que isso signifique muito, mas como nas suas melhores canções, Jay-Z consegue convencer-nos de que o que está a dizer é realmente importante. E sobre um instrumental magistral, com guitarra e violino tirados de um disco de jazz-funk-psicadélico e realmente bem usados. Um épico, e Jay-Z também canta (sem auto-tune infelizmente) para marcar a sua posição, num desafinanço sem a graça dos dois mestres do cantar mal em rap: Biz Markie e Ol' Dirty Bastard.

Táxi - Não sei se sei MySpace

Por um período nos anos 80, os maiores êxitos pop portugueses eram pastiches dos Police. O melhor dos Táxi insere-se nesse contexto. "Não Sei se Sei" é o single que traz os rapazes de "Chiclete" de volta ao activo. E de Police não tem nada (leia-se "Jamaica aqui não entra"). Pop-rock sub-Xutos & Pontapés. Os Táxi nem se vestiam mal nos anos 80, mesmo tirando o desconto de ser os anos 80. Hoje em dia vestem-se terrivelmente mal. E não é só da roupa que se fala.

quarta-feira, julho 08, 2009

Nothing'severgonnastandinmyway(again)

Não consigo pôr aqui, mas eis um novo trailer do Funny People. Porra, Wilco do Summerteeth na banda sonora? Judd Apatow, acho que te amo.

domingo, julho 05, 2009

O bigode

Já não é só coisa para agentes da autoridade, mulheres transmontanas e gente que vive nos anos 70. O bigode está de volta. Por todo o lado. Há meses, a secção de estilo do New York Times declarou este regresso. Brad Pitt aparece de vez em quando com um desde Dezembro e vai aparecer com ele em Inglourious Basterds, o novo filme de Quentin Tarantino. George Clooney também é rapaz para, volta e meia, aparecer aí com um. James Franco tinha um em Milk – onde fazia de homossexual, o que prova que o bigode não escolhe orientações sexuais e por todo o lado se vê homens a deixar de ter medo de usar bigode. Contudo, não é fácil, de todo, é preciso ter coragem. Mas parece estar a formar-se uma geração sem medo do bigode. Será que é desta que o mundo vai mudar?

Em Dezembro decidi deixar de fazer a barba durante uns tempos para deixar crescer um bigode. É complicado deixar um bigode crescer por si só. É até um pouco ridículo. Deixada crescer a barba até um tamanho aceitável e notável de bigode – passei uns meses a explicar a quem me perguntava se estava a deixar crescer a barba outra: "Isto não é uma barba, é um futuro bigode." –, fi-la. E deixei os pêlos por cima do lábio. Não foi a primeira vez, não há-de ser a última. Durou um mês. Esta é a história do meu bigode, um apetrecho tipicamente português que a minha geração, em geral, achou por bem ignorar. Há aquelas vezes em que, ao espelho, se deixa por graça. Quase não passa disso.

É capaz de ser um mal da nossa sociedade. Não há grandes exemplos em termos de bigodes. Algumas pessoas velhas têm um, mas não muitas. Se todos os dias fossem vistas pessoas com bigode na televisão, talvez o nosso país tivesse mais bigodes mais jovens. Existem telenovelas e séries com homens relativamente novos com bigode. Durante alguns anos, o trovador JP Simões envergou orgulhosamente um farto bigode. Ainda o faz de vez em quando. Há uns anos, dizia-me o próprio que corria o risco de deixar de ser um homem para ser um bigode. Isso e começou a ver nele restos de sopa juliana e começaram a crescer lá cogumelos.

Sempre que deixo crescer um bigode, a minha mãe solta um "ai meu Deus!" muito alto cada vez que me vê. As pessoas na rua têm sempre reacções diferentes. Há senhoras de idade que olham para mim e pensam, com nostalgia, nos tempos em que os homens usavam bigode. É um serviço que lhes presto: um jovem com bigode. Uma espécie de máquina do tempo. Mas no meio da rua. E sem terem de pedir. Sem sequer agradecerem. De nada. Sinto alguma cumplicidade nos olhos de taxistas e empregados que também têm bigode. É a maravilhosa partilha do bigode.

