quinta-feira, julho 12, 2007

Mas é necessário dizê-lo

Os Panic! At The Disco continuam a ser francamente maus, bem como os Gym Class Heroes, duas bandas que me fizeram inflacionar o preconceito contra os Fall Out Boy.

terça-feira, julho 10, 2007

My Chemical Romance e uns vídeos

Ouvi, finalmente, The Black Parade. Parece-me um bom disco, fácil de gostar, que não justifica, de todo, ódios desmesurados. Boas canções, boas melodias, óptimos singles - até aqueles de que não gostava não soam nada mal...adoro os Modest Mouse, são uma das minhas bandas favoritas dos anos 2000, desde o The Moon & Antarctica que têm uma sucessão de óptimos discos (também são só mais dois), inclusivamente o deste ano, com o Johnny Marr (guitarrista de uma das minhas bandas favoritas, que também parece ter influenciado os MCR). Há muita coisa por aqui que navega pelos mesmos campos, a temática da morte e tal, só que sem letras boas. Até há momentos que soam a Modest Mouse ("Mama" até parece uma do novo, o que, tendo em conta que este disco é de 2006, é estranho, até o que o tipo canta, "Mama, we're all gonna die", podia ser MM). O pior dos My Chemical Romance são as letras, quase sempre horríveis, mas, tirando isso, do swing de big band da primeira metade do século XX de "House of Wolves" às bandas de marcha de "Welcome to the Black Parade" (cada vez gosto mais da canção toda e não só do refrão e da ponte que quando se sobrepõem é magnífico), isto é manifestamente bom. Hoje vou ver se tento os Fall Out Boy, para continuar na minha descoberta desta gente.
Li no New York Times no próprio dia mas não liguei muito. Também acho que não acabei de ler, mas os Boredoms, em pleno dia do Live Earth (acho que só vi os Police com o Kanye West e o John Mayer, foi horrendo, e eu lembrava-me de os Police serem bons), fizeram um concerto grátis com 77 bateristas. 7/7/7, 77 bateristas. A lista é extensa e tem muita gente boa, como malta dos Gang Gang Dance, dos Oneida, dos Modest Mouse, dos Lightning Bolt, etc. Tudo boa gente de boas bandas daquela zona e de outras zonas. Até o Jim Black, que julgo já ter visto tocar com o Carlos Bica (faz parte da formação Azul), estava lá, a não ser que haja dois Jim Black bateristas, o que também é possível. O Andrew W.K., esse idiota, por amor de Deus, esteve lá, deve ter ido vestido de branco e feito um discurso no início, motivador do caraças. Há uns vídeos disso no YouTube e na Pitchfork, e isto parece-me muito bem, e muito menos chato do que devia ser (para chatice de bateristas, ouvir Bumps, a banda dos três bateristas de uma das melhores bandas do mundo, o Dan Bitney, o John McEntire e o John Herndon dos Tortoise).
Para continuar em vídeos da Pitchfork (há coisas muito boas no Forkcast, apesar de eu já não ler textos da Pitchfork há mesmo muito tempo), Girl Talk no festival de jazz de Montréal. O meu herói. Ele tem um suporte para o laptop e vai para o meio da rua fazer a festa. É criminoso ele nunca ter vindo cá. Criminoso.
Zach Hill, dos Hella, não foi um dos bateristas convidados pelos Boredoms, mas toca no disco da Marnie Stern, que é as Sleater-Kinney reencarnadas cruzadas com o Eddie Van Halen. Tapping hipnótico na guitarra, com boas canções. Cada vez gosto mais do disco, memso não ligando muito ao fim e à faixa em que ela descreve uma viagem. Nunca pensei muito nisso, fui ouvindo desde há uns meses, e tem coisas realmente boas. Também há uns vídeos bons no YouTube dela a tocar com ele agora que deixou de vez (e ainda bem) o IPod (ela tocava com um IPod em vez de um baterista). Este é o tipo de coisa que podia ir a Paredes de Coura, mas certamente que teremos duas ou três bandas que são a enésima "revitalização" do som "pop puro" dos "anos 80", ou seja, "o futuro", apesar de estarmos a quase um mês do festival e o cartaz não estar, de todo, fechado.

segunda-feira, julho 09, 2007

It's a goddamned arms race

Há algum tempo, talvez há um ano, costumava pensar que todas as bandas de emo new school eram horrendas. Algumas são. Gym Class Heroes ainda é das piores bandas de sempre, que não haja dúvidas disso. E deve ter sido por causa deles que inflacionei o meu ódio pelos Fall Out Boy, visto serem protegidos dele. Nunca ouvi discos de nenhumas destas bandas, mas, pegando nos singles mais recentes dos My Chemical Romance, a partir de "Welcome to the Black Parade" e até "Teenagers", e no "This Ain't A Scene, It's an Arms Race" dos Fall Out Boy, há que admitir algumas coisas.
"Welcome to the Black Parade" tem duas partes óptimas, para além da guitarra à Queen que passa por todo o lado, o refrão "We'll carry on" é bastante bom e a ponte lá para o fim que se sobrepõe a ela também. O resto não é tão bom, mas também não é mau e essa espera vale muito a pena para chegar àquilo. "This Ain't a Scene" teve direito a uma remistura bastante má do Kanye West (eles são amigos do Jay-Z e até tiraram coisas do início do "Takeover": "The takeover, the break's over") e a canção, no geral, não é grande coisa. Tem algo a ver com o arranjo, a ponte (que é quase um primeiro refrão) poderia funcionar se estivesse tocado de outra forma, mas não funciona. O refrão com "I'm a leading man" é incrível, um óptimo momento pop para qualquer banda do mundo. Seria melhor se a letra fosse como a entendi da primeira vez que a ouvi, ou seja, "I'm a leading man, I'm so emo, I'm so intricate", mas não é (é "the lies I weave are so intricate, pelos vistos").
Estas bandas têm canções com partes muito boas e outras não tanto, e gostam bastante disso, de usar muitas partes diferentes, como se pertencessem a várias canções - podiam ser feitas várias canções a partir das várias partes -, e isto tem sempre resultados variáveis, havendo partes boas e partes más. Em "Teenagers", os My Chemical Romance apercebem-se de que seria impossível chegar ao nível do refrão e, portanto, a canção é basicamente a mesma melodia repetida, um pouco mais baixa e com uma ou outra alteração no verso e alta no refrão. E é gloriosa, um single óptimo, com um refrão extremamente cantarolável para muita gente (um singalong, como se diria em americano), que no fim até tem cowbell a marcar o tempo. "Teenagers scare the living shit out of me".
Claro, a maquilhagem e o baixista dos Fall Out Boy ainda são elementos a desprezar por qualquer pessoa do mundo, bem como as legiões de fãs de ambas as bandas. Mas parece-me que há aqui muito bons elementos, coisas que poderiam ser muito boas canções, e que esta gente não é, de todo, parva. Os Fall Out Boy parecem passar a vida a gozar com eles próprios, e, no geral, esta gente não se leva muito a sério. E ainda bem.

sexta-feira, julho 06, 2007

Um título que não refere o SBSR

Gosto muito da Beth Ditto. Ela tem pinta e tem uma boa coluna no Guardian ("What would Beth Ditto do?", em que responde a perguntas dos leitores e dá conselhos). Só não me peçam para gostar da música dos Gossip mais do que cinco minutos seguidos. É sempre a mesma coisa, uma versão do George Michael e outra da Aaliyah ficam bem, mas era interessante haver mais canções do que apenas aquela do "whoa-whoa-whoa".
Os TV On The Radio são a melhor banda do mundo a par dos Wilco e de mais algumas outras bandas e o Kyp Malone é a pessoa mais importante de sempre. Já vi coisas muito boas em 20 anos de vida, mas nada se compara à barba dele. A sério, é monumental, então agora que tem barba mais comprida que o cabelo. Nunca mais a faço. Sinceramente, são uma óptima banda ao vivo, mas preferia vê-los com mais tempo e talvez mais pica da parte deles. É bom, muito bom, mas não é excelente. Ainda assim, vale a pena lembrarem-se de que têm um EP de 2003 - "Young Liars" e "Satellite" funcionam estupidamente bem - e um disco de 2004. "Staring at Sun", o final, foi absolutamente perfeito, mesmo que a voz de Tunde Adebimpe não estivesse suficientemente alta, ou os teclados não se ouvissem e o som, no geral, estivesse mau.
Quem é que são os Scissor Sisters para além de uns tipos que tornaram uma canção foleira dos Pink Floyd em algo ainda mais foleiro mas finalmente divertido? Os Interpol têm umas cinco canções boas, quase todas do primeiro álbum, e um ou outro single interessante. Mais que isso é esticar muito, o que faz com um concerto deles, ainda por cima como cabeças de cartaz (ou não, na melhor hora, pronto), seja algo bastante aborrecido, tirando um outro momento. Voz interessante, alguns riffs giros, uma ou outra letra que fica na cabeça, mais nada. E quem é que são os Underworld para além de uns gajos que fizeram uma canção para o Trainspotting há mais de dez anos?
E com isto quebro a minha anti-cobertura do SBSR. Peço desculpa.

quarta-feira, julho 04, 2007

Super Bock Super Rock, previsão para o segundo dia do segundo acto

Não, também não vou, mas há boas notícias: os Rapture foram cancelados. Antes de alguém sequer saber que os LCD Soundsystem existiam, há cinco anos, os Rapture eram uma banda de singles óptimos que ainda hoje são clássicos das pistas de dança. Quem disser que "House of Jealous Lovers" não é das melhores que James Murphy produziu está a mentir. Se os LCD Soundsystem nunca tivessem existido, esse disco dos Rapture - que não era, de todo, um grande disco do início ao fim, apesar disso - e a existência da DFA - especialmente das remisturas - garantiria ao James Murphy um lugar na música do início dos anos 2000. Claro que o segundo disco era aborrecido, tirando o single, e a pior coisa que o Danger Mouse produziu na vida, provavelmente. Tornaram-se tremendamente banais, sem terem capacidade para fazer uma coisa mais convencional. Mesmo assim, devem ser bons ao vivo, daí ser uma boa notícia.
O Sly Stone vai voltar e há uma reportagem de sete páginas na Vanity Fair de Agosto sobre isso. É do David Kamp, que passou anos e anos a tentar encontrá-lo. Tem o seguinte excerto, que não tem interesse musical absolutamente nenhum mas é bastante interessante:

The obvious allusion to the current war jars me, and I soon realize why: Stone has been absent from the scene for such a duration that it's hard to imagine that he was with us all along, experiencing all the things we experienced over the years—the fall of the Berlin Wall, the collapse of the Soviet Union, Nelson Mandela's release from prison, the rise of the World Wide Web, the attacks on 9/11, the invasion of Iraq. It's almost as if he went into a decades-long deep freeze, like Austin Powers or the astronauts in Planet of the Apes. Except he didn't. "Did you do normal-person things?" I ask about the missing years. "Did you watch Cheers in the 80s and Seinfeld in the 90s? Do you watch American Idol now? Do you have a normal life or more of a Sly Stone life?"

"I've done all that," he says. "I do regular things a lot. But it's probably more of a Sly Stone life. It's probably … it's probably not very normal."


É uma boa leitura, como costumam ser os artigos longos da Vanity Fair.

