Fazem o que fizeram ao Gervais ao Martin e ao Baldwin e eu juro que mato alguém. Para ver, no máximo dos máximos, cinco minutos dele? Estão a gozar comigo? OK, Jeff Bridges é uma das maiores pessoas vivas, não haja dúvida disso, e há dois ou três prémios que foram bem mandados. Mas, porra, cinco minutos de Gervais? Não sabem aproveitar a parte boa da vida?
segunda-feira, janeiro 18, 2010
sábado, janeiro 16, 2010
Um dia triste
As a deal nears for Conan O'Brien's exit from NBC, one thing is certain: the characters and recurring comedy bits O'Brien originated during his 16-plus years on "Late Night" and "The Tonight Show" will not follow the host when he leaves NBC.
The Peacock owns the intellectual property behind such popular O'Brien characters as Pimpbot 5000 and Conando, as well as recurring segments such as In the Year 3000 and Desk Driving. Sources involved in the settlement negotiations say NBC is keeping the copyrighted and trademarked elements of O'Brien's shows as part of the deal. That means the bits and characters will likely never be seen after O'Brien's "Tonight" ends its run Jan 22.
While the vast majority of the characters O'Brien introduced are said to owned by NBC, it's unclear who controls Triumph the Insult Comic Dog, the crass canine puppet that is perhaps O'Brien's most popular recurring bit. Triumph was originated by writer and longtime O'Brien pal Robert Smigel, whose reps declined to comment on whether Smigel or NBC owned rights to the character.
Cresci com o Conan. Cresci com estas personagens. Nunca me saiu da cabeça um sketch de há mais de 10 anos em que, em pleno dia dos namorados, o Conan ia num Masturdate: jantava sozinho e, se a noite corresse bem, ia para casa e tocava-se. Uma parte de mim morreu hoje, disso não tenho dúvida nenhuma.
The Peacock owns the intellectual property behind such popular O'Brien characters as Pimpbot 5000 and Conando, as well as recurring segments such as In the Year 3000 and Desk Driving. Sources involved in the settlement negotiations say NBC is keeping the copyrighted and trademarked elements of O'Brien's shows as part of the deal. That means the bits and characters will likely never be seen after O'Brien's "Tonight" ends its run Jan 22.
While the vast majority of the characters O'Brien introduced are said to owned by NBC, it's unclear who controls Triumph the Insult Comic Dog, the crass canine puppet that is perhaps O'Brien's most popular recurring bit. Triumph was originated by writer and longtime O'Brien pal Robert Smigel, whose reps declined to comment on whether Smigel or NBC owned rights to the character.
Cresci com o Conan. Cresci com estas personagens. Nunca me saiu da cabeça um sketch de há mais de 10 anos em que, em pleno dia dos namorados, o Conan ia num Masturdate: jantava sozinho e, se a noite corresse bem, ia para casa e tocava-se. Uma parte de mim morreu hoje, disso não tenho dúvida nenhuma.
terça-feira, janeiro 12, 2010
I'm on mah grind, shawty, don't block my shine, shawty
As melhores cantigas de 2009. Esqueci-me dos Grizzly Bear ("Two Weeks", claro) e do Raekwon ("The House of Flying Daggers", beat monstro do J. Dilla que um dia servirá para começar guerras).
segunda-feira, dezembro 28, 2009
terça-feira, dezembro 15, 2009
Aziz+AC
Na última Fader há uma entrevista incrível. É o Aziz Ansari a falar, por e-mail, com os Animal Collective. E no fim há fotografias deles todos (os quatro Animal Collective, sim, o Deakin também entra, e o Aziz) em pequenos. É uma troca de e-mails com links de YouTube para malhas de rap/new jack swing/hip-house dos anos 90 e vídeos estranhos. Quando for grande quero entrevistar pessoas assim.