É sempre um tema de conversa. Se não há grande assunto a tratar, se a comunicação teima em não sair muito bem, não faz mal. Basta chamar a atenção para o bigode – talvez inserir a expressão "o meu bigode" numa frase ou afagá-lo carinhosamente – para haver logo pano para mangas. É certinho.

Também há, claro, quem não aprove. Muitas mulheres ainda não perceberam o quão especial pode ser um bigode. Colegas de trabalho e até amigos também não. Eventualmente toda a gente se habitua. A pior reacção é aquela de gente que, me conhecendo, diz olá, dá um passou-bem e nem repara no bigode. Essa sim, ofende. Porque mostra que há quem me cumprimente sem me olhar nos olhos.

Nasci em 1986 e não existe muita gente no mundo que tenha nascido na segunda metade dos anos 80 e tenha, ainda hoje, um bigode. Um bigode a sério, sem ser irónico. Toda a gente tem um bigode quando tem 10/11/12 anos, dependendo de quando chega a puberdade, e ainda não descobriu as lâminas de barbear. É um simples "buço", há quem tenha mais, há quem tenha menos. Depois fica mais forte e há uma barba inteira envolvida. E, a não ser que se seja realmente latino, especialmente mexicano – lembrar a personagem Pedro de Napoleon Dynamite ou o protagonista de Wassup Rockers de Larry Clark para perceber que acontece muito manter o buço para a vida inteira –, ou asiático – ver Gran Torino, de Clint Eastwood, com um adolescente e um pós-adolescente com pilosidade facial semelhante – é preciso começar a fazê-la. Ou deixá-la crescer.

Em geral, pessoas com pele mais escura podem usar um bigode sem a sociedade olhar para elas de lado. Eddie Murphy tinha 21 anos em 1982, quando lançou 48 Horas. Nunca ninguém teve tanta pinta. Nem o próprio, que manteve a pinta e piada durante uns anos mas é hoje em dia um farrapo humano. Com ou sem bigode. Colegas brancos de Murphy do Saturday Night Live, anos antes, usavam bigode. Dan Aykroyd e Bill Murray, que viriam a ser grandes estrelas fora daí, eram exemplos disso. Mas corria a década de 70 e um bigode ainda era aceitável em qualquer idade. Murray, por exemplo, tem usado, e bem, o bigode nos últimos anos. Muitos dos papéis da sua mais recente encarnação como homem à beira de uma depressão de meia idade constante são com bigode. Até emprestou a voz a Garfield (no mundo felino não só é aceitável ter bigode como também é obrigatório). Mas há que perceber que este é um homem que já passou a barreira dos 50. A partir dos 50 qualquer bigode é aceitável. Há quem diga que é antes. E é. Mas 50 é a barreira mais segura, se se quiser ter a certeza absoluta.

Normalmente é mais fácil manter apenas um bigode do que uma barba inteira, há quem tenha vários espaços sem pêlos. Ou seja, o bigode é democrático. Pode ser uma experiência partilhada. Todos os homens podem ter um. Mais pequeno, maior, menos grosso, mais cuidado, mais selvagem. Há-os para todos os gostos. Farfalhudos. Fininhos. Grossos. Selvagens. Aparados ao mais ínfimo pormenor. À jogador da bola. À treinador da bola. À Clark Gable. À Lemmy dos Motörhead (funciona melhor com um sinal grande na cara). Há para todos os gostos. Só há, porventura, um que não é, em caso algum, aceitável. É o "Hitler". Um senhor chamado Adolfo estragou-o para sempre (consta que antes era bastante popular). Há quem tenha de fazer Hitler em peças ou filmes, mas é recomendável adiar a vida social durante uns tempos nessa altura. Só casa-trabalho e trabalho-casa, da forma mais escondida e menos pública possível.