Arcade Fire no Super Bock Super Rock, o rescaldo

Não, não, não e não. Achei que era um bom título, tendo em conta o dia e a hora, mas não estive lá. Estive lá em Paredes de Coura em 2005 e foi muito bom. Agora, pura e simplesmente, não me apeteceu. Seria, admito, bastante bom ver aquilo tudo, gosto do Neon Bible e gosto do Sound of Silver, portanto, em termos de bandas que já vi, seria bom repeti-las. Depois há o caso dos Jesus & Mary Chain, mas os irmãos Reid não têm 50 e tal anos e odeiam-se? Li uma reportagem no Guardian sobre isso, um deles vive nos EUA e tem um aparelho que faz com que comande a televisão da mãe. Deve ser divertido. Estarei lá, contudo, no último dia, e é basicamente isso.
Melhor que todas essas coisas há-de ser o melhor artigo do mundo. Encontrei-o e passei a noite a usufrir dele. Há muito que digo e penso que o YouTube tem uma função principal, que é a de ver vídeos dos Wu-Tang Clan e dos seus membros a solo. Não há mais nenhuma, é basicamente essa. É que há tantos e tantos que antes de aquilo se ter popularizado era horrível procurá-los. O YouTube veio, desta forma, a mudar completamente o mundo. Foi essa a grande revolução.
O artigo é da Urb e é um top dos 20 melhores vídeos do Clan. Se existe melhor maneira de passar uma noite, não a conheço. Ol' Dirty Bastard, como disse o RZA no VH1 Hip-hop Honors 2006, era a personificação da liberdade. Completamente chanfrado, idiota, mal-educado, basicamente uma pessoa muito má. Mas tal como outras pessoas muito, muito, muito más, um dos maiores entertainers de sempre.
É por isso que "Build Me Up", do Rhymefest, é a melhor canção do ano passado. Nem conta como canção, é basicamnete uma carta de Rhymefest para o Além, para perguntar ao Ol' Dirty como é que se conquista uma miúda. O refrão é apenas o ODB a cantar extremamente desafinado "Build Me Up" dos Foundations, canção em que todos os fãs de comédia do mundo pensam quando se fala do There's Something About Mary quando deviam pensar no Jonathan Richman. As oscilações da voz dele e a produção do Mark Ronson (génio, apesar do que fez aos Smiths, na minha mente o mundo organiza-se da seguinte forma: pode samplar-se e versionar-se tudo, menos os Smiths, muito menos com um gajo com um cabelinho daqueles a cantar) transformam-na numa coisa magnífica, algo que devia ter sido um single e um êxito em todo o mundo. Não conheço uma única pessoa (tirando a Joana) que consiga ouvi-la e detestar ou ficar-lhe indiferente. Essa canção e "Devil's Pie", do mesmo disco, do mesmo produtor, que sampla "Someday" dos Strokes, são das únicas canções que posso passar em sets e que toda a gente, mesmo que desconheça, adora.
Para além disto tudo, o Q-Tip vai rimar no novo disco do Clan, o que pode ou não ser uma coisa boa. Desde que engoliu mais balões de hélio que o 'Tip não faz grande coisa, ocupando-se a fazer êxitos internacionais com os Chemical Brothers e não chegando a lançar discos que têm coisas bastante boas como Kamaal The Abstract, mas que também têm música abjecta que envergonha todo o seu passado dos A Tribe Called Quest. Espero que o 'Tip não faça nada de errado, é daquelas pessoas que não deviam errar.

segunda-feira, julho 02, 2007

Yippee-ki-yay, motherfucker!

Die Hard. Fui vê-lo hoje e devo tecer breves considerações: o Justin Long é um coninhas; o Bruce Willis devia voltar ao wife-beater, devia haver mais cinquentões de wife-beater; os ingleses a fazer de alemães são os melhores vilões de todos os filmes e é impossível dar a volta a isso (a sério, Alan Rickman e Jeremy Irons, é impossível, Timothy Olyphant é mediano e do outro gajo que é guarda prisional naquele filme horrível em que o Sylvester Stallone é preso e o Donald Sutherland é o mau e este gajo sorri para ele no fim quando ele se vai embora pela primeira vez na vida e afinal é o mau que finge ser bom no 2); o Kevin Smith é o maior (gosto da maior parte dos filmes dele, mesmo sabendo que não são grande coisa e tendo eles coisas realmente estúpidas e parvas); há momentos de acção que suscitam sustos genuínos; tem o melhor "Yippee-ki-yay" de sempre. A destruição pura de tudo o que está à sua volta é algo belíssimo, especialmente quando um avião tenta matar John McClane que está a guiar um camião e vai destruíndo um viaduto que cai à medida que McClane passa. No outro dia no Guardian vinha um artigo sobre os danos materiais de Willis ao longo de toda a saga. Quem é que paga tudo?

Auto-promoção incrível



EDIT: A data do Mini-Mercado foi adiada para dia 11 de Julho.

domingo, julho 01, 2007

Girl Talk remistura Of Montreal ou como fazer do lançamento de um mp3 gratuito um acontecimento

Como alguém que já me tiver lido nalgum lado sabe certamente, Gregg Gillis é o meu herói pessoal. Um set ou um disco dele é basicamente uma grande parte do meu gosto musical num só sítio. O que ele faz com as canções dos outros é algo divinal, pega nas suas melhores partes e junta-as, sobrepõe-nas, de uma maneira que não é a mesma usada pelos produtores de hip-hop normal nem pelos produtores de hip-hop instrumental. Clássicos? "Juicy" do Notorious B.I.G. por cima do piano de "Tiny Dancer" do Elton John. "My Neck, My Back" da Khia por cima do piano de "Right Here Waiting" do Richard Marx ("Non-Stop Party Right Now", do seu disco Unstoppable, continua a ser um das coisas mais bem conseguidas de Girl Talk). E "Holland 1945" dos Neutral Milk Hotel alternado com "There It Go (The Whistle Song)" do Juelz Santana. É só o "1, 2, 1, 2, 3, 4" do Jeff Mangum e o assobio, mas chega e sobra para me pôr aos saltos. E, por falar em bandas Elephant 6, Gregg Gillis vai fazer uma remistura de "Gronelandic Edit" do último disco dos Of Montreal. Isto vinha na Pitchfork sexta-feira, só reparei agora.
É uma maneira óptima, num momento em que isso se perdeu completamente, de antecipar um lançamento que não é bem um lançamento. Toda a gente diz que, neste mundo de leaks e em que tudo está acessível a quem quiser, se perdeu a espera por um lançamento, por um disco. O último disco que me lembro de esperar realmente para ir comprar foi Midnite Vultures do Beck em 1999, quando tinha 12 anos. Depois fiquei desiludido porque para aí uma semana após isto acontecer descobri que havia uma edição em digipak, mais catita, mas, tendo em conta o tempo que já passou, acho que fiquei mais bem servido. Hoje em dia, se tivesse optado pelo digipak, já se teria deteriorado totalmente. Mas isso nunca fez parte da minha vida. Até certo ponto, é possível argumentar que se espera por um leak ansiosamente. Ou que se espera que um disco chegue pelo correio, como o último de Old Jerusalem ou o último do Sam The Kid, só acessível desta forma e neste contexto a quem recebe promos, ou o último do Dizzee Rascal, que encomendei. Mas esperar por um mp3 que aparecerá num site gratuitamente é algo que não acontece muito.
Gregg Gillis não é só o mestre dos mash-ups-canções, também é um remisturador incrível. "Let's Call it Off", dos Peter, Bjorn and John, era originalmente uma boa canção presa num arranjo sub-Yo La Tengo banal e até por vezes irritante. Nas mãos de Gillis - que tem um projecto para remisturas chamado Trey Told'Em, mas parece só usá-lo para melhorar canções de bandas desinteressantes como os Tokyo Police Club -, transformou-se num dos melhores singles do ano (ou do ano passado), com o melhor uso de steel drums desde "Wamp Wamp (What it Do)" dos Clipse e algo que devia ser um clássico das pistas de dança de todo o mundo. É por isso que não posso esperar pela remistura dos Of Montreal, cujo Hissing Fauna, Are You The Destroyer? parece ser o primeiro disco deles distribuídos cá e o mais recente numa sucessão absolutamente delirante de discos pop perfeitos que dura desde o Satanic Panic in the Attic de 2004, quando Kevin Barnes percebeu bem o que tinha a fazer, que não eram só canções perfeitas, eram também os arranjos perfeitos, o funk, os baixos e os falsetes.

sexta-feira, junho 29, 2007

The sheriff is a nigger!

O meu irmão conhece um tipo, ou conheceu-o um dia, ou conheceu-o uma noite, que sabe de cor os aniversários de todas as celebridades apenas por ver o IMDB todos os dias no trabalho. Não sabe, contudo, aniversários de Agosto, porque está de férias. Como é que ele fará aos fins-de-semana? Descobre no ano a seguir? Dois anos depois? É um mistério interessante. Talvez nem sequer tenha conhecido ninguém assim. Talvez estivesse bêbedo. Talvez o tenha imaginado. Talvez o tenha inventado para me contar para ser mais divertido. De qualquer forma, não é boa ideia dar a entender que o meu irmão é alcoólico. Não é. Nem eu. Tudo isto porque abri o IMDB e na primeira página descobri que o Mel Brooks fez anos ontem (ainda é ontem nos EUA) e porque me lembrei disto. Também gostava de andar pelo velho Oeste e cumprimentar o Count Basie. Deve ser divertido.

quarta-feira, junho 27, 2007

Gordon Jones

Sempre disse isto, mas hoje faz mais sentido. O Gordon Brown, o novo primeiro-ministro inglês, é igualzinho ao Terry Jones dos Monty Python.

Seth Rogen

Interrompi o meu estudo por motivos de força maior. O Seth Rogen estava a ser entrevistado pelo Conan O'Brien e uma coisa dessas não se perde. Sempre o adorei desde que o vi há uns 5/6 anos pela primeira vez no Freaks & Geeks, uma das minhas séries favoritas de sempre. Depois também apareceu no Undeclared e em praticamente tudo o que o Judd Apatow fez desde essa primeira série. Espero que Knocked Up seja um clássico, visto ter o Judd Apatow em muito boa conta, mesmo tendo sido ele responsável pelo Cable Guy e por aquele filme em que o Dan Aykroyd e o Daniel Stern raptam o Damon Wayans. Quero lá saber se é arte ou não, o homem é um génio cómico. Os dois homens são génios cómicos. O Seth Rogen é, como todas as pessoas famosas deviam ser, amigo do RZA e usa uma t-shirt do Liquid Swords do GZA no 40 Year Old Virgin. Para além disso, é gordo, usa óculos de massa e costuma ter barba. É fisicamente impossível não adorá-lo.

terça-feira, junho 26, 2007

Dizzee Rascal

"Pussy'ole (oldskool)" e "Sirens" são das melhores malhas do ano. Sem dúvida. A primeira tem o "woo yeah" de "It Takes Two", o mega-clássico de Rob Base & DJ E-Z Rock, e isso só pode ser bom, soando definitivamente a 2007. "Sirens" é demasiada estranha para ser a resposta inglesa ao "99 Problems" do Jay-Z (o disco do Kano, Home Sweet Home, de 2005, tinha várias, até samplava Black Sabbath, por amor de Deus!). Mas funciona muito bem, até as guitarras chungas são boas. E é um deleite ouvir a Lily Allen a cantar "So you wanna be a gangsta..." em "Wanna Be". É por isto que ter recebido o disco no correio na semana passada foi um óptimo acontecimento, especialmente numa altura em que, através do vício do MBNet, chegam discos todos os dias. E eu nunca gostei de grime nem nunca liguei muito ao Dizzee Rascal. Ele tem a idade do meu irmão, ainda por cima. Claro que há coisas muito parvas, como "Suk My Dick" (podia jurar que havia uma canção do Eminem - um dos meus ódios pessoais - com exactamente o mesmo tema, e já aí não tinha piada nenhuma), e um drum'n'bass que não serve para nada, só para ouvir o flow dele lá por cima e para o sample de voz feminina aqui e ali em "Da Feelin'", com umas sirenes que ficam mal e felizmente não aparecem em "Sirens". A par do I'll Sleep When You're Dead do El-P, Maths + English é o meu disco de hip-hop do futuro favorito de 2007.

segunda-feira, junho 25, 2007

Now, usually I don't do this, but...

