sexta-feira, maio 29, 2009
quinta-feira, maio 21, 2009
A voz de Will Ferrell
Não há nada mais especial no mundo do que quando Will Ferrell canta. Cantou Billy Joel no final da 34ª temporada do Saturday Night Live, com toda a gente e mais alguma ao lado dele (Paul Rudd? Artie Lange? Norm Macdonald? Amy Poehler? Anne Hathaway? Maya Rudolph? Elisabeth Moss?) e foi magnífico. A cantar Alicia Keys também rende bastante. Mas o melhor momento de toda a carreira musical de Will Ferrell é este:
A voz de ouro, a forma como ele canta e tudo fica bem. O irmão dele deixa de ser um douchebag, o mundo fica um sítio melhor. O Will Ferrell devia cantar todos os dias na televisão. O mundo seria um sítio melhor, sem dúvida. O que eu não percebo é que o Adam McKay diz que o Will Ferrell ia cantar no final do American Idol e afinal não cantou. O que é muito, muito triste. Faria do American Idol um programa melhor.
A voz de ouro, a forma como ele canta e tudo fica bem. O irmão dele deixa de ser um douchebag, o mundo fica um sítio melhor. O Will Ferrell devia cantar todos os dias na televisão. O mundo seria um sítio melhor, sem dúvida. O que eu não percebo é que o Adam McKay diz que o Will Ferrell ia cantar no final do American Idol e afinal não cantou. O que é muito, muito triste. Faria do American Idol um programa melhor.
terça-feira, maio 19, 2009
Jane Lynch
"Random Roles", do AV Club do The Onion, com a grande Jane Lynch. Que é o elo de ligação entre muitos dos grupos de gente cómica que mais interessa na televisão e cinema hoje em dia: a trupe de Christopher Guest, a malta do The State, a crew do Judd Apatow, os amigos do Will Ferrell e do Adam McKay e tudo o que há no meio. O que inclui o Party Down, a melhor série cómica nova do ano. (a par do East Bound & Down). Que também anda à volta de elos de ligação entre esta gente toda. Adam Scott, que é um actor com alcance: tanto pode ser o maior douchebag do mundo – tão douchy que até é fã do Dane Cook – a fazer de irmão do Will Ferrell no Step Brothers como pode ser um perdedor porreiro no Party Down, um actor acabado cujo único feito na carreira é ter feito um anúncio com uma catchphrase manhosa (dois extremos que geralmente ficam muito bem em comédia). Paul Rudd, que aprendeu a ter piada com a malta do The State e faz parte da crew Apatow, co-criou-a. Tem o Martin Starr, que cresceu no Freaks and Geeks (um dos maiores marcos televisivos dos últimos dez anos) do Apatow, o Ken Marino, do The State e um gajo loiro que vai aparecer no spin-off do Gossip Girl. E a Lizzy Kaplan, que junta esta malta toda à Tina Fey por ter aparecido no Mean Girls. Mas a Jane Lynch é quem mais interessa, uma máquina cómica (geralmente de improviso, aqui diz não ser bem assim) sem paralelo, uma espécie de Fred Willard no feminino e com menos 20 anos (assustador: ele faz setenta anos este ano). O que é uma comparação altamente válida, do bom (a quantidade de projectos cómicos bons em que se mete) ao mau (a quantidade de coisas banais, medíocres ou mesmo más a que consegue dar um bocado de dignidade).
quinta-feira, maio 14, 2009
O fim
Da quinta temporada do Lost. Foda-se. Hoje é a vez da terceira temporada do 30 Rock. Alan Alda outra vez (soberbo), Elvis Costello e Talib Kweli? É assim que se mantém um curriculum invejável e imaculado como a melhor série cómica – chamar-lhe "sitcom" é redutor – da actualidade (e só não é da década por causa do patamar em que está o Arrested Development, se bem que arrisco dizer que o 30 Rock chegou ao nível AD nesta temporada e só o final da década é que decidirá qual das duas é melhor, se bem que a melhor solução é apenas ficarmos todos muito contentes por termos estado vivos ao mesmo tempo que duas séries destas estavam a ser feitas e por podermos vê-las e contar aos nossos netos que estivemos lá mesmo que não tenhamos estado lá).
segunda-feira, maio 11, 2009
Não me calo com o Aziz Ansari, bem sei. E, por falar nisso, este vídeo dele no Jimmy Kimmel é incrível. É esperar que fique ainda maior e comece a fazer a ronda pelos outros talk shows. Temos convidado. E o Zach Galifianakis, um velho favorito meu, também parece estar a ter um ano do caraças. Merecidamente. É o novo episódio do Between Two Ferns com a Natalie Portman, é o New York Times a dizer que ele rouba o The Hangover, é uma entrevista com ele no blog da Vanity Fair, é tudo. Mas um homem tão bonito merece muito mais.
É por isso que vou voltar a homenageá-lo. É oficial: estou a deixar crescer uma barba à Zach Galifianakis. Uma barba fofinha, querida, grande, simpática, pouco agressiva, carismática, cheia de personalidade e inofensiva. Mas que me possibilite dizer "I look like Fat Jesus". Depois de anos a fazer filmes bastante maus e séries ainda piores – como aquela com a Eliza Dushku em que ela fala com mortos ou vai atrás no tempo salvá-los ou lá o que é, nunca percebi bem porque também há uma parecida com a Jennifer Love Hewitt que é igualmente horrível e confundo as duas na minha cabeça porque há informação bem mais interessante para reter do que a diferença entre uma série e a outra –, e de até ter tido um talk show no VH1, o mundo parece estar a começar a apreciá-lo devidamente.
Chama-se The Hangover e é o novo filme do Todd Phillips – um tipo cuja trajectória de carreira é incrível: começou com um documentário sobre o G.G. Allin e realizou o Road Trip (mau) e o Old School bom). Os trailer são incríveis. Estão aqui e aqui. É bom saber que ainda não foram esgotadas as possibilidades cómicas da melhor canção do Phil Collins (para parafrasear o Alec Baldwin, tenho dois ouvidos e um coração, logo gosto do Phil Collins). E que basicamente Hollywood anda a copiar os meus sonhos: o Mike Tyson a dar um murro no Zach Galifianakis ao som de Phil Collins? Zach Galifianakis com um bebé? Ed Helms com óculos outra vez (aqueles olhos esbugalhados ficam assustadores sem óculos)? A consagração merecida de um génio (ninguém grita agressivamente como o Galifianakis)?
E isto. Volto sempre a isto.
É por isso que vou voltar a homenageá-lo. É oficial: estou a deixar crescer uma barba à Zach Galifianakis. Uma barba fofinha, querida, grande, simpática, pouco agressiva, carismática, cheia de personalidade e inofensiva. Mas que me possibilite dizer "I look like Fat Jesus". Depois de anos a fazer filmes bastante maus e séries ainda piores – como aquela com a Eliza Dushku em que ela fala com mortos ou vai atrás no tempo salvá-los ou lá o que é, nunca percebi bem porque também há uma parecida com a Jennifer Love Hewitt que é igualmente horrível e confundo as duas na minha cabeça porque há informação bem mais interessante para reter do que a diferença entre uma série e a outra –, e de até ter tido um talk show no VH1, o mundo parece estar a começar a apreciá-lo devidamente.
Chama-se The Hangover e é o novo filme do Todd Phillips – um tipo cuja trajectória de carreira é incrível: começou com um documentário sobre o G.G. Allin e realizou o Road Trip (mau) e o Old School bom). Os trailer são incríveis. Estão aqui e aqui. É bom saber que ainda não foram esgotadas as possibilidades cómicas da melhor canção do Phil Collins (para parafrasear o Alec Baldwin, tenho dois ouvidos e um coração, logo gosto do Phil Collins). E que basicamente Hollywood anda a copiar os meus sonhos: o Mike Tyson a dar um murro no Zach Galifianakis ao som de Phil Collins? Zach Galifianakis com um bebé? Ed Helms com óculos outra vez (aqueles olhos esbugalhados ficam assustadores sem óculos)? A consagração merecida de um génio (ninguém grita agressivamente como o Galifianakis)?
E isto. Volto sempre a isto.
sexta-feira, maio 08, 2009
Meta-comédia
As minhas catchphrases favoritas:
"I wanna dip my balls in it!" - Ken Marino, The State
"Hey, wha' happened?" – Fred Willard, A Mighty Wind
"Are you 'avin a laugh?" – Ricky Gervais, Extras
"Are we having fun yet?" – Adam Scott, Party Down
"That's a dealbreaker, ladies!" – Jane Krakowski, 30 Rock
Péssimas, sim, mas com mil vezes mais piada que qualquer catchphrase nojenta de série de qualidade duvidosa. Sim, estou a apontar para ti, Catherine Tate, e o teu "Am I Bovvered?", para os idiotas do Little Britain (maior desperdício de talento de sempre?) e para milhares de outras pessoas que caem no erro de achar que a simples repetição de uma expressão idiota é igual a riso.
"I wanna dip my balls in it!" - Ken Marino, The State
"Hey, wha' happened?" – Fred Willard, A Mighty Wind
"Are you 'avin a laugh?" – Ricky Gervais, Extras
"Are we having fun yet?" – Adam Scott, Party Down
"That's a dealbreaker, ladies!" – Jane Krakowski, 30 Rock
Péssimas, sim, mas com mil vezes mais piada que qualquer catchphrase nojenta de série de qualidade duvidosa. Sim, estou a apontar para ti, Catherine Tate, e o teu "Am I Bovvered?", para os idiotas do Little Britain (maior desperdício de talento de sempre?) e para milhares de outras pessoas que caem no erro de achar que a simples repetição de uma expressão idiota é igual a riso.
quinta-feira, abril 23, 2009
Oswalt e Statham
O Patton Oswalt teve a primeira filha dele na quinta-feira passada, o que fez com que só tivesse tempo para ver o Crank: High Voltage na terça-feira. É o melhor texto que li este ano, a par do já clássico "Gay-tham for Statham" ("I’m sure you’ve read my earlier blog entry, GAY-THAM FOR STATHAM. It’s been added to a lot of standardized American textbooks, and President Obama is having it added to the Preamble.") do mesmo autor. Um homem brilhante. B-r-i-l-h-a-n-t-e.
segunda-feira, abril 13, 2009
Aziz Ansari
O Parks and Recreation não é brilhante, mas vale sobretudo pela Amy Poehler, pelo Aziz Ansari e pela Rashida Jones. A milhas do The Office americano, claro, que nesta temporada já esteve bastante mau e voltou a estar óptimo (e andam a explorar a parceria Ed Helms/Rainn Wilson incrivelmente bem, a sério, o Ed Helms toca banjo, é uma espécie de novo Steve Martin), mas bom. O Aziz Ansari é um superherói e a prova provada de que a geração reality shows/falta de concentração/redes sociais pode criar um génio. Um bocado como o caso Bruno Aleixo junta a portugalidade à influência que anos 90, especialmente televisivos e radiofónicos, tinham do Brasil e dos filmes e dos jogos de vídeo estrangeiros. Não me canso de dizê-lo. Tipos altamente inteligente que pegam em tudo o que é aparentemente mau e fazem magia. E com tanta piada que dói. Se no primeiro dia de 2010 o mundo olhar para trás para 2009 e não pensar no Aziz Ansari, demito-me.
segunda-feira, março 30, 2009
Festival Alternativo da Canção
Era uma óptima ideia e a execução foi ainda melhor.
Nem todas as canções eram boas. O Jel venceu e continua a não ter piada. E a coisa toda do cantautor de intervenção não tinha piada originalmente. Tem ainda menos. Mas a corda continua a ser esticada. Bem, ao menos não há "tiriri" para irritar ninguém. E a canção não é assim tão má. Daquelas todas é a melhor para tocar nas escadas de Moscovo.
A cerimónia foi incrível. Antes de começar vi o Armando Gama – cantou cinco canções – a estacionar o carro. Não chegou com a Valentina Torres. "Querida, conseguiste arranjar lugar?" Eles falam mesmo assim entre eles. Pensavam que ninguém estava a ouvir. Mas eu estava. Ele tinha um fato branco. Vi-o na casa-de-banho mesmo antes de entrar em palco. Foi um momento magnífico.
O grande serviço que o Fernando Alvim fez ao Festival da Canção não foi só pôr Portugal a ganhar um. Não. Foi pôr Portugal a ter um outra vez. E foi também dar àquela gente – Eládio Clímaco, Serenella Andrade, Armando Gama, Valentina Torres, Helena Coelho, etc. – a oportunidade de regressar ao Festival da Canção, que não existe há anos. E eles foram feitos para ele. Pode ser uma piada para os outros, com nostalgia e RTP Memória pelo meio. Mas para eles é meio a brincar e meio a sério. A genuína felicidade que tinham nos olhos e sorrisos deles é impagável.
Deliberadamente, a cerimónia estava cheia de falhas. A Serenella e o Eládio tropeçavam nos fios, era preciso encher chouriços – "como dizemos na televisão", dizia o Eládio num improviso sobre montar um piano para o Armando Gama tocar duas canções, uma delas era "Let it be" dos Beatles –, o modo de votação do júri não estava bem decidido – ver um B. Fachada irado a chamar o Alvim à razão ou uma Helena Coelho completamente bêbeda a não querer sair do palco enquanto não fosse feita a sua vontade foram momentos muito estranhos – e houve problemas no som – instrumentos não davam, faixas pré-gravadas começavam do início, etc.
Isso contribuiu muito para o sucesso da coisa. Que teve imensa piada. Ou, pelo menos, que me fez rir. Não pelos textos a puxar à piada que os apresentadores liam. Pelos concorrentes. Do tipo assustador a cantar sobre o Natal dos Hospitais ao miúdo a cantar uma canção de amor a cappella – levou o prémio de consolação. Pelo ambiente. Pela coisa toda. Pelos que levavam a sério. Pelos que não levavam. Por dar vida àquela gente. Um pouco como o The Wrestler e o East Bound and Down. Por, naquela noite, fazer muita gente que vive e respira o Festival da Canção feliz. Porque ele já não existe e, durante umas horas, foi como se existisse.
E a cara de Fernando Alvim, pelo meio, como uma criança que pensavam "eu tive uma ideia e deixaram-me fazer e isto e aqui estamos, não posso acreditar." Agora é esperar para ver o Tozé Brito – que não se mostrou lá muito entusiasmado durante a cerimónia – no topo da Estátua do Marquês.
Nem todas as canções eram boas. O Jel venceu e continua a não ter piada. E a coisa toda do cantautor de intervenção não tinha piada originalmente. Tem ainda menos. Mas a corda continua a ser esticada. Bem, ao menos não há "tiriri" para irritar ninguém. E a canção não é assim tão má. Daquelas todas é a melhor para tocar nas escadas de Moscovo.
A cerimónia foi incrível. Antes de começar vi o Armando Gama – cantou cinco canções – a estacionar o carro. Não chegou com a Valentina Torres. "Querida, conseguiste arranjar lugar?" Eles falam mesmo assim entre eles. Pensavam que ninguém estava a ouvir. Mas eu estava. Ele tinha um fato branco. Vi-o na casa-de-banho mesmo antes de entrar em palco. Foi um momento magnífico.
O grande serviço que o Fernando Alvim fez ao Festival da Canção não foi só pôr Portugal a ganhar um. Não. Foi pôr Portugal a ter um outra vez. E foi também dar àquela gente – Eládio Clímaco, Serenella Andrade, Armando Gama, Valentina Torres, Helena Coelho, etc. – a oportunidade de regressar ao Festival da Canção, que não existe há anos. E eles foram feitos para ele. Pode ser uma piada para os outros, com nostalgia e RTP Memória pelo meio. Mas para eles é meio a brincar e meio a sério. A genuína felicidade que tinham nos olhos e sorrisos deles é impagável.
Deliberadamente, a cerimónia estava cheia de falhas. A Serenella e o Eládio tropeçavam nos fios, era preciso encher chouriços – "como dizemos na televisão", dizia o Eládio num improviso sobre montar um piano para o Armando Gama tocar duas canções, uma delas era "Let it be" dos Beatles –, o modo de votação do júri não estava bem decidido – ver um B. Fachada irado a chamar o Alvim à razão ou uma Helena Coelho completamente bêbeda a não querer sair do palco enquanto não fosse feita a sua vontade foram momentos muito estranhos – e houve problemas no som – instrumentos não davam, faixas pré-gravadas começavam do início, etc.
Isso contribuiu muito para o sucesso da coisa. Que teve imensa piada. Ou, pelo menos, que me fez rir. Não pelos textos a puxar à piada que os apresentadores liam. Pelos concorrentes. Do tipo assustador a cantar sobre o Natal dos Hospitais ao miúdo a cantar uma canção de amor a cappella – levou o prémio de consolação. Pelo ambiente. Pela coisa toda. Pelos que levavam a sério. Pelos que não levavam. Por dar vida àquela gente. Um pouco como o The Wrestler e o East Bound and Down. Por, naquela noite, fazer muita gente que vive e respira o Festival da Canção feliz. Porque ele já não existe e, durante umas horas, foi como se existisse.
E a cara de Fernando Alvim, pelo meio, como uma criança que pensavam "eu tive uma ideia e deixaram-me fazer e isto e aqui estamos, não posso acreditar." Agora é esperar para ver o Tozé Brito – que não se mostrou lá muito entusiasmado durante a cerimónia – no topo da Estátua do Marquês.
sexta-feira, março 20, 2009
Piadas idiotas a partir de notícias
Pratos feitos de cocaína? Uma boa maneira de pôr finalmente a Kate Moss a comer.
quinta-feira, março 19, 2009
Polar beto
Pronto, chegou a legitimação do polar vermelho à beto (e uma malha que me ficou na cabeça desde as duas vezes que os vi – e não gostei).
sexta-feira, março 13, 2009
Um dia menos bom
É chegar a casa e o Aziz Ansari não ter escrito nada no Tumblr nem no Twitter. Onde raio é que eu vou ler pérolas como "HOW MANY GOD DAMN TIMES DO I HAVE TO SAY THIS?? NO ANIL KAPOOR I DON'T WANT TO DO A BUDDY COP MOVIE WITH YOU!"?
Aziz, 'Ye e TMZ
O Aziz Ansari arranjou a forma mais genial de promover o Parks and Recreation, que estreia dia 9 de Abril e vai ser uma série incrível (é com a Amy Poehler e a Rashida Jones, não preciso de dizer mais nada). Estava com o Kanye West – a amizade deles intriga-me, como é que será que o 'Ye reage ao que o Aziz dizia dele há três anos nos espectáculos? – e chegou um tipo do TMZ com uma câmara e um membro da entourage do 'Ye mandou o tipo para o caraças e o Aziz aproveitou para falar da série. Ver aqui, marketing do melhor que há. É giro ver como os tipos do Late Night with Jimmy Fallon tentam vender aquilo como uma coisa virada para a internet e as novas tecnologias e os blogs e os Twitters e o Facebook e os viral videos e o caraças, mas essa linguagem toda foi dominada pelos tipos do Human Giant – com o Ansari à cabeça – há dois anos. Claro que não era um talk show e não foram os primeiros, mas fazer comédia e aproveitar essa linguagem – e os reality shows em que o Fallon insiste – neles funciona melhor que no Fallon – que até se está a dar não muito mal. E cada um deles continua a ser invariavelmente genial em cada um dos seus Tumblrs. Além disso, como se vê, o Aziz arranjou finalmente um uso decente para o TMZ. Melhor. Uso. Da. Internet. De. Sempre.
East Bound and Down parte 2
Kenny "Fucking" Powers ainda se acha o maior. Não o é, de todo. Acha que tem o mundo na palma da mão. E não tem. As camisas pretas que usa serão um dia lendárias. E quando descobrir que não é o maior e que já não dá para voltar atrás vai ficar muito triste. O rumo que a série vai tomar só pode ser bom.
Flight of the Conchords
Quando o Michel Gondry conheceu os Flight of the Conchords, o resultado foi a melhor canção deles (e o melhor vídeo). A segunda temporada tem mais dinheiro e meios, mas ainda não tinha dado nenhuma canção que se comparasse às da primeira temporada. Há um mês deu, com isto. Acho que nunca me vou fartar da canção, fica como um dos melhores momentos de comédia da década (é curioso que alguns dos meus momentos favoritos de comédia da década sejam musicais: "I Ran" dos Lonely Island, o David Bowie no Extras, "Free Love on the Freelove Freeway", os problemas do Zach Galifianakis com as mulheres, etc.). "Oh we can eat cereal." A série influenciou-me bastante, pessoalmente. Descobri que adoro o sotaque neo-zelandês acima de qualquer outro. Há umas semanas entrevistei um dos Datsuns e inventei perguntas sobre os próprios Flight of the Conchords só para poder ouvir mais um bocado daquele sotaque. Não é todos os dias que se interage com ele, infelizmente. Orgulho-me de viver num mundo em que há Flight of the Conchords, 30 Rock – que chegou ao patamar de excelência, pelo menos desta década, que era o Arrested Development – e The Office – voltou a ser bom. East Bound and Down não conta, só tem seis episódios, apesar de eu fazer figas para mais seis e um especial de natal, a fórmula Ricky Gervais.
The Wrestler/East Bound and Down
Dois reversos da mesma moeda. O ecrã fica preto e o Boss começa a cantar "Have you ever seen a one trick pony in the field so happy and free? If you've ever seen a one trick pony you've seen me." Está feito. Envelhecer, só saber fazer uma coisa na vida, não ter mais nenhum lado para onde se virar. Tudo. O East Bound and Down também é assim. Só que em comédia – e o The Wrestlerescolhe não ser uma comédia: foi escrito por um escriba do The Onion e tem o Todd Barry e o Judah Friedlander em papéis sérios. Com episódios realizados pelo David Gordon Green. O Danny McBride é Kenny "Fucking" Powers, uma estrela do basebol que se meteu na cocaína e engordou e nunca mais vai voltar a ser o mesmo. E digo "é" não numa de sinopse da série, mas sim porque ele é mesmo o gajo. Dedicação a um papel? Danny McBride tem-la para dar e vender: usa uma mullet (em português diz-se "roulotte") incrível. Como é que ele anda na rua assim? O cabelo dele no Tropic Thunder e no Pinapple Express também não é brilhante, mas não é uma roloutte. No outro dia vi o Valkyrie e pensei como seria a vida social do tipo que fez de Hitler enquanto estava a rodar o filme. Não saía de casa? Não falava com ninguém? Imaginei que ele tinha de tirar o bilhete de identidade outra vez e tinha de ser fotografado. Ser o Hitler no B.I. deve ser terrível. Voltando ao assunto, a história da série é boa, está bem escrita e tem piada para dar e vender, o McBride é dos melhores rednecks que já vi, em cada três palavras uma delas é um palavrão, um tipo egocêntrico, narcisista, que já não é o que era e nunca voltará a ser mas tenta a todo o custo sê-lo, o que provoca nas pessoas uma mistura de tristeza e riso. O Will Ferrell anda lá metido e um dos criadores/realizadores da série, o Jody Hill, tem um filme, o Observe and Report, aí preparado. Supostamente é o Taxi Driver da comédia. Tem o Seth Rogen e vai até onde nunca se pensou que esta gente iria. Quem escreve bem sobre estas coisas – e tudo – é o Patton Oswalt. Aqui. De textos como este à reapreciação crítica de Punisher: War Zone ou da carreira do Jason Statham, passando pelas participações dele em tudo o que mexe (partia sempre o Conan ao meio, a voz dele no Ratatouille, etc.) e pelos discos de stand-up, sem esquecer a série Comedians of Comedy, um dos maiores que já houve. Sem dúvida alguma.
I Love You, Man
E o I Love You, Man vai ou não vai ser incrível? Exactamente quando é que o Paul Rudd deixou de ser uma espécie de punchline sobre os anos 90 – por causa de filmes como o Clueless – e passou a ser universalmente respeitado como um génio da comédia? Esta semana esteve no David Letterman e no Jon Stewart e foi brilhante. Não há ninguém que não goste dele, no mundo em geral. Todos os homens querem ser como ele e todas as mulheres querem tê-lo. E tem sempre piada. Em qualquer coisa que faça. O I Love You, Man não só tem um elenco bestial – também tem o Aziz Ansari, além da Rashida Jones, o J.K. Simmons, o Andy Samberg, a Jane Curtin e o Jon Favreau, só assim de cabeça –, como tem o Jason Segel, que merece todo o amor que alguém lhe possa dar e ainda mais. Não existe ninguém, no mundo inteiro, com a capacidade de auto-humilhação dele. Nem é pela cena inicial do Forgetting Sarah Marshall – genial –, é por tudo. É no Freaks and Geeks, quando ele está apaixonado, escreve uma canção, canta "Lady" dos Styx, toca (mal) bateria numa canção dos Cream, dança disco, tudo. E no Undeclared, onde é um namorado/ex-namorado completamente obcecado. Ninguém, mas ninguém, no mundo inteiro, é como ele. Gostava que aproveitassem mais essa faceta dele no How I Met Your Mother. E no I Love You, Man ele tem uma espécie de sala de música, uma garagem, ou lá o que é, pelo que dá para ver dos bocadinhos que têm aparecido por aí. É quase como se ele estivesse a voltar a ser o puto do Freaks and Geeks. E isso, meninas e meninos, é das melhores coisas que podiam acontecer ao mundo.
Chuck Lorre
E por falar em ódios, existe alguém no mundo pior que o Chuck Lorre? Anteontem na Variety vinham vários artigos sobre ele. Num deles, o Charlie Sheen – estrela da inenarravelmente má sitcom Two and a Half Men e utilizador de algumas das piores camisas jamais criadas – dizia do Lorre:
"I think he has an absolute and total focus on passion, and I think that's fueled by his never-ending quest to not settle, to deliver things that are unique, that are original, because he's the first to tell you that there's enough crap on television and, without specifying, we can either contribute to that side of it or make an effort to do something much different."
Para dizer o óbvio: ELES CONTRIBUEM PARA ESSE LADO DA MERDA NA TELEVISÃO! E o Big Bang Theory também é horrível. Achar piada àquilo é nunca ter ouvido aquelas piadas antes, ou seja, é não estar vivo. Humor banal, sem imaginação, sem ideias novas, sem risco, sem nada. Tão mau que chega a ofender. Quando era mais novo até gostava do Dharma & Greg, não sinto qualquer ódio em relação àquilo, ainda há pouco tempo passava na SIC Mulher e via de vez em quando. Com o gosto de quem vê uma sitcom não muito boa, mas que tem gente que se safa – os pais de ambos, os amigos deles, as estrelas convidadas, etc. Nada de brilhante, nada de especial, mas não era ofensivo. As duas séries que o gajo tem hoje em dia são terríveis. Do pior que se faz por aí. Seria interessante ver mais gente a odiá-las. De morte. Ele é um dos maiores embustes da televisão moderna. Desculpá-lo só porque as vanity cards do final dos episódios até têm alguma piada na onda ele-não-pensa-antes-de-escrever-deixa-aquilo-correr e não-acredito-que-ele-escreveu-aquilo-na-televisão é ajudar a perpetuar o lixo.
"I think he has an absolute and total focus on passion, and I think that's fueled by his never-ending quest to not settle, to deliver things that are unique, that are original, because he's the first to tell you that there's enough crap on television and, without specifying, we can either contribute to that side of it or make an effort to do something much different."
Para dizer o óbvio: ELES CONTRIBUEM PARA ESSE LADO DA MERDA NA TELEVISÃO! E o Big Bang Theory também é horrível. Achar piada àquilo é nunca ter ouvido aquelas piadas antes, ou seja, é não estar vivo. Humor banal, sem imaginação, sem ideias novas, sem risco, sem nada. Tão mau que chega a ofender. Quando era mais novo até gostava do Dharma & Greg, não sinto qualquer ódio em relação àquilo, ainda há pouco tempo passava na SIC Mulher e via de vez em quando. Com o gosto de quem vê uma sitcom não muito boa, mas que tem gente que se safa – os pais de ambos, os amigos deles, as estrelas convidadas, etc. Nada de brilhante, nada de especial, mas não era ofensivo. As duas séries que o gajo tem hoje em dia são terríveis. Do pior que se faz por aí. Seria interessante ver mais gente a odiá-las. De morte. Ele é um dos maiores embustes da televisão moderna. Desculpá-lo só porque as vanity cards do final dos episódios até têm alguma piada na onda ele-não-pensa-antes-de-escrever-deixa-aquilo-correr e não-acredito-que-ele-escreveu-aquilo-na-televisão é ajudar a perpetuar o lixo.
Funny People parte 2
Aziz Ansari, o meu herói, faz de Randy. O Randy é uma espécie de Dane Cook. Dá para ver aqui. Adoro que se odeie o Dane Cook, alguém para quem a expressão "douchebag" foi inventada. O irmão douchey do Will Ferrell no Step Brothers diz "Dane Cook. Pay-per-view. 20 minutes..." à mulher para ela se despachar. O Zach Galifianakis acaba actuações com a última folha do bloco de notas a dizer "fuck Dane Cook". O mundo é sítio bom onde pessoas boas odeiam pessoas más. Não percebo onde é que o Dan in Real Life entra nisso, junta o Steve Carell, alguém do mundo Apatow, ao Cook, alguém do mundo merda. Espero que tenha sido pelo dinheiro. De qualquer forma, espero que o Funny People incite ainda mais ao ódio do tipo.
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