Acima de tudo, ter e especialmente manter um bigode é uma questão de atitude. Nada mais que isso. É conseguir transmitir, através de uma expressão facial, a pergunta "sim, eu tenho um bigode, deixei crescer isto, não vai sair daqui, tens algum problema com isso?" É ser convincente. Não se pode desesperar ao primeiro sinal de resistência da parte das pessoas. É preciso ir em frente. Remar contra a maré. Saber que é algo masculino (e, nalguns casos, feminino). Que faz parte de todos nós. Basta acreditar nele, por mais forte ou fraco que seja.

Nota: Às vezes tenho ideias estúpidas. No início do ano deixei crescer uma barba com apenas um objectivo em mente: fazê-la e deixar o bigode. Esperei um mês, hoje em dia arrependo-me e acho que devia ter esperado dois meses (o bigode é muito mais consistente). Deixei-o ficar um mês, também. Será que tenho uma obsessão pouco saudável com pilosidade facial? Na altura escrevi este texto. Não foi publicado em lado nenhum (eu bem tentei, ninguém o quis, vá-se lá saber por quê). Mas decidi publicá-lo aqui. É muito, muito estúpido, como o era o próprio bigode, apesar do registo menos livre que o que uso aqui normalmente. Prometo que um dia ganho coragem e experimento usar um bigode à Hitler durante uma semana. Depois escrevo sobre isso, se a experiência não resultar no meu homicídio.


quarta-feira, julho 01, 2009

RAAAAAAAAAAAAAAANDY

O site do Randy, a personagem do Aziz Ansari no Funny People do Judd Apatow, é magnífico. Continuo a dizer que alguma parte dele é baseada no Dane Cook (pior de sempre) e por isso ainda me rio mais com ele. Um douchebag dos maiores que há. E há vídeos dele. Magníficos. O primeiro stand-up comedian de sempre a ter um DJ/hypeman. RAAAAAAAAAAAAAAANDY.

sexta-feira, junho 26, 2009

Unfuckwithable

Nos anos 80 esta expressão aplicava-se a duas pessoas. Michael Jackson e Eddie Murphy. O último gozava com o primeiro no épico Delirious (obra-prima que este ano comemora 25 anos, apesar de ter 26; o fato de cabedal vermelho, porra), quando iniciou a moda de dizer "talvez aquele gajo não seja propriamente o tipo mais másculo do mundo." Depois ficaram os dois amigos. E depois perderam-se (será que teve alguma coisa a ver?). Os dois. Um deles morreu. Espero que o outro não. Porque sentia que ainda havia um regresso dentro dele. Algo que podia fazer do mundo um sítio melhor (não confundir com "heal the world, make it a better place"). Que voltasse a torná-lo unfuckwithable. Intocável. Fica a esperança que o outro regresse um dia ao nível. Vá lá, Eddie, pelo Michael.

quinta-feira, junho 18, 2009

Hey, everybody! It's Bob and David!

Excerto de uma entrevista de Bob Odenkirk e David Cross:

BO: I’m sorry we dicked around so much, but David and I can’t help ourselves. We’ve done so many interviews. The minute you get serious, you just feel embarrassed. When you asked if we were gonna work together in the future, what could we say? There has to be a buyer who wants us. And as much as we have fans, clearly nobody likes us well enough to make a show with us. They’ll all have a meeting with us, but even HBO doesn’t want to have a show with us.

D: You guys have another show idea?

BO: Yeah, we do, actually. We pitched it. We went to Showtime and HBO. It’s a progression of Mr. Show. When we wrote Mr. Show, we would write sketches and then we would link them up. We wrote sketches that came out of a sense of story. So we want to do that show now. It would still be like Mr. Show, but the sketches wouldn’t be constructed separate from each other. It would be a fundamentally different show because of that.

D: So you pitched it around?