Alguém fez a seguinte pesquisa no Google: "quero saber se o akon morreu ou não". Eu também gostava imenso de saber e que a resposta não fosse "não".

terça-feira, junho 19, 2007

Ear Drum

E, por falar nos UGK ("Country Cousins" é grande), há uma faixa do novo do Talib Kweli produzida pelo Just Blaze - que tem um blog novo, linkado aí à direita, onde mostra que é um geek do caraças, tendo em conta que foi o homem que produziu o "Girls, Girls, Girls" do Jay-Z - que sampla a mesma canção que "Rock Co.Kane Flow", produção do Jake One para os De La Soul com o MF Doom. A canção é dos Space e chama-se "Deliverance". Para confirmar aqui. É boa, mas "Rock Co.Kane Flow" é um clássico moderno que devia ser muito mais valorizado, mesmo dois anos depois de ter sido lançado. Aqui a dança do robot é incrível.

Single do ano

UGK e Outkast - Int'l Players Anthem

Uma delícia. O sample do Willie Hutch que pouco muda, que os produtores até já usaram antes noutro artista, o verso inicial do Andre 3000, o vídeo, em que os UGK e um dos Three 6 Mafia gozam com o kilt dele...absolutamente perfeito. Meditação sobre o deixar de ser um player com o casamento, sempre pela perspectiva altamente machista e misógina, que não consegue alterar em nada a enormidade da canção. "Easy as A-B-C, simple as 1-2-3, get down with UGK, Pimp C B-U-N B." Underground Kingz vai ser grande, tendo em conta estes metais, este falsete, estes versos e a melhor canção pop do ano não ter sequer um refrão. Pergunta ao Paul McCartney se não acreditares.

segunda-feira, junho 18, 2007

Primavera fora do tempo

Fui ao Primavera Sound. Tinha pensado fazer uns desenhos, mas isso nunca chegou a ser acabado. Paciência. Vi dezenas de bandas, com um cartaz incrível num país aqui ao lado que nunca poderia existir por cá. E quem disser "Paredes de Coura" está a milhas de distância do que aquilo é. Claro que há vários problemas: as sobreposições, tanto de horários como de som, o som propaga-se entre os vários palcos, tornando muitos concertos piores com tanta interferência; as filas; ou a cerveja a 3 euros, quando um pack de 12 cervejas de 25 cl da mesma marca que patrocina o festival custa 4 euros em qualquer supermercado de Barcelona.
Tive várias lutas internas, especialmente as seguintes: ver Grizzly Bear até ao fim vs. ver Wilco do princípio; ver Battles vs. ver os Sonic Youth a tocar o Daydream Nation do início ao fim. Na primeira luta, entre a minha banda favorita de 2006 e a minha banda favorita de sempre, ganharam os Wilco. Vi metade dos Grizzly Bear, que, depois de um começo francamente mau, entraram nos eixos. No dia anterior tinha-os visto a serem impedidos de entrar no backstage do palco em que iam tocar, uma coisa incompreensível. Na segunda luta não precisou de ganhar ninguém. Os Klaxons cancelaram e os responsáveis pelo festival perceberam que seria um erro tremendo sobrepôr Battles e Sonic Youth, tendo os Battles passado para a hora dos Klaxons. Afinal os Klaxons servem para alguma coisa.
No dia mundial sem tabaco, dentro de um autocarro fechado e cheio de gente, vi uma idiota alcoolizada e irritante que não se calava - palavras altíssimas como "bissexual" saíam daquela boca -, na companhia de um totó e um de um tipo com ar de ex-presidiário, fumar. Ninguém fez nada. Adorava ter denunciado a situação ao motorista, a multa parecia ser grande, mas um dos tipos tinha ar de ex-presidiário e eu sou um menino. As proibições de fumo dos sítios não são respeitadas. Espanha não é um país mais civilizado que Portugal. Também no Apolo, onde é proibido fumar, as pessoas fumam sem problemas, só um ou outro segurança é que implica. Se existe proibição de fumar, por que não fazer cumpri-la? Expulsava-se as pessoas ao segundo aviso, não? Uma das maiores desilusões da minha vida foi ter visto o sinal de proibição de fumar e depois este não ter sido cumprido. Pensar que "finalmente..." e sair tremendamente desiludido.
As filas para o Auditorium eram horríveis, de 20 minutos, e chegar lá à hora, ou pouco antes da hora marcada dos concertos era sinónimo de perder 15 minutos do concerto ou mais. No Jonathan Richman a espera foi curta, talvez só tenha perdido 5 minutos, mas ele só tocou 30, o que incompreensível para alguém que tem uma obra tão vasta, com centenas de canções e uma boa parte delas ainda por cima em espanhol. Mas é um sítio bonito e deu para ver um coro gospel a incorporar "I Can't Help Falling in Love With You" do Elvis Presley em "Ladies and Gentlemen We Are Floating in Space" dos Spiritualized, como acontecia na primeira versão do disco, antes da família do senhor ter proibido isso.
Girl Talk tem todas as melhores malhas do mundo, os saltos, as palmas e todos os passos de dança, e é das melhores coisas que já vi na vida. E não passa de um tipo em frente ao computador. Se este gajo nunca vier cá a Lisboa alguém tem de pagar. Unstoppable e Night Ripper são clássicos modernos e são estupidamente bons. Fiquei contente por ver o Johnny Marr com os Modest Mouse, por ver o Jeff Tweedy, e muito mais coisas. E duas semanas depois ainda penso nisso, apetece-me repetir os Of Montreal no Sudoeste e os Sonic Youth em Paredes de Coura.

segunda-feira, maio 28, 2007

Lupe Fiasco

Tem uma nova canção. Chama-se "US Players" e sampla "The Eraser" do Thom Yorke, do disco com o mesmo nome do ano passado. As primeiras palavras citam Good Charlotte e isso nunca é boa ideia. Tem o Kanye West e o Pharrell, o primeiro que nos seus discos consegue às vezes ser um rapper interessante, o segundo que não conseguiria nem que a sua vida dependesse disso. O beat não altera absolutamente nada da canção e basicamente só me lembro do Kanye West a falar do MySpace uma ou outra vez como todos os outros rappers do mundo em 2006/2007. "The Eraser" é uma canção óptima, "US Placers" não é uma coisa abjecta, mas também não parece servir para nada. Pelo menos é melhor que "Can't Tell Me Nothing", o novo single de West. Está disponível na Spine Magazine.

quarta-feira, maio 09, 2007

Clássico

Toda esta semana, The Non-Definitive Guide to Character Actors na Stylus. Espero ver na lista os meus favoritos desde sempre, mesmo que já tenham subido muito na carreira, como o Philip Seymour Hoffman, o John C. Reilly, o Forest Whitaker, o Don Cheadle, o William H. Macy e toda a gente dos filmes com muita gente do Robert Altman, do Steven Soderbergh e do Paul Thomas Anderson, só para dizer alguns.

segunda-feira, abril 30, 2007

Best Albino

É capa do Village Voice esta semana, numa reportagem óptima. Victor Varnado é um albino negro comediante. Pérolas como as que se seguem podem ser encontradas aqui.

"I am a black albino, though, ladies. You know what I'm talking about: All the benefits of being black without the disappointed looks from your parents," he continues.

"Race and racism is so arbitrary," he says. "Sometimes people see me and they think I'm 'acting black.' Once, I was in a secondhand clothing store with one of my friends and commenting on the fashion, joking: 'I need baggy pants and long T-shirts—what rappers might wear.' And this white woman came up to me and said: 'I really find what you're saying offensive.' And then I said, 'I'm black,' and she was like, 'OK. It's fine.' Then she walked away."

quinta-feira, abril 26, 2007

Ladies Love Cool R, but do Ladies Love Guitar Hero?

Afinal de contas, isto chama-se "Ladies Love Cool R", portanto, Rob Harvilla no Village Voice sobre se jogar Guitar Hero - há noites em bares com concursos disso - atrai ou não membros do sexo oposto.

sexta-feira, abril 20, 2007

The Trio

Não sei porquê, mas em termos de comédias ou de aparentados, algo me diz que gostarei bastante de três filmes este ano: Grindhouse, Hot Fuzz e Blades of Glory.
O primeiro estreará cá em dupla dose, o que é uma ideia estúpida e não o verei certamente separado, ainda por cima sem os trailers do início. Passei muita da minha infância a saber de cor quase todas as falas de Desperado do Robert Rodriguez e a saber a história toda do Bruce Willis no Pulp Fiction muito antes de ter visto o filme. Claro que, hoje em dia, sei que o mérito está todo no Tarantino e não no Rodriguez, mas não é como se o Rodriguez não fizesse bom entretenimento. Até o raio do Once Upon a Time in Mexico diverte, estava a passar na televisão no outro dia. E o último projecto deles juntos - sem contarmos Sin City, o único filme realmente bom do Rodriguez que vi, em que Tarantino realizou uma cena que eu nem sei qual foi -, From Dusk Til Dawn, é um óptimo filme de zombies e tem o Harvey Keitel a fazer de padre, o que é sempre positivo. Tenho a certeza que vou gostar de ver o Sayid do Lost e o Rico do Six Feet Under a matar o que quer que seja que eles matam no filme, bem como a Rose McGowan com uma perna de metrelhadora, porque é o tipo de coisa de que se gosta.
O que me leva de volta aos zombies. Adorei o Shaun of The Dead, basicamente porque é um filme de zombies tremendamente inteligente e cheio de piada e quando eles atiram discos do Prince aos zombies é das melhores coisas que saíram de Inglaterra nos anos 2000. E não há maneira de o Hot Fuzz não ser bom. É um filme de acção passado numa cidadezinha de Inglaterra com explosões e muita pompa tirada de coisas como a saga do Lethal Weapon e tal. Não pode falhar, e ainda por cima o Edgar Wright faz um dos dois trailers que aparecem antes do Grindhouse como filme e que nunca passará cá em sala. O Simon Pegg é um génio cómico e essas coisas todas.
O Blades of Glory parte da premissa "Let's kick some ice" para juntar Will Ferrell e Jon Heder no primeiro duo masculino de patinagem artística. É a mesma história de sempre dos filmes do Ferrell mas que funciona sempre. As piadas parecem ser inteligentes e fugir a muitos clichés normais quando esperamos que elas sejam previsíveis e não o são no último segundo. Também tem o Will Arnett e a mulher dele, a Amy Poehler, a fazer de irmãos casados.
Não há maneira possível de isto falhar.

sexta-feira, abril 13, 2007

A melhor banda do mundo

A melhor banda do mundo volta para o mês que vem mas já há um vídeo deles a tocar "Hate it Here" ao vivo no loft de Chicago onde gravam os discos e ensaiam e essas coisas todas. Está aqui e soam bem como tudo, como se Nels Cline sempre tivesse feito parte da banda e como se nunca tivessem saído mil membros desde que esta começou. É essa a chave de tudo. Mesmo que este último disco pareça não ter a mãozinha do Jim O'Rourke, tem óptimas canções que seguem quase sempre a estrutura canção normal e depois solo e às vezes canção outra vez. Só que uma "canção normal" é imenso vindo de quem vem, e o Jeff Tweedy nunca deve ter escrito uma realmente má desde que lançou o A.M.. Então é tudo mais ou menos normal, sem grandes artifícios de produção, e depois gloriosos solos. E, de alguma forma, eles conseguem ser bem sucedidos nisso. Parece ser um disco de rompimento de uma relação ou algo parecido, tendo todas as canções a ver com a saída de cena da amada, se é verdade, se não, não quero saber, já ninguém fazia um disco tão bom a partir disso desde o Get Lonely dos Mountain Goats.

quinta-feira, abril 12, 2007

Panda Bera

4Taste e Panda Bear

4Taste, 4Real


E a Joana - que gosta da camisola - diz que aquilo é feito em fábrica. Assusta-me saber que alguém desenhou isso e depois alguém disse "é uma boa ideia, vamos fazer muitas".

domingo, abril 01, 2007

Don't quit your day job!