domingo, dezembro 13, 2009
Doismilenove
Tantos reis, tanto de memorável: o "I'm on a Boat", com os Lonely Island a fazer uma malha que é uma malha e mesmo assim é uma piada, é provavelmente a melhor canção do T-Pain e tem tanto e tanto de bom, tanto o vídeo quanto a música; o Danny McBride e a sua detestabilidade adorável como Kenny "Fucking" Powers (Eastbound and Down é a série do ano); o Aziz Ansari e a sua doce douchebaggery como Tom Haverford (menção honrosa para o enorme Nick Offerman como Ron Swanson, é criminoso o Parks and Recreation ainda não se ter estreado em Portugal); o Zach Galifianakis, o seu Ray Hueston (e o Ted Danson e o Jason Schwartzman, trio maravilha no Bored to Death) e o seu Alan Garner do Hangover que lhe deu a merecida fama após tantos e tantos anos; a ira da Jane Lynch no impressionante Glee (adoro estar a ver o High School Musical em bom e haver uma piada tão acutilante que me faz questionar se ainda estou a ver a mesma série), e a sua também merecidíssima fama (é das pessoas com mais piada no mundo inteiro, uma mente que diz as frases mais brilhantes com uma rapidez incrível, além disso também estava boa no Party Down – outro crime não ter chegado cá –, que infelizmente não a poderá ter mais por causa do Glee); o GANA e o CENA e especialmente o "És um fartote" d'A Pandilha na cena do Goodfellas, bem com incontáveis outros momentos destes tipos brilhantes que criaram sozinhos um mundo inteiro cómico e novo sem se parecer com nada do que veio antes, sem referências aparentes e com muita piada; os grunhidos do Clint Eastwood no Gran Torino; o Norberto Lobo, que me ajudou a ler imensos livros ("Do Alto da Faia" é enorme); o "Shine Blockas" do Big Boi com o Gucci Mane, que é tudo aquilo que eu queria na vida de uma canção rap e muito mais, inclusivamente o cowbell da TR-808 – acho que é o meu som favorito de sempre (obrigado ao Chico por me ter chateado com essa merda no eléctrico, ter-me-ia passado ao lado); o Panda Bear confundir estatuto social com coisas materiais; o episódio do Flight of the Conchords realizado pelo Michel Gondry (genial, e "Carol Brown" é das canções do ano); já que estou nisso, o Fernando Brito, depois de uma prestação maravilhosa e hilariante como director do hospital num dos melhores episódios d'Um Mundo Catita (não me canso de dizer que é das melhores cenas de sempre da televisão portuguesa) fez um general maravilhoso num vídeo passado durante O Artista Português é tão bom Quanto os Melhores na sexta no S. Luiz; o Bill Murray ter morrido duas vezes (uma boa, outra má, isto relativamente falando, já que o Bill Murray, um dos maiores tesouros mundiais, nunca deve morrer); o Seth Rogen ter emagrecido (e eu também, ainda mais que ele) e ter feito do Funny People algo tão especial (e sortudo, acaba por ficar com a Aubrey Plaza); a Jenny Slate no Bored to Death, tão pouco e tanto ao mesmo tempo (não tive tempo para apreciá-la totalmente no Saturday Night Live, a maior parte dos sketches aborrece-me de morte); os BlakRoc e o rap-rock, mas em bom; o Mos Def e o incrível Ecstatic; os Grizzly Bear em todo o lado; "Empire State of Mind" (era só uma questão de tempo até fechar um episódio do Gossip Girl, e já agora a menção do Cristiano Ronaldo no Gossip Girl também marcou imenso o ano); e tantas e tantas outras cenas.
Gostava de agradecer à Joana S. pel'O Wrestler, o Milk e o Vicky Cristina Barcelona (e todos os outros, mas esse foi o melhor), à Joana B. pela Valsa com Bashir (e pelo Rachel Getting Married, o David Byrne e o A-Trak), à Sara pelas Titan Thursdays, à Rita pelos Abraços Desfeitos, à Carin pelo segundo Gran Torino, à Sofia pelo Hangover (e todos os outros gloriosamente maus, especialmente o da Nia Vardalos – o facto de ela ter uma carreira é um ultraje para gregas com piada como tu ou a Tina Fey), à Ana pel'O Visitante, à Maria pelo Maxime e o pré-Maxime, a outros amigos (especialmente ao Jaco pelo Synecdoche, New York, ao Nel e ao Júlio e não me lembro de mais quem pelo Caos Calmo e ao Paco e o Afonso – e mais muitos outros – pelo Arena de Torres Vedras, os filmes bons e os maus, o K'Naan e o bowling) e a mim próprio por tantos outros. E a todos os meus amigos por tantas outras coisas (o Ilo e o Super Bock em Stock, ou o Ilo e o Mário e a festa da Time Out, por exemplo, ou todas as Joanas do mundo por tudo).
Esqueci-me de muita coisa e é triste ter morrido o Michael Jackson e o John Hughes (e muitos mais que agora não me ocorrem ou não me marcaram tanto), mas pronto, o mundo há-de ir ao sítio.
Gostava de agradecer à Joana S. pel'O Wrestler, o Milk e o Vicky Cristina Barcelona (e todos os outros, mas esse foi o melhor), à Joana B. pela Valsa com Bashir (e pelo Rachel Getting Married, o David Byrne e o A-Trak), à Sara pelas Titan Thursdays, à Rita pelos Abraços Desfeitos, à Carin pelo segundo Gran Torino, à Sofia pelo Hangover (e todos os outros gloriosamente maus, especialmente o da Nia Vardalos – o facto de ela ter uma carreira é um ultraje para gregas com piada como tu ou a Tina Fey), à Ana pel'O Visitante, à Maria pelo Maxime e o pré-Maxime, a outros amigos (especialmente ao Jaco pelo Synecdoche, New York, ao Nel e ao Júlio e não me lembro de mais quem pelo Caos Calmo e ao Paco e o Afonso – e mais muitos outros – pelo Arena de Torres Vedras, os filmes bons e os maus, o K'Naan e o bowling) e a mim próprio por tantos outros. E a todos os meus amigos por tantas outras coisas (o Ilo e o Super Bock em Stock, ou o Ilo e o Mário e a festa da Time Out, por exemplo, ou todas as Joanas do mundo por tudo).
Esqueci-me de muita coisa e é triste ter morrido o Michael Jackson e o John Hughes (e muitos mais que agora não me ocorrem ou não me marcaram tanto), mas pronto, o mundo há-de ir ao sítio.
domingo, dezembro 06, 2009
segunda-feira, novembro 23, 2009
Herman e expectativas
Quando era (mais) puto, lá por 1996 ou 1997, tinha a esperança secreta de que um dia a Herman Enciclopédia saísse em CD-ROM, tal como o genérico parecia prometer. Tinha tudo gravado em VHS, hoje em dia tenho os dois volumes em DVD. Não é a mesma coisa. Queria uma alternativa ao Encarta 96, à Diciopédia ou algo parecido.E agora já não vale a pena. O mundo mudou e ninguém se interessaria por isso.
quinta-feira, novembro 19, 2009
Sobre 2012
Acho que adoro praticamente todos os actores envolvidos em 2012 e acho que o Danny Glover devia ser mesmo presidente dos Estados Unidos.
segunda-feira, novembro 16, 2009
Blakroc
A ideia por detrás da existência dos Blakroc, o novo projecto dos Black Keys com gente como o Mos Def, o Ludacris, o Pharoahe Monch, o RZA e imensa gente, é tão simples que até impressiona nunca ninguém ter pensado nela antes (especialmente o Mos Def, que falhou redondamente quando tentou fazê-lo sozinho): é rap-rock, mas em bom. Finalmente (e não, a era dourada da Def Jam e os OutKast não contam).
quarta-feira, novembro 11, 2009
terça-feira, novembro 10, 2009
Chuck Lorre outra vez
Alguém comentou, a propósito do meu ódio pelo Chuck Lorre, o seguinte:
"VOCE EH IMBECIL SUA FDP? TWO AND A HALF MEN E A SERIE DE MAIOR SUCESSO ATUALMENTE SUA INGUA DE UMA PORRA.. ATE CONCORDO QUE THE BIG BAND THEORY SEJA UMA MERDA, NAO ASSISTO AQUILO NEM PELO CARALHO, MAS FALAR QUE TWO AND A HALF MEN NAO EH MANERO? VA ARRUMAR UMA PIROCA PRA TE SATISFAZER Q ISSO EH FALTA DE PICA NA BUCETA.
Obrigado pela atencao,
vitu"
Acabei de perceber que estava errado. Como pude eu ignorar a "série de maior sucesso actualmente"? O Chuck Lorre é um génio! Façam-lhe uma estátua.
"VOCE EH IMBECIL SUA FDP? TWO AND A HALF MEN E A SERIE DE MAIOR SUCESSO ATUALMENTE SUA INGUA DE UMA PORRA.. ATE CONCORDO QUE THE BIG BAND THEORY SEJA UMA MERDA, NAO ASSISTO AQUILO NEM PELO CARALHO, MAS FALAR QUE TWO AND A HALF MEN NAO EH MANERO? VA ARRUMAR UMA PIROCA PRA TE SATISFAZER Q ISSO EH FALTA DE PICA NA BUCETA.
Obrigado pela atencao,
vitu"
Acabei de perceber que estava errado. Como pude eu ignorar a "série de maior sucesso actualmente"? O Chuck Lorre é um génio! Façam-lhe uma estátua.
quarta-feira, novembro 04, 2009
Sim, eu vejo os Óscares
E depois do indescritível e basicamente pior de sempre Hugh Jackman, Steve Martin e Alec Baldwin vão apresentar a cerimónia conjuntamente. Às vezes o mundo é um sítio tão bonito, meninas e meninos.
segunda-feira, outubro 26, 2009
Buraka Som Sistema na New Yorker
Depois de várias menções no blog dele, o Sasha Frere-Jones – que eu sigo quase religiosamente – escreve sobre Buraka Som Sistema na New Yorker.
sexta-feira, outubro 23, 2009
Assustador
O Greg Tate, num texto do Village Voice sobre o Michael Jackson quando este morreu há uns meses, lançava uma hipótese que é algo assustadora:
The scariest thing about the Motown legacy, as my father likes to argue, is that you could have gone into any Black American community at the time and found raw talents equal to any of the label's polished fruit: the Temptations, Marvin Gaye, Diana Ross, Stevie Wonder, Smokey Robinson, or Holland-Dozier-Holland—all my love for the mighty D and its denizens notwithstanding. Berry Gordy just industrialized the process, the same as Harvard or the CIA has always done for the brightest prospective servants of the Evil Empire.
Ontem, no Guardian, numa peça sobre o Numero Group – fiquei com imensa vontade de, quando tiver dinheiro, comprar a tal última compilação de luxo que sai agora dessa editora de reedições obscuras –, o Simon Reynolds fala do mesmo:
The music industry is a harsh, cruel business at the best of times, but it seems particularly so in black music if only because – from Detroit, MI to Kingston, Jamaica to Bow, E3 – there is such an overflowing wellspring of talent that it can often seem arbitrary who gets to succeed and who never gets the break. So many of the groups unearthed by Numero are only a notch away from being Booker T and the MGs, or the Temptations, or Martha and the Vandellas.
At the same time I can't help wondering if it makes sense for someone like me to spend time on historically marginal music when I've yet to "do" Ray Charles or Sam Cooke, i.e. incontestably epochal artists in the history of American music. As the series expands (Smart's Palace is the eleventh) Shipley acknowledges feeling "a bit of fatigue with Eccentric Soul … they do become variations on a theme. It's the same story: black musicians facing the same problems." The inexhaustible wellspring of black musical creativity can be … well, exhausting.
Talvez seja por isto que há muita gente racista. Por falta de tempo e paciência.
The scariest thing about the Motown legacy, as my father likes to argue, is that you could have gone into any Black American community at the time and found raw talents equal to any of the label's polished fruit: the Temptations, Marvin Gaye, Diana Ross, Stevie Wonder, Smokey Robinson, or Holland-Dozier-Holland—all my love for the mighty D and its denizens notwithstanding. Berry Gordy just industrialized the process, the same as Harvard or the CIA has always done for the brightest prospective servants of the Evil Empire.
Ontem, no Guardian, numa peça sobre o Numero Group – fiquei com imensa vontade de, quando tiver dinheiro, comprar a tal última compilação de luxo que sai agora dessa editora de reedições obscuras –, o Simon Reynolds fala do mesmo:
The music industry is a harsh, cruel business at the best of times, but it seems particularly so in black music if only because – from Detroit, MI to Kingston, Jamaica to Bow, E3 – there is such an overflowing wellspring of talent that it can often seem arbitrary who gets to succeed and who never gets the break. So many of the groups unearthed by Numero are only a notch away from being Booker T and the MGs, or the Temptations, or Martha and the Vandellas.
At the same time I can't help wondering if it makes sense for someone like me to spend time on historically marginal music when I've yet to "do" Ray Charles or Sam Cooke, i.e. incontestably epochal artists in the history of American music. As the series expands (Smart's Palace is the eleventh) Shipley acknowledges feeling "a bit of fatigue with Eccentric Soul … they do become variations on a theme. It's the same story: black musicians facing the same problems." The inexhaustible wellspring of black musical creativity can be … well, exhausting.
Talvez seja por isto que há muita gente racista. Por falta de tempo e paciência.
Michael Ian Black, deprimido
Pode estar a gozar ou a falar a sério, mas o Michael Ian Black tem dois posts incríveis sobre a depressão dele no seu óptimo blog. Como é que alguém que pertenceu ao The State e pertence a Stella – não gosto muito do Michael and Michael Have Issues – pode ser cronicamente deprimido? É muito triste, mas bem escrito e até me faz rir.
segunda-feira, outubro 19, 2009
Ali boma yé
O arquivo inteiro da revista Life até ao final de 1972 está online. Calha bem, porque nas últimas semanas procurei, em vão, esta edição de 1971 cuja capa é a Fight of the Century, o primeiro combate entre o Muhammad Ali e o Joe Frazier no Madison Square Garden. Ali perdeu, mas viria a ganhar os dois combates seguintes. O texto, chamado Ego, é do Norman Mailer e algumas das fotografias são do Frank Sinatra, daí o meu interesse. Anos depois o Mailer viria a escrever The Fight, sobre o Rumble in the Jungle, quando o Ali ganhou ao George Foreman no Zaire e voltou a ser o campeão (foi ao ler esse livro que surgiu o meu interesse, "Ali boma yé" era o que se gritava em Kinshasa, algo como "Ali mata-o", o que fica mal para título de post porque o Ali perdeu este combate específico). Sempre pensei que o Frank Sinatra não tivesse conseguido bilhetes bons para a luta, e por isso é que tinha ido como fotógrafo. Mas, segundo o editorial, ele já tinha bilhetes e planeava tirar fotografias, a Life é que lhe pediu para ver algumas delas e publicá-las. Três campeões, uma boa maneira de estrear este arquivo.
Aborrecimento #2
Mais que isso, dou por mim com a canção do genérico do Bored to Death na cabeça. Já não me acontecia desde o 30 Rock.
Aborrecimento
O Gene Siskel – diz o Roger Ebert, que eu não tenho idade para saber quem era o Gene Siskel – perguntava várias vezes: "Is this film more interesting than a documentary of the same actors having lunch?" E às vezes não era. Bored to Death podia perfeitamente ser assim. Quer dizer, é o Jason Schwartzman com o Zach Galifianakis e o Ted Danson – já tive sonhos parecidos que a Igreja nunca aprovaria –, e, independentemente da premissa, eu veria qualquer que fosse o projecto em que estivessem os três envolvidos. Sem sequer pestanejar. Ao princípio foi isso que fiz.
Há tantas séries e tantos filmes que prometem, pelo elenco, pela gente envolvida, pela premissa, e depois vê-se e não são nada de especial. Sim, sei que sou culpado por demasiada excitação por projectos que depois não dão em nada, ou que dou veredictos demasiado cedo, sem me saber proteger de futuros fiascos. Mas desta vez tudo correu bem. Depositei a minha fé em algo e foi recompensado.
Nem sempre foi assim. A princípio, passei dois episódios a ver bons diálogos, boas piadas, mas sem eu querer saber muito da série. Um escritor não consegue escrever o segundo romance e põe um anúncio no Craigslist para ser detective privado, isto depois de reler um livro do Raymond Chandler. Ainda por cima a namorada acabou com ele. Então começa a receber, na parte kitsch da coisa, quase a imitar o fumo e as mulheres que entram no escritório dos detectives dos film noir e o caraças, clientes e a resolver os casos. Sempre com medo, cheio de neuroses e sem grande auto-confiança. O que, sim, admito, é uma boa ideia, mas consegue esgotar-se em poucos minutos.
Mas chega o terceiro episódio e nem sequer há um caso. Nada disso. Há um episódio que, do início ao fim, é brilhante. E passo do gostar muito ao adorar em segundos. Tem o Jim Jarmusch a fazer dele próprio, o cabelo do Jim Jarmusch, o Jim Jarmusch a andar de bicicleta num loft e a falar com o Ted Danson (o cabelo deles é tão bonito e parecido, até a própria personagem do Danson diz que o Jarmusch tem óptimo cabelo). Quase que me fez perdoar o aborrecimento que foi o último do Jarmusch (duas horas a fazer exactamente o mesmo para no fim ir matar o Bill Murray?). E duas ou três frases memoráveis, como a do pai da miúda menor que o Schwartzman quase leva para a cama: “Lives don’t change, we simply become more comfortable with our core misery, which is a form of happiness."
Param-me na rua – porque sabem que eu gosto desta gente, e na verdade só aconteceu duas vezes e só foi na rua, ninguém me parou propriamente assim do nada – e perguntam-me se tenho visto Bored to Death, e todos concordamos que o terceiro episódio foi brilhante. E foi. E é pouco provável que algum dos próximos episódios seja tão bom. Entre a parte do detective privado, kitsch, tosca, até quase banal e ridícula, está tudo cheio de referências a alta cultura, livros e filmes e o caraças, mas não é preciso conhecê-las para rir ou gostar daquilo, só para atingir certas piadas (no episódio de ontem a personagem do Danson diz que as revistas do Jann Wenner começaram a vender quando ele se tornou gay). E acho que, à custa da série, vou comprar um ou dois livros do Jonathan Ames, o tipo que a criou e que dá o nome à personagem do Schwartzman.
Acredito que aquilo de que mais gosto, que me diz mais, tem um bom balanço entre coração e piada. É isso que procuro em tudo, quer seja no que faço ou no que vejo. Não é sempre assim. Mas às vezes gosto de coisas que só têm um). E dou por mim a querer saber desta gente toda, e não só da personagem do Zach Galafianakis (por razões óbvias de identificação). Mesmo que, à partida – e especialmente a personagem do Jason Schwartzman –, aquela gente pudesse ser demasiado estilizada para querermos saber deles. A saber mais ou menos o que que tipo de coisas é que dizem, que pensam, as ideias estranhas e até doentias do Danson e o do Galafianakis, por onde é que podem surpreender, etc. Isso, para mim, é boa escrita. Se houver umas piadas pelo meio, ainda melhor. Há isso tudo aqui, e é por isso que as minhas segundas-feiras ganharam um ritual.
Há tantas séries e tantos filmes que prometem, pelo elenco, pela gente envolvida, pela premissa, e depois vê-se e não são nada de especial. Sim, sei que sou culpado por demasiada excitação por projectos que depois não dão em nada, ou que dou veredictos demasiado cedo, sem me saber proteger de futuros fiascos. Mas desta vez tudo correu bem. Depositei a minha fé em algo e foi recompensado.
Nem sempre foi assim. A princípio, passei dois episódios a ver bons diálogos, boas piadas, mas sem eu querer saber muito da série. Um escritor não consegue escrever o segundo romance e põe um anúncio no Craigslist para ser detective privado, isto depois de reler um livro do Raymond Chandler. Ainda por cima a namorada acabou com ele. Então começa a receber, na parte kitsch da coisa, quase a imitar o fumo e as mulheres que entram no escritório dos detectives dos film noir e o caraças, clientes e a resolver os casos. Sempre com medo, cheio de neuroses e sem grande auto-confiança. O que, sim, admito, é uma boa ideia, mas consegue esgotar-se em poucos minutos.
Mas chega o terceiro episódio e nem sequer há um caso. Nada disso. Há um episódio que, do início ao fim, é brilhante. E passo do gostar muito ao adorar em segundos. Tem o Jim Jarmusch a fazer dele próprio, o cabelo do Jim Jarmusch, o Jim Jarmusch a andar de bicicleta num loft e a falar com o Ted Danson (o cabelo deles é tão bonito e parecido, até a própria personagem do Danson diz que o Jarmusch tem óptimo cabelo). Quase que me fez perdoar o aborrecimento que foi o último do Jarmusch (duas horas a fazer exactamente o mesmo para no fim ir matar o Bill Murray?). E duas ou três frases memoráveis, como a do pai da miúda menor que o Schwartzman quase leva para a cama: “Lives don’t change, we simply become more comfortable with our core misery, which is a form of happiness."
Param-me na rua – porque sabem que eu gosto desta gente, e na verdade só aconteceu duas vezes e só foi na rua, ninguém me parou propriamente assim do nada – e perguntam-me se tenho visto Bored to Death, e todos concordamos que o terceiro episódio foi brilhante. E foi. E é pouco provável que algum dos próximos episódios seja tão bom. Entre a parte do detective privado, kitsch, tosca, até quase banal e ridícula, está tudo cheio de referências a alta cultura, livros e filmes e o caraças, mas não é preciso conhecê-las para rir ou gostar daquilo, só para atingir certas piadas (no episódio de ontem a personagem do Danson diz que as revistas do Jann Wenner começaram a vender quando ele se tornou gay). E acho que, à custa da série, vou comprar um ou dois livros do Jonathan Ames, o tipo que a criou e que dá o nome à personagem do Schwartzman.
Acredito que aquilo de que mais gosto, que me diz mais, tem um bom balanço entre coração e piada. É isso que procuro em tudo, quer seja no que faço ou no que vejo. Não é sempre assim. Mas às vezes gosto de coisas que só têm um). E dou por mim a querer saber desta gente toda, e não só da personagem do Zach Galafianakis (por razões óbvias de identificação). Mesmo que, à partida – e especialmente a personagem do Jason Schwartzman –, aquela gente pudesse ser demasiado estilizada para querermos saber deles. A saber mais ou menos o que que tipo de coisas é que dizem, que pensam, as ideias estranhas e até doentias do Danson e o do Galafianakis, por onde é que podem surpreender, etc. Isso, para mim, é boa escrita. Se houver umas piadas pelo meio, ainda melhor. Há isso tudo aqui, e é por isso que as minhas segundas-feiras ganharam um ritual.
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