BO: We did, and basically everyone said, “Oh, we don’t have any money right now. Come back next year.” It’s always been this way. It’s always been difficult for us because we have fans. We even have fans at networks—at HBO and Showtime—but it’s just not good enough. I think the hard part is the bosses at those networks have never been fans of ours. They’ve never really watched us or known who we were or given a shit. So the problem is even if the lower-level executives like you, they can’t order shows. They just act like they can.
I’m pitching a show that’s just for me, and you would think, "Wouldn’t that be even harder to make happen because you don’t even have David with you?" But actually it’s got a real strong idea to it, and I think it’s actually easier to make happen.


É um mundo em dois g-é-n-i-o-s não conseguem o seu próprio programa de televisão. Perde-se tanto. Tanto.

quarta-feira, junho 17, 2009

Singular outra vez

Acabadinho de fazer mais um que só sai para a semana (e que, por isso, só aparece aqui daqui a duas semanas), aqui fica o da semana passada que deixa hoje de estar nas bancas:

Miike Snow - Animal Spinner

"Toxic", de Britney Spears, é sem dúvida uma das melhores canções dos anos 2000. Até os detractores de Britney e da (sua) pop admitem que há ali algo de muito especial. Muita da culpa disso é da dupla Bloodshy & Avant que a produziu. Que agora, com Andrew Wyatt, perfazem os Miike Snow. "Animal" só é possível num mundo pós-Vampire Weekend, onde um balanço jamaicano não é vergonha na pop. É um pouco Police, sem um lado tão rock (e sem uma banda propriamente dita), mais sueco e mais actual.

Dizzee Rascal e Armand Van Helden - Bonkers YouTube

É mais um número para Dizzee Rascal, o menino-prodígio do grime que só no ano passado chegou ao top britânico. Na altura foi "Dance Wiv Me", com Calvin Harris a seu lado – tema excelente que os puristas continuam a injustiçar. Agora é Armand Van Helden, o maior hip-hopper do mundo da house, que o ajuda a criar um êxito. Numa época em que a distorção e a compressão francesa são o novo rock'n'roll (via Justice e quejandos), "Bonkers", com o toque particular de Van Helden, fica mesmo em casa. Rascal, como sempre, cospe fogo por cima da batida.

DJ Ride - Beat Journey YouTube

"Beat Journey" é a espécie de single tirado do EP com o mesmo nome que saiu pela Optimus Discos. Com relativa calma, junta uma linha de baixo pungente, dezenas de batidas diferentes, samples de vozes, sirenes, sintetizadores dos anos 80 e chocalhos como se se tratasse de "Peter Piper" dos Run DMC. E é um exercício de corte e colagem (com elementos originais) digno de um DJ Shadow. Ou não fosse DJ Ride – apesar da insistência no drum'n'bass – um dos mais excitantes produtores/DJs de hip-hop português a aparecer por aí recentemente.

segunda-feira, junho 15, 2009

Gostar de bandas de amigos é estúpido

Só que a banda nova do Afonso é fenomenal (e a barba do Salvador, que não está no seu esplendor máximo naquelas fotografias, é magistral). You Can't Win, Charlie Brown. O que me impressiona ainda mais é a pura força da natureza que é a imitação do Tom Waits que ele consegue fazer, algo que me deixa boquiaberto e, infelizmente, não parece estar gravado. E gostei do que o Luís tocou no Portugal no Coração. Se eles me perguntarem, claro, não gosto de nada disto. Porque gostar de bandas de amigos não é nada fixe.

E já que estou nisto...

É delicioso estar à espera no metro e ver a cara do Zach Galifianakis em cartazes do Hangover. Enche-me de orgulho, o meu menino. Será que ficou finalmente uma estrela propriamente dita?

Senhor do Adeus

Alguém tem estado a ler com atenção o que o João Manuel Serra diz sobre os filmes que vai ver ao domingo ao Monumental? O Senhor do Adeus é o melhor blogue de todo o sempre neste preciso momento.