É o que o Consequence diz. O problema é que ele devia seguir o próprio conselho. Gosto da voz dele, sempre gostei, mas não aguento um álbum inteiro daquilo. As cenas com os A Tribe Called Quest, a nova vida nos dois discos do Kanye West, até aí tudo bem. Há coisas giras em Don't Quit Your Day Job!, mas é uma desilusão porque se torna tudo demasiado enfadonho e igual. É o primeiro disco do Kanye outra vez sem os convidados todos e as outras vozes e as produções magistrais e as canções enormes. Não que não tenha piada aqui e ali, mas, sinceramente, não me apetece.

Português/brasileiro

No AV Club do Onion há uma secção recorrente chamada "Random Rules". Para além de tirar o nome de uma canção óptima dos Silver Jews, tem celebridades a mostrar os conteúdos dos seus I-Pods, partindo do princípio básico de que toda a gente famosa tem um. Entre outras coisas, descobre-se que o Paul Rudd, que já foi um tipo irritante nos anos 90 e agora tem andado metido com a pandilha toda do Judd Apatow e essa gente que faz comédias divertidas e assim, é fã de Neutral Milk Hotel. E muitas outras coisas. Mas numa edição com o guitarrista dos Explosions in the Sky, surge isto:

Chico Buarque, "Acalanto"

MR: I want to say he's from Brazil, but he might be from Portugal. I'm just a sucker for melody in any respect. There's no one particular genre of music that I'm listening to, so whenever I hear something, even if it's in a foreign language, and it's got that hook, I'm looking for it. We played a few shows in Portugal a couple years ago, and whoever was driving us around in the car was playing Chico Buarque's record, and I'm like, "Who is this?" It was our friend Rodrigo, who's in the Spanish band Migala. When I voiced an interest in it, just out of the kindness of his heart, he gave me the record.


É a primeira vez que vejo isto acontecer. Interessante. E a melhor coisa de 2007 é a coluna semanal do Rob Corddry no Suicide Girls (e eu que pensava que aquilo servia outros propósitos).

segunda-feira, março 12, 2007

Batalhas

Pode parecer pouco, mas não é. Não me lembro de onde estava no dia 31 de Dezembro de 2003 da parte da noite. Lembro-me de todos os dias 31 de Dezembro da parte da noite de 1999 a 2006, tirando esse. É uma tragédia. Ninguém quer saber disso. Nem eu, realmente. Mas bloqueei aí. De qualquer forma, hoje é um dia em que o hino do mundo todo devia ser este.
É impossível ouvir isto e não dançar (o Christopher Walken escolheu a canção errada para dançar) e ficar com isto na cabeça, traulitando no meio da rua, algo que não era tão estranho numa canção desde talvez "Dracula Mountain" dos Lightning Bolt. Mas eu nunca gostei muito de Lightning Bolt, só dessa canção, e não me estampa um sorriso na cara assim tantas vezes. Há tudo aqui em "Atlas", a melodia, a batida, tudo. A letra não se percebe, mas em vez dos efeitos da voz soarem cómicos (longe da chipmunk soul de gente como RZA, Just Blaze, Kanye West ou até o idiota do Akon) e maus, complementam perfeitamente o resto. E dança-se.
Hoje também é o dia em que elejo como meu herói pessoal Greg Gillis, ou seja, Girl Talk. Night Ripper animou-me bastante em 2006, mas continua a fazê-lo. E só isso é digno de registo. Um homem que alterna assim de "Holland, 1945" dos Neutral Milk Hotel para "There It Go (The Whistle Song)" de Juelz Santana merece o mundo. E vou vê-lo daqui a poucos meses, pelo que vejo de vídeos (especialmente aqui), um concerto dele é uma festa, e ele dá uma performance do caraças para alguém que não tem mais nada que um laptop. É o que qualquer DJ devia ser (ele diz que não é DJ): um fã que se mostra visivelmente excitado por tudo o que passa e dança ao som disso.
E ainda não sei o que fiz na passagem de ano de 2003 para 2004. Lembro-me de 2002 para 2003, de 2004 para 2005, e de todas as outras. Mas não me lembro dessa. Continuo a não me importar com isso, mas continuo a importar-me na mesma. E, pela primeira vez neste blog, sou obrigado a concluir: foda-se, sou mesmo estúpido.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

A balança está finalmente equilibrada

Resultados:

Three 6 Mafia: 1
Martin Scorsese: 1

Comediantes/Actores

Esqueci-me do tópico que o Jack Black e o Will Ferrell lançaram, mais ou menos. Tenho andado a reparar numa teoria do meu professor de inglês que diz que alguns dos melhores actores estão na comédia pela capacidade tremenda de encarnar personagens. Como a comédia inglesa. As pessoas do Little Britain ou de outras séries, como o League of Gentlemen, criam personagens com uma facilidade tremenda, andado a saltitar de sotaque em sotaque e personalidade em personalidade com uma facilidade brutal. E, diz ele, é mais do que o Jack Nicholson ou outros actores conseguem fazer. Mas também, "versatilidade" não é propriamente o nome do meio do Ferrell e do Black. Mas é o nome do meio de um Robin Williams ou de muitos outros.

Medley

Afinal o medley final acabou de passar de Berlin ("Take My Breath Away") para Vangelis. Era preciso registar isto nalgum lado.

Comentadores

"Como tínhamos previsto houve aqui uma distribuição das estatuetas."
"As pessoas vão ver cinemas."

É preciso apreciar. Bem, é tudo.

"The first movie he has ever done with a plot"

Haha.

Até o Clint Eastwood está feliz

E os comentadores esquecem-se do microfone ligado.

Martin Scorsese

Estou feliz.

Forest Whitaker

Segue à risca as dicas de Ellen DeGeneres. É um dos melhores actores da sua geração, o título da melhor canção do Brother Ali e apresentou os Wu-Tang Clan no VH1 Hip-Hop Honors de 2006. Para além disso, tem um tique óptimo nos olhos e fez o Ghost Dog. Dizem que o filme pelo qual ele ganhou é horrível. Que seja. Pode ser que o desempenho dele seja soberbo. E só pode ser. Segundo ano seguido em que actores mais ou menos secundários que eu adoro ganham. E ainda bem.

Comentador

O comentador nunca viu o Aviator, diz que o Departed , a ganhar um óscar, é só pela carreira e é o filme menos scorsesiano do Scorsese. Acho que foi o mesmo que disse "dissestes".

R.I.P. Bigode do Philip Seymour Hoffman 2007-2007

O homem fez o bigode que tinha nos Globos de Ouro. É um dia triste para todos os fãs.

Peter Boyle

Morreu? Bom final com o Altman.

Michael Mann

Como sempre, Mann estraga tudo com a banda sonora. Desta vez foram os Foo Fighters. Não é assim tãããããão mau para alguém que já usou Linkin Park numa banda sonora, portanto, e detesto admiti-lo, até é uma melhora.

Podia ser a Dulce Pontes.

Pois podia. E em que mundo é que isso não é triste?

Seinfeld

6/10

Children of Men

Gostava que ganhasse algum óscar. Adorei-o.

Ben Affleck

Que prémio é que ganho por não ter dito "Olha! O Ben Affleck nos óscares!" há bocado?

Ellen

Ei, eu gosto dela. Ninguém mais parece gostar. Entrou mal, continuou bem, agora perdeu-se. Nem que fosse pela série, que adorava ver quando passava na TV portuguesa, não faço ideia de quando era, tinha o Jeremy Piven (por falar nisso, ele a tocar congas no Jay Leno com o Common e banda por causa do Smokin' Aces e da enorme canção "Play Your Cards Right" com o grande Bilal) e o Bruce Campbell, e isso só pode ser bom. Não percebo como é que ele nunca ganhou um óscar para melhor actor principal. Houve três (três!) Evil Dead e um Bubba Ho-Tep, por amor de Deus! E dois Spider-Man para melhor actor secundário, nos quais ele fez dois papéis diferentes e igualmente marcantes e memoráveis. Ele fez tudo isto sem piscar os olhos uma única vez, por amor de Deus! E a autobiografia dele é comovente.

The Departed

Primeiro óscar. Fixe. Porreiro. Scorsese, faz figas. Eu também faço. Não que mude alguma coisa. Sabes que eu sempre te adorei. O meu sonho era ter um professor como ele. A cara do Tom Hanks quando disse "More fun" foi impagável, também.

"I'm just here for the movies, Leo"

A cara do Jerry Seinfeld foi impagável. Não sei o que quis dizer, mas gostei. Não vou falar da música, é sempre aborrecida. Até os Three 6 Mafia no ano passado foram. O refrão do "Stay Fly" é giro de se cantar, mas horrível de se ouvir. Não os percebo, sinceramente. Não tenho interesse verdadeiro nos Óscares, não me lembro é de nada mais divertido para fazer nestes dias de madrugada. O Leo DiCaprio a arrancar a candidatura à presidência do senhor Gore (por falar nisso, a piada de ele ter ganho nunca fica datada, teria só mais piada se não fosse tão triste)...e sabe-se perfeitamente que ele não vai fazer nada disso. Claro, a música. Os comentadores riem-se. Eu não. Uma coisa é "sound editing is a lot like sex, it is mostly done alone and late at night" ou assim.

Alan Arkin

Heroína, pornografia, 70 anos e desvio de menores. Só falta a miúda e a barba do Carell receber um Óscar e tudo ficará bem. Estou a brincar, sorri com o Little Miss Sunshine, mas não o adoro intensamente.

Steve Carell+Greg Kinnear

Claro, o final foi previsível, mas o início foi grande. Boa forma de seguir fórmulas e ainda assim entrar em grande.

Ah

E o cabelo do Will Ferrell é épico.

Mas fiquei à espera

Que, como no ano passado, aparecesse o Steve Carell. É triste. Basta uma barba para esquecer as origens.

Jack Black+Will Ferrell

Grandes. Afinal é também o John C. Reilly, o maior actor secundário de sempre de agora.

