Ainda outro conceito implícito: o Christopher Guest, o Harry Shearer e o Michael McKean (ou seja, os Spinal Tap e os Folksmen) são talvez o expoente máximo desse tipo de coisa.
sábado, dezembro 20, 2008
sexta-feira, dezembro 19, 2008
2009 2
O que está subentendido é que o Christopher Guest fez uma carreira inteira (brilhante) a partir da observação daquela cena. E momentos musicais que resultam em comédia portuguesa: os do fim d'O Programa do Aleixo. Porque não são canções originais.
2009
A história que o Christopher Guest contou de estar num hotel e ver o manager de uma banda inglesa a falar do baixista de uma banda de rock inglesa e pensar que podia ficar até ao final dos seus dias a assistir à troca idiota de palavras é a melhor parte do encontro entre o Ricky Gervais e o Christopher Guest, dois génios (prémio de consolação: o Guest a explicar que fica às vezes um ano sem fazer nada, sem ter uma única ideia, e que os filmes dele demoram imenso tempo a passar do pensamento à concretização). Um, claro, influenciou imensamente o outro, como fosse sequer concebível o The Office sem o This is Spinal Tap e o Waiting For Guffman (o Best in Show não deve ter saído a tempo de figurar como influência).
São os dois brilhantes fora desses dois contextos que são os seus expoentes máximos (o Guest é grande em praticamente tudo o que faz, especialmente pequenos papéis em filmes, conseguiu fazer com que a Jamie Lee Curtis casasse com ele; o Ricky Gervais tem o Extras, os espectáculos e milhares de coisas óptimas, nomeadamente o blog), e são os dois incríveis juntos nesta entrevista (muito melhor que a do Gervais ao Garry Shandling, outra influência-chave dele por causa do Larry Sanders Show). E já estiveram juntos em For Your Consideration, vão estar no Night at the Museum 2 (presumo que não contracenarão juntos), mas 2009 vai ser o melhor ano de sempre porque vai sair o This Side of the Truth, a estreia na realização do Gervais com praticamente toda a gente que interessa no mundo hoje em dia (sem qualquer tipo de exagero, basta provar aqui).
Não é só pelo filme, claro, 2009 também assistirá à ascensão do Aziz Ansari, a mais brilhante mente cómica nascida nos anos 80. No spin-off que não é spin-off do The Office americano que levou a que a Amy Poehler a sair do Saturday Night Live (quase que chorei no discurso dela no final do Weekend Update na semana passada) e no Funny People do Apatow (outro acontecimento do ano).
O Tumblr dele é provavelmente a coisa com mais piada que eu conheço e vai ser uma pena vê-lo abandoná-lo quando ficar famoso até dizer chega (ou não, o Gervais não abandona o blog e é uma estrela internacional, o Patton Oswalt – outro tipo brilhante – esteve no King of Queens, uma série muito mais bem sucedida do que a em que o Aziz aparecerá alguma vez será, fez a voz principal do Ratatouille e escrevia no blog do MySpace, mas são blogs pós-fama – não se pode chamar ao Human Giant fama a sério).
2009 também trará a estreia em disco dos Lonely Island, o trio do qual faz parte o Andy Samberg, provavelmente – agora que não há Amy Poehler – o melhor membro do elenco do Saturday Night Live (o Bill Hader também é grande, a Kristen Wiig é muito melhor e mais versátil que muitos dos papéis que mostra lá, e há gente muito boa, só que o Fred Armisen foi parvo este fim-de-semana); as não-imitações de celebridades dele são geniais, "I'm *inserir nome de famoso*, wazaaaaa? Laterz" (e as imitações a sério também: Mark Wahlberg talks to animals=muito nível). A questão é que faz todo o sentido lançarem um disco: têm acesso a convidados bons e sabem que para criar uma boa canção de comédia ou uma boa paródia é adorar acima de tudo aquilo que estão a parodiar (o que se nota imenso, se se tirasse a parte cómica, muito daquilo funcionaria como canções a sério). O que é muito, muito mais do que a preguiça que muita gente costuma ter nestas coisas (especialmente os portugueses): não basta pegar num ou dois lugares comuns e ideias feitas e transformá-las em piada, é preciso saber como é que funciona o jogo.
Pegue-se no exemplo de "I Ran", para mim, um dos melhores momentos de humor desta década e algo de que nunca me farto (o que é estranho para algo que é humor tópico, que servia o propósito de gozar com a estadia de Mahmoud Ahmadinejad – consegui escrever o nome dele à primeira sem precisar de confirmação e é só por causa do meu amor pela canção – em Nova Iorque e os comentários sobre homossexuais). E tudo porque parece que é a sério. Como o Kanye West um dia percebeu, bastava um sample de piano triste e o Adam Levine dos Maroon 5 no refrão para fazer alguém chorar. E foi isso que o Samberg fez, para além de pegar no brilhante Fred Armisen (o Obama dele é muito bom, digam o que disserem) para imitar o Mahmoud, pôs o Adam Levine a cantar o refrão. A letra é óptima, e mesmo que tenha demorado pouco tempo a fazer (há sempre a pressão do programa e uma semana apenas), eles conheciam e sabiam como devia ser feito (aquele sample do Aphex Twin pedia uma canção assim, fora de qualquer comédia). E é essa a grande diferença entre eles e gente que não se dá sequer ao trabalho de saber um bocadinho sobre o que está a fazer. A entrevista deles na Pitchfork vale muito a pena (são amigos do Justin Timberlake e colaboram com o T-Pain, mas o Samberg tem um pedigree indie brutal: andou/anda com a Joanna Newsom, o que me faz invejá-lo de ainda mais uma maneira).
São os dois brilhantes fora desses dois contextos que são os seus expoentes máximos (o Guest é grande em praticamente tudo o que faz, especialmente pequenos papéis em filmes, conseguiu fazer com que a Jamie Lee Curtis casasse com ele; o Ricky Gervais tem o Extras, os espectáculos e milhares de coisas óptimas, nomeadamente o blog), e são os dois incríveis juntos nesta entrevista (muito melhor que a do Gervais ao Garry Shandling, outra influência-chave dele por causa do Larry Sanders Show). E já estiveram juntos em For Your Consideration, vão estar no Night at the Museum 2 (presumo que não contracenarão juntos), mas 2009 vai ser o melhor ano de sempre porque vai sair o This Side of the Truth, a estreia na realização do Gervais com praticamente toda a gente que interessa no mundo hoje em dia (sem qualquer tipo de exagero, basta provar aqui).
Não é só pelo filme, claro, 2009 também assistirá à ascensão do Aziz Ansari, a mais brilhante mente cómica nascida nos anos 80. No spin-off que não é spin-off do The Office americano que levou a que a Amy Poehler a sair do Saturday Night Live (quase que chorei no discurso dela no final do Weekend Update na semana passada) e no Funny People do Apatow (outro acontecimento do ano).
O Tumblr dele é provavelmente a coisa com mais piada que eu conheço e vai ser uma pena vê-lo abandoná-lo quando ficar famoso até dizer chega (ou não, o Gervais não abandona o blog e é uma estrela internacional, o Patton Oswalt – outro tipo brilhante – esteve no King of Queens, uma série muito mais bem sucedida do que a em que o Aziz aparecerá alguma vez será, fez a voz principal do Ratatouille e escrevia no blog do MySpace, mas são blogs pós-fama – não se pode chamar ao Human Giant fama a sério).
2009 também trará a estreia em disco dos Lonely Island, o trio do qual faz parte o Andy Samberg, provavelmente – agora que não há Amy Poehler – o melhor membro do elenco do Saturday Night Live (o Bill Hader também é grande, a Kristen Wiig é muito melhor e mais versátil que muitos dos papéis que mostra lá, e há gente muito boa, só que o Fred Armisen foi parvo este fim-de-semana); as não-imitações de celebridades dele são geniais, "I'm *inserir nome de famoso*, wazaaaaa? Laterz" (e as imitações a sério também: Mark Wahlberg talks to animals=muito nível). A questão é que faz todo o sentido lançarem um disco: têm acesso a convidados bons e sabem que para criar uma boa canção de comédia ou uma boa paródia é adorar acima de tudo aquilo que estão a parodiar (o que se nota imenso, se se tirasse a parte cómica, muito daquilo funcionaria como canções a sério). O que é muito, muito mais do que a preguiça que muita gente costuma ter nestas coisas (especialmente os portugueses): não basta pegar num ou dois lugares comuns e ideias feitas e transformá-las em piada, é preciso saber como é que funciona o jogo.
Pegue-se no exemplo de "I Ran", para mim, um dos melhores momentos de humor desta década e algo de que nunca me farto (o que é estranho para algo que é humor tópico, que servia o propósito de gozar com a estadia de Mahmoud Ahmadinejad – consegui escrever o nome dele à primeira sem precisar de confirmação e é só por causa do meu amor pela canção – em Nova Iorque e os comentários sobre homossexuais). E tudo porque parece que é a sério. Como o Kanye West um dia percebeu, bastava um sample de piano triste e o Adam Levine dos Maroon 5 no refrão para fazer alguém chorar. E foi isso que o Samberg fez, para além de pegar no brilhante Fred Armisen (o Obama dele é muito bom, digam o que disserem) para imitar o Mahmoud, pôs o Adam Levine a cantar o refrão. A letra é óptima, e mesmo que tenha demorado pouco tempo a fazer (há sempre a pressão do programa e uma semana apenas), eles conheciam e sabiam como devia ser feito (aquele sample do Aphex Twin pedia uma canção assim, fora de qualquer comédia). E é essa a grande diferença entre eles e gente que não se dá sequer ao trabalho de saber um bocadinho sobre o que está a fazer. A entrevista deles na Pitchfork vale muito a pena (são amigos do Justin Timberlake e colaboram com o T-Pain, mas o Samberg tem um pedigree indie brutal: andou/anda com a Joanna Newsom, o que me faz invejá-lo de ainda mais uma maneira).
O meu novo herói
O gajo da luva do 30 Rock. Que grande.
terça-feira, dezembro 02, 2008
Foda-se. Isto não tinha obrigação nenhuma de ser bom. Seria impressionante só pela quantidade de gente envolvida (esta malha tem o David Byrne, o Chuck D e o Seu Jorge, por exemplo, o disco tem o Tom Waits, a M.I.A., membros do Wu-Tang Clan, etc.). Valeria só por isso, curiosidade. Mas é malha. Vês, Norman Cook? É assim que se junta o Byrne e rap.
sexta-feira, novembro 28, 2008
The Mentalist
The Mentalist. Coletes e sobrancelhas. Precisava de um police procedural na minha vida. Encontrei-o.
quarta-feira, novembro 26, 2008
What's so funny, Stephen?
segunda-feira, novembro 24, 2008
The greatest gift of all
Este é o melhor Natal de sempre. Não há nada de especial a passar-se em Inglaterra, ao contrário do ano passado, quando houve o especial do Extras. Mas noutros sítios há. A melhor mini-série portuguesa de sempre, Um Mundo Catita, já estreou na televisão. É um conto de Natal incrível. E ontem, lá no estrangeiro, estreou A Colbert Christmas, o especial de Natal do Stephen Colbert. A história é simples: o Stephen Colbert quer fazer um especial de Natal com o Elvis Costello. Isso seria, só por si, um evento, um acontecimento, algo a celebrar. Só que o raio da coisa tem 40 minutos e é brilhante. E grandes, grandes canções. Esta é uma delas:
O John Legend é o R. Kelly das especiarias. E canta, no final, uma canção do Elvis Costello. Um bocadinho, pelo menos. Algo que o Kells nunca faria. Pontos para ele.
Por falar nisso, quarta-feira sai na Time Out um texto meu sobre o enorme, o grande, o incomparável, o sublime Stephen Colbert e o seu delicioso Colbert Report. Não é só por isso que estou a insistir tanto nele. É que este vai ser mesmo o melhor Natal do mundo de sempre.
The Colbert ReportMon - Thurs 11:30pm / 10:30c
O John Legend é o R. Kelly das especiarias. E canta, no final, uma canção do Elvis Costello. Um bocadinho, pelo menos. Algo que o Kells nunca faria. Pontos para ele.
Por falar nisso, quarta-feira sai na Time Out um texto meu sobre o enorme, o grande, o incomparável, o sublime Stephen Colbert e o seu delicioso Colbert Report. Não é só por isso que estou a insistir tanto nele. É que este vai ser mesmo o melhor Natal do mundo de sempre.
sexta-feira, novembro 21, 2008
30 Rock
O episódio de ontem tinha o Steve Martin (também conhecido como o maior de todo o sempre e o homem com mais classe do mundo). E consegue continuar a média de uma frase genial, hilariante e intensamente memorável que nunca me sairá da cabeça até morrer por minuto. Aquela gente é rude, anda a brincar com isto, uma pessoa tem de escolher quais vai decorar. Esta foi a que ficou: "I can't believe you're out of the game, it's like Picasso not painting, or Bruce Willis not combining action and rock harmonica." E a classe do Alec Baldwin estava no mesmo ecrã que a classe do Steve Martin e o mundo não explodiu. Curioso.
quarta-feira, novembro 19, 2008
Simon+Colbert
O maior escritor de canções de sempre (e rei da comédia, desde o primeiro ano do SNL) com o Stephen Colbert. Clássico instantâneo.
segunda-feira, outubro 27, 2008
Kano
A cadência das palavras dele por causa da pronúncia inglesa são perfeitas e ficam óptimas aqui. Já me esquecia do quanto gostava do Kano, porra. "Brown Eyes", a história de amor na onda chipmunk soul ao nível de produções do Kanye West ou do Just Blaze, "Nite Nite" com a parte cantada do Leo The Lion e o tom conversacional do Mike Skinner e o "War Pigs" (melhor canção de sempre?) em "I Don't Know Why".
Black Diamond
Segundo isto, a versão internacional do Black Diamond tem uma malha com o Kano. O primeiro disco do Kano era bestial (a malha com o Mike Skinner, a "Brown Eyes" e a malha que samplava Black Sabbath eram as três melhores), o outro não ouvi, já que o single com o Craig David era demasiado mau. Mas uma malha com Buraka Som Sistema? Deve ser pouco grande, deve. É uma pena não ter saído cá.
sábado, outubro 25, 2008
Once
Porque é que "Once in a Lifetime", dos Talking Heads (provavelmente, a melhor canção de sempre), é sempre usada para anunciar filmes políticos? Há quase um ano foi o Charlie Wilson's War, agora é o W.
sexta-feira, outubro 24, 2008
'808s and Heartbreak
'808s and Heartbreak é o melhor nome de sempre. Porquê? Porque sim. Porque de um lado há o TR-808 da Roland. A caixa de ritmos. O sintético. A máquina. As batidas. A batida sintética que imita o bater do coração na "Love Lockdown". O auto-tune que o Kanye West usa na voz em quase todas as canções (ou mesmo todas, ao que parece) do disco. Por outro, a dor de coração. O sentimento. O orgânico. A rima imperfeita que há no título. O plural e o singular. Porque vai ser importante, quer se goste, quer não. E parece-me muito provável que eu vá gostar. Mesmo que não seja um bom disco, já tem o título que não me sai da cabeça, por muito que tente.
sábado, outubro 18, 2008
I need love
A minha insistência em dizer que a parte rock da Santogold não rende é enorme. Mas é porque me irrita. Há boas canções escondidas por detrás daqueles arranjos banais. Anda aí um remix de uma delas, "I'm a Lady", pelo Diplo. Transforma uma canção assim-assim numa versão da "I Need Love" do LL Cool J (um clássico das slow jams, e o vídeo também) com a voz da Amanda Blank (a minha heroína desde que a vi em Londres com Bonde do Rolê e uma t-shirt de mangas cortadas do Purple Rain do Prince e alguém que merece o céu pelas estrofes na "Bump" e na "Loose" de Spank Rock e a participação na "Sexy MF" do Pase Rock). Malha.
E ainda estou à espera de um remix que mostre que "Lights Out" é uma das canções do ano, que a versão original dá a entender isso mas estraga tudo.
E ainda estou à espera de um remix que mostre que "Lights Out" é uma das canções do ano, que a versão original dá a entender isso mas estraga tudo.
sexta-feira, outubro 17, 2008
'Ye
'808s, coração partido, 40 mulheres nuas (pretas e brancas) e auto-tune. "Love Lockdown" (diz o Jon Caramanica – que me faz não ter muitas saudades do Kelefa Sanneh – no New York Times que é a melhor canção dos TV On The Radio deste ano e faz sentido), "Heartless" e "Coldest Winter". Se há alguém que consegue fazer isto funcionar, é o Kanye West.
quarta-feira, outubro 15, 2008
You're on point
A brincar, a brincar, o meu MC preferido vai ter novo álbum não tarda nada e (provavelmente) vai ser bom.
segunda-feira, outubro 06, 2008
The Very Best
O facto de o Esau Mwamwaya (tão bom que merece um Óscar; daqui a seis meses vai tomar conta do mundo, já podia tê-lo feito antes, mas decidiu esperar) ainda não ter lançado nada em formato físico é uma espécie de apelo à pirataria em DJ sets, não é? E onde é que está o freestyle dele por cima do beat da "A Milli"? Isso é que eu gostava de saber.
domingo, setembro 28, 2008
Feig, o falhado
Vinha no New York Times anteontem, só vi hoje: um perfil do Paul Feig. Criador do Freaks and Geeks (no meu top 10 de séries favoritas de sempre, certamente) e o maior/melhor falhado de sempre. Grande, grande, muito grande. Cheio de ideias, cheio de falhanços, cheio de desilusões. A comédia dos falhados, dos perdedores, dos feios, dos gordos, dos incompreendidos, dos que gostam demasiado de coisas pouco fixes. Em suma, o meu herói.
quarta-feira, setembro 24, 2008
Love Lockdown #2
O que não quer, de todo, dizer que espero que o 808s and Heartbreak seja todo assim, mas espero que tenha TR-808s e corações partidos e, se não fosse pedir demasiado, rap (ele pode ser um mau rapper, mas é melhor rapper que cantor, e o auto-tune cansa imenso, alguém alguma vez ouviu um disco do T-Pain até ao fim, para além dele?). Kanye triste vale sempre.
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