Dana Carvey e Robert Smigel

Duas pessoas incríveis falam sobre o falhado Dana Carvey Show, um dos programas de televisão mais importantes dos últimos 15 anos (e, basicamente, uma das equipas de argumentistas mais talentosa alguma vez reunida: Robert Smigel, Louis C.K., Charlie Kaufman, Steve Carell, Stephen Colbert, etc.). É no AV Club do Onion, o único sítio do mundo que satisfaz a minha necessidade semanal de ler heróis a falar sobre a maneira como caminham entre a inteligência e a estupidez.

Singular

Quando a Time Out começou havia uma rubrica semanal chamada Singular sobre singles e canções avulsas. Desapareceu, mas agora voltou. Como os textos não aparecem no site da revista, decidi publicar aqui os que sou eu a escrever. É algo que me dá imenso gozo. A edição que ainda está nas bancas fala de Miike Snow, Dizzee Rascal com Armand Van Helden e de DJ Ride (só malhas). Comprem, comprem.

Edição de 3 de Junho:

Modest Mouse - Satellite Skin MySpace

"Satellite Skin", o primeiro single do próximo EP dos Modest Mouse, não é um êxito à medida das rádios como era "Float On" há cinco anos. Não há refrão propriamente dito – além de um riff de guitarra com uma voz a falar lá atrás – pára a meio e Isaac Brock, o vocalista, não se cansa de estar chateado (a voz dele é sempre assim). A guitarra, apesar de Johnny Marr dos Smiths ser membro da banda, podia ter sido tirada da fase mais indie dos Blur. Não trará fãs, mas os Modest Mouse continuam no nível que fez deles uma das bandas rock mais estranhas a entrar no mainstream nesta década.

Yeah Yeah Yeahs - Zero (RAC Mix) RCRD LBL

Há várias remisturas de "Zero" dos Yeah Yeah Yeahs. Uma delas, dos Animal Collective, falha redondamente. Transforma esta canção perfeita para festas dançantes de adolescentes – não é à toa que já apareceu num episódio de Gossip Girl – numa canção aborrecida. Mas esta, dos RAC – Remix Artist Collective, um grupo liderado por um português radicado nos Estados Unidos – torna-a ainda mais anos 80 – mas pouco nostálgica – sem estragar a essência.

Orelha Negra - LORD MySpace

Os Orelha Negra juntam Sam The Kid a membros dos Spaceboys e dos Yellow W Van. Não que se saiba ao olhar para o MySpace deles. Só existe uma fotografia: os corpos dos músicos servem de extensão a capas de vinil com as caras de Marvin Gaye, Damon Harris, Paulo de Carvalho, Roberto Carlos e Madlib. "LORD" mostra uma banda onde não se sabe onde acabam os samples e começam os músicos. As vozes e o piano são samplados (?) de música negra, mas há uma guitarra surf/rock'n'roll e um órgão que vêm de outro lado. Promete.

27 de Maio:

Major Lazer - Hold the Line MySpace

Supostamente, Major Lazer não é o projecto de dancehall de Switch e Diplo – "os produtores de M.I.A.", apesar de serem muito mais que isso. É, sim, um soldado jamaicano sem braços (mas são eles). "Hold the Line" é o seu primeiro single e conta com uma guitarra surf rock quase ao estilo de "Misirlou", a voz de Santigold e Mr. Lexx, muito pouca percussão, telemóveis a vibrar e vozes quase robotizadas. Simples e muito, mas muito eficaz.

Rye Rye feat. M.I.A. - Bang (WTF I asked for a kuduro remix by Buraka Som Sistema) Mad Decent

A adolescente Rye Rye é uma protegida de M.I.A.. Não é uma grande rapper, mas tem garra e a voz dela não é má de todo a dizer palavras de ordem. A Mad Decent, editora de Diplo, pediu aos Buraka Som Sistema – os americanos e a blogosfera não se cansam deles – uma remistura de "Bang", o seu primeiro single. Só que não lhe puseram kuduro em cima (daí o nome): usam sirenes, pistolas e outros efeitos de festa por cima de várias batidas que remetem para muitos géneros de música de dança – uma delas parte do "amen break", a base do drum'n'bass e de muito hip-hop.

Clipse feat. Kanye West - Kinda Like a Big Deal Re-Up Gang Records

Uma mudança de ares para os manos Thornton, o duo conhecido como Clipse. Não há as histórias complexas da vida e da venda de droga no gueto, nem os instrumentais completamente fora (e mágicos) dos Neptunes (a produção é de DJ Khalil). Aqui gabam-se de poder gastar dinheiro à grande e à francesa durante a recessão por cima de um riff de guitarra. Kanye West dá uma perninha e está à altura dos irmãos. É tudo (uma boa) mentira, provavelmente: os Clipse não vendem realmente droga, não vendem discos e não têm um êxito desde 2002.

quinta-feira, junho 04, 2009

Barbas

Também tenho um blog sobre barbas, algo que sempre foi um fascínio meu. Agora ainda mais, que voltei a deixar crescer uma. Ainda não está ao nível da do Zach Galifianakis (por falar nisso, a Esquire entrevistou-o), mas já impõe respeito. É ver quanto tempo aguento com ela.

quinta-feira, maio 21, 2009

A voz de Will Ferrell

Não há nada mais especial no mundo do que quando Will Ferrell canta. Cantou Billy Joel no final da 34ª temporada do Saturday Night Live, com toda a gente e mais alguma ao lado dele (Paul Rudd? Artie Lange? Norm Macdonald? Amy Poehler? Anne Hathaway? Maya Rudolph? Elisabeth Moss?) e foi magnífico. A cantar Alicia Keys também rende bastante. Mas o melhor momento de toda a carreira musical de Will Ferrell é este:



A voz de ouro, a forma como ele canta e tudo fica bem. O irmão dele deixa de ser um douchebag, o mundo fica um sítio melhor. O Will Ferrell devia cantar todos os dias na televisão. O mundo seria um sítio melhor, sem dúvida. O que eu não percebo é que o Adam McKay diz que o Will Ferrell ia cantar no final do American Idol e afinal não cantou. O que é muito, muito triste. Faria do American Idol um programa melhor.

terça-feira, maio 19, 2009

Jane Lynch

"Random Roles", do AV Club do The Onion, com a grande Jane Lynch. Que é o elo de ligação entre muitos dos grupos de gente cómica que mais interessa na televisão e cinema hoje em dia: a trupe de Christopher Guest, a malta do The State, a crew do Judd Apatow, os amigos do Will Ferrell e do Adam McKay e tudo o que há no meio. O que inclui o Party Down, a melhor série cómica nova do ano. (a par do East Bound & Down). Que também anda à volta de elos de ligação entre esta gente toda. Adam Scott, que é um actor com alcance: tanto pode ser o maior douchebag do mundo – tão douchy que até é fã do Dane Cook – a fazer de irmão do Will Ferrell no Step Brothers como pode ser um perdedor porreiro no Party Down, um actor acabado cujo único feito na carreira é ter feito um anúncio com uma catchphrase manhosa (dois extremos que geralmente ficam muito bem em comédia). Paul Rudd, que aprendeu a ter piada com a malta do The State e faz parte da crew Apatow, co-criou-a. Tem o Martin Starr, que cresceu no Freaks and Geeks (um dos maiores marcos televisivos dos últimos dez anos) do Apatow, o Ken Marino, do The State e um gajo loiro que vai aparecer no spin-off do Gossip Girl. E a Lizzy Kaplan, que junta esta malta toda à Tina Fey por ter aparecido no Mean Girls. Mas a Jane Lynch é quem mais interessa, uma máquina cómica (geralmente de improviso, aqui diz não ser bem assim) sem paralelo, uma espécie de Fred Willard no feminino e com menos 20 anos (assustador: ele faz setenta anos este ano). O que é uma comparação altamente válida, do bom (a quantidade de projectos cómicos bons em que se mete) ao mau (a quantidade de coisas banais, medíocres ou mesmo más a que consegue dar um bocado de dignidade).

quinta-feira, maio 14, 2009

O fim

Da quinta temporada do Lost. Foda-se. Hoje é a vez da terceira temporada do 30 Rock. Alan Alda outra vez (soberbo), Elvis Costello e Talib Kweli? É assim que se mantém um curriculum invejável e imaculado como a melhor série cómica – chamar-lhe "sitcom" é redutor – da actualidade (e só não é da década por causa do patamar em que está o Arrested Development, se bem que arrisco dizer que o 30 Rock chegou ao nível AD nesta temporada e só o final da década é que decidirá qual das duas é melhor, se bem que a melhor solução é apenas ficarmos todos muito contentes por termos estado vivos ao mesmo tempo que duas séries destas estavam a ser feitas e por podermos vê-las e contar aos nossos netos que estivemos lá mesmo que não tenhamos estado lá).

segunda-feira, maio 11, 2009

Não me calo com o Aziz Ansari, bem sei. E, por falar nisso, este vídeo dele no Jimmy Kimmel é incrível. É esperar que fique ainda maior e comece a fazer a ronda pelos outros talk shows. Temos convidado. E o Zach Galifianakis, um velho favorito meu, também parece estar a ter um ano do caraças. Merecidamente. É o novo episódio do Between Two Ferns com a Natalie Portman, é o New York Times a dizer que ele rouba o The Hangover, é uma entrevista com ele no blog da Vanity Fair, é tudo. Mas um homem tão bonito merece muito mais.
É por isso que vou voltar a homenageá-lo. É oficial: estou a deixar crescer uma barba à Zach Galifianakis. Uma barba fofinha, querida, grande, simpática, pouco agressiva, carismática, cheia de personalidade e inofensiva. Mas que me possibilite dizer "I look like Fat Jesus". Depois de anos a fazer filmes bastante maus e séries ainda piores – como aquela com a Eliza Dushku em que ela fala com mortos ou vai atrás no tempo salvá-los ou lá o que é, nunca percebi bem porque também há uma parecida com a Jennifer Love Hewitt que é igualmente horrível e confundo as duas na minha cabeça porque há informação bem mais interessante para reter do que a diferença entre uma série e a outra –, e de até ter tido um talk show no VH1, o mundo parece estar a começar a apreciá-lo devidamente.
Chama-se The Hangover e é o novo filme do Todd Phillips – um tipo cuja trajectória de carreira é incrível: começou com um documentário sobre o G.G. Allin e realizou o Road Trip (mau) e o Old School bom). Os trailer são incríveis. Estão aqui e aqui. É bom saber que ainda não foram esgotadas as possibilidades cómicas da melhor canção do Phil Collins (para parafrasear o Alec Baldwin, tenho dois ouvidos e um coração, logo gosto do Phil Collins). E que basicamente Hollywood anda a copiar os meus sonhos: o Mike Tyson a dar um murro no Zach Galifianakis ao som de Phil Collins? Zach Galifianakis com um bebé? Ed Helms com óculos outra vez (aqueles olhos esbugalhados ficam assustadores sem óculos)? A consagração merecida de um génio (ninguém grita agressivamente como o Galifianakis)?
E isto. Volto sempre a isto.

sexta-feira, maio 08, 2009

Meta-comédia

As minhas catchphrases favoritas:

"I wanna dip my balls in it!" - Ken Marino, The State
"Hey, wha' happened?" – Fred Willard, A Mighty Wind
"Are you 'avin a laugh?" – Ricky Gervais, Extras
"Are we having fun yet?" – Adam Scott, Party Down
"That's a dealbreaker, ladies!" – Jane Krakowski, 30 Rock

Péssimas, sim, mas com mil vezes mais piada que qualquer catchphrase nojenta de série de qualidade duvidosa. Sim, estou a apontar para ti, Catherine Tate, e o teu "Am I Bovvered?", para os idiotas do Little Britain (maior desperdício de talento de sempre?) e para milhares de outras pessoas que caem no erro de achar que a simples repetição de uma expressão idiota é igual a riso.