Ellen

Not bad, Ms. DeGeneres, not bad at all. Ainda assim, está a competir com o senhor "Three 6 Mafia 1, Martin Scorsese 0".

Abigail

Tão querida. E a Ellen está a fazer-me rir um bocado, mas tenho saudades do Jon Stewart.

Oh no they didn't

Eles disseram "I"on Stewart. Continuo estupefacto.

Mark Wahlberg

"Why wasn't I in a Scorsese movie before?" Basicamente porque a memória disto continua viva.

Conversa

- Eish, a Beyoncé.
- Ela é a maior de sempre. E o Hov, estava com ela?
- Ela estava sozinha, mesmo muito bonita. Mas estava a posar. O Hov podia estar na área.

"O Hov podia estar na área." Estou orgulhoso dela.

Steve Carell

É o meu herói pessoal. Um dia, quando for grande, se tiver 1/10 da pinta dele, serei um homem feliz.

Óscares

Eu tenho um sonho. Um mundo em que não há comentadores da TVI. Haverá trabalho mais irritantemente supérfluo no mundo? No ano passado deixaram os microfones ligados enquanto mexiam em folhas. Mais deprimente do que estar acordado de madrugada a ver uma coisa destas - a sério, eu tenho insónias, tenho desculpa - só as falhas e os sotaques horríveis desta gente, que há-de ter jeito para alguma coisa, mas para isto não. Aliás, nem é isso, é o facto de não ser necessário e só atrapalhar.

domingo, fevereiro 25, 2007

Um dia

Um dia teremos todos de encarar seriamente o facto de que o líder do grupo dono de um dos melhores discos de 2007 se veste assim em palco. O grupo, basicamente, é ele, e quando digo "2007" poderia dizer também "2004" e "2005". Terá isto a ver com o "soul power" que ele refere no último disco?

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

A outra face do último post

Uma canção que pode ser considerada irmã dessa, da mistura de rapper e cantora revivalista, é "Can't Forget About You", do senhor Nas. Dei por ela quando ouvi o Hip-Hop is Dead umas vezes, mas raramente me lembro dela. Agora lembrei-me. Aqui está o vídeo. Claro, remete para uma altura anterior, tal como o "Ain't No Other Man" da Christina Aguilera, e a produção do will.i.am (acho que é dele) sampla o "Unforgettable" do Nat King Cole. Claro que é uma canção com muito mais classe, bonita, que mostra basicamente todo o conceito do Hip-Hop Is Dead. Nas é um virtuoso, que está nisto há mais de uma década, cresceu com isto e morrerá com isto. Sabe de cor a história toda do movimento e só quer continuar o seu legado. Não há nada de errado aqui. A voz de Chrisette Michelle, que também canta o refrão de "Lost Ones" do Jay-Z, é belíssima de uma forma familiar e batidíssima que, supreendemente, funciona sempre bem neste tipo de canções. Adoro.

Amy Winehouse

Irrita-me que se fale tanto da Amy Winehouse, como hoje no ípsilon (parece-me bem, francamente, adorei ler o Pedro Gomes sobre os Clipse, ainda não li mais nada, a não ser por alto), sem mencionar a remistura com o Ghostface Killah para "I'm no Good", que saiu no More Fish do ano passado. A Amy Winehouse é uma rapariga nova que se orgulha de usar quilos de maquilhagem para ficar extremamente pouco apelativa e que gosta muito de dizer que adorava fazer mais sexo e beber mais. Técnicas de marketing à parte, tem uma voz que não esperaríamos de uma inglesa de vinte e poucos anos, e faz soul vintage, retro, cujo único mérito é ter canções apelativas e memoráveis com uma ou outra frase pouco usual para esse tipo de música. Acontece que "I'm no Good" é uma óptima canção, mas a sua versão original tem coisas a mais. Alguém pegou nisso para o Ghostface Killah mandar umas rimas, e funciona tão bem...dúzias de frases citáveis, como "you had to be a nasty girl to try to play me" ou "I can forgive the past but I'll never forget it", bem como referências à Kelly Clarkson e assim, sempre com o seu flow típico de quem tem muita pressa para dizer o que tem a dizer, cheio de paranóia e medo mas também confiança, como se estivesse a fugir à polícia, por cima do melhor que a canção tem, com a voz dela e os sopros, com toda a pulsação de um clássico. A Joana odeia a voz dela e a canção e tal, mas ela não leva a mal eu gostar. Espero eu. É dos melhores singles pop de 2006 e parece-me que, se dosearmos bem e não o usarmos até à exaustão, se tornará intemporal, tal como soa.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Village Voice

Duas pequenas notas sobre o Village Voice, só porque sim. Hoje li um dos textos mais bizarros que já li em toda a minha vida. Está aqui. Porém, não pude deixar de ler e li até ao fim. É uma história bem contada, mesmo que pouco usual, com piada sem gozar, etc. e a escolha mais estranha para a capa de uma edição de S. Valentim ou lá como ele se chama. Mesmo andando o Village Voice a perder-se aos poucos por causa das grandes corporações más que o compraram e o caraças, ainda tem força para isto. Depois, um tipo que toca com os TV On The Radio queixou-se da capa anterior do Village Voice. Tinha o Bob Dylan a passar por cima do Kyp Malone com um tractor, por causa dos resultados da Pazz & Jop Poll '06, em que o Dylan ficou em primeiro e os TV On The Radio em segundo. Chamar racista à capa é típico daquelas pessoas que não têm sentido de humor mas dizem "eu tenho mais sentido de humor que tu, isto é que é inadmissível", não se percebe bem porquê. É apenas uma coincidência infeliz, no máximo dos máximos.

Saudade

Tinha saudades do Ted Leo. E de Old Jerusalem. Ainda bem, ambos têm novos discos. O primeiro,ainda com os Pharmacists (melhor nome para uma banda de suporte desde os Attractions do Elvis Costello), tem Living with the Living, que me parece ser um consistente disco de canções uns furos abaixo de Shake the Sheets. Lembro-me de adorar ouvi-lo no metro de Lisboa em 2004. "Me & Mia" ainda está na minha cabeça como uma canção excelente, mesmo não a ouvindo talvez desde esses tempos. E a canção introdutória, com a constatação "I know some things I'd rather not / like the time ahead is all the time we've got", ainda subsiste na minha cabeça, mesmo sendo atípica dentro da obra do homem (é calminha e essas coisas todas que não acontecem muitas vezes nele).
Ele volta com os riffs, os refrões, as palavras e a voz, limitada mas muito competente, nunca saíndo muito daquilo que não domina, provando porque é que deve ser dos roqueiros semi-conservadores mais adorados pela Pitchfork (ao contrário de manias "recentes", como os inexplicavelmente universalmente celebrados Hold Steady, a sério, o que é aquilo?). Não há nada de mal na música que ele faz, e, continuando assim, só pode ser bom.
Francisco Silva, o rapazinho de cabelo comprido e óculos do Porto, é a melhor pessoa em Portugal a escrever canções em estrangeiro, talvez de sempre. Não me alongarei sobre The Temple Bell, pois fá-lo-ei daqui a pouco tempo noutro sítio, mas devo dizer que "Love & Cows" é talvez a melhor canção do homem e o press release escrito pelo Pedro Mexia é competente mas podia ser muito melhor, tendo em conta quem ele é e de quem ele está a falar. Mas "Love & Cows" é baseada no filme homónimo que eu vi há uns anos quando ia demasiado ao Cine-Estúdio 222 e tem uma letra com piada mas não "haha", mais "sorriso" ou assim, mesmo que acabe com uma falta de pudor tremenda que eu não sei bem como é que funciona tão bem nas letras do homem.
É basicamente isso. É assim que se matam saudades, com o Ted Leo e Old Jerusalem. E se regressa à escrita depois de vários projectos mentais para listas de melhores do ano. A meio de Fevereiro já não funcionam, pois não? Acho que fica bem dizer que o meu disco favorito do ano passado foi o Yellow House dos Grizzly Bear, o meu cabeleireiro gay favorito talvez de sempre. Tantas listas, tantas brincadeiras válidas para fazer...enfim, teremos sempre Paris. Ou então 2007.

domingo, fevereiro 11, 2007

Votar

Fui votar. Desci a rua como fiz tantas vezes antes para ir até à minha Escola Secundária. Fui a ouvir o Paul's Boutique. Um dia, em Junho, farei o mesmo só que descerei um bocadinho mais e, no final do caminho, estará quem o fez. Ainda bem.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Para a esquerda, para a esquerda

Estava a reler o post do Sasha Frere-Jones sobre o Volver e lembrei-me, numa espécie de epifania: "Irreplaceable", da Beyoncé, é uma grande canção. É uma forma estúpida de começar qualquer coisa que seja, qualquer texto, mas é verdade. E a canção é grande. Mas não tenho qualquer vontade de ouvi-la. Posso estabelecer um paralelismo com "Save Room" do John Legend. São duas óptimas canções mainstream que me soam tremendamente melhor quando me lembro delas e não quando as estou a ouvir realmente. Talvez seja dos defeitos que encontro nelas, a guitarra acústica e o vídeo da Beyoncé, o vídeo e a voz que estranhei à partida do Legend.
Há uns meses li um artigo do Kelefa Sanneh (porque é que começo tudo assim?), que se tornou, durante o ano que passou, uma das minhas pessoas favoritas de ler. É absurdamente bom que lhe dêem tanto espaço no New York Times para escrever sobre uma só canção que se ouve em todo o lado, como esta da Beyoncé, ou sobre o que quer que seja, sobre a fragilidade de certas estrelas pop. Não me lembro bem, mas houve um bem interessante sobre como as estrelas pop agora estavam cada vez mais humanas, a Paris Hilton ou o Kevin Federline são totalmente humanos como "músicos", falham bastante e assim e mostram essas falhas. O que só me transtorna por ver que um projecto como o UM ficou suspenso. Tinha para sair nesse número um texto sobre o disco do JP Simões, basicamente o maior escritor de canções em português dos últimos anos, cada vez maior, sobre o disco dos Clipse, uma entrevista ao Ty e um texto sobre um concerto de Riding Pânico. Dois destes textos vão arranjar forma de sair, mas os outros não. O que não interessa nada, interessa é que se perde um jornal e perde-se o espaço dado a gente como Jorge Manuel Lopes, Pedro Gonçalves, Eduardo Sardinha ou José Marmeleira em jornais (não falo dos "putos" como eu porque a nossa situação não é tão grave).
O mundo perde muito, com os jornais todos empacotados numa caixa para a esquerda, para a esquerda. E a parte triste é que não teremos outro num minuto.

(tinha de acabar assim, para parafrasear a canção)

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Mash-ups

Os mash-ups morreram, no mínimo, há quatro anos. Claro, ficaram alguns clássicos, lembro-me agora dos dois "A Stroke of Genius" e de "Maps Around The World", que misturam, respectivamente, Strokes e Christina Aguilera e Yeah Yeah Yeahs e Daft Punk. O ano passado (ou há dois anos) também houve uns bons que juntavam José Gonzáles e The Game. Este ano há "The Knife". "The Knife", dos Grizzly Bear e "Heartbeats" dos Knife. Sim, um dos mash-ups com o Gonzáles vinha da versão que ele tem da canção dos Knife, mas, basicamente, é a única canção boa dos Knife (banda mais foleira/irritante de sempre?). Também nunca percebi o Silent Shout e muita gente adora. O bom gosto não vive ali, mas "Heartbeats" funciona bem. E a batida funciona bem com os "whoa-whoa" dos Grizzly Bear. O meu cabeleireiro gay favorito junta-se à melhor canção dos anos 2000 - tão boa quanto todas as outras melhores dos anos 2000 - e funciona bem. Quem tem aquilo é o blog Brooklyn Vegan. Grande.

Saldos

O Mos Def lançou um novo disco. E depois retirou-o do mercado. O que é que isso quer dizer? Nada. Para ninguém. Não me devia importar, não nos devíamos importar, mas o Mos Def tem um novo disco. É horrível. Tem uma, duas ou três faixas, no máximo, que se aproveitem. Vem numa caixa transparente. Só mostra que toda esta gente desistiu. O rapper, a editora, tudo. Desistência. Acontece muitas vezes. O Mos Def já desistiu de ser rapper há muito tempo. Agora é actor. E acha que é cantor, mas, basicamente, isso não vale a pena. Nem New Danger era bom nem Tru3 Magic é bom. Não vale a pena, pá. É uma tristeza. O homem já foi grande. Enorme. Um dos maiores. Os Black Star são magníficos, o Talib Kweli é um grande letrista mas nunca teve a voz e o flow de Def. E enquanto o Kweli se mantém relevante, o Mos Def é preso por actuar sem licença e não parar e faz filmes com o Bruce Willis. Vá-se lá saber.
Fui aos saldos. Janeiro é sempre um óptimo mês em que a minha colecção de discos aumenta a olhos vistos. Trouxe hoje da AnAnAnA muitos discos, maioritariamente de hip-hop indie. Estou a ouvir o Later That Day do Lyrics Born. Nunca dei muito por ele, nunca ouvi Latyrx e o colega dele lá, Lateef, tem um dos piores singles de sempre com o meu rapper favorito (o Q-Tip). O Lyrics Born não é negro mas parece. Tem um flow versátil e rima extremamente bem. Faz coisas incríveis. O disco parece-me bastante bom, até mais ou menos ao fim, em que o cantar/rappar dele estraga tudo em faixas com um apelo jamaicano manhoso. É precisamente isto que se passa com o Mos Def. Não há qualquer necessidade de, em plenos anos 2000, fazer isso.
É sempre interessante ver que tipo de discos é que aparece nos saldos de qualquer loja. Nos saldos da Flur, aqui há uns meses (acho que foi em Outubro), comprei um disco de Lifesavas. Não sabia o que era, mas acabei por gostar bastante. É da Quannum Projects e ando a ler o Can't Stop Won't Stop há demasiado tempo e o Jeff Chang é um dos fundadores da editora. Parece-me ter coisas bastante boas e variadas e não ser enfadonha e impossível de apreciar como muitas outras que para aí andam (comprei também discos da Def Jux, da Stones Throw e da Anticon esta semana, isto parece-me bem superior a isso). Trouxe também Plant Life, Campfire Songs, o Milk Man dos Deerhoof outra vez (porque era 1 €), etc.
Para alguém que, como eu, passa muito tempo todas as semanas a procurar e procurar discos em promoção (a maior parte das vezes em CD, mas às vezes também em vinil), em segunda mão ou noutro modo qualquer, é interessante ver o que aparece nesses sítios. A banda sonora do He Got Game do Spike Lee pelos Public Enemy está na secção de hip-hop dos 5 € da Carbono (o sítio mais assustador de sempre para comprar discos de hip-hop, com os pouco simpáticos empregados a julgar-me sempre com os olhos) há mais de um ano. O disco do Trio que junta Dolly Parton, Emmylou Harris e Linda Rondstat também, mas na secção geral. São discos que estarão sempre lá, até alguém comprá-los, o que é algo improvável.
Também é interessante ver que se pode "viver", musicalmente falando, dos discos que se arranja abaixo do preço normal exageradíssimo dos discos hoje em dia. Mas há sempre coisas que são insubstituíveis. Não se pode substituir certa música por outra música que seja mais barata. A música não é assim. Meto-me a pensar nestas coisas de vez em quando. Não nos podemos limitar a nada, a uma só coisa, temos de ir a tudo aquilo que quisermos. E é preciso haver escolha. Um dia vou à Carbono e trago para casa os Public Enemy, o Trio e o The W dos Wu-Tang Clan que vive lá.

sábado, janeiro 06, 2007

Cinco acontecimentos absolutamente indispensáveis de 2006

2006 foi um ano do caraças. Pessoal e musicalmente. Não sei se fui a mais ou menos concertos que em 2005 ou 2004, mas rendeu na mesma. O meu ano em cinco acontecimentos:

05. O ballet ao som de Milk Man dos Deerhoof Uma escola qualquer não-sei-onde pôs puto a tocar e a dançar ao som do Milk Man (tocado pelos putos, claro) e gente a dançar. No meu tempo fazíamos coisas ao som de Chick Corea e éramos mesmo mesmo mesmo parvos, não tínhamos indie-cred nenhuma. Oh meu Deus, porque é que não criaste o Milk Man nos anos 90? Na mesma onda: a dança dos coelhos no Lux, foda-se. Melhor banda do mundo? Uma das.

04. "I know you can feel the magic, baby." Todos nós a sentimos. Foi agora em Dezembro. "Black Republican", pessoal. Ou como pôr para trás das costas anos e anos de rivalidade e fazer magia. Os sopros, tirados da banda sonora do Godfather II, funcionam tão bem. Tão bem. E estão em ambos em grande. Falo, é claro, da primeira colaboração de Nas e Jay-Z. E foi tão mágico quanto todos esperávamos e quanto Jigga diz.

03. A morte J. Dilla e James Brown e um porradão de gente. O Robert Altman. Se calhar sou eu que tenho um medo desmesurado da morte. Não sei. Talvez seja. Mas há tragédias horríveis. Não me estou a lembrar de mais ninguém agora, mas morreu muita gente este ano. Mário Cesariny. Mais gente. Não sei quem mais. Grant McLennan, meu Deus. Alguém que eu vi ao vivo. Bolas. Como o Ali Farka Touré que eu vi em 2005. Acho que são as únicas duas pessoas que vi num palco e morreram, pelo menos que me lembre. O Arthur Lee também morreu. Nunca o vi em lado nenhum. Houve tanta gente a morrer, morre tanta gente. É triste. Morrer gente é triste.

02. Kanye West em Oeiras Cada vez que ouço uma canção dele lembro-me porque é que gosto tanto daquilo. Às vezes esqueço-me. A arrogância e a excessiva auto-confiança dele transformam-no numa pessoa facilmente detestável. Mas em cima de um palco daqueles, os samples de voz acelerados (ninguém os faz como ele, o Just Blaze e o RZA que me desculpem), toda a essência da pop em retirar o melhor de tudo o que já é de si bom associados a alguém que, até há bem pouco tempo, era apenas um puto que fazia beats e não rimava nem nada que se parecesse. Mas quis tanto que se tornou estrela. E ficou cada vez maior. O seu ego também, mas há ali qualquer coisa que transparece ao vê-lo ao vivo, à nossa frente, maior do que a vida, há algo que nos remete para o fã, para o sonhador, para o puto. E há a música.

01. Snakes on a Plane Pessoalmente, é o meu filme favorito de sempre. Talvez. Mas não pelo filme em si. Do ponto de vista cultural, é algo que vale realmente a pena. Mesmo que o filme não existisse, só a ideia e o pretexto é algo que é importantíssimo. É o maior acontecimento de sempre. Samuel L. Jackson, avião, cobras. Não há mais nada. É só esta ideia. Há uma ideia e há uma realização. Se não existisse a realização, haveria sempre a ideia. E bastaria. A realização não é assim tão boa. Podia ser muito melhor (pior). Mas "Ophidiophobia" é, talvez, a melhor canção de sempre. Raios. Porque é que eu minto sempre? Mas adoro. Sempre que o Cee-Lo Green entra em canções destas, em theme songs, cria clássicos. Já foi assim no disco de Danger Doom. A voz dele é tão estupidamente boa, e aquele refrão...e depois "I'm tired of these motherfuckin' snakes on this motherfuckin' plane." Grande, grande, grande.

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Cinco razões para ter amigos em 2006 parte III

Pedro Figueiredo. Foi meu director no Clix Música e n'Os Fazedores de Letras, ambos projectos falhados. Tem a maior colecção de bootlegs de Suede e Gift de sempre e a maior colecção de t-shirts de gola em V fora da minha família (o meu irmão é o seu maior rival). Escreve na Ruadebaixo e na Mondo Bizarre e faz anos hoje, daí dar-lhe isto:

Cinco razões para ser como o Pepe* em 2006



*jogador brasileiro do Futebol Clube do Porto por estes dias nacionalizado português

Chegou ao Marítimo há uns anos, e logo deu nas vistas. Não aparentava possuir o potencial hoje devidamente explanado, mas mostrava já algum serviço. Agora uma dúvida muito pessoal: não me lembro se ele esteve realmente no Sporting Clube de Portugal. Acho que sim, que foi emprestado meia dúzia de meses e, sem oportunidades, voltou para a Madeira. Mas sinceramente não me lembro de o ver com a camisola leonina ao peito. Pouco importa. O ano passado e, essencialmente, na temporada que por estes dias sofre pausa (absurda, diga-se), tem-se vindo a destacar ao serviço do FC Porto, sendo um dos grandes esteios da equipa que, aposta-se sem grande factor de risco, será campeã nacional. Recentemente seguiu as pisadas de Deco e pediu dupla nacionalidade, afirmando-se disponível para representar a selecção comandada pelo nosso cada vez mais italiano Scolari. Serve esta parva e extensa introdução para traçar uma analogia musical completamente desprovida de sentido mas, ainda assim, extremamente válida não tanto conceptualmente mas mais pelos objectos em causa. A selecção musical nacional teve, em 2006, alguns bons motivos para se orgulhar de si mesma. Se, verdade seja dita, faltou algum nervo sub-21 (retomam-se as analogias da bola), tal não foi impeditivo para que alguns nomes consagrados (ou semi ou em vias de) espalhassem o perfume do seu fute…repertório pelos doze meses que agora findam. Seguem cinco razões para, em 2006, se pedir nacionalidade portuguesa:

5. Linda Martini – Olhos de Mongol Boa gente de boas origens (Queluz e Massamá), atitude q.b., energia, bom uso de novas ferramentas de promoção (2006, ano MySpace). A música? Pós-rock flanqueado por diferentes balizas, letras incisivas e de apelo imediato e sombras de nomes como Sonic Youth, Isis ou, em terra de Camões, Ornatos Violeta. Há temas longos, três guitarras em discurso directo, momentos mais rápidos (vide “Cronófago”) e uma força pouco comum. Depois, alguns membros lembram-se ainda do Professor Sanches que dava Filosofia na Escola Secundária Miguel Torga, em Massamá. Dificilmente poderíamos pedir mais que isto. Pelo menos por agora.

4. Sérgio Godinho – Ligação Directa Não há grande coisa a dizer sobre Sérgio Godinho. O maior de escritor de canções português é redundância. Apelidá-lo de mediano comentador de futebol já é mais subjectivo – mas menos certamente que a certeza de que Jorge Gabriel desempenhava um papel mais ajustado. Ligação Directa é Sérgio Godinho em grande forma a cantar Portugal. Mais cordas, arranjos do caraças, uma voz a brilhar bem alto. Enorme.

3. Bernardo Sassetti – Unreal: Sidewalk Cartoon História mirabolante (que envolve operários e a música como salvação - tudo isto na península de Quasi-Algures), conceito multi-artístico que vê em disco paragem obrigatória para a sua total percepção. A simplicidade da partitura de Alice mora distante, ficando no ar, no entanto, algumas ambiências cinematográficas muito ao gosto de Sassetti. A história é tão improvável como actual nas questões levantadas. A música, essa, é da melhor que por este ano se ouviu. E há ainda o melhor título de canção do ano (de sempre?): “I Left my Heart in Algândaros de Baixo”.

2. Sam The Kid – Pratica(mente) Chegou tarde mas em boa hora. Provavelmente o melhor disco de hip-hop de sempre em terrenos nacionais. Já houve polémicas, as vendas surpreenderam na semana de estreia, a divulgação (e apreciação) tem sido ampla. Referências culturais convivem com linguagem e temáticas de rua, num registo desarmante, pessoal e de uma ambição enorme. Quase tão grande como a qualidade das canções aqui incluídas.

1. Dead Combo – Vol.2: Quando a Alma Não é Pequena Diz o responsável por este blog que Dead Combo “só rende ao vivo”. Errado, meu caro. Vol.2: Quando a Alma Não é Pequena é a total confirmação dos intentos de Tó Trips e Pedro Gonçalves: pegando numa raíz sonora assente no fado, os músicos vão buscar elementos cinéfilos, elementos de Western, elementos da nossa Lisboa. Elementos musicais de uma portugalidade urbana. O ambiente é de verdadeiro delírio quase Western versão Sérgio Leone transportado para Lisboa, século XXI, 2006. Fado? Fado-Western? Rock? Um grande disco, que se lixe o estilo.

Um agradecimento final ao Rodrigo pelo convite para escrever este texto e uma mensagem ao Pepe e respectivos interessados na cidadania portuguesa: aproveitem os dias finais do ano que não se sabe o que 2007 nos reserva [nota do autor do blog: ooops...].

Modest Mouse

O facto de haver uma gravação de rádio de "Dashboard", uma nova canção dos Modest Mouse, faz-me feliz por viver em 2007. Razões: aquela voz, as guitarras e o facto de uma das minhas bandas favoritas dos anos 2000 ter nas suas fileiras, agora, o guitarrista de uma das minhas bandas favoritas de todo o sempre. E nota-se tanto.

terça-feira, janeiro 02, 2007

Acontecimento do ano?

São quatro da manhã e constato que o ano começa extremamente bem. O Talib Kweli e o Madlib lançaram um disco de colaborações. São 30 minutos, vou na sexta faixa, e parece-me muito bem. A parte grande, enorme, de louvar é a seguinte: o disco é grátis. Grátis. Totalmente grátis. Pode ser sacado aqui. Um disco de hip-hop totalmente grátis. "Still I'm bringing sexy back like Timbaland and Timberlake", diz ele. Que bem. Como se as citações disso não fossem ainda suficientes...mas é sempre um prazer ouvir o senhor rimar e o outro senhor produzir, e de graça...voltarei às listas - minhas e dos outros - quando tiver tempo para isso. Nunca pensei vir a dizer isto, mas não estou assim com muito tempo agora. E o disco tem o Consequence, que deve vir aí com um bom primeiro disco, quinhentos anos depois dos discos dos A Tribe Called Quest em que ele aparecia. Ou teria sido só um? Não me lembro bem (não que eu tenha ouvido na altura, sou uma criança). Acho que ontem tive uma grande ideia: a de um DJ de YouTube. É fácil, arranja-se dois computadores, liga-se a um projector e a umas colunas e alterna-se entre vídeos do YouTube. Como diria o Bonga, "vai ser esse o mambo em 2010".

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Cinco razões para ter amigos em 2006 parte II

Na continuação das listas dos amigos, Luís Nunes. Luís Nunes está para Walter Benjamin como eu estou para Senhor Aníbal: somos as únicas ligações deles ao mundo. O Luís é membro dos Jesus, The Misunderstood, uma banda que é um bocado chata e um bocado gira e é a única pessoa que alguma vez me dedicou uma canção em palco. Os concertos da banda dele acabam invariavelmente com o barbudo do Luís e o Tiago Sousa da Merzbau a tocar uma versão de "Sweet Jane" dos Velvet Underground. Mas em vez de irem pela versão suave e fofinha ao vivo que os Cowboy Junkies até versionaram, vão pela versão mainstream de Loaded, o que é uma pena.
Este blog não subscreve, de todo, as ideias do Luís e avisa que ele não é homofóbico nem nada disso. E ainda por cima esquece os Grizzly Bear, facto que nunca lhe perdoarei.

Cinco razões para ser gay em 2006 (versão orientada para homens)



Lista de alternativas em caso de desespero. A escolher ou a evitar.

5. Stuart Staples Senhor que já tocou numa banda chamada Tindersticks. Agora continua a tocar na mesma banda mas mudou o nome e também os músicos. É desajeitado, a sua figura no palco não é muito atraente e fuma desalmadamente. No entanto deve ter muitas amigas, o que é bom. O tipo deve estar sempre deprimido, o que pode resultar para contrabalançar os que de nós forem bichas alegres.

4. Kurt Wagner Proprietário de uma banda de Nashville, os Lambchop. Ex-assentador de tijoleira e actual escritor de canções, tem uma voz que parece mel (e poderá cair que nem ginjas nos ouvidos dos deprimidos mais alcoólicos). A maioria de nós já pensou "Foda-se, quero casar é com este tipo" ao ouvir os Lambchop. Pena que seja casado com uma mulher, o chapéu à camionista não lhe fica assim tão mal.

3. Senhor Aníbal Nome maior da cena musical do MySpace. Ninguém conhece a sua cara, só o seu talento, bom gosto e olho para colaborações. Escreveu canções bonitas como "Canalizador do amor", obra maior da sua já/ainda longa discografia. É o candidato mais forte porque é português e esteve no Ultramar. Toda a gente sabe que os portugueses que estiveram no Ultramar são pessoas sensíveis e empenhadas em resolver os conflitos dos outros.

2. Stephin Merritt Este é, aparentemente, o primeiro homossexual da lista. Dono de versos como “I'm the luckiest guy on the lower east side, 'cause I've got wheels and you wanna go for a ride?” e de músicas que adoram pôr-nos deprimidos (e de um gravador de 4 pistas do qual parece não se querer livrar), o líder dos Magnetic Fields, é, apesar de ser feio, um óptimo substituto para qualquer depressão amorosa. Um tipo que escreve 69 canções de amor (e ainda por cima edita-as) só pode estar pior que nós.

1. George Michael Se alguém começou a sentir o seu lado mais gay a vir ao de cima, aqui está uma boa razão para gostar de mulheres outra vez. Ou querem acordar com o vosso parceiro sexual a cantar os grandes êxitos dos Queen no duche?

segunda-feira, dezembro 25, 2006

domingo, dezembro 24, 2006

Cinco razões para ter amigos em 2006 parte I

Como maneira de pilhar sem misericórdia o Nick Sylvester - que entretanto escreve na Wire e na Stylus, ainda bem, não faço ideia se há muito ou há pouco tempo, é sempre bom lê-lo -, decidi convidar amigos para as listas parvas que tenho andado a fazer.
Joana Lima é da Figueira da Foz e diz que já viu o Alex James e droga. Não sei bem a história, mas era minha colega n'Os Fazedores de Letras - inevitavelmente e, tal como eu, fartou-se da falta de rumo daquilo, ou então estava só aborrecida - e gosta de Clipse. Isso faz dela, automaticamente, boa pessoa, visto gostar de gente que vende droga. O texto e as razões que se seguem não são da minha autoria, nem da minha responsabilidade (na verdade nem sei quem é metade desta gente, à hora dos Castanets na ZDB eu estava provavelmente vestido de palhaço e podia jurar que os Cansei de Ser Sexy roubaram "aquela" linha de baixo aos Spoon) e devo só adicionar que a Joana é gira. Obrigado.
Aqui vai:

Cinco razões para usar uma peça de flanela axadrezada em 2006



5. Mary-Kate Olsen Em 2006 a gémea da Ashley, que já é maior já desistiu da faculdade e já imitou o penteado do Nosso Senhor Jesus Cristo, fez-se passar por uma Chlöe Sevigny mais fofinha e lembrou ao mundo que foi o Marc Jacobs que deu o grunge ao mundo. No meio de passeatas por Nova Iorque com uma infindável colecção de copos do Starbucks, MK provou que a única coisa necessária para se rockar o look sem-abrigo e relembrar que o Gus Van Sant fez um dos melhores filmes de 2005 é vestir uma camisa de flanela axadrezada com botas compensadas. Nunca foi avistada de I-Pod mas eu quero acreditar que tudo se deve ao Rather Ripped dos Sonic Youth que ela ouve numa Bang & Olufsen ao chegar à sua casinha de lenhadora forrada a madeira e perfeita para uma festa Cobra Snake.

4. Raymond Raposa O senhor cantautor que dá pelo nome de Castanets veio à ZDB. Deu um concerto e até era noite de Carnaval. Fazia frio. Na rua havia serpentinas e confetti e gritos e máscaras pouco imaginativas e máscaras cómicas e máscaras completamente saídas do Party Monster. Dentro do Aquário da Galeria Zé dos Bois, os disfarces não vinham sob a forma de fatos de aluguer. E o Ray Raposa tinha um boné à camionista americano (não sei porque os europeus nunca usam chapéu) de xadrez. Estou em crer que era de flanela, mas não lhe toquei. Bastou ouvir "It’s alright / To want more than this" para as mãos aquecerem.

3. Cansei de Ser Sexy Os brasileiros (sim, há um mocinho com bigode lá pelo meio) mais fixes desde o elenco de Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-Rosa apareceram em 2005. Mas foi no corrente ano que espalharam todo o esplendor da sua parvoíce pelo mundo abençoado pelo YouTube. Alala alala e sai um videoclip em que as miúdas lutam e sangram dentro de prisões de lamé em jeito de vestidos. Isto não parece muito confortável, mas é giro. E talvez demasiado anos oitenta. E talvez do facto de o vídeo contar uma briga em rewind - do fim para um início em que não jorrava sangue - brote a ideia de que a flanela conforta mais do que penteados do WIP.

2./1. Karen O + Liars Há coisas que não se separam. O CD-R violeta onde a Karen O gravou dezasseis músicas acompanhadas de um poema do Oscar Wilde (límpido como todos os poemas do Oscar Wilde) para o seu Angus Andrew e que foi roubado por um fã da casa de um dos TV on the Radio não se pode separar da "The Other Side of Mt. Heart Attack" que os Liars souberam guardar para o fim do Drum's Not Dead. Porque o amor é como uma flanela boa - sobrevive a festas de kuduro progressivo em Lisboa e a ataques cardíacos em cima de um skate berlinense.

domingo, dezembro 17, 2006

Cinco razões para não odiar o will.i.am em 2006

Os Black Eyed Peas são uma banda detestável. Uma máquina de fazer péssimas coisas que não pára. A recuperação do Sérgio Mendes num modo incrivelmente mau é insultuosa. A Fergie é uma das pessoas mais odiáveis de todo o sempre, etc. Dizem que há coisas boas no início, mas não me apetece acreditar nisso. Há cinco anos ouvi um disco deles e pareceu-me francamente horrível. Passado o horror, o senhor will.i.am deu-nos em 2006 cinco razões para não o odiarmos. Aqui vão:

5. Busta Rhymes - I Love My Bitch (feat. Kelis) Haverá algo mais estúpido que o refrão desta canção? "- I love my nigga - Yup, yup, I love my bitch". Poesia. Isto é poesia. Mas quem é que espera do Busta Rhymes, nesta altura do campeonato, mais do que isso? Ninguém. Basta ir a The Shining, o último disco do J. Dilla, com uma introdução aborrecidíssima e completamente supérflua do homem. "Bitch, bitch, fuck this" ou algo parecido. Já me esqueci, na verdade. "I Love My Bitch" é o will.i.am em modo Neptunes, mas com um beat e melodias memoráveis. Bom.

4. John Legend - Slow Dance John Legend continua a aparar a sua barba. É um bocado irritante o facto de estar tão meticulosamente bem aparada. Mas John Legend teve Let's Get Lifted. E agora tem Once Again. Pode ser considerado chato, a voz dele encontrou trejeitos estranhos, quando ouvi pela primeira vez "Save Room" nem me pareceu ele. É uma coisa mais adulta, mais madura, mais ponderada, mas que funciona extremamente bem para ele porque ele tem imensas miúdas no vídeo. "Save Room" também é de will.i.am, e os sopros e os "parapapa" tornam aquilo memorável ao fim de umas cinco audições. É um caso estranho de uma canção que eu prefiro quando me lembro dela e não a oiço. Mas no disco há "Slow Dance", que é uma das melhores de Once Again, a par de "Heaven" de Kanye West.

3. The Game - Compton Toda a gente sabe porque é que eu odeio The Game. Ele até me dedicou uma canção. Mentira, não foi ele, foi o Just Blaze, o Nas e a Marsha das Floetry. "Why You Hate The Game" é um épico. A única parte má é o próprio The Game. "Compton" é sobre como Compton é o local de nascimento do gangsta rap. The Game é um tipo estúpido que passa a vida a pedir um regresso aos valores do gangsta rap dos N.W.A. Não sabe fazer uma canção sem mencionar Eazy-E e, quando sabe, menciona Dr. Dre. Está sempre a falar do "legado" dos N.W.A. e isso irrita-me. Mas "Compton" é uma óptima canção pop. E o will.i.am não está detestável na prestação vocal dele. Porque só fala e não tenta rimar. E isso é extremamente louvável. Aquele sample do "Gangsta Boogie" apanha-me todas as vezes que o oiço, em qualquer lado.

2. Justin Timberlake - Damn Girl "My Love" é a obra-prima de Timbaland para Timberlake, mas "Damn Girl" também é grande. E é de will.i.am. Os versos dele não soam assim tão mal, mas são bastante maus, sim. Podemos ignorá-los perfeitamente. Futuresex/Lovesound é grande e, mesmo sendo a maioria das faixas produzidas por Timbaland e seguindo um esquema de entrusamento bastante bem pensando, "Damn Girl" não destoa nada lá dentro. É incrível como um tipo com um corte de cabelo horrível, membro de uma boys band estupidamente má, consegue rapar o cabelo, roubar um chapéu e uns passos de dança ao Michael Jackson, treinar um falsete invejável e contratar uns produtores bons e ficar a maior estrela pop dos nossos tempos. E em versão boa. Não podemos negá-lo. E ele até tem pinta para quem veio de onde veio. Ou talvez não. Mas tem mais que will.i.am.

1. Nas - Hip-Hop is Dead Esta é uma colaboração entre duas das pessoas mais mal vestidas dentro do hip-hop mais respeitável. O refrão é brutal, os cânticos de "hip-hop" no fim são enormes e will.i.am sabe quando se conter e quando não se conter. Bastante bom para quem nos deu "My Humps". Há um vídeo de uma actuação de ambos no programa do Jimmy Kimmel. A presença do will.i.am continua a ser incrivelmente irritante, mas até nem funciona mal. "Hip-hop has died this morning and she's dead, she's dead" é algo que fica mesmo bem naquele refrão. Claro que o hip-hop não morreu. Mas Nas sabe isso, perfeitamente. Qual é o mal de ter um single explosivo para marcar o seu primeiro disco na Def Jam e a sua amizade com Jay-Z? Qual é o mal de ser produzido por will.i.am? Nenhum. É até muito bom. "Hip-hop is Dead" é a canção irmã de "Compton", num estilo que podemos dizer facilmente que é will.i.am, ao contrário de, por exemplo, "I Love My Bitch". Um dos singles do ano, vindo de um sítio improvável.

É isto. Só não me peçam para gostar da roupa, da cara, da pose e dos movimentos dele. Nem da banda dele.

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Cinco razões para ter barba em 2006

2006, o ano do bigode. Até eu usei durante uns tempos. Mas a barba está longe de estar fora de moda. Aqui, e enquanto não aparecem as listas de melhores do ano (discos e singles), cinco razões que houve em 2006 para ter barba:

5. ?uestlove O baterista dos Roots tem uma barba pouco forte que condiz perfeitamente com o seu gigante afro (ou será um natural?) com pente dentro. É um grande homem, The Game Theory foi injustamente menosprezado e é com muita pena minha que não vou vê-lo ao Musicbox sábado. Dos hoodies aos pêlos faciais, estilo e barba intemporais.

4. O gajo dos Broken Social Scene que é uma versão barbuda do Andy Dick Para começar: eu sei que o nome dele é Brendan Canning. Mas não me lembrava. Lembro-me, sim, da sua barba belíssima durante Paredes de Coura. Sim, Broken Social Scene é de 2005, mas os Broken Social Scene ainda são uma das melhores bandas de indie-rock dos anos 2000. Respeito, pela barba e pela música.

3. Kyp Malone E o que é uma lista sem os TV On The Radio? Nada. Não só a barba, todo o guarda-roupa, as poses e o estilo. O natural no cabelo, a barba na face. A voz (claro, Tunde Adebimpe é o cantor da barba, mas o Kyp Malone também faz muito). A banda, a melhor banda rock do mundo. Afro-estilo para sempre. Grande, enorme, o maior.

2. Dan Bejar Blazers cinzentos e barba. É esta a receita especial do homem dos Destroyer. Houve novo disco de Destroyer, mesmo que ele não tenha passado por cá outra vez (2005, na ZDB, foi enorme) e houve Swan Lake. Beast Moans é grande, mesmo que não se goste da voz de Bejar (e isso é difícil, basta ele dizer "la la la" para eu o canonizar automaticamente, isso não acontece com muitos), há as de Carey Mercer (que esteve cá com os Frog Eyes como banda de suporte e abertura do Bejar) e a de Spencer Krug (dos Wolf Parade e dos Sunset Rubdown). Respeito pelo estilo Shakesperiano e a barba.

1. David Cross Estive indeciso entre dar o primeiro lugar a Dan Bejar ou a David Cross. Um comediante genial, brutal, da participação no Arrested Development ao vídeo de "Sugarcube" dos Yo La Tengo (uma das minhas canções favoritas de sempre). Aliás, até está ligado a Dan Bejar, já fez um vídeo dos New Pornographers, de uma faixa em que Bejar não aparece, nem no vídeo. A razão que me faz pô-lo aqui, a maior, é o facto de o ter visto nos programas do Conan O'Brien e do Jon Stewart com uma barba que impunha respeito. Ele é careca, eu não, mas não deixou de ser responsável por eu ter voltado a deixar crescer a barba. Também apareceu num vídeo de "Juicebox", o single medíocre dos Strokes, mas não deixa de ser o maior. E de ter a maior barba.

2006, o ano do bigode em barbas. Se houvesse lista de bigodes, estaria lá o Jason Lee e o tipo dos Killers (banda medíocre, bigode excelente). E é isto. Amanhã ou depois há mais, entre "Cinco razões para não odiar o will.i.am em 2006" ou "Cinco acontecimentos absolutamente indispensáveis de 2006" e qualquer coisa de que me lembre entretanto.

segunda-feira, novembro 27, 2006

CIMENTO.

No próximo sábado estarei a passar música com CIMENTO. no LEFT em Santos. Bring da motherfuckin' ruckus!, já diziam os outros:

CIMENTO. 'se pimpin' sessions: 02/12/06, LEFT, Santos

Estado da Nação

É dia 27 de Novembro. Há decorações de Natal para aí desde Agosto, mas não faz mal. É Natal, o Hell Hath No Fury dos Clipse é o disco de hip-hop do ano, o Get Lonely dos Mountain Goats é o disco mais bonito do ano, o Rather Ripped dos Sonic Youth e o Return To Cookie Mountain dos TV On The Radio são os discos rock do ano. A ZDB continua a encher com o Ben Chasny, fazedor de música bonita mas gajo chato sozinho ao vivo. Nunca cheguei a correr com o "45:33", o UM está online e os Rapture lançaram um disco aborrecidíssimo com o Danger Mouse. Comecei um programa de rádio com o Vasco M. na Química FM (Partido Amén - ou "Ámen", a Joana jura que é "Ámen", mas no dicionário online da Priberam estão listadas as duas -, sábados das 20 às 22h, 105.4 FM), que quase ninguém pode ouvir (e ainda bem). Não sei o que dizer mais.
Os Neptunes não se cansam de guardar o melhor para os Clipse. Tem o Bilal fora de um contexto soul e consciente (não me lembro de ouvi-lo fora de discos de gente como o Common, alguém se lembra?). O Kelefa Sanneh diz que o Chad Hugo não aparece por lá, mas os beats são tão fora de tudo o que é o normal, do que vende, de, basicamente, tudo, que só confirmam o Pharrell Williams como um génio. Mesmo depois do raio do disco dele, que tinha para aí uma ou duas canções (conservadoras, como "Angel" - "ding-dong!", que tem imensa pinta mas não adiciona nada a lado nenhum) e o resto uma idiotice. Não há disco mais consistente este ano no hip-hop, o único que chega aos calcanhares dele é Blue Collar, do Rhymefest. "Devil's Pie", com o sample de "Someday" dos Strokes (que, dessa forma, estão a adicionar algo à música moderna) e "Build Me Up", com a voz desafinada de Ol' Dirty Bastard (o Jeff Mangum do rap), e o resto é quase todo óptimo, com uma ou duas dispensáveis, mas que não destoam. Mas o Rhymefest tenta ser algo que não é, diz-se tremendamente respeitador e ponderado mas depois é, basicamente, um idiota, na música dele, claro.
O Ty vem cá, o dubstep chegou mas anda chato. Digital Mystikz foi giro, durante meia-hora ou uma hora, o resto aborreceu. O MC não adicionava nada, estava a sentir-se demasiado bem para um género que, supostamente, ilustra de forma bonita a decadência urbana de uma cidade grande como Londres. E, por falar nisso, Children of Men e V for Vendetta são os filmes de ficção científica do ano (ou uma coisa assim, será que contam como isso?), ambos passados em Londres daqui a um porradão de anos e eu que nem gosto dessas coisas. Talvez seja da Julianne Moore e da Natalie Portman.
Há dois parágrafos que me fartei de links (dá um trabalho do caraças), fui a Barcelona ver o Sufjan Stevens, ele trouxe asas de águia e lembrei-me que o adorava (não tenhas medo, Rosie Thomