O que é que estás a fazer neste preciso momento? Bem sei que nunca gostei de Nirvana, mas pára tudo e vai ler isto. Grande, grande André.
quarta-feira, abril 21, 2010
segunda-feira, abril 19, 2010
Singular
Este não foi publicado porque já tem umas semanas (foi escrito pré-leak dos LCD e pré-vídeo de "Drunk Girls", ou seja, antes de hoje):
LCD Soundsystem
Drunk Girls
YouTube
Não tenha medo. "Drunk Girls" não é daquelas canções introspectivas dos LCD Soundsystem que tanto podem ser excelentes como aborrecidíssimas. Não, é LCD Soundsystem com tudo aquilo que se espera deles: repetição, minimalismo, guitarras pós-punk, gritinhos, tiques vocais, sintetizadores, diversão e linhas de baixo simples e boas. A temática é a perfeita para a festa: raparigas bêbedas. Porque, já perguntava a avó de toda a gente, o que é uma festa sem espécimes do sexo feminino alcoolizados?
R. Kelly
Be My #2
YouTube
Esqueça "Be My Baby" das Ronettes. O que está a dar é ser romântico, mas não em demasia. Esta canção de R. Kelly é uma canção de amor, mas não é um amor qualquer. É o amor por uma amante. A mensagem é simples: "amo-te, mas tenho uma principal, queres ser a minha secundária?" Acontece que é a melhor canção de R. Kelly em muitos anos, com um instrumental disco-sound cheio de funk inesperado, com guitarras, cordas e sopros foleiros. A produção é de Jack Splash, dos revivalistas do funk futurista PlantLife, e lembra as discotecas dos anos 70 onde se dançava de patins.
Jamie Lidell
The Ring
Pitchfork.tv
Sobre Van Morrison, o crítico Greil Marcus dizia que nenhum branco cantava assim. Era uma referência à capacidade vocal extraordinária do irlandês que se pode aplicar na perfeição a Jamie Lidell. Mas onde Morrison vai lá pela dor, Lidell vai lá pelo mel. Enquanto os (óptimos) dois álbuns anteriores de Lidell eram soul retro, cheios de grandes canções, o próximo, Compass, vai ser mais experimental. "The Ring" prova isso mesmo. É uma canção suja – cortesia da voz a fazer de guitarra e de baixo e de um trompete, tudo bem distorcido –, com piano e palmas, que muito deve aos blues, mas não deixa de ter toneladas de funk. Viciante.
LCD Soundsystem
Drunk Girls
YouTube
Não tenha medo. "Drunk Girls" não é daquelas canções introspectivas dos LCD Soundsystem que tanto podem ser excelentes como aborrecidíssimas. Não, é LCD Soundsystem com tudo aquilo que se espera deles: repetição, minimalismo, guitarras pós-punk, gritinhos, tiques vocais, sintetizadores, diversão e linhas de baixo simples e boas. A temática é a perfeita para a festa: raparigas bêbedas. Porque, já perguntava a avó de toda a gente, o que é uma festa sem espécimes do sexo feminino alcoolizados?
R. Kelly
Be My #2
YouTube
Esqueça "Be My Baby" das Ronettes. O que está a dar é ser romântico, mas não em demasia. Esta canção de R. Kelly é uma canção de amor, mas não é um amor qualquer. É o amor por uma amante. A mensagem é simples: "amo-te, mas tenho uma principal, queres ser a minha secundária?" Acontece que é a melhor canção de R. Kelly em muitos anos, com um instrumental disco-sound cheio de funk inesperado, com guitarras, cordas e sopros foleiros. A produção é de Jack Splash, dos revivalistas do funk futurista PlantLife, e lembra as discotecas dos anos 70 onde se dançava de patins.
Jamie Lidell
The Ring
Pitchfork.tv
Sobre Van Morrison, o crítico Greil Marcus dizia que nenhum branco cantava assim. Era uma referência à capacidade vocal extraordinária do irlandês que se pode aplicar na perfeição a Jamie Lidell. Mas onde Morrison vai lá pela dor, Lidell vai lá pelo mel. Enquanto os (óptimos) dois álbuns anteriores de Lidell eram soul retro, cheios de grandes canções, o próximo, Compass, vai ser mais experimental. "The Ring" prova isso mesmo. É uma canção suja – cortesia da voz a fazer de guitarra e de baixo e de um trompete, tudo bem distorcido –, com piano e palmas, que muito deve aos blues, mas não deixa de ter toneladas de funk. Viciante.
segunda-feira, março 29, 2010
Sobre a misoginia
Melhor canção de sempre, certo? Talvez o Stephin Merritt, fã confesso de Phil Spector, o senhor que produziu a canção, concorde (também podemos fazer uma generalização irracional igual àquelas que Alberto Gonçalves: os Grizzly Bear, cujo vocalista é gay, fizeram uma versão desta canção, por isso é provável que Stephin Merrit, que também é gay, de Nova Iorque, e músico, a adore). E o que é? É uma canção escrita por Carole King e Gerry Goffin, um casal, sobre uma mulher cujo parceiro lhe bate. E, quanto mais lhe bate, mais ela percebe que ele gosta dela. Uma perspectiva muito bonita. A ideia era protestar esse tipo de mentalidade, mas isso não está explícito em lado nenhum. Podia perfeitamente estar a legitimar-se a coisa. Aposto que o senhor Alberto Gonçalves, que se insurge contra a misoginia do hip-hop, não tem nada contra esta canção. Nem contra o Phil Spector, um senhor que tem um vasto historial de pouca misoginia. É complicado, para uma mulher que ande com ele, acabar com a relação. Não é que ele seja irresistível, é só que ele tende a pegar numa pistola e apontá-la à cabeça de todas as pessoas do sexo feminino que ousem deixá-lo. Mas não é misógino porque não fez a escolha de vida errada, a do rap. É aceitável para o Alberto Gonçalves e para o seu herói Stephin Merritt.
