sexta-feira, julho 10, 2009

Singular mais uma vez

Mais um Singular (não tem havido espaço). Notas: outra grande remistura do Fred Falke é a da "Two Weeks" dos Grizzly Bear (acho até que gosto mais do que esta); na "D.O.A." não é um violino, é um clarinete (ou por aí, o som é demasiado parecido com o de um violino mas é claramente de sopro, algo que me escapou quando escrevi o texto com aquilo na memória e devia ter confirmado) e cada vez gosto mais do raio da canção, o texto foi escrito pré-vídeo, e apesar do gozo todo aí pelos blogs, é um vídeo cheio de pinta (e, porra, tem o Harvey Keitel a meio, num cameo totalmente aleatório, e também tem o LeBron James).

The Gossip - Heavy Cross (Fred Falke Remix) Pretty Much Amazing

Agora que já toda a gente percebeu mais ou menos que uma "nova canção" dos Gossip é igual a todas as antigas, é nas remisturas que a coisa aquece. Esta é de Fred Falke, que tem assinado remisturas irrepreensíveis sempre que basicamente põe os dedos nalguma canção. É capaz de ser menos dançável que o original, mas é melhor, mais foleira e mais espacial, com sintetizadores, guitarras e baixos usados num contexto totalmente diferente daquele que surge nos Gossip. É assim que se transforma o banal em sublime.

Jay-Z - D.O.A. (Death of Auto Tune) OnSMASH

Jay-Z proclama a morte do auto tune, o efeito que, usado sob certos parâmetros, transforma as vozes dos cantores em algo quase alienígena. Não que isso signifique muito, mas como nas suas melhores canções, Jay-Z consegue convencer-nos de que o que está a dizer é realmente importante. E sobre um instrumental magistral, com guitarra e violino tirados de um disco de jazz-funk-psicadélico e realmente bem usados. Um épico, e Jay-Z também canta (sem auto-tune infelizmente) para marcar a sua posição, num desafinanço sem a graça dos dois mestres do cantar mal em rap: Biz Markie e Ol' Dirty Bastard.

Táxi - Não sei se sei MySpace

Por um período nos anos 80, os maiores êxitos pop portugueses eram pastiches dos Police. O melhor dos Táxi insere-se nesse contexto. "Não Sei se Sei" é o single que traz os rapazes de "Chiclete" de volta ao activo. E de Police não tem nada (leia-se "Jamaica aqui não entra"). Pop-rock sub-Xutos & Pontapés. Os Táxi nem se vestiam mal nos anos 80, mesmo tirando o desconto de ser os anos 80. Hoje em dia vestem-se terrivelmente mal. E não é só da roupa que se fala.

quarta-feira, julho 08, 2009

Nothing'severgonnastandinmyway(again)

Não consigo pôr aqui, mas eis um novo trailer do Funny People. Porra, Wilco do Summerteeth na banda sonora? Judd Apatow, acho que te amo.

domingo, julho 05, 2009

O bigode

Já não é só coisa para agentes da autoridade, mulheres transmontanas e gente que vive nos anos 70. O bigode está de volta. Por todo o lado. Há meses, a secção de estilo do New York Times declarou este regresso. Brad Pitt aparece de vez em quando com um desde Dezembro e vai aparecer com ele em Inglourious Basterds, o novo filme de Quentin Tarantino. George Clooney também é rapaz para, volta e meia, aparecer aí com um. James Franco tinha um em Milk – onde fazia de homossexual, o que prova que o bigode não escolhe orientações sexuais e por todo o lado se vê homens a deixar de ter medo de usar bigode. Contudo, não é fácil, de todo, é preciso ter coragem. Mas parece estar a formar-se uma geração sem medo do bigode. Será que é desta que o mundo vai mudar?

Em Dezembro decidi deixar de fazer a barba durante uns tempos para deixar crescer um bigode. É complicado deixar um bigode crescer por si só. É até um pouco ridículo. Deixada crescer a barba até um tamanho aceitável e notável de bigode – passei uns meses a explicar a quem me perguntava se estava a deixar crescer a barba outra: "Isto não é uma barba, é um futuro bigode." –, fi-la. E deixei os pêlos por cima do lábio. Não foi a primeira vez, não há-de ser a última. Durou um mês. Esta é a história do meu bigode, um apetrecho tipicamente português que a minha geração, em geral, achou por bem ignorar. Há aquelas vezes em que, ao espelho, se deixa por graça. Quase não passa disso.

É capaz de ser um mal da nossa sociedade. Não há grandes exemplos em termos de bigodes. Algumas pessoas velhas têm um, mas não muitas. Se todos os dias fossem vistas pessoas com bigode na televisão, talvez o nosso país tivesse mais bigodes mais jovens. Existem telenovelas e séries com homens relativamente novos com bigode. Durante alguns anos, o trovador JP Simões envergou orgulhosamente um farto bigode. Ainda o faz de vez em quando. Há uns anos, dizia-me o próprio que corria o risco de deixar de ser um homem para ser um bigode. Isso e começou a ver nele restos de sopa juliana e começaram a crescer lá cogumelos.

Sempre que deixo crescer um bigode, a minha mãe solta um "ai meu Deus!" muito alto cada vez que me vê. As pessoas na rua têm sempre reacções diferentes. Há senhoras de idade que olham para mim e pensam, com nostalgia, nos tempos em que os homens usavam bigode. É um serviço que lhes presto: um jovem com bigode. Uma espécie de máquina do tempo. Mas no meio da rua. E sem terem de pedir. Sem sequer agradecerem. De nada. Sinto alguma cumplicidade nos olhos de taxistas e empregados que também têm bigode. É a maravilhosa partilha do bigode.

É sempre um tema de conversa. Se não há grande assunto a tratar, se a comunicação teima em não sair muito bem, não faz mal. Basta chamar a atenção para o bigode – talvez inserir a expressão "o meu bigode" numa frase ou afagá-lo carinhosamente – para haver logo pano para mangas. É certinho.

Também há, claro, quem não aprove. Muitas mulheres ainda não perceberam o quão especial pode ser um bigode. Colegas de trabalho e até amigos também não. Eventualmente toda a gente se habitua. A pior reacção é aquela de gente que, me conhecendo, diz olá, dá um passou-bem e nem repara no bigode. Essa sim, ofende. Porque mostra que há quem me cumprimente sem me olhar nos olhos.

Nasci em 1986 e não existe muita gente no mundo que tenha nascido na segunda metade dos anos 80 e tenha, ainda hoje, um bigode. Um bigode a sério, sem ser irónico. Toda a gente tem um bigode quando tem 10/11/12 anos, dependendo de quando chega a puberdade, e ainda não descobriu as lâminas de barbear. É um simples "buço", há quem tenha mais, há quem tenha menos. Depois fica mais forte e há uma barba inteira envolvida. E, a não ser que se seja realmente latino, especialmente mexicano – lembrar a personagem Pedro de Napoleon Dynamite ou o protagonista de Wassup Rockers de Larry Clark para perceber que acontece muito manter o buço para a vida inteira –, ou asiático – ver Gran Torino, de Clint Eastwood, com um adolescente e um pós-adolescente com pilosidade facial semelhante – é preciso começar a fazê-la. Ou deixá-la crescer.

Em geral, pessoas com pele mais escura podem usar um bigode sem a sociedade olhar para elas de lado. Eddie Murphy tinha 21 anos em 1982, quando lançou 48 Horas. Nunca ninguém teve tanta pinta. Nem o próprio, que manteve a pinta e piada durante uns anos mas é hoje em dia um farrapo humano. Com ou sem bigode. Colegas brancos de Murphy do Saturday Night Live, anos antes, usavam bigode. Dan Aykroyd e Bill Murray, que viriam a ser grandes estrelas fora daí, eram exemplos disso. Mas corria a década de 70 e um bigode ainda era aceitável em qualquer idade. Murray, por exemplo, tem usado, e bem, o bigode nos últimos anos. Muitos dos papéis da sua mais recente encarnação como homem à beira de uma depressão de meia idade constante são com bigode. Até emprestou a voz a Garfield (no mundo felino não só é aceitável ter bigode como também é obrigatório). Mas há que perceber que este é um homem que já passou a barreira dos 50. A partir dos 50 qualquer bigode é aceitável. Há quem diga que é antes. E é. Mas 50 é a barreira mais segura, se se quiser ter a certeza absoluta.

Normalmente é mais fácil manter apenas um bigode do que uma barba inteira, há quem tenha vários espaços sem pêlos. Ou seja, o bigode é democrático. Pode ser uma experiência partilhada. Todos os homens podem ter um. Mais pequeno, maior, menos grosso, mais cuidado, mais selvagem. Há-os para todos os gostos. Farfalhudos. Fininhos. Grossos. Selvagens. Aparados ao mais ínfimo pormenor. À jogador da bola. À treinador da bola. À Clark Gable. À Lemmy dos Motörhead (funciona melhor com um sinal grande na cara). Há para todos os gostos. Só há, porventura, um que não é, em caso algum, aceitável. É o "Hitler". Um senhor chamado Adolfo estragou-o para sempre (consta que antes era bastante popular). Há quem tenha de fazer Hitler em peças ou filmes, mas é recomendável adiar a vida social durante uns tempos nessa altura. Só casa-trabalho e trabalho-casa, da forma mais escondida e menos pública possível.

Acima de tudo, ter e especialmente manter um bigode é uma questão de atitude. Nada mais que isso. É conseguir transmitir, através de uma expressão facial, a pergunta "sim, eu tenho um bigode, deixei crescer isto, não vai sair daqui, tens algum problema com isso?" É ser convincente. Não se pode desesperar ao primeiro sinal de resistência da parte das pessoas. É preciso ir em frente. Remar contra a maré. Saber que é algo masculino (e, nalguns casos, feminino). Que faz parte de todos nós. Basta acreditar nele, por mais forte ou fraco que seja.

Nota: Às vezes tenho ideias estúpidas. No início do ano deixei crescer uma barba com apenas um objectivo em mente: fazê-la e deixar o bigode. Esperei um mês, hoje em dia arrependo-me e acho que devia ter esperado dois meses (o bigode é muito mais consistente). Deixei-o ficar um mês, também. Será que tenho uma obsessão pouco saudável com pilosidade facial? Na altura escrevi este texto. Não foi publicado em lado nenhum (eu bem tentei, ninguém o quis, vá-se lá saber por quê). Mas decidi publicá-lo aqui. É muito, muito estúpido, como o era o próprio bigode, apesar do registo menos livre que o que uso aqui normalmente. Prometo que um dia ganho coragem e experimento usar um bigode à Hitler durante uma semana. Depois escrevo sobre isso, se a experiência não resultar no meu homicídio.


quarta-feira, julho 01, 2009

RAAAAAAAAAAAAAAANDY

O site do Randy, a personagem do Aziz Ansari no Funny People do Judd Apatow, é magnífico. Continuo a dizer que alguma parte dele é baseada no Dane Cook (pior de sempre) e por isso ainda me rio mais com ele. Um douchebag dos maiores que há. E há vídeos dele. Magníficos. O primeiro stand-up comedian de sempre a ter um DJ/hypeman. RAAAAAAAAAAAAAAANDY.

sexta-feira, junho 26, 2009

Unfuckwithable

Nos anos 80 esta expressão aplicava-se a duas pessoas. Michael Jackson e Eddie Murphy. O último gozava com o primeiro no épico Delirious (obra-prima que este ano comemora 25 anos, apesar de ter 26; o fato de cabedal vermelho, porra), quando iniciou a moda de dizer "talvez aquele gajo não seja propriamente o tipo mais másculo do mundo." Depois ficaram os dois amigos. E depois perderam-se (será que teve alguma coisa a ver?). Os dois. Um deles morreu. Espero que o outro não. Porque sentia que ainda havia um regresso dentro dele. Algo que podia fazer do mundo um sítio melhor (não confundir com "heal the world, make it a better place"). Que voltasse a torná-lo unfuckwithable. Intocável. Fica a esperança que o outro regresse um dia ao nível. Vá lá, Eddie, pelo Michael.

quinta-feira, junho 18, 2009

Hey, everybody! It's Bob and David!

Excerto de uma entrevista de Bob Odenkirk e David Cross:

BO: I’m sorry we dicked around so much, but David and I can’t help ourselves. We’ve done so many interviews. The minute you get serious, you just feel embarrassed. When you asked if we were gonna work together in the future, what could we say? There has to be a buyer who wants us. And as much as we have fans, clearly nobody likes us well enough to make a show with us. They’ll all have a meeting with us, but even HBO doesn’t want to have a show with us.

D: You guys have another show idea?

BO: Yeah, we do, actually. We pitched it. We went to Showtime and HBO. It’s a progression of Mr. Show. When we wrote Mr. Show, we would write sketches and then we would link them up. We wrote sketches that came out of a sense of story. So we want to do that show now. It would still be like Mr. Show, but the sketches wouldn’t be constructed separate from each other. It would be a fundamentally different show because of that.

D: So you pitched it around?

BO: We did, and basically everyone said, “Oh, we don’t have any money right now. Come back next year.” It’s always been this way. It’s always been difficult for us because we have fans. We even have fans at networks—at HBO and Showtime—but it’s just not good enough. I think the hard part is the bosses at those networks have never been fans of ours. They’ve never really watched us or known who we were or given a shit. So the problem is even if the lower-level executives like you, they can’t order shows. They just act like they can.
I’m pitching a show that’s just for me, and you would think, "Wouldn’t that be even harder to make happen because you don’t even have David with you?" But actually it’s got a real strong idea to it, and I think it’s actually easier to make happen.


É um mundo em dois g-é-n-i-o-s não conseguem o seu próprio programa de televisão. Perde-se tanto. Tanto.

quarta-feira, junho 17, 2009

Singular outra vez

Acabadinho de fazer mais um que só sai para a semana (e que, por isso, só aparece aqui daqui a duas semanas), aqui fica o da semana passada que deixa hoje de estar nas bancas:

Miike Snow - Animal Spinner

"Toxic", de Britney Spears, é sem dúvida uma das melhores canções dos anos 2000. Até os detractores de Britney e da (sua) pop admitem que há ali algo de muito especial. Muita da culpa disso é da dupla Bloodshy & Avant que a produziu. Que agora, com Andrew Wyatt, perfazem os Miike Snow. "Animal" só é possível num mundo pós-Vampire Weekend, onde um balanço jamaicano não é vergonha na pop. É um pouco Police, sem um lado tão rock (e sem uma banda propriamente dita), mais sueco e mais actual.

Dizzee Rascal e Armand Van Helden - Bonkers YouTube

É mais um número para Dizzee Rascal, o menino-prodígio do grime que só no ano passado chegou ao top britânico. Na altura foi "Dance Wiv Me", com Calvin Harris a seu lado – tema excelente que os puristas continuam a injustiçar. Agora é Armand Van Helden, o maior hip-hopper do mundo da house, que o ajuda a criar um êxito. Numa época em que a distorção e a compressão francesa são o novo rock'n'roll (via Justice e quejandos), "Bonkers", com o toque particular de Van Helden, fica mesmo em casa. Rascal, como sempre, cospe fogo por cima da batida.

DJ Ride - Beat Journey YouTube

"Beat Journey" é a espécie de single tirado do EP com o mesmo nome que saiu pela Optimus Discos. Com relativa calma, junta uma linha de baixo pungente, dezenas de batidas diferentes, samples de vozes, sirenes, sintetizadores dos anos 80 e chocalhos como se se tratasse de "Peter Piper" dos Run DMC. E é um exercício de corte e colagem (com elementos originais) digno de um DJ Shadow. Ou não fosse DJ Ride – apesar da insistência no drum'n'bass – um dos mais excitantes produtores/DJs de hip-hop português a aparecer por aí recentemente.

segunda-feira, junho 15, 2009

Gostar de bandas de amigos é estúpido

Só que a banda nova do Afonso é fenomenal (e a barba do Salvador, que não está no seu esplendor máximo naquelas fotografias, é magistral). You Can't Win, Charlie Brown. O que me impressiona ainda mais é a pura força da natureza que é a imitação do Tom Waits que ele consegue fazer, algo que me deixa boquiaberto e, infelizmente, não parece estar gravado. E gostei do que o Luís tocou no Portugal no Coração. Se eles me perguntarem, claro, não gosto de nada disto. Porque gostar de bandas de amigos não é nada fixe.

E já que estou nisto...

É delicioso estar à espera no metro e ver a cara do Zach Galifianakis em cartazes do Hangover. Enche-me de orgulho, o meu menino. Será que ficou finalmente uma estrela propriamente dita?

Senhor do Adeus

Alguém tem estado a ler com atenção o que o João Manuel Serra diz sobre os filmes que vai ver ao domingo ao Monumental? O Senhor do Adeus é o melhor blogue de todo o sempre neste preciso momento.

Dana Carvey e Robert Smigel

Duas pessoas incríveis falam sobre o falhado Dana Carvey Show, um dos programas de televisão mais importantes dos últimos 15 anos (e, basicamente, uma das equipas de argumentistas mais talentosa alguma vez reunida: Robert Smigel, Louis C.K., Charlie Kaufman, Steve Carell, Stephen Colbert, etc.). É no AV Club do Onion, o único sítio do mundo que satisfaz a minha necessidade semanal de ler heróis a falar sobre a maneira como caminham entre a inteligência e a estupidez.

Singular

Quando a Time Out começou havia uma rubrica semanal chamada Singular sobre singles e canções avulsas. Desapareceu, mas agora voltou. Como os textos não aparecem no site da revista, decidi publicar aqui os que sou eu a escrever. É algo que me dá imenso gozo. A edição que ainda está nas bancas fala de Miike Snow, Dizzee Rascal com Armand Van Helden e de DJ Ride (só malhas). Comprem, comprem.

Edição de 3 de Junho:

Modest Mouse - Satellite Skin MySpace

"Satellite Skin", o primeiro single do próximo EP dos Modest Mouse, não é um êxito à medida das rádios como era "Float On" há cinco anos. Não há refrão propriamente dito – além de um riff de guitarra com uma voz a falar lá atrás – pára a meio e Isaac Brock, o vocalista, não se cansa de estar chateado (a voz dele é sempre assim). A guitarra, apesar de Johnny Marr dos Smiths ser membro da banda, podia ter sido tirada da fase mais indie dos Blur. Não trará fãs, mas os Modest Mouse continuam no nível que fez deles uma das bandas rock mais estranhas a entrar no mainstream nesta década.

Yeah Yeah Yeahs - Zero (RAC Mix) RCRD LBL

Há várias remisturas de "Zero" dos Yeah Yeah Yeahs. Uma delas, dos Animal Collective, falha redondamente. Transforma esta canção perfeita para festas dançantes de adolescentes – não é à toa que já apareceu num episódio de Gossip Girl – numa canção aborrecida. Mas esta, dos RAC – Remix Artist Collective, um grupo liderado por um português radicado nos Estados Unidos – torna-a ainda mais anos 80 – mas pouco nostálgica – sem estragar a essência.

Orelha Negra - LORD MySpace

Os Orelha Negra juntam Sam The Kid a membros dos Spaceboys e dos Yellow W Van. Não que se saiba ao olhar para o MySpace deles. Só existe uma fotografia: os corpos dos músicos servem de extensão a capas de vinil com as caras de Marvin Gaye, Damon Harris, Paulo de Carvalho, Roberto Carlos e Madlib. "LORD" mostra uma banda onde não se sabe onde acabam os samples e começam os músicos. As vozes e o piano são samplados (?) de música negra, mas há uma guitarra surf/rock'n'roll e um órgão que vêm de outro lado. Promete.

27 de Maio:

Major Lazer - Hold the Line MySpace

Supostamente, Major Lazer não é o projecto de dancehall de Switch e Diplo – "os produtores de M.I.A.", apesar de serem muito mais que isso. É, sim, um soldado jamaicano sem braços (mas são eles). "Hold the Line" é o seu primeiro single e conta com uma guitarra surf rock quase ao estilo de "Misirlou", a voz de Santigold e Mr. Lexx, muito pouca percussão, telemóveis a vibrar e vozes quase robotizadas. Simples e muito, mas muito eficaz.

Rye Rye feat. M.I.A. - Bang (WTF I asked for a kuduro remix by Buraka Som Sistema) Mad Decent

A adolescente Rye Rye é uma protegida de M.I.A.. Não é uma grande rapper, mas tem garra e a voz dela não é má de todo a dizer palavras de ordem. A Mad Decent, editora de Diplo, pediu aos Buraka Som Sistema – os americanos e a blogosfera não se cansam deles – uma remistura de "Bang", o seu primeiro single. Só que não lhe puseram kuduro em cima (daí o nome): usam sirenes, pistolas e outros efeitos de festa por cima de várias batidas que remetem para muitos géneros de música de dança – uma delas parte do "amen break", a base do drum'n'bass e de muito hip-hop.

Clipse feat. Kanye West - Kinda Like a Big Deal Re-Up Gang Records

Uma mudança de ares para os manos Thornton, o duo conhecido como Clipse. Não há as histórias complexas da vida e da venda de droga no gueto, nem os instrumentais completamente fora (e mágicos) dos Neptunes (a produção é de DJ Khalil). Aqui gabam-se de poder gastar dinheiro à grande e à francesa durante a recessão por cima de um riff de guitarra. Kanye West dá uma perninha e está à altura dos irmãos. É tudo (uma boa) mentira, provavelmente: os Clipse não vendem realmente droga, não vendem discos e não têm um êxito desde 2002.

quinta-feira, junho 04, 2009

Barbas

Também tenho um blog sobre barbas, algo que sempre foi um fascínio meu. Agora ainda mais, que voltei a deixar crescer uma. Ainda não está ao nível da do Zach Galifianakis (por falar nisso, a Esquire entrevistou-o), mas já impõe respeito. É ver quanto tempo aguento com ela.

quinta-feira, maio 21, 2009

A voz de Will Ferrell

Não há nada mais especial no mundo do que quando Will Ferrell canta. Cantou Billy Joel no final da 34ª temporada do Saturday Night Live, com toda a gente e mais alguma ao lado dele (Paul Rudd? Artie Lange? Norm Macdonald? Amy Poehler? Anne Hathaway? Maya Rudolph? Elisabeth Moss?) e foi magnífico. A cantar Alicia Keys também rende bastante. Mas o melhor momento de toda a carreira musical de Will Ferrell é este:



A voz de ouro, a forma como ele canta e tudo fica bem. O irmão dele deixa de ser um douchebag, o mundo fica um sítio melhor. O Will Ferrell devia cantar todos os dias na televisão. O mundo seria um sítio melhor, sem dúvida. O que eu não percebo é que o Adam McKay diz que o Will Ferrell ia cantar no final do American Idol e afinal não cantou. O que é muito, muito triste. Faria do American Idol um programa melhor.

terça-feira, maio 19, 2009

Jane Lynch

"Random Roles", do AV Club do The Onion, com a grande Jane Lynch. Que é o elo de ligação entre muitos dos grupos de gente cómica que mais interessa na televisão e cinema hoje em dia: a trupe de Christopher Guest, a malta do The State, a crew do Judd Apatow, os amigos do Will Ferrell e do Adam McKay e tudo o que há no meio. O que inclui o Party Down, a melhor série cómica nova do ano. (a par do East Bound & Down). Que também anda à volta de elos de ligação entre esta gente toda. Adam Scott, que é um actor com alcance: tanto pode ser o maior douchebag do mundo – tão douchy que até é fã do Dane Cook – a fazer de irmão do Will Ferrell no Step Brothers como pode ser um perdedor porreiro no Party Down, um actor acabado cujo único feito na carreira é ter feito um anúncio com uma catchphrase manhosa (dois extremos que geralmente ficam muito bem em comédia). Paul Rudd, que aprendeu a ter piada com a malta do The State e faz parte da crew Apatow, co-criou-a. Tem o Martin Starr, que cresceu no Freaks and Geeks (um dos maiores marcos televisivos dos últimos dez anos) do Apatow, o Ken Marino, do The State e um gajo loiro que vai aparecer no spin-off do Gossip Girl. E a Lizzy Kaplan, que junta esta malta toda à Tina Fey por ter aparecido no Mean Girls. Mas a Jane Lynch é quem mais interessa, uma máquina cómica (geralmente de improviso, aqui diz não ser bem assim) sem paralelo, uma espécie de Fred Willard no feminino e com menos 20 anos (assustador: ele faz setenta anos este ano). O que é uma comparação altamente válida, do bom (a quantidade de projectos cómicos bons em que se mete) ao mau (a quantidade de coisas banais, medíocres ou mesmo más a que consegue dar um bocado de dignidade).

quinta-feira, maio 14, 2009

O fim

Da quinta temporada do Lost. Foda-se. Hoje é a vez da terceira temporada do 30 Rock. Alan Alda outra vez (soberbo), Elvis Costello e Talib Kweli? É assim que se mantém um curriculum invejável e imaculado como a melhor série cómica – chamar-lhe "sitcom" é redutor – da actualidade (e só não é da década por causa do patamar em que está o Arrested Development, se bem que arrisco dizer que o 30 Rock chegou ao nível AD nesta temporada e só o final da década é que decidirá qual das duas é melhor, se bem que a melhor solução é apenas ficarmos todos muito contentes por termos estado vivos ao mesmo tempo que duas séries destas estavam a ser feitas e por podermos vê-las e contar aos nossos netos que estivemos lá mesmo que não tenhamos estado lá).

segunda-feira, maio 11, 2009

Não me calo com o Aziz Ansari, bem sei. E, por falar nisso, este vídeo dele no Jimmy Kimmel é incrível. É esperar que fique ainda maior e comece a fazer a ronda pelos outros talk shows. Temos convidado. E o Zach Galifianakis, um velho favorito meu, também parece estar a ter um ano do caraças. Merecidamente. É o novo episódio do Between Two Ferns com a Natalie Portman, é o New York Times a dizer que ele rouba o The Hangover, é uma entrevista com ele no blog da Vanity Fair, é tudo. Mas um homem tão bonito merece muito mais.
É por isso que vou voltar a homenageá-lo. É oficial: estou a deixar crescer uma barba à Zach Galifianakis. Uma barba fofinha, querida, grande, simpática, pouco agressiva, carismática, cheia de personalidade e inofensiva. Mas que me possibilite dizer "I look like Fat Jesus". Depois de anos a fazer filmes bastante maus e séries ainda piores – como aquela com a Eliza Dushku em que ela fala com mortos ou vai atrás no tempo salvá-los ou lá o que é, nunca percebi bem porque também há uma parecida com a Jennifer Love Hewitt que é igualmente horrível e confundo as duas na minha cabeça porque há informação bem mais interessante para reter do que a diferença entre uma série e a outra –, e de até ter tido um talk show no VH1, o mundo parece estar a começar a apreciá-lo devidamente.
Chama-se The Hangover e é o novo filme do Todd Phillips – um tipo cuja trajectória de carreira é incrível: começou com um documentário sobre o G.G. Allin e realizou o Road Trip (mau) e o Old School bom). Os trailer são incríveis. Estão aqui e aqui. É bom saber que ainda não foram esgotadas as possibilidades cómicas da melhor canção do Phil Collins (para parafrasear o Alec Baldwin, tenho dois ouvidos e um coração, logo gosto do Phil Collins). E que basicamente Hollywood anda a copiar os meus sonhos: o Mike Tyson a dar um murro no Zach Galifianakis ao som de Phil Collins? Zach Galifianakis com um bebé? Ed Helms com óculos outra vez (aqueles olhos esbugalhados ficam assustadores sem óculos)? A consagração merecida de um génio (ninguém grita agressivamente como o Galifianakis)?
E isto. Volto sempre a isto.

sexta-feira, maio 08, 2009

Meta-comédia

As minhas catchphrases favoritas:

"I wanna dip my balls in it!" - Ken Marino, The State
"Hey, wha' happened?" – Fred Willard, A Mighty Wind
"Are you 'avin a laugh?" – Ricky Gervais, Extras
"Are we having fun yet?" – Adam Scott, Party Down
"That's a dealbreaker, ladies!" – Jane Krakowski, 30 Rock

Péssimas, sim, mas com mil vezes mais piada que qualquer catchphrase nojenta de série de qualidade duvidosa. Sim, estou a apontar para ti, Catherine Tate, e o teu "Am I Bovvered?", para os idiotas do Little Britain (maior desperdício de talento de sempre?) e para milhares de outras pessoas que caem no erro de achar que a simples repetição de uma expressão idiota é igual a riso.

quinta-feira, abril 23, 2009

Oswalt e Statham

O Patton Oswalt teve a primeira filha dele na quinta-feira passada, o que fez com que só tivesse tempo para ver o Crank: High Voltage na terça-feira. É o melhor texto que li este ano, a par do já clássico "Gay-tham for Statham" ("I’m sure you’ve read my earlier blog entry, GAY-THAM FOR STATHAM. It’s been added to a lot of standardized American textbooks, and President Obama is having it added to the Preamble.") do mesmo autor. Um homem brilhante. B-r-i-l-h-a-n-t-e.

segunda-feira, abril 13, 2009

Aziz Ansari

O Parks and Recreation não é brilhante, mas vale sobretudo pela Amy Poehler, pelo Aziz Ansari e pela Rashida Jones. A milhas do The Office americano, claro, que nesta temporada já esteve bastante mau e voltou a estar óptimo (e andam a explorar a parceria Ed Helms/Rainn Wilson incrivelmente bem, a sério, o Ed Helms toca banjo, é uma espécie de novo Steve Martin), mas bom. O Aziz Ansari é um superherói e a prova provada de que a geração reality shows/falta de concentração/redes sociais pode criar um génio. Um bocado como o caso Bruno Aleixo junta a portugalidade à influência que anos 90, especialmente televisivos e radiofónicos, tinham do Brasil e dos filmes e dos jogos de vídeo estrangeiros. Não me canso de dizê-lo. Tipos altamente inteligente que pegam em tudo o que é aparentemente mau e fazem magia. E com tanta piada que dói. Se no primeiro dia de 2010 o mundo olhar para trás para 2009 e não pensar no Aziz Ansari, demito-me.

segunda-feira, março 30, 2009

Festival Alternativo da Canção

Era uma óptima ideia e a execução foi ainda melhor.
Nem todas as canções eram boas. O Jel venceu e continua a não ter piada. E a coisa toda do cantautor de intervenção não tinha piada originalmente. Tem ainda menos. Mas a corda continua a ser esticada. Bem, ao menos não há "tiriri" para irritar ninguém. E a canção não é assim tão . Daquelas todas é a melhor para tocar nas escadas de Moscovo.
A cerimónia foi incrível. Antes de começar vi o Armando Gama – cantou cinco canções – a estacionar o carro. Não chegou com a Valentina Torres. "Querida, conseguiste arranjar lugar?" Eles falam mesmo assim entre eles. Pensavam que ninguém estava a ouvir. Mas eu estava. Ele tinha um fato branco. Vi-o na casa-de-banho mesmo antes de entrar em palco. Foi um momento magnífico.
O grande serviço que o Fernando Alvim fez ao Festival da Canção não foi só pôr Portugal a ganhar um. Não. Foi pôr Portugal a ter um outra vez. E foi também dar àquela gente – Eládio Clímaco, Serenella Andrade, Armando Gama, Valentina Torres, Helena Coelho, etc. – a oportunidade de regressar ao Festival da Canção, que não existe há anos. E eles foram feitos para ele. Pode ser uma piada para os outros, com nostalgia e RTP Memória pelo meio. Mas para eles é meio a brincar e meio a sério. A genuína felicidade que tinham nos olhos e sorrisos deles é impagável.
Deliberadamente, a cerimónia estava cheia de falhas. A Serenella e o Eládio tropeçavam nos fios, era preciso encher chouriços – "como dizemos na televisão", dizia o Eládio num improviso sobre montar um piano para o Armando Gama tocar duas canções, uma delas era "Let it be" dos Beatles –, o modo de votação do júri não estava bem decidido – ver um B. Fachada irado a chamar o Alvim à razão ou uma Helena Coelho completamente bêbeda a não querer sair do palco enquanto não fosse feita a sua vontade foram momentos muito estranhos – e houve problemas no som – instrumentos não davam, faixas pré-gravadas começavam do início, etc.
Isso contribuiu muito para o sucesso da coisa. Que teve imensa piada. Ou, pelo menos, que me fez rir. Não pelos textos a puxar à piada que os apresentadores liam. Pelos concorrentes. Do tipo assustador a cantar sobre o Natal dos Hospitais ao miúdo a cantar uma canção de amor a cappella – levou o prémio de consolação. Pelo ambiente. Pela coisa toda. Pelos que levavam a sério. Pelos que não levavam. Por dar vida àquela gente. Um pouco como o The Wrestler e o East Bound and Down. Por, naquela noite, fazer muita gente que vive e respira o Festival da Canção feliz. Porque ele já não existe e, durante umas horas, foi como se existisse.
E a cara de Fernando Alvim, pelo meio, como uma criança que pensavam "eu tive uma ideia e deixaram-me fazer e isto e aqui estamos, não posso acreditar." Agora é esperar para ver o Tozé Brito – que não se mostrou lá muito entusiasmado durante a cerimónia – no topo da Estátua do Marquês.

quinta-feira, março 19, 2009

Polar beto



Pronto, chegou a legitimação do polar vermelho à beto (e uma malha que me ficou na cabeça desde as duas vezes que os vi – e não gostei).

sexta-feira, março 13, 2009

Um dia menos bom

É chegar a casa e o Aziz Ansari não ter escrito nada no Tumblr nem no Twitter. Onde raio é que eu vou ler pérolas como "HOW MANY GOD DAMN TIMES DO I HAVE TO SAY THIS?? NO ANIL KAPOOR I DON'T WANT TO DO A BUDDY COP MOVIE WITH YOU!"?

Aziz, 'Ye e TMZ

O Aziz Ansari arranjou a forma mais genial de promover o Parks and Recreation, que estreia dia 9 de Abril e vai ser uma série incrível (é com a Amy Poehler e a Rashida Jones, não preciso de dizer mais nada). Estava com o Kanye West – a amizade deles intriga-me, como é que será que o 'Ye reage ao que o Aziz dizia dele há três anos nos espectáculos? – e chegou um tipo do TMZ com uma câmara e um membro da entourage do 'Ye mandou o tipo para o caraças e o Aziz aproveitou para falar da série. Ver aqui, marketing do melhor que há. É giro ver como os tipos do Late Night with Jimmy Fallon tentam vender aquilo como uma coisa virada para a internet e as novas tecnologias e os blogs e os Twitters e o Facebook e os viral videos e o caraças, mas essa linguagem toda foi dominada pelos tipos do Human Giant – com o Ansari à cabeça – há dois anos. Claro que não era um talk show e não foram os primeiros, mas fazer comédia e aproveitar essa linguagem – e os reality shows em que o Fallon insiste – neles funciona melhor que no Fallon – que até se está a dar não muito mal. E cada um deles continua a ser invariavelmente genial em cada um dos seus Tumblrs. Além disso, como se vê, o Aziz arranjou finalmente um uso decente para o TMZ. Melhor. Uso. Da. Internet. De. Sempre.

East Bound and Down parte 2

Kenny "Fucking" Powers ainda se acha o maior. Não o é, de todo. Acha que tem o mundo na palma da mão. E não tem. As camisas pretas que usa serão um dia lendárias. E quando descobrir que não é o maior e que já não dá para voltar atrás vai ficar muito triste. O rumo que a série vai tomar só pode ser bom.

Flight of the Conchords

Quando o Michel Gondry conheceu os Flight of the Conchords, o resultado foi a melhor canção deles (e o melhor vídeo). A segunda temporada tem mais dinheiro e meios, mas ainda não tinha dado nenhuma canção que se comparasse às da primeira temporada. Há um mês deu, com isto. Acho que nunca me vou fartar da canção, fica como um dos melhores momentos de comédia da década (é curioso que alguns dos meus momentos favoritos de comédia da década sejam musicais: "I Ran" dos Lonely Island, o David Bowie no Extras, "Free Love on the Freelove Freeway", os problemas do Zach Galifianakis com as mulheres, etc.). "Oh we can eat cereal." A série influenciou-me bastante, pessoalmente. Descobri que adoro o sotaque neo-zelandês acima de qualquer outro. Há umas semanas entrevistei um dos Datsuns e inventei perguntas sobre os próprios Flight of the Conchords só para poder ouvir mais um bocado daquele sotaque. Não é todos os dias que se interage com ele, infelizmente. Orgulho-me de viver num mundo em que há Flight of the Conchords, 30 Rock – que chegou ao patamar de excelência, pelo menos desta década, que era o Arrested Development – e The Office – voltou a ser bom. East Bound and Down não conta, só tem seis episódios, apesar de eu fazer figas para mais seis e um especial de natal, a fórmula Ricky Gervais.

The Wrestler/East Bound and Down

Dois reversos da mesma moeda. O ecrã fica preto e o Boss começa a cantar "Have you ever seen a one trick pony in the field so happy and free? If you've ever seen a one trick pony you've seen me." Está feito. Envelhecer, só saber fazer uma coisa na vida, não ter mais nenhum lado para onde se virar. Tudo. O East Bound and Down também é assim. Só que em comédia – e o The Wrestlerescolhe não ser uma comédia: foi escrito por um escriba do The Onion e tem o Todd Barry e o Judah Friedlander em papéis sérios. Com episódios realizados pelo David Gordon Green. O Danny McBride é Kenny "Fucking" Powers, uma estrela do basebol que se meteu na cocaína e engordou e nunca mais vai voltar a ser o mesmo. E digo "é" não numa de sinopse da série, mas sim porque ele é mesmo o gajo. Dedicação a um papel? Danny McBride tem-la para dar e vender: usa uma mullet (em português diz-se "roulotte") incrível. Como é que ele anda na rua assim? O cabelo dele no Tropic Thunder e no Pinapple Express também não é brilhante, mas não é uma roloutte. No outro dia vi o Valkyrie e pensei como seria a vida social do tipo que fez de Hitler enquanto estava a rodar o filme. Não saía de casa? Não falava com ninguém? Imaginei que ele tinha de tirar o bilhete de identidade outra vez e tinha de ser fotografado. Ser o Hitler no B.I. deve ser terrível. Voltando ao assunto, a história da série é boa, está bem escrita e tem piada para dar e vender, o McBride é dos melhores rednecks que já vi, em cada três palavras uma delas é um palavrão, um tipo egocêntrico, narcisista, que já não é o que era e nunca voltará a ser mas tenta a todo o custo sê-lo, o que provoca nas pessoas uma mistura de tristeza e riso. O Will Ferrell anda lá metido e um dos criadores/realizadores da série, o Jody Hill, tem um filme, o Observe and Report, aí preparado. Supostamente é o Taxi Driver da comédia. Tem o Seth Rogen e vai até onde nunca se pensou que esta gente iria. Quem escreve bem sobre estas coisas – e tudo – é o Patton Oswalt. Aqui. De textos como este à reapreciação crítica de Punisher: War Zone ou da carreira do Jason Statham, passando pelas participações dele em tudo o que mexe (partia sempre o Conan ao meio, a voz dele no Ratatouille, etc.) e pelos discos de stand-up, sem esquecer a série Comedians of Comedy, um dos maiores que já houve. Sem dúvida alguma.

I Love You, Man

E o I Love You, Man vai ou não vai ser incrível? Exactamente quando é que o Paul Rudd deixou de ser uma espécie de punchline sobre os anos 90 – por causa de filmes como o Clueless – e passou a ser universalmente respeitado como um génio da comédia? Esta semana esteve no David Letterman e no Jon Stewart e foi brilhante. Não há ninguém que não goste dele, no mundo em geral. Todos os homens querem ser como ele e todas as mulheres querem tê-lo. E tem sempre piada. Em qualquer coisa que faça. O I Love You, Man não só tem um elenco bestial – também tem o Aziz Ansari, além da Rashida Jones, o J.K. Simmons, o Andy Samberg, a Jane Curtin e o Jon Favreau, só assim de cabeça –, como tem o Jason Segel, que merece todo o amor que alguém lhe possa dar e ainda mais. Não existe ninguém, no mundo inteiro, com a capacidade de auto-humilhação dele. Nem é pela cena inicial do Forgetting Sarah Marshall – genial –, é por tudo. É no Freaks and Geeks, quando ele está apaixonado, escreve uma canção, canta "Lady" dos Styx, toca (mal) bateria numa canção dos Cream, dança disco, tudo. E no Undeclared, onde é um namorado/ex-namorado completamente obcecado. Ninguém, mas ninguém, no mundo inteiro, é como ele. Gostava que aproveitassem mais essa faceta dele no How I Met Your Mother. E no I Love You, Man ele tem uma espécie de sala de música, uma garagem, ou lá o que é, pelo que dá para ver dos bocadinhos que têm aparecido por aí. É quase como se ele estivesse a voltar a ser o puto do Freaks and Geeks. E isso, meninas e meninos, é das melhores coisas que podiam acontecer ao mundo.

Chuck Lorre

E por falar em ódios, existe alguém no mundo pior que o Chuck Lorre? Anteontem na Variety vinham vários artigos sobre ele. Num deles, o Charlie Sheen – estrela da inenarravelmente má sitcom Two and a Half Men e utilizador de algumas das piores camisas jamais criadas – dizia do Lorre:

"I think he has an absolute and total focus on passion, and I think that's fueled by his never-ending quest to not settle, to deliver things that are unique, that are original, because he's the first to tell you that there's enough crap on television and, without specifying, we can either contribute to that side of it or make an effort to do something much different."

Para dizer o óbvio: ELES CONTRIBUEM PARA ESSE LADO DA MERDA NA TELEVISÃO! E o Big Bang Theory também é horrível. Achar piada àquilo é nunca ter ouvido aquelas piadas antes, ou seja, é não estar vivo. Humor banal, sem imaginação, sem ideias novas, sem risco, sem nada. Tão mau que chega a ofender. Quando era mais novo até gostava do Dharma & Greg, não sinto qualquer ódio em relação àquilo, ainda há pouco tempo passava na SIC Mulher e via de vez em quando. Com o gosto de quem vê uma sitcom não muito boa, mas que tem gente que se safa – os pais de ambos, os amigos deles, as estrelas convidadas, etc. Nada de brilhante, nada de especial, mas não era ofensivo. As duas séries que o gajo tem hoje em dia são terríveis. Do pior que se faz por aí. Seria interessante ver mais gente a odiá-las. De morte. Ele é um dos maiores embustes da televisão moderna. Desculpá-lo só porque as vanity cards do final dos episódios até têm alguma piada na onda ele-não-pensa-antes-de-escrever-deixa-aquilo-correr e não-acredito-que-ele-escreveu-aquilo-na-televisão é ajudar a perpetuar o lixo.

Funny People parte 2

Aziz Ansari, o meu herói, faz de Randy. O Randy é uma espécie de Dane Cook. Dá para ver aqui. Adoro que se odeie o Dane Cook, alguém para quem a expressão "douchebag" foi inventada. O irmão douchey do Will Ferrell no Step Brothers diz "Dane Cook. Pay-per-view. 20 minutes..." à mulher para ela se despachar. O Zach Galifianakis acaba actuações com a última folha do bloco de notas a dizer "fuck Dane Cook". O mundo é sítio bom onde pessoas boas odeiam pessoas más. Não percebo onde é que o Dan in Real Life entra nisso, junta o Steve Carell, alguém do mundo Apatow, ao Cook, alguém do mundo merda. Espero que tenha sido pelo dinheiro. De qualquer forma, espero que o Funny People incite ainda mais ao ódio do tipo.

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Alec

A voz do Alec Baldwin é a melhor voz que existe na natureza. Que o ponto alto do mundo todas as semanas chama-se 30 Rock devia ser percebido e aceite por toda a gente. No outro dia estava a dar um documentário sobre animais ou lá o que era na televisão e era narrado por ele, não prestei atenção nenhuma ao que ele dizia, mas podia ter ficado a vida inteira a ouvir o Alec Baldwin dizê-lo.

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Boas notícias

O Michael Cera quer fazer o filme do Arrested Development. Era o elo que faltava. Venha ele. O Andy Richter vai voltar para o Conan. Óptimo.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Funny People


Vai ser, obviamente, um acontecimento. O terceiro filme do Judd Apatow e um pouco mais sério que o resto, com um elenco só de gente grande (além da malta que aparece aqui, há o Aziz Ansari e o RZA, tenho quase a certeza de que se alguma vez fizesse um filme essas duas pessoas teriam de aparecer de alguma forma, nem que fosse sob a forma de uma fotografia escondida ou algo parecido). Porque ninguém me diz tanto quanto o Judd Apatow. Ninguém.

Óscares

Comentadores da TVI: se não sabem quem é que o Ben Stiller estava a imitar, demitam-se. Não fazem ideia do que é que estão a fazer ali. Toda a gente vos odeia. São incompetentes. Demitam-se. É mais fácil do que serem despedidos. Pelo menos admitem que são péssimos. Vocês não têm amigos? Se são vossos amigos a sério têm a obrigação de vos dizer: "Por favor parem." Não estranham que quando lhes perguntam se gostaram dos vossos comentários eles façam um silêncio desconfortável? Desapareçam. E levem convosco o Hugh Jackman. P-i-o-r d-e s-e-m-p-r-e. O Steve Martin disse menos de 10 frases e pôs-me a rebolar no chão a rir. E, já agora, o Ben Stiller estava a imitar o Joaquin Phoenix.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Conan

Sexta-feira vai para o ar o último episódio do Late Night with Conan O'Brien e não há maneira de não me sentir triste por isso. Apesar de prometerem que não, aquilo vai ser muito diferente na Califórnia. Uma hora antes, público novo, a cadeira do Carson e do Leno, a distância geográfica do Abe Vigoda e do James Lipton – sejamos francos, ele também vale muito lá e, sim, eu vi o episódio do Inside the Actors Studio com o Conan e quase chorei –, ou mesmo do Alec Baldwin – que diz que não vai até lá, até chamaram o Paulie Walnuts para matá-lo –, a falta de personagens e momentos irrelevantes de piadas inúteis que não se podem fazer naquele horário, convidados que têm de ser mais mediáticos, etc. É impossível não mudar.
Como – ainda mais – miúdo, há uns anos, a apanhar aquele senhor estranho na TV Cabo, ao lado daquele tipo meio gordo que agora já não está lá, o Late Night foi fulcral na formação do meu sentido de humor. Ensinou-me a inteligência da estupidez, do completamente irrelevante, idiota e a importância do não fazer sentido nenhum. Da classe e do estilo enquanto se faz isso.
Em 2001, com o advento da SIC Radical, apanhei dois programas que, de um modo ou de outro, mudaram completamente a minha vida, ou, no mínimo, a minha forma de ver certas coisas. Um era o Freaks and Geeks – fica para outra divagação – e outro o TV Funhouse. Este último, um falso programa para crianças que durou pouco tempo da Comedy Central, mostrou-me uma parte do génio do Robert Smigel quando eu não fazia ideia de quem era o Robert Smigel. Sabia, ou calculava, que tinha alguma coisa a ver com o Triumph, nada mais que isso. Só depois é que percebi que ele era uma das peças-chave da formação da identidade do Late Night, que fazia aquelas vozes todas – fui descobrindo, depois, pérolas dele como esta, no Dana Carvey Show, uma das maravilhas da década de 90 ou alguns sketches de TV Funhouse no Saturday Night Live.
Sexta-feira acaba isso tudo. Tenho fé num bom Tonight Show, disso não há dúvida, mas não vai ser a mesma coisa. Não vai ser tão parvo, tão Smigel. Vai ser mais profissional, menos inútil. E tenho muitas dúvidas de que Jimmy Fallon se safe no Late Night. O melhor, até agora, desta mudança, é a excitação do ?uestlove dos Roots – a nova banda residente do programa – que se topa à distância no Twitter dele. É que não reconheço piada nenhuma ao Fallon, mas dou-lhe o benefício da dúvida. Mesmo que ele se safe, o mundo vai mudar na sexta-feira. Sem dúvida alguma. E tenho medo que não volte a ser o mesmo.

quarta-feira, janeiro 21, 2009

A roulotte do 'Ye

É sublime. Magistral. Magnífica. Épica. É tudo aquilo que se podia querer na nuca dele e muito mais. É assim que se faz, malta. Pudesse eu ter uma e teria certamente. E a Complex traça uma história da roulotte negra ao longo dos tempos. Sem desrespeito por nenhum dos nomes que aparecem na lista da Complex, é bom acabar a seguinte lista com o nome Kanye West: Richard Dean Anderson, Pedro Santana Lopes, Paulo Futre, Marco Paulo. Kanye West.

segunda-feira, janeiro 05, 2009

The Pretender

Peça incrível do Kelefa Sanneh na New Yorker desta semana sobre o Will Oldham. É estupendo vê-lo a voltar a escrever sobre música. Óptima notícia. Ninguém escreve assim. Muito, muito bom. Melhor perfil de 2009. Sem sombra de dúvida.

sábado, janeiro 03, 2009

Fazem-me chorar

Os anúncios de Os Produtores que passam na televisão. Porquê? Porquê? Porquê?

sábado, dezembro 20, 2008

2009 3

Ainda outro conceito implícito: o Christopher Guest, o Harry Shearer e o Michael McKean (ou seja, os Spinal Tap e os Folksmen) são talvez o expoente máximo desse tipo de coisa.

sexta-feira, dezembro 19, 2008

2009 2

O que está subentendido é que o Christopher Guest fez uma carreira inteira (brilhante) a partir da observação daquela cena. E momentos musicais que resultam em comédia portuguesa: os do fim d'O Programa do Aleixo. Porque não são canções originais.

2009

A história que o Christopher Guest contou de estar num hotel e ver o manager de uma banda inglesa a falar do baixista de uma banda de rock inglesa e pensar que podia ficar até ao final dos seus dias a assistir à troca idiota de palavras é a melhor parte do encontro entre o Ricky Gervais e o Christopher Guest, dois génios (prémio de consolação: o Guest a explicar que fica às vezes um ano sem fazer nada, sem ter uma única ideia, e que os filmes dele demoram imenso tempo a passar do pensamento à concretização). Um, claro, influenciou imensamente o outro, como fosse sequer concebível o The Office sem o This is Spinal Tap e o Waiting For Guffman (o Best in Show não deve ter saído a tempo de figurar como influência).
São os dois brilhantes fora desses dois contextos que são os seus expoentes máximos (o Guest é grande em praticamente tudo o que faz, especialmente pequenos papéis em filmes, conseguiu fazer com que a Jamie Lee Curtis casasse com ele; o Ricky Gervais tem o Extras, os espectáculos e milhares de coisas óptimas, nomeadamente o blog), e são os dois incríveis juntos nesta entrevista (muito melhor que a do Gervais ao Garry Shandling, outra influência-chave dele por causa do Larry Sanders Show). E já estiveram juntos em For Your Consideration, vão estar no Night at the Museum 2 (presumo que não contracenarão juntos), mas 2009 vai ser o melhor ano de sempre porque vai sair o This Side of the Truth, a estreia na realização do Gervais com praticamente toda a gente que interessa no mundo hoje em dia (sem qualquer tipo de exagero, basta provar aqui).
Não é só pelo filme, claro, 2009 também assistirá à ascensão do Aziz Ansari, a mais brilhante mente cómica nascida nos anos 80. No spin-off que não é spin-off do The Office americano que levou a que a Amy Poehler a sair do Saturday Night Live (quase que chorei no discurso dela no final do Weekend Update na semana passada) e no Funny People do Apatow (outro acontecimento do ano).
O Tumblr dele é provavelmente a coisa com mais piada que eu conheço e vai ser uma pena vê-lo abandoná-lo quando ficar famoso até dizer chega (ou não, o Gervais não abandona o blog e é uma estrela internacional, o Patton Oswalt – outro tipo brilhante – esteve no King of Queens, uma série muito mais bem sucedida do que a em que o Aziz aparecerá alguma vez será, fez a voz principal do Ratatouille e escrevia no blog do MySpace, mas são blogs pós-fama – não se pode chamar ao Human Giant fama a sério).
2009 também trará a estreia em disco dos Lonely Island, o trio do qual faz parte o Andy Samberg, provavelmente – agora que não há Amy Poehler – o melhor membro do elenco do Saturday Night Live (o Bill Hader também é grande, a Kristen Wiig é muito melhor e mais versátil que muitos dos papéis que mostra lá, e há gente muito boa, só que o Fred Armisen foi parvo este fim-de-semana); as não-imitações de celebridades dele são geniais, "I'm *inserir nome de famoso*, wazaaaaa? Laterz" (e as imitações a sério também: Mark Wahlberg talks to animals=muito nível). A questão é que faz todo o sentido lançarem um disco: têm acesso a convidados bons e sabem que para criar uma boa canção de comédia ou uma boa paródia é adorar acima de tudo aquilo que estão a parodiar (o que se nota imenso, se se tirasse a parte cómica, muito daquilo funcionaria como canções a sério). O que é muito, muito mais do que a preguiça que muita gente costuma ter nestas coisas (especialmente os portugueses): não basta pegar num ou dois lugares comuns e ideias feitas e transformá-las em piada, é preciso saber como é que funciona o jogo.
Pegue-se no exemplo de "I Ran", para mim, um dos melhores momentos de humor desta década e algo de que nunca me farto (o que é estranho para algo que é humor tópico, que servia o propósito de gozar com a estadia de Mahmoud Ahmadinejad – consegui escrever o nome dele à primeira sem precisar de confirmação e é só por causa do meu amor pela canção – em Nova Iorque e os comentários sobre homossexuais). E tudo porque parece que é a sério. Como o Kanye West um dia percebeu, bastava um sample de piano triste e o Adam Levine dos Maroon 5 no refrão para fazer alguém chorar. E foi isso que o Samberg fez, para além de pegar no brilhante Fred Armisen (o Obama dele é muito bom, digam o que disserem) para imitar o Mahmoud, pôs o Adam Levine a cantar o refrão. A letra é óptima, e mesmo que tenha demorado pouco tempo a fazer (há sempre a pressão do programa e uma semana apenas), eles conheciam e sabiam como devia ser feito (aquele sample do Aphex Twin pedia uma canção assim, fora de qualquer comédia). E é essa a grande diferença entre eles e gente que não se dá sequer ao trabalho de saber um bocadinho sobre o que está a fazer. A entrevista deles na Pitchfork vale muito a pena (são amigos do Justin Timberlake e colaboram com o T-Pain, mas o Samberg tem um pedigree indie brutal: andou/anda com a Joanna Newsom, o que me faz invejá-lo de ainda mais uma maneira).

O meu novo herói

O gajo da luva do 30 Rock. Que grande.

terça-feira, dezembro 02, 2008

Foda-se. Isto não tinha obrigação nenhuma de ser bom. Seria impressionante só pela quantidade de gente envolvida (esta malha tem o David Byrne, o Chuck D e o Seu Jorge, por exemplo, o disco tem o Tom Waits, a M.I.A., membros do Wu-Tang Clan, etc.). Valeria só por isso, curiosidade. Mas é malha. Vês, Norman Cook? É assim que se junta o Byrne e rap.

sexta-feira, novembro 28, 2008

The Mentalist

The Mentalist. Coletes e sobrancelhas. Precisava de um police procedural na minha vida. Encontrei-o.

quarta-feira, novembro 26, 2008

What's so funny, Stephen?



Soberbo.

segunda-feira, novembro 24, 2008

The greatest gift of all

Este é o melhor Natal de sempre. Não há nada de especial a passar-se em Inglaterra, ao contrário do ano passado, quando houve o especial do Extras. Mas noutros sítios há. A melhor mini-série portuguesa de sempre, Um Mundo Catita, já estreou na televisão. É um conto de Natal incrível. E ontem, lá no estrangeiro, estreou A Colbert Christmas, o especial de Natal do Stephen Colbert. A história é simples: o Stephen Colbert quer fazer um especial de Natal com o Elvis Costello. Isso seria, só por si, um evento, um acontecimento, algo a celebrar. Só que o raio da coisa tem 40 minutos e é brilhante. E grandes, grandes canções. Esta é uma delas:




O John Legend é o R. Kelly das especiarias. E canta, no final, uma canção do Elvis Costello. Um bocadinho, pelo menos. Algo que o Kells nunca faria. Pontos para ele.

Por falar nisso, quarta-feira sai na Time Out um texto meu sobre o enorme, o grande, o incomparável, o sublime Stephen Colbert e o seu delicioso Colbert Report. Não é só por isso que estou a insistir tanto nele. É que este vai ser mesmo o melhor Natal do mundo de sempre.

sexta-feira, novembro 21, 2008

30 Rock

O episódio de ontem tinha o Steve Martin (também conhecido como o maior de todo o sempre e o homem com mais classe do mundo). E consegue continuar a média de uma frase genial, hilariante e intensamente memorável que nunca me sairá da cabeça até morrer por minuto. Aquela gente é rude, anda a brincar com isto, uma pessoa tem de escolher quais vai decorar. Esta foi a que ficou: "I can't believe you're out of the game, it's like Picasso not painting, or Bruce Willis not combining action and rock harmonica." E a classe do Alec Baldwin estava no mesmo ecrã que a classe do Steve Martin e o mundo não explodiu. Curioso.

quarta-feira, novembro 19, 2008

Simon+Colbert





O maior escritor de canções de sempre (e rei da comédia, desde o primeiro ano do SNL) com o Stephen Colbert. Clássico instantâneo.

segunda-feira, outubro 27, 2008

Kano

A cadência das palavras dele por causa da pronúncia inglesa são perfeitas e ficam óptimas aqui. Já me esquecia do quanto gostava do Kano, porra. "Brown Eyes", a história de amor na onda chipmunk soul ao nível de produções do Kanye West ou do Just Blaze, "Nite Nite" com a parte cantada do Leo The Lion e o tom conversacional do Mike Skinner e o "War Pigs" (melhor canção de sempre?) em "I Don't Know Why".

Black Diamond

Segundo isto, a versão internacional do Black Diamond tem uma malha com o Kano. O primeiro disco do Kano era bestial (a malha com o Mike Skinner, a "Brown Eyes" e a malha que samplava Black Sabbath eram as três melhores), o outro não ouvi, já que o single com o Craig David era demasiado mau. Mas uma malha com Buraka Som Sistema? Deve ser pouco grande, deve. É uma pena não ter saído cá.

sábado, outubro 25, 2008

Once

Porque é que "Once in a Lifetime", dos Talking Heads (provavelmente, a melhor canção de sempre), é sempre usada para anunciar filmes políticos? Há quase um ano foi o Charlie Wilson's War, agora é o W.

sexta-feira, outubro 24, 2008

'808s and Heartbreak

'808s and Heartbreak é o melhor nome de sempre. Porquê? Porque sim. Porque de um lado há o TR-808 da Roland. A caixa de ritmos. O sintético. A máquina. As batidas. A batida sintética que imita o bater do coração na "Love Lockdown". O auto-tune que o Kanye West usa na voz em quase todas as canções (ou mesmo todas, ao que parece) do disco. Por outro, a dor de coração. O sentimento. O orgânico. A rima imperfeita que há no título. O plural e o singular. Porque vai ser importante, quer se goste, quer não. E parece-me muito provável que eu vá gostar. Mesmo que não seja um bom disco, já tem o título que não me sai da cabeça, por muito que tente.

sábado, outubro 18, 2008

I need love

A minha insistência em dizer que a parte rock da Santogold não rende é enorme. Mas é porque me irrita. Há boas canções escondidas por detrás daqueles arranjos banais. Anda aí um remix de uma delas, "I'm a Lady", pelo Diplo. Transforma uma canção assim-assim numa versão da "I Need Love" do LL Cool J (um clássico das slow jams, e o vídeo também) com a voz da Amanda Blank (a minha heroína desde que a vi em Londres com Bonde do Rolê e uma t-shirt de mangas cortadas do Purple Rain do Prince e alguém que merece o céu pelas estrofes na "Bump" e na "Loose" de Spank Rock e a participação na "Sexy MF" do Pase Rock). Malha.
E ainda estou à espera de um remix que mostre que "Lights Out" é uma das canções do ano, que a versão original dá a entender isso mas estraga tudo.

sexta-feira, outubro 17, 2008

'Ye

'808s, coração partido, 40 mulheres nuas (pretas e brancas) e auto-tune. "Love Lockdown" (diz o Jon Caramanica – que me faz não ter muitas saudades do Kelefa Sanneh – no New York Times que é a melhor canção dos TV On The Radio deste ano e faz sentido), "Heartless" e "Coldest Winter". Se há alguém que consegue fazer isto funcionar, é o Kanye West.

quarta-feira, outubro 15, 2008

You're on point

A brincar, a brincar, o meu MC preferido vai ter novo álbum não tarda nada e (provavelmente) vai ser bom.

segunda-feira, outubro 06, 2008

The Very Best

O facto de o Esau Mwamwaya (tão bom que merece um Óscar; daqui a seis meses vai tomar conta do mundo, já podia tê-lo feito antes, mas decidiu esperar) ainda não ter lançado nada em formato físico é uma espécie de apelo à pirataria em DJ sets, não é? E onde é que está o freestyle dele por cima do beat da "A Milli"? Isso é que eu gostava de saber.

domingo, setembro 28, 2008

Feig, o falhado

Vinha no New York Times anteontem, só vi hoje: um perfil do Paul Feig. Criador do Freaks and Geeks (no meu top 10 de séries favoritas de sempre, certamente) e o maior/melhor falhado de sempre. Grande, grande, muito grande. Cheio de ideias, cheio de falhanços, cheio de desilusões. A comédia dos falhados, dos perdedores, dos feios, dos gordos, dos incompreendidos, dos que gostam demasiado de coisas pouco fixes. Em suma, o meu herói.

quarta-feira, setembro 24, 2008

Love Lockdown #2

O que não quer, de todo, dizer que espero que o 808s and Heartbreak seja todo assim, mas espero que tenha TR-808s e corações partidos e, se não fosse pedir demasiado, rap (ele pode ser um mau rapper, mas é melhor rapper que cantor, e o auto-tune cansa imenso, alguém alguma vez ouviu um disco do T-Pain até ao fim, para além dele?). Kanye triste vale sempre.

Love Lockdown

Que se foda: "Love Lockdown" é malha. Auto-tune, batida do coração, piano, refrão, vale. Mas também, como o próprio diz: "I could stand there in a fucking Speedo and still look like a fuckin' hero."

sábado, setembro 20, 2008

Robert

(Downey Jr.), acho que te amo.

Alguém

Alguém oscarize o Tom Cruise e ponha a banda a tocar o "Low" do Flo-Rida com o T-Pain se ele se alongar nos agradecimentos ao L. Ron.

quarta-feira, setembro 17, 2008

Melhor site de todo o sempre

Porque todas as canções do mundo, por muito boas que sejam, seriam sempre melhores com um bocadinho de cowbell e um bocadinho de Christopher Walken. A sério. Experimentem com qualquer uma. Este é o site e com ele qualquer canção pode ficar com o som de dinamite que o Bruce Dickinson ("yes, the Bruce Dickinson") deu a "(Don't Fear) The Reaper". Antes havia canções que podiam ser melhores. Agora não. Exemplo (já passaram oito anos [pronto, nove no caso da malha] e o sketch e a malha continuam míticos, para sempre, comédia e música para sempre):

 Make your own at MoreCowbell.dj 

quinta-feira, setembro 11, 2008

This is how I live, Russell

Uma "entrevista" estupenda, uma conversa entre o Russell Brand e o Morrissey (e a mãe do Russell Brand). Achava o Russell Brand irritante, por causa do cabelo, a voz, etc., mas passei a gostar dele algures durante este ano, não faço ideia porquê. O ego enorme, a constante necessidade de atenção, as partes auto-depreciativas não justificáveis, etc. Tem muito em comum com a pessoa com quem fala aqui, o homem mais bonito do mundo e o maior de sempre. "There's nothing else to be obsessed with but the self", diz Brand. "Is there anything that you're not? Because you seem to claim you're everything", diz Morrissey. Ambos têm uma extrema necessidade de serem amados e de lhes darem atenção. E ambos têm muita piada. E divertem-se. É bom.

quarta-feira, setembro 10, 2008

Um dos meus grandes desgostos na vida

O Ol' Dirty Bastard nunca ter gravado um disco de standards. Ou de canções de natal. Seria incrível. Era a voz de um anjo. O Mark Ronson aproveitou-a para fazer magia. O Gregg Gillis (Girl Talk) pegou nela e pô-la em cima de "Autumn Sweater" dos Yo La Tengo e fez muito bem, mas aí não estava a cantar. Se existissem mais gravações dele a cantar o mundo seria um sítio bem mais bonito. Muito melhor que o Sid Vicious a cantar "My Way" seria o Ol' Dirty Bastard a fazê-lo. Alguém o ressuscite para cantar os songbook de Gershwin, Irving Berlin, Cole Porter, Rodgers e Hart? Meu Deus, até Bacharach e David. Seria incrível. E canções de natal? "Jingle Bells"? "White Christmas"? OK, teríamos de atirar um ou outro "oh nigga I'm burnin' up" ou um "I'll fuck yo' ass up" no meio, mas seria bestial.

Melhor nome de sempre?

O novo disco do Kanye West, diz-se, vai-se chamar 808s and Heartbreak. Melhor nome de sempre?

quarta-feira, setembro 03, 2008

Alec

O Alec Baldwin é o meu herói. Narrou um dos meus filmes preferidos e é basicamente o maior do mundo no 30 Rock, uma sitcom bestial. Não é só a voz dele, é também o porte e a pinta – ninguém tem mais pinta que ele no mundo inteiro. Este perfil da New Yorker mostra-o como um homem desiludido, chateado com as voltas que a vida deu, sem grande amor-próprio e com muitos desgostos. Ou seja, fá-lo parecer ainda mais fixe.

He is very conscious of what is lacking in his life—a spouse, for example, and a film career something like Jack Nicholson’s, and the governorship of New York—and his rhetoric can sometimes bring to mind a scene from “30 Rock” in which Baldwin, in his role as Jack Donaghy, a shameless but astute TV executive, stares at an equestrian painting by Stubbs and, in a growled whisper of longing, says, “I wish I were a horse—strong, free, my chestnut haunches glistening in the sun.” According to Lorne Michaels, the executive producer of “Saturday Night Live” and an executive producer of “30 Rock,” Baldwin “guards against enjoyment.” (Michaels is a friend of Baldwin’s and was a model for the Donaghy character.) “I’ll say, ‘Alec, you have one of the best writers in television’ ”—Tina Fey—“ ‘writing this part for you. It’s shot in New York, where you chose to live. You work three days a week, you get paid a lot of money, you’re getting awards. It’s a great time in your life. It’s an all-good thing. And, if you were capable of enjoying it, it would be even better.’ ” Or, as William Baldwin, one of Alec’s three younger brothers, said recently, “There’s always something for him to fucking whine about.”



“Do you want to know the truth?” Baldwin said to me not long ago. “I don’t think I really have a talent for movie acting. I’m not bad at it, but I don’t think I really have a talent for it.” He described the film actor’s need to project strength and weakness simultaneously. “Nicholson’s my idol this way. Pacino. There’s a mix you have to have where the character is vulnerable, the character is up against it, but there’s still a glimmer of resourcefulness in his eye—you look at him and the character is telegraphing to you this is not going to last very long. ‘I’m down’—Randle McMurphy, Serpico, whatever it is—‘but it’s not going to last, I’m still going to figure my way out of this.’ ” In contrast, he referred to Orson Welles. “Welles was a powerful actor, but he wasn’t always a great actor,” Baldwin said, with, perhaps, a faint nod to his own career. “Even when Welles was lost, he was arrogant.”



I recently asked Marci Klein, one of Baldwin’s closest friends, if she had tried to discourage Baldwin from writing the book about his legal battle with Kim Basinger. “Oh, yes,” she said. Klein is a senior producer on “Saturday Night Live” and an executive producer on “30 Rock”; she has known Baldwin since he was first on “S.N.L.” She told me, “I said, ‘Do not write this book. Nobody cares. Nobody wants to hear about your divorce anymore.’ ” She laughed. “He goes, ‘You bitch!’ I go, ‘You loser!’ We work well together.”

Baldwin and Klein—who is forty-one and married, with young children—chaperone each other to award shows or sit at home and order takeout. “He’s happiest eating Lupe’s Mexican food and watching a movie,” Klein said. “I like to ask him, ‘Who fucked you up? Which girl in sixth grade?’ ” Baldwin often jokes about how they should have married. “But we’re friends,” she said. “And also I feel like I’m his mother, even though I’m a lot younger than him. I feel like I take care of him.” She added, “Marriage is very important to him. He didn’t want to get divorced. He wanted to make it work. He was very committed. With men, it’s not the first thing—‘I want to get married, I want to have kids’—but Alec is a different kind of guy. And therefore having it not work, for whatever reasons, was very difficult for him.”




In late 2004, when Fey—then the head writer for “Saturday Night Live”—began to devise “30 Rock,” it was in the hope, but not the expectation, that Baldwin would play the boss of Fey’s character, Liz Lemon, who is the head writer for a show something like “Saturday Night Live.” As Lorne Michaels said recently, “We were looking for a foil for Tina’s character—someone who was right just often enough to be infuriating.” Baldwin was wary. It was a sitcom, and he had played Macbeth and Stanley Kowalski on the New York stage. His mind turned to the example of Conrad Bain, the actor with a fine theatrical background who came to be Philip Drummond, the white father of two adopted African-American boys, on “Diff’rent Strokes.” Embroidering on this thought, Baldwin imagined an actor who signs up for the quick money of a sitcom pilot quite confident that the show will never be commissioned: “The agent’s saying, ‘Don’t worry, it’s the biggest piece of shit in the history of show business.’ Cut to six years later: you’re in your dressing room, you’re in season five, and on the wall are posters of you from the New York Shakespeare Festival—these achingly beautiful posters on the wall. By that point, you’re making a hundred and seventy-five thousand a week, you’ve got a house in East Hampton, you’re getting laid constantly, you’ve got closets of beautiful Italian suits, and you’ve got three cars in the garage and you’re paying alimony to your ex-wife who’s living down in Florida. And you’re doing the same jokes, again and again and again.”

Baldwin, who admires Fey—“She’s so bright you’re always wondering if you’re boring her,” he says—agreed to be in the pilot, but on the understanding that, if the show worked out, he would appear in no more than six episodes a season, for six seasons. The pilot was made. NBC saw it, and offered to take the show only if Baldwin was in all twenty-one episodes of the first season. It was a fair judgment: Baldwin’s Donaghy—too smart and too perverse to be a standard business blowhard—was an obvious asset. Although originally conceived as a bullying antagonist to Liz Lemon, by the time of the pilot the character had already begun to expand into a fellow-protagonist, a cynic who guides a neurotic. Unpunished for saying aloud what he should not even be thinking (“Don’t ever make me talk to a woman that old again”), Donaghy became a kind of mentor to the writers and performers under him. In Baldwin’s mind, “Jack Donaghy is Lorne, first and foremost. ‘What am I, a farmer?’ That is Lorne. I think he said that. Lorne’s got a tuxedo in the glove compartment of his car. Lorne is a big-ticket A-list New York water buffalo. He’s big on the Serengeti. Lorne is a person who seduces you into thinking that if you take his advice and play your cards right you’re going to end up with his life.”




He bought a coffee at Starbucks, where a young woman said something nice about “30 Rock.” “I do feel I’m entering that Clinton phase,” he said after we left. “I’m fifty. There are women who’ll go up to a young movie star and they’ll look at him, like, ‘There are certain things I really want to do with you, and it’s pretty plain to anyone why I’d want to do them with you.’ And then there are people who look at me now, at my age, and they’ll look at me and the look is ‘I can’t explain why, because it’s kind of strange . . .’ It confounds and perplexes even them. ‘In spite of the fact that you don’t look like a young leading man anymore, I’d quite like to throw you down on this blanket right now.’ A bit of that.”

sexta-feira, agosto 22, 2008

Spaced #2

EW: I don't think it's always a conscious thing. There's basically a thing that everyone talks about called "The Curse of Fawlty Towers." And I think that network executives really bemoan the face that John Cleese set that bar with only 12 episodes of "Fawlty Towers" and then saying, "I can't write anymore. I'm very happy with the 12 episodes. I don't want to write anymore because I'm done with it." And after that, it set a precedent. The next show that did that was "The Young Ones," and they did it in a very punk rock way--life fast, die young, leave a good-looking corpse. 12 episodes; that's it. After that, with those two shows…I don't think "Spaced" was like that at all. The chance of a third season was there, but things got in the way. Ricky Gervais has done that twice now, with two seasons of "The Office" and two seasons of "Extras" and then quitting. One of the reasons that these things happen is that there's just not that much money in British TV. There's not the same huge infrastructure of the money hose that gets turned on when shows take off. And they are made with really small teams. "Spaced" was basically the work of four or five people--Simon and Jess, myself, two producers, and that's kind of it. It's a small team.

Spaced

Não me consigo cansar de ler entrevistas com o Edgar Wright, o Simon Pegg e a Jessica Hynes (antes Stevenson) sobre o lançamento do Spaced em DVD nos Estados Unidos (é uma pena eu ter a versão inglesa do DVD, sem o documentário e sem os comentários de luxo: Kevin Smith, Quentin Tarantino, Patton Oswalt, Bill Hader e o embuste que é a Diablo Cody). Esta, do Ain't it Cool News, foi feita há três semanas na Comic Con. E são três génios a falar sobre uma série incrível, óptimas pessoas com quem se quer passar muito, muito tempo. Vem aí um filme escrito pelo Simon Pegg e o Nick Frost que não é realizado pelo Wright, mas sim pelo Greg Mottola. Isso e o This Side of the Truth do Ricky Gervais, cujo blog também não me canso de ler, são algumas das melhores coisas que aí vêm.

segunda-feira, agosto 11, 2008

Rindo da tragédia

O Expresso fez-me rir da morte do Isaac Hayes. Traduziram "treadmill" como "moinho", quando "treadmill" é uma passadeira de exercício. Sim, sim, a música e tal, Shaft, milhentas outras coisas, génio absoluto, mas terá sempre lugar no meu coração como Asneeze, pai de Ahchoo, num filme que vi demasiadas vezes quando era pequeno (e que, a par do South Park, mostra que Hayes, apesar da loucura induzida pela cientologista, era um comediante muito melhor do que um certo senhor de cor que morreu ontem, com o devido respeito pela sua morte).

segunda-feira, julho 21, 2008

Outras falhas

"Come Close", Common com Mary J. Blige. Está aqui. Vi este vídeo no MTV New (quando era apresentado por uma americana qualquer) algures em 2003, ela dzia que era o equivalente alternativo do dueto do Nelly com a Kelly Rowland ("Dilemma"). Na altura pareceu-me bem (sou parcial, nunca resisto à voz do Pharrell e aqui ouve-se lá ao fundo, por baixo da da Mary J. Blige), tinha decidido há pouco tempo que não gostava do Common, mas gostei. "It's just a fly love song", diz ele no início, citando o Q-Tip numa canção que não era, de todo, uma "fly love song".

Melhor cena de sempre?

Uma lição incrível sobre a pop do final dos anos 90 e dos anos 2000. Tirem uma tarde ou uma noite para absorver isto. São 50 e tal clássicos. Falta uma das minhas favoritas, contudo: "The Art of Noise" de um Cee-Lo Green pré-Gnarls Barkley. E também tem tiros ao lado (pergunto-me se existe alguma coisa no mundo pior que "Allure" do Jay-Z), para além de um erro factual (segundo consta, o Pharrell escreveu uma das estrofes do "Rump Shaker" dos Wreckx-N-Effect, não foi trabalho de produção, o que é estranhíssimo tendo em conta que ele é péssimo com as palavras).

terça-feira, maio 13, 2008

Roots

Os Roots têm um membro que toca sousafone. Chama-se Tuba Gooding Jr. Como é que é possível, assim, o Rising Down não ser óptimo? Também há outros factores claro. O afro e a barba do ?uestlove. E a bateria dele, claro. E aquela cantiga com o Wale e a Chrisette Michele. E começar com o Mos Def a rimar e não a cantar. E aqui não é só por causa dos 75 compassos sem o Blackthought parar para respirar.

quinta-feira, maio 01, 2008

Algumas ideias/dúvidas

A descoberta do rock pela Santi White (Santogold) foi das maiores tragédias deste século e é por isso que Santogold não é assim tão bom ("Creator" continua a ser melhor-de-sempre, obviamente). O novo álbum do Common vai ter um verso dela. Da Billboard:

Cee-Lo and The Neptunes' pop group, Chester French, guest on the album, but Common says singer-MC Santogold is "one of my favorite artists right now" and adds that he's awaiting a verse from her for the track "Runaway," which draws its guitar riff from Pat Benatar's 'Love Is A Battlefield."

E se for como quando ela se mete no rock? Será menos mau do que quando ele se mete no rock (Electric Circus tem canções muito boas, mas também tem outras muito, muito más)? Será que "electro-tinged" é parecido com o Common a rimar por cima de beats do Switch ou do Diplo? Será que isso é tão mau na prática como em teoria?

segunda-feira, abril 21, 2008

Fico contente #2

When you imagine Gervais and Merchant in a room together, you'd imagine they'd take their inspiration from schoolboy pranks and juvenile jokes. The reality is rather surprising. 'We use mood boards. Poems, music, reminding us of the place, the time, of what we're writing. For The Office, for instance, Betjeman's poem about Slough was there, reminding us. For Men at the Pru it's Springsteen: "Thunder Road".

"You ain't a beauty but hey you're alright." Como se não houvesse razões suficientes.

Fico contente

Eu, que nunca li um livro na vida, por isto:

The one time I'm properly taken aback by a response, for instance, comes when we're talking books. What does he like to read? (I can only assume that he does.) 'I don't read books. I'm sorry. I can't. I can't read books, other people's books. After the first sentence, the first paragraph, I'm off on my own scenario. It's no longer their book. I'm not reading it any more, I've put it down before turning the first page, I'm writing my own chapters, fitting in my own characters, trying to make it take off my way. So this would happen, then that would happen, of course that character would ... no, it's hopeless, so now I just don't.'

E ele é o Ricky Gervais. E não lê. E vai fazer uma série nova com o Stephen Merchant. É sobre vendedores de seguros nos anos 70 em Reading, mas podia ser sobre trabalhadores das finanças em Massamá nos anos 90 que seria igualmente interessante.

domingo, março 30, 2008

Charlie Kaufman

No meu post de ódio ao Hulu.com (que entretanto já consegui contornar) esqueci-me de uma das pessoas mais importantes (do mundo, de sempre, etc.) na lista de gente que escrevia o Dana Carvey Show: o Charlie Kaufman. Pequei.

sexta-feira, março 28, 2008

quarta-feira, março 26, 2008

Not feelin' it

A merda do Hulu. É um serviço que deixa ver séries gratuita e legalmente, mas só funciona para americanos. Tem uma das quatro séries mais importantes para o humor que se faz hoje em dia: Dana Carvey Show. As outras são o Mr. Show, o Freaks & Geeks e o Arrested Development, mesmo que o último não devesse contar por ser recente, todas têm em comum o facto de ninguém ter visto nenhuma delas e terem sido canceladas por isso mesmo e ter saído de lá muita gente muito importante. Nunca passou cá e tinha só gente grande como o Stephen Colbert, o Steve Carell, o Louis CK (melhor comediante de sempre sobre os desencantos do casamento, a milhas de meninos como o Ray Romano, grande tirada sobre casamento homossexual aqui) ou o Robert Smigel (um dos grandes responsáveis pelo programa do Conan O'Brien ser como é). Também nunca saiu em DVD. Está naquele site, mas só se formos americanos é que podemos ver. O que é lindo. Havia muitos sketches no YouTube e um torrent com cinco dos seis episódios que passaram na televisão, tudo tirado de VHS.

Feelin' it

As duas canções novas do enorme Al Green, com o ?uestlove dos Roots na bateria e na produção (e boas notícias, o suposto single dos Roots com o tipo dos Fall Out Boy, que é horrível, nem vai aparecer no disco). E The Wire, a melhor série sobre o crime em Baltimore de sempre (mais que isso, talvez, é óptima).

sábado, março 22, 2008

A semana

Esta foi a semana da homossexualidade. O Michael Stipe e a Solange F. assumiram-se, o Tom do Lost também. Foi igualmente a semana em que gastei dinheiro muito mal por ter sido enganado.
Comprei o single da "You Know I'm No Good" da Amy Winehouse. Pensava (é o que diz lá) que tinha a magnífica versão com o Ghostface Killah que aparece no More Fish (e que já tinha em CD). Mas não. Nunca escondi que adoro essa versão do Ghostface, e gostava muito de tê-la num máxi. Esta versão é horrivelmente má, mantém tudo o que a original tem – enquanto a versão corta as partes que não interessam e adiciona as estrofes do Ghost – e só tem a segunda estrofe do Ghostface, que não serve para nada se não houver a primeira. Para quê ter a canção se não o ouvirmos perguntar "Why you actin' like you're more trouble than Tony Starks when you need to just walk away like Kelly Clarkson?"? Para quê? Para além disso começa com uns "yo yo" irritantes que se põem em remistus forçadas de canções com rappers por cima, algo que a versão do Ghostface (a verdadeira) não é, de todo. Pelo menos há a canção original da Amy Winehouse e um lado b com "Rehab" e a remistura dos Hot Chip, que é porreira. Tudo o que eu queria era um dos melhores singles da pop dos anos 2000 e acabei por ser enganado.
Comprei o Grindhouse, ou pelo menos achava que tinha comprado, já que é isso que diz a capa. Mas o que está lá dentro não é mais que o Death Proof e o Planet Terror em caixas diferentes. O Grindhouse, que nunca saiu cá, é muito mais (os trailers) e menos (as cenas cortadas) que isso. E era isso que eu queria ver/ter. A Weinstein Company não me deixou e insiste em enganar as pessoas. Óptimo. Quem é que tenho de matar para ver o trailer do Edgar Wright, por amor de Deus?