Reparem e olhem à vossa volta: há misoginia em todo o lado. Achar que é perpetuada apenas pelo rap ou pelo metal não é só estúpido e idiota, é altamente irresponsável. O Phil Spector é um génio, ninguém duvida disso, mas é violento com mulheres e traumatiza-as para a vida. Também o era o Notorious B.I.G., que batia na Faith Evans. Nada altera o facto de terem feito música incrível, da melhor que alguma vez se fez. A produção do Spector na "Be My Baby" das Ronettes – para ser um bocadinho mais como Alberto Gonçalves e recorrer apenas ao óbvio – perde a beleza? As primeiras palavras do Biggie na "Juicy" ("It was all a dream, I used to read Word Up Magazine") e tudo o resto, a história rags-to-riches que ele conta tão bem deixa de ser tocante e uma das mais belas cartas de amor ao rap de sempre? Não. As atitudes deles são reprováveis e devem ser combatidas, sim. Fingir que só existem ali ou, pior, que é lá que nascem, é perigoso.
Apelo a um homem de negócios
A qual destas pessoas é que daria emprego?

Ao tipo de barba por fazer, vestido com um casaco de cabedal e uma camisa manhosa, que enverga um misto entre boné e boina na cabeça?

Ou ao senhor aprumado e bem vestido?
Um destes dois fez a escolha de vida perigosa (e errada) que é o hip-hop. Veja se adivinha qual deles foi.

Ao tipo de barba por fazer, vestido com um casaco de cabedal e uma camisa manhosa, que enverga um misto entre boné e boina na cabeça?

Ou ao senhor aprumado e bem vestido?
Um destes dois fez a escolha de vida perigosa (e errada) que é o hip-hop. Veja se adivinha qual deles foi.
domingo, março 28, 2010
Alberto, meu amor
Ó palhacito, custa-me estar a afirmar o que para mim é tão óbvio e tão claro como a pele branca de toda a gente que endeusas: estás a fazer uma generalização incorrecta. Nem todo o hip-hop é misógino, nem todo o hip-hop é contra o sistema (que dizer, por exemplo, da transformação dos rappers em quase corporações, do Jay-Z dizer "I'm not a businessman, I'm a business, man", de ser presidente da Def Jam, da ideia do "Black Republican" com o Nas, do caralho que te foda, etc.). Nem todo o hip-hop é preto, nem todo o hip-hop é marginal. Mas não, não consegues perceber isso. Já para não falar da misoginia no rock (olha o Iggy Pop sobre as mulheres: "However close they come I'll always pull the rug from under them. That's where my music is made." ). Sabes ler? Como qualquer pessoa com um coração, adoro os primeiros dois álbuns dos Weezer. O azul tem uma canção chamada "No One Else", em que o Rivers Cuomo diz que quer uma rapariga que não sorria a mais ninguém, que quando ele não está não sai de casa e deixa a maquilhagem na estante. Basicamente, ele quer uma rapariga com trela. Isto quando até o Dr. Dre, o Snoop Dogg e o Ice Cube deixam as hoes deles ir à rua sozinhas de vez em quando.
quarta-feira, março 24, 2010
Como escrever
Memo do David Mamet para os guionistas do The Unit:
TO THE WRITERS OF THE UNIT
GREETINGS.
AS WE LEARN HOW TO WRITE THIS SHOW, A RECURRING PROBLEM BECOMES CLEAR.
THE PROBLEM IS THIS: TO DIFFERENTIATE BETWEEN *DRAMA* AND NON-DRAMA. LET ME BREAK-IT-DOWN-NOW.
EVERYONE IN CREATION IS SCREAMING AT US TO MAKE THE SHOW CLEAR. WE ARE TASKED WITH, IT SEEMS, CRAMMING A SHITLOAD OF *INFORMATION* INTO A LITTLE BIT OF TIME.
OUR FRIENDS. THE PENGUINS, THINK THAT WE, THEREFORE, ARE EMPLOYED TO COMMUNICATE *INFORMATION* — AND, SO, AT TIMES, IT SEEMS TO US.
BUT NOTE:THE AUDIENCE WILL NOT TUNE IN TO WATCH INFORMATION. YOU WOULDN’T, I WOULDN’T. NO ONE WOULD OR WILL. THE AUDIENCE WILL ONLY TUNE IN AND STAY TUNED TO WATCH DRAMA.
QUESTION:WHAT IS DRAMA? DRAMA, AGAIN, IS THE QUEST OF THE HERO TO OVERCOME THOSE THINGS WHICH PREVENT HIM FROM ACHIEVING A SPECIFIC, *ACUTE* GOAL.
SO: WE, THE WRITERS, MUST ASK OURSELVES *OF EVERY SCENE* THESE THREE QUESTIONS.
1) WHO WANTS WHAT?
2) WHAT HAPPENS IF HER DON’T GET IT?
3) WHY NOW?
THE ANSWERS TO THESE QUESTIONS ARE LITMUS PAPER. APPLY THEM, AND THEIR ANSWER WILL TELL YOU IF THE SCENE IS DRAMATIC OR NOT.
IF THE SCENE IS NOT DRAMATICALLY WRITTEN, IT WILL NOT BE DRAMATICALLY ACTED.
THERE IS NO MAGIC FAIRY DUST WHICH WILL MAKE A BORING, USELESS, REDUNDANT, OR MERELY INFORMATIVE SCENE AFTER IT LEAVES YOUR TYPEWRITER. *YOU* THE WRITERS, ARE IN CHARGE OF MAKING SURE *EVERY* SCENE IS DRAMATIC.
THIS MEANS ALL THE “LITTLE” EXPOSITIONAL SCENES OF TWO PEOPLE TALKING ABOUT A THIRD. THIS BUSHWAH (AND WE ALL TEND TO WRITE IT ON THE FIRST DRAFT) IS LESS THAN USELESS, SHOULD IT FINALLY, GOD FORBID, GET FILMED.
IF THE SCENE BORES YOU WHEN YOU READ IT, REST ASSURED IT *WILL* BORE THE ACTORS, AND WILL, THEN, BORE THE AUDIENCE, AND WE’RE ALL GOING TO BE BACK IN THE BREADLINE.
SOMEONE HAS TO MAKE THE SCENE DRAMATIC. IT IS NOT THE ACTORS JOB (THE ACTORS JOB IS TO BE TRUTHFUL). IT IS NOT THE DIRECTORS JOB. HIS OR HER JOB IS TO FILM IT STRAIGHTFORWARDLY AND REMIND THE ACTORS TO TALK FAST. IT IS *YOUR* JOB.
EVERY SCENE MUST BE DRAMATIC. THAT MEANS: THE MAIN CHARACTER MUST HAVE A SIMPLE, STRAIGHTFORWARD, PRESSING NEED WHICH IMPELS HIM OR HER TO SHOW UP IN THE SCENE.
THIS NEED IS WHY THEY *CAME*. IT IS WHAT THE SCENE IS ABOUT. THEIR ATTEMPT TO GET THIS NEED MET *WILL* LEAD, AT THE END OF THE SCENE,TO *FAILURE* – THIS IS HOW THE SCENE IS *OVER*. IT, THIS FAILURE, WILL, THEN, OF NECESSITY, PROPEL US INTO THE *NEXT* SCENE.
ALL THESE ATTEMPTS, TAKEN TOGETHER, WILL, OVER THE COURSE OF THE EPISODE, CONSTITUTE THE *PLOT*.
ANY SCENE, THUS, WHICH DOES NOT BOTH ADVANCE THE PLOT, AND STANDALONE (THAT IS, DRAMATICALLY, BY ITSELF, ON ITS OWN MERITS) IS EITHER SUPERFLUOUS, OR INCORRECTLY WRITTEN.
YES BUT YES BUT YES BUT, YOU SAY: WHAT ABOUT THE NECESSITY OF WRITING IN ALL THAT “INFORMATION?”
AND I RESPOND “*FIGURE IT OUT*” ANY DICKHEAD WITH A BLUESUIT CAN BE (AND IS) TAUGHT TO SAY “MAKE IT CLEARER”, AND “I WANT TO KNOW MORE *ABOUT* HIM”.
WHEN YOU’VE MADE IT SO CLEAR THAT EVEN THIS BLUESUITED PENGUIN IS HAPPY, BOTH YOU AND HE OR SHE *WILL* BE OUT OF A JOB.
THE JOB OF THE DRAMATIST IS TO MAKE THE AUDIENCE WONDER WHAT HAPPENS NEXT. *NOT* TO EXPLAIN TO THEM WHAT JUST HAPPENED, OR TO*SUGGEST* TO THEM WHAT HAPPENS NEXT.
ANY DICKHEAD, AS ABOVE, CAN WRITE, “BUT, JIM, IF WE DON’T ASSASSINATE THE PRIME MINISTER IN THE NEXT SCENE, ALL EUROPE WILL BE ENGULFED IN FLAME”
WE ARE NOT GETTING PAID TO *REALIZE* THAT THE AUDIENCE NEEDS THIS INFORMATION TO UNDERSTAND THE NEXT SCENE, BUT TO FIGURE OUT HOW TO WRITE THE SCENE BEFORE US SUCH THAT THE AUDIENCE WILL BE INTERESTED IN WHAT HAPPENS NEXT.
YES BUT, YES BUT YES *BUT* YOU REITERATE.
AND I RESPOND *FIGURE IT OUT*.
*HOW* DOES ONE STRIKE THE BALANCE BETWEEN WITHHOLDING AND VOUCHSAFING INFORMATION? *THAT* IS THE ESSENTIAL TASK OF THE DRAMATIST. AND THE ABILITY TO *DO* THAT IS WHAT SEPARATES YOU FROM THE LESSER SPECIES IN THEIR BLUE SUITS.
FIGURE IT OUT.
START, EVERY TIME, WITH THIS INVIOLABLE RULE: THE *SCENE MUST BE DRAMATIC*. it must start because the hero HAS A PROBLEM, AND IT MUST CULMINATE WITH THE HERO FINDING HIM OR HERSELF EITHER THWARTED OR EDUCATED THAT ANOTHER WAY EXISTS.
LOOK AT YOUR LOG LINES. ANY LOGLINE READING “BOB AND SUE DISCUSS…” IS NOT DESCRIBING A DRAMATIC SCENE.
PLEASE NOTE THAT OUR OUTLINES ARE, GENERALLY, SPECTACULAR. THE DRAMA FLOWS OUT BETWEEN THE OUTLINE AND THE FIRST DRAFT.
THINK LIKE A FILMMAKER RATHER THAN A FUNCTIONARY, BECAUSE, IN TRUTH, *YOU* ARE MAKING THE FILM. WHAT YOU WRITE, THEY WILL SHOOT.
HERE ARE THE DANGER SIGNALS. ANY TIME TWO CHARACTERS ARE TALKING ABOUT A THIRD, THE SCENE IS A CROCK OF SHIT.
ANY TIME ANY CHARACTER IS SAYING TO ANOTHER “AS YOU KNOW”, THAT IS, TELLING ANOTHER CHARACTER WHAT YOU, THE WRITER, NEED THE AUDIENCE TO KNOW, THE SCENE IS A CROCK OF SHIT.
DO *NOT* WRITE A CROCK OF SHIT. WRITE A RIPPING THREE, FOUR, SEVEN MINUTE SCENE WHICH MOVES THE STORY ALONG, AND YOU CAN, VERY SOON, BUY A HOUSE IN BEL AIR *AND* HIRE SOMEONE TO LIVE THERE FOR YOU.
REMEMBER YOU ARE WRITING FOR A VISUAL MEDIUM. *MOST* TELEVISION WRITING, OURS INCLUDED, SOUNDS LIKE *RADIO*. THE *CAMERA* CAN DO THE EXPLAINING FOR YOU. *LET* IT. WHAT ARE THE CHARACTERS *DOING* -*LITERALLY*. WHAT ARE THEY HANDLING, WHAT ARE THEY READING. WHAT ARE THEY WATCHING ON TELEVISION, WHAT ARE THEY *SEEING*.
IF YOU PRETEND THE CHARACTERS CANT SPEAK, AND WRITE A SILENT MOVIE, YOU WILL BE WRITING GREAT DRAMA.
IF YOU DEPRIVE YOURSELF OF THE CRUTCH OF NARRATION, EXPOSITION,INDEED, OF *SPEECH*. YOU WILL BE FORGED TO WORK IN A NEW MEDIUM - TELLING THE STORY IN PICTURES (ALSO KNOWN AS SCREENWRITING)
THIS IS A NEW SKILL. NO ONE DOES IT NATURALLY. YOU CAN TRAIN YOURSELVES TO DO IT, BUT YOU NEED TO *START*.
I CLOSE WITH THE ONE THOUGHT: LOOK AT THE *SCENE* AND ASK YOURSELF “IS IT DRAMATIC? IS IT *ESSENTIAL*? DOES IT ADVANCE THE PLOT?
ANSWER TRUTHFULLY.
IF THE ANSWER IS “NO” WRITE IT AGAIN OR THROW IT OUT. IF YOU’VE GOT ANY QUESTIONS, CALL ME UP.
LOVE, DAVE MAMET
SANTA MONICA 19 OCTO 05
(IT IS *NOT* YOUR RESPONSIBILITY TO KNOW THE ANSWERS, BUT IT IS YOUR, AND MY, RESPONSIBILITY TO KNOW AND TO *ASK THE RIGHT Questions* OVER AND OVER. UNTIL IT BECOMES SECOND NATURE. I BELIEVE THEY ARE LISTED ABOVE.)
TO THE WRITERS OF THE UNIT
GREETINGS.
AS WE LEARN HOW TO WRITE THIS SHOW, A RECURRING PROBLEM BECOMES CLEAR.
THE PROBLEM IS THIS: TO DIFFERENTIATE BETWEEN *DRAMA* AND NON-DRAMA. LET ME BREAK-IT-DOWN-NOW.
EVERYONE IN CREATION IS SCREAMING AT US TO MAKE THE SHOW CLEAR. WE ARE TASKED WITH, IT SEEMS, CRAMMING A SHITLOAD OF *INFORMATION* INTO A LITTLE BIT OF TIME.
OUR FRIENDS. THE PENGUINS, THINK THAT WE, THEREFORE, ARE EMPLOYED TO COMMUNICATE *INFORMATION* — AND, SO, AT TIMES, IT SEEMS TO US.
BUT NOTE:THE AUDIENCE WILL NOT TUNE IN TO WATCH INFORMATION. YOU WOULDN’T, I WOULDN’T. NO ONE WOULD OR WILL. THE AUDIENCE WILL ONLY TUNE IN AND STAY TUNED TO WATCH DRAMA.
QUESTION:WHAT IS DRAMA? DRAMA, AGAIN, IS THE QUEST OF THE HERO TO OVERCOME THOSE THINGS WHICH PREVENT HIM FROM ACHIEVING A SPECIFIC, *ACUTE* GOAL.
SO: WE, THE WRITERS, MUST ASK OURSELVES *OF EVERY SCENE* THESE THREE QUESTIONS.
1) WHO WANTS WHAT?
2) WHAT HAPPENS IF HER DON’T GET IT?
3) WHY NOW?
THE ANSWERS TO THESE QUESTIONS ARE LITMUS PAPER. APPLY THEM, AND THEIR ANSWER WILL TELL YOU IF THE SCENE IS DRAMATIC OR NOT.
IF THE SCENE IS NOT DRAMATICALLY WRITTEN, IT WILL NOT BE DRAMATICALLY ACTED.
THERE IS NO MAGIC FAIRY DUST WHICH WILL MAKE A BORING, USELESS, REDUNDANT, OR MERELY INFORMATIVE SCENE AFTER IT LEAVES YOUR TYPEWRITER. *YOU* THE WRITERS, ARE IN CHARGE OF MAKING SURE *EVERY* SCENE IS DRAMATIC.
THIS MEANS ALL THE “LITTLE” EXPOSITIONAL SCENES OF TWO PEOPLE TALKING ABOUT A THIRD. THIS BUSHWAH (AND WE ALL TEND TO WRITE IT ON THE FIRST DRAFT) IS LESS THAN USELESS, SHOULD IT FINALLY, GOD FORBID, GET FILMED.
IF THE SCENE BORES YOU WHEN YOU READ IT, REST ASSURED IT *WILL* BORE THE ACTORS, AND WILL, THEN, BORE THE AUDIENCE, AND WE’RE ALL GOING TO BE BACK IN THE BREADLINE.
SOMEONE HAS TO MAKE THE SCENE DRAMATIC. IT IS NOT THE ACTORS JOB (THE ACTORS JOB IS TO BE TRUTHFUL). IT IS NOT THE DIRECTORS JOB. HIS OR HER JOB IS TO FILM IT STRAIGHTFORWARDLY AND REMIND THE ACTORS TO TALK FAST. IT IS *YOUR* JOB.
EVERY SCENE MUST BE DRAMATIC. THAT MEANS: THE MAIN CHARACTER MUST HAVE A SIMPLE, STRAIGHTFORWARD, PRESSING NEED WHICH IMPELS HIM OR HER TO SHOW UP IN THE SCENE.
THIS NEED IS WHY THEY *CAME*. IT IS WHAT THE SCENE IS ABOUT. THEIR ATTEMPT TO GET THIS NEED MET *WILL* LEAD, AT THE END OF THE SCENE,TO *FAILURE* – THIS IS HOW THE SCENE IS *OVER*. IT, THIS FAILURE, WILL, THEN, OF NECESSITY, PROPEL US INTO THE *NEXT* SCENE.
ALL THESE ATTEMPTS, TAKEN TOGETHER, WILL, OVER THE COURSE OF THE EPISODE, CONSTITUTE THE *PLOT*.
ANY SCENE, THUS, WHICH DOES NOT BOTH ADVANCE THE PLOT, AND STANDALONE (THAT IS, DRAMATICALLY, BY ITSELF, ON ITS OWN MERITS) IS EITHER SUPERFLUOUS, OR INCORRECTLY WRITTEN.
YES BUT YES BUT YES BUT, YOU SAY: WHAT ABOUT THE NECESSITY OF WRITING IN ALL THAT “INFORMATION?”
AND I RESPOND “*FIGURE IT OUT*” ANY DICKHEAD WITH A BLUESUIT CAN BE (AND IS) TAUGHT TO SAY “MAKE IT CLEARER”, AND “I WANT TO KNOW MORE *ABOUT* HIM”.
WHEN YOU’VE MADE IT SO CLEAR THAT EVEN THIS BLUESUITED PENGUIN IS HAPPY, BOTH YOU AND HE OR SHE *WILL* BE OUT OF A JOB.
THE JOB OF THE DRAMATIST IS TO MAKE THE AUDIENCE WONDER WHAT HAPPENS NEXT. *NOT* TO EXPLAIN TO THEM WHAT JUST HAPPENED, OR TO*SUGGEST* TO THEM WHAT HAPPENS NEXT.
ANY DICKHEAD, AS ABOVE, CAN WRITE, “BUT, JIM, IF WE DON’T ASSASSINATE THE PRIME MINISTER IN THE NEXT SCENE, ALL EUROPE WILL BE ENGULFED IN FLAME”
WE ARE NOT GETTING PAID TO *REALIZE* THAT THE AUDIENCE NEEDS THIS INFORMATION TO UNDERSTAND THE NEXT SCENE, BUT TO FIGURE OUT HOW TO WRITE THE SCENE BEFORE US SUCH THAT THE AUDIENCE WILL BE INTERESTED IN WHAT HAPPENS NEXT.
YES BUT, YES BUT YES *BUT* YOU REITERATE.
AND I RESPOND *FIGURE IT OUT*.
*HOW* DOES ONE STRIKE THE BALANCE BETWEEN WITHHOLDING AND VOUCHSAFING INFORMATION? *THAT* IS THE ESSENTIAL TASK OF THE DRAMATIST. AND THE ABILITY TO *DO* THAT IS WHAT SEPARATES YOU FROM THE LESSER SPECIES IN THEIR BLUE SUITS.
FIGURE IT OUT.
START, EVERY TIME, WITH THIS INVIOLABLE RULE: THE *SCENE MUST BE DRAMATIC*. it must start because the hero HAS A PROBLEM, AND IT MUST CULMINATE WITH THE HERO FINDING HIM OR HERSELF EITHER THWARTED OR EDUCATED THAT ANOTHER WAY EXISTS.
LOOK AT YOUR LOG LINES. ANY LOGLINE READING “BOB AND SUE DISCUSS…” IS NOT DESCRIBING A DRAMATIC SCENE.
PLEASE NOTE THAT OUR OUTLINES ARE, GENERALLY, SPECTACULAR. THE DRAMA FLOWS OUT BETWEEN THE OUTLINE AND THE FIRST DRAFT.
THINK LIKE A FILMMAKER RATHER THAN A FUNCTIONARY, BECAUSE, IN TRUTH, *YOU* ARE MAKING THE FILM. WHAT YOU WRITE, THEY WILL SHOOT.
HERE ARE THE DANGER SIGNALS. ANY TIME TWO CHARACTERS ARE TALKING ABOUT A THIRD, THE SCENE IS A CROCK OF SHIT.
ANY TIME ANY CHARACTER IS SAYING TO ANOTHER “AS YOU KNOW”, THAT IS, TELLING ANOTHER CHARACTER WHAT YOU, THE WRITER, NEED THE AUDIENCE TO KNOW, THE SCENE IS A CROCK OF SHIT.
DO *NOT* WRITE A CROCK OF SHIT. WRITE A RIPPING THREE, FOUR, SEVEN MINUTE SCENE WHICH MOVES THE STORY ALONG, AND YOU CAN, VERY SOON, BUY A HOUSE IN BEL AIR *AND* HIRE SOMEONE TO LIVE THERE FOR YOU.
REMEMBER YOU ARE WRITING FOR A VISUAL MEDIUM. *MOST* TELEVISION WRITING, OURS INCLUDED, SOUNDS LIKE *RADIO*. THE *CAMERA* CAN DO THE EXPLAINING FOR YOU. *LET* IT. WHAT ARE THE CHARACTERS *DOING* -*LITERALLY*. WHAT ARE THEY HANDLING, WHAT ARE THEY READING. WHAT ARE THEY WATCHING ON TELEVISION, WHAT ARE THEY *SEEING*.
IF YOU PRETEND THE CHARACTERS CANT SPEAK, AND WRITE A SILENT MOVIE, YOU WILL BE WRITING GREAT DRAMA.
IF YOU DEPRIVE YOURSELF OF THE CRUTCH OF NARRATION, EXPOSITION,INDEED, OF *SPEECH*. YOU WILL BE FORGED TO WORK IN A NEW MEDIUM - TELLING THE STORY IN PICTURES (ALSO KNOWN AS SCREENWRITING)
THIS IS A NEW SKILL. NO ONE DOES IT NATURALLY. YOU CAN TRAIN YOURSELVES TO DO IT, BUT YOU NEED TO *START*.
I CLOSE WITH THE ONE THOUGHT: LOOK AT THE *SCENE* AND ASK YOURSELF “IS IT DRAMATIC? IS IT *ESSENTIAL*? DOES IT ADVANCE THE PLOT?
ANSWER TRUTHFULLY.
IF THE ANSWER IS “NO” WRITE IT AGAIN OR THROW IT OUT. IF YOU’VE GOT ANY QUESTIONS, CALL ME UP.
LOVE, DAVE MAMET
SANTA MONICA 19 OCTO 05
(IT IS *NOT* YOUR RESPONSIBILITY TO KNOW THE ANSWERS, BUT IT IS YOUR, AND MY, RESPONSIBILITY TO KNOW AND TO *ASK THE RIGHT Questions* OVER AND OVER. UNTIL IT BECOMES SECOND NATURE. I BELIEVE THEY ARE LISTED ABOVE.)
segunda-feira, março 22, 2010
Mais Alberto Gonçalves
Nesta pérola de vídeo, Alberto Gonçalves fala-nos do melhor da década que passou. Em termos musicais, fala-nos Stephin Merritt (dos Magnetic Fields, que, apesar do conservadorismo, até reconhece que a produção dos Bomb Squad para os Public Enemy é importantíssima, isto numa lista de canções mais importantes do século XX, uma por ano) e Nellie MacKay (esta última não existiria sem o rap, o "ruído" de que Alberto Gonçalves tanto fala). E, melhor ainda, explica: "Na televisão gostei de Friends e Frasier, as sitcoms que infelizmente parecem ter presidido ao enterro do género. Gostei menos dos Sopranos do que das possibilidades narrativas e estéticas que Os Sopranos abriram e que hoje se notam em produtos como o House, um vício de que não abdico." Em suma: "eu não vi televisão nos anos 2000". As "possibilidades narrativas e estéticas de Os Sopranos" é uma frase bonita que não diz muito. O que é que House tem a ver com aquilo? Será a importância dos sonhos, algo que vem do Twin Peaks? E que dizer de um tipo que destaca de uma década inteira de televisão Friends e Frasier (séries que, aliás, começaram nos anos 90)? Estamos a falar de uma década óptima, em que as "possibilidades narrativas e estéticas" foram abertas de uma maneira até então inimaginável. Estamos a falar da década de Arrested Development, e o gajo fala-me de Friends e Frasier. Nada contra, a não ser o facto de eu já não ter dez anos e ser preciso um bocadinho mais do que o mínimo necessário para me fazer rir (não que não me ria de vez em quando com aquilo). O mundo de Alberto Gonçalves é um mundo cinzento e conservador. O senhor gosta de destacar que foi a Nova Iorque e viu Stephen Sondheim na Broadway, que conviveu com ele e que viu o filme do Tim Burton baseado nele. Podia ter ido a Brooklyn ou ao Bronx, mas não foi, porque são sítios em que quase toda a gente fez as escolhas erradas de vida. Podia ter vivido a cidade, usufruído das vistas, das pessoas, mas isso já tinha feito em DVD e corria sempre o risco de encontrar gente com opções duvidosas de vida. Também diz que Gran Torino não traz grande novidade, mas isso é quase um pleonasmo: Alberto Gonçalves não gosta nem da diferença nem da novidade. O mundo de Alberto Gonçalves é um mundo onde não há qualquer fascínio nem gosto pelo novo e o desconhecido, onde as escolhas certas e mais óbvias são as únicas possíveis, ignorando o essencial: tudo o que é hoje em dia canónico já foi um dia novo e desconhecido ("no shit, Sherlock!", aposto que não fazias ideia disto e acabaste de descobrir porque eu escrevi). O mundo de Alberto Gonçalves é um mundo onde eu não quero, de todo, viver.
Isto ainda se usa? Parte 2
Agora pus-me a pensar: será a minha opinião de que o tipo é um idiota chapado válida? Talvez seja. Afinal de contas, sou branco e ando na rua de camisa para dentro das calças (que não são largas). Mas, ao mesmo tempo, posso estar a ouvir o Ready to Die ou o The Blueprint, algo que faço normalmente várias vezes por semana. Será uma escolha de vida correcta ou estarei eu a enganar toda a gente e serei, portanto, perigoso? Estou a ouvir pretos do hip-hop, mas estou vestido de uma forma aceitável para a sociedade. Que diria o Alberto Gonçalves de mim? Que diria ele, por exemplo, do guarda-roupa do Common, que esconde a sua verdadeira essência como alguém que escoheu o estilo de vida do rap? Ou de todos os rappers que usam fatos que não são dois números acima? Dá para ver que o Jay-Z fez uma escolha de vida errada quando veste Tom Ford ou estará ele a ludibriar as pessoas? Talvez ele devesse usar algum tipo de marca que o identificasse como alguém que fez uma escolha de vida errada. Também gostava de saber os problemas que o Alberto Gonçalves tem quando vê os Roots no Late Night with Jimmy Fallon. Vestem todos fato e tocam instrumentos "a sério", algo que pode ser bastante ambíguo. São uma espécie de Cavalo de Tróia, entram pelo mundo confortável dos talk shows nocturnos, mas como raio é que se percebe que fizeram a escolha do demónio quando decidiram dedicar a vida ao hip-hop e, por conseguinte, a Satanás?
Isto ainda se usa?
Pensava que este tipo de estupidez/ignorância/idiotice já não se usava. Sinceramente. O que vale é que o Rui Miguel Abreu – o pior pesadelo de Alberto Gonçalves: um tipo inteligentíssimo e cultíssimo, que mesmo assim escolhe não usar fato e gostar de hip-hop – o põe no sítio. Vale a pena ler o chorrilho de parvoíces do senhor para ler a resposta do Rui. Ninguém o faria melhor (eu, por exemplo, falharia redondamente: cairia no facilitismo de arranjar três ou quatro exemplos para contrariar cada frase e opinião do idiota, num namedropping inconsequente, ou chamar-lhe-ia "idiota" a cada frase), e é preciso mais gente a pensar/escrever assim (ao invés de haver uma geração inteira de bloggers que têm um orgasmo com o The Wire quatro ou cinco anos depois de acharam que tinha "demasiados pretos" ou coisa que o valha porque o Guardian ou o que quer que seja os avisou de que aquilo era bom – nada contra descobrir o The Wire demasiado tarde, só contra o preconceito que muita gente dita culta tem contra "coisas de pretos").
sábado, fevereiro 13, 2010
domingo, fevereiro 07, 2010
O melhor site do mundo. De sempre
Selleck Waterfall Sandwich. É exactamente aquilo que parece ser: montagens do Tom Selleck perto de cascatas com sanduíches lá no meio. Uma ideia obviamente genial.
segunda-feira, janeiro 18, 2010
Embuste
Fazem o que fizeram ao Gervais ao Martin e ao Baldwin e eu juro que mato alguém. Para ver, no máximo dos máximos, cinco minutos dele? Estão a gozar comigo? OK, Jeff Bridges é uma das maiores pessoas vivas, não haja dúvida disso, e há dois ou três prémios que foram bem mandados. Mas, porra, cinco minutos de Gervais? Não sabem aproveitar a parte boa da vida?
sábado, janeiro 16, 2010
Um dia triste
As a deal nears for Conan O'Brien's exit from NBC, one thing is certain: the characters and recurring comedy bits O'Brien originated during his 16-plus years on "Late Night" and "The Tonight Show" will not follow the host when he leaves NBC.
The Peacock owns the intellectual property behind such popular O'Brien characters as Pimpbot 5000 and Conando, as well as recurring segments such as In the Year 3000 and Desk Driving. Sources involved in the settlement negotiations say NBC is keeping the copyrighted and trademarked elements of O'Brien's shows as part of the deal. That means the bits and characters will likely never be seen after O'Brien's "Tonight" ends its run Jan 22.
While the vast majority of the characters O'Brien introduced are said to owned by NBC, it's unclear who controls Triumph the Insult Comic Dog, the crass canine puppet that is perhaps O'Brien's most popular recurring bit. Triumph was originated by writer and longtime O'Brien pal Robert Smigel, whose reps declined to comment on whether Smigel or NBC owned rights to the character.
Cresci com o Conan. Cresci com estas personagens. Nunca me saiu da cabeça um sketch de há mais de 10 anos em que, em pleno dia dos namorados, o Conan ia num Masturdate: jantava sozinho e, se a noite corresse bem, ia para casa e tocava-se. Uma parte de mim morreu hoje, disso não tenho dúvida nenhuma.
The Peacock owns the intellectual property behind such popular O'Brien characters as Pimpbot 5000 and Conando, as well as recurring segments such as In the Year 3000 and Desk Driving. Sources involved in the settlement negotiations say NBC is keeping the copyrighted and trademarked elements of O'Brien's shows as part of the deal. That means the bits and characters will likely never be seen after O'Brien's "Tonight" ends its run Jan 22.
While the vast majority of the characters O'Brien introduced are said to owned by NBC, it's unclear who controls Triumph the Insult Comic Dog, the crass canine puppet that is perhaps O'Brien's most popular recurring bit. Triumph was originated by writer and longtime O'Brien pal Robert Smigel, whose reps declined to comment on whether Smigel or NBC owned rights to the character.
Cresci com o Conan. Cresci com estas personagens. Nunca me saiu da cabeça um sketch de há mais de 10 anos em que, em pleno dia dos namorados, o Conan ia num Masturdate: jantava sozinho e, se a noite corresse bem, ia para casa e tocava-se. Uma parte de mim morreu hoje, disso não tenho dúvida nenhuma.
terça-feira, janeiro 12, 2010
I'm on mah grind, shawty, don't block my shine, shawty
As melhores cantigas de 2009. Esqueci-me dos Grizzly Bear ("Two Weeks", claro) e do Raekwon ("The House of Flying Daggers", beat monstro do J. Dilla que um dia servirá para começar guerras).
segunda-feira, dezembro 28, 2009
terça-feira, dezembro 15, 2009
Aziz+AC
Na última Fader há uma entrevista incrível. É o Aziz Ansari a falar, por e-mail, com os Animal Collective. E no fim há fotografias deles todos (os quatro Animal Collective, sim, o Deakin também entra, e o Aziz) em pequenos. É uma troca de e-mails com links de YouTube para malhas de rap/new jack swing/hip-house dos anos 90 e vídeos estranhos. Quando for grande quero entrevistar pessoas assim.
domingo, dezembro 13, 2009
Doismilenove
Tantos reis, tanto de memorável: o "I'm on a Boat", com os Lonely Island a fazer uma malha que é uma malha e mesmo assim é uma piada, é provavelmente a melhor canção do T-Pain e tem tanto e tanto de bom, tanto o vídeo quanto a música; o Danny McBride e a sua detestabilidade adorável como Kenny "Fucking" Powers (Eastbound and Down é a série do ano); o Aziz Ansari e a sua doce douchebaggery como Tom Haverford (menção honrosa para o enorme Nick Offerman como Ron Swanson, é criminoso o Parks and Recreation ainda não se ter estreado em Portugal); o Zach Galifianakis, o seu Ray Hueston (e o Ted Danson e o Jason Schwartzman, trio maravilha no Bored to Death) e o seu Alan Garner do Hangover que lhe deu a merecida fama após tantos e tantos anos; a ira da Jane Lynch no impressionante Glee (adoro estar a ver o High School Musical em bom e haver uma piada tão acutilante que me faz questionar se ainda estou a ver a mesma série), e a sua também merecidíssima fama (é das pessoas com mais piada no mundo inteiro, uma mente que diz as frases mais brilhantes com uma rapidez incrível, além disso também estava boa no Party Down – outro crime não ter chegado cá –, que infelizmente não a poderá ter mais por causa do Glee); o GANA e o CENA e especialmente o "És um fartote" d'A Pandilha na cena do Goodfellas, bem com incontáveis outros momentos destes tipos brilhantes que criaram sozinhos um mundo inteiro cómico e novo sem se parecer com nada do que veio antes, sem referências aparentes e com muita piada; os grunhidos do Clint Eastwood no Gran Torino; o Norberto Lobo, que me ajudou a ler imensos livros ("Do Alto da Faia" é enorme); o "Shine Blockas" do Big Boi com o Gucci Mane, que é tudo aquilo que eu queria na vida de uma canção rap e muito mais, inclusivamente o cowbell da TR-808 – acho que é o meu som favorito de sempre (obrigado ao Chico por me ter chateado com essa merda no eléctrico, ter-me-ia passado ao lado); o Panda Bear confundir estatuto social com coisas materiais; o episódio do Flight of the Conchords realizado pelo Michel Gondry (genial, e "Carol Brown" é das canções do ano); já que estou nisso, o Fernando Brito, depois de uma prestação maravilhosa e hilariante como director do hospital num dos melhores episódios d'Um Mundo Catita (não me canso de dizer que é das melhores cenas de sempre da televisão portuguesa) fez um general maravilhoso num vídeo passado durante O Artista Português é tão bom Quanto os Melhores na sexta no S. Luiz; o Bill Murray ter morrido duas vezes (uma boa, outra má, isto relativamente falando, já que o Bill Murray, um dos maiores tesouros mundiais, nunca deve morrer); o Seth Rogen ter emagrecido (e eu também, ainda mais que ele) e ter feito do Funny People algo tão especial (e sortudo, acaba por ficar com a Aubrey Plaza); a Jenny Slate no Bored to Death, tão pouco e tanto ao mesmo tempo (não tive tempo para apreciá-la totalmente no Saturday Night Live, a maior parte dos sketches aborrece-me de morte); os BlakRoc e o rap-rock, mas em bom; o Mos Def e o incrível Ecstatic; os Grizzly Bear em todo o lado; "Empire State of Mind" (era só uma questão de tempo até fechar um episódio do Gossip Girl, e já agora a menção do Cristiano Ronaldo no Gossip Girl também marcou imenso o ano); e tantas e tantas outras cenas.
Gostava de agradecer à Joana S. pel'O Wrestler, o Milk e o Vicky Cristina Barcelona (e todos os outros, mas esse foi o melhor), à Joana B. pela Valsa com Bashir (e pelo Rachel Getting Married, o David Byrne e o A-Trak), à Sara pelas Titan Thursdays, à Rita pelos Abraços Desfeitos, à Carin pelo segundo Gran Torino, à Sofia pelo Hangover (e todos os outros gloriosamente maus, especialmente o da Nia Vardalos – o facto de ela ter uma carreira é um ultraje para gregas com piada como tu ou a Tina Fey), à Ana pel'O Visitante, à Maria pelo Maxime e o pré-Maxime, a outros amigos (especialmente ao Jaco pelo Synecdoche, New York, ao Nel e ao Júlio e não me lembro de mais quem pelo Caos Calmo e ao Paco e o Afonso – e mais muitos outros – pelo Arena de Torres Vedras, os filmes bons e os maus, o K'Naan e o bowling) e a mim próprio por tantos outros. E a todos os meus amigos por tantas outras coisas (o Ilo e o Super Bock em Stock, ou o Ilo e o Mário e a festa da Time Out, por exemplo, ou todas as Joanas do mundo por tudo).
Esqueci-me de muita coisa e é triste ter morrido o Michael Jackson e o John Hughes (e muitos mais que agora não me ocorrem ou não me marcaram tanto), mas pronto, o mundo há-de ir ao sítio.
Gostava de agradecer à Joana S. pel'O Wrestler, o Milk e o Vicky Cristina Barcelona (e todos os outros, mas esse foi o melhor), à Joana B. pela Valsa com Bashir (e pelo Rachel Getting Married, o David Byrne e o A-Trak), à Sara pelas Titan Thursdays, à Rita pelos Abraços Desfeitos, à Carin pelo segundo Gran Torino, à Sofia pelo Hangover (e todos os outros gloriosamente maus, especialmente o da Nia Vardalos – o facto de ela ter uma carreira é um ultraje para gregas com piada como tu ou a Tina Fey), à Ana pel'O Visitante, à Maria pelo Maxime e o pré-Maxime, a outros amigos (especialmente ao Jaco pelo Synecdoche, New York, ao Nel e ao Júlio e não me lembro de mais quem pelo Caos Calmo e ao Paco e o Afonso – e mais muitos outros – pelo Arena de Torres Vedras, os filmes bons e os maus, o K'Naan e o bowling) e a mim próprio por tantos outros. E a todos os meus amigos por tantas outras coisas (o Ilo e o Super Bock em Stock, ou o Ilo e o Mário e a festa da Time Out, por exemplo, ou todas as Joanas do mundo por tudo).
Esqueci-me de muita coisa e é triste ter morrido o Michael Jackson e o John Hughes (e muitos mais que agora não me ocorrem ou não me marcaram tanto), mas pronto, o mundo há-de ir ao sítio.
domingo, dezembro 06, 2009
segunda-feira, novembro 23, 2009
Herman e expectativas
Quando era (mais) puto, lá por 1996 ou 1997, tinha a esperança secreta de que um dia a Herman Enciclopédia saísse em CD-ROM, tal como o genérico parecia prometer. Tinha tudo gravado em VHS, hoje em dia tenho os dois volumes em DVD. Não é a mesma coisa. Queria uma alternativa ao Encarta 96, à Diciopédia ou algo parecido.E agora já não vale a pena. O mundo mudou e ninguém se interessaria por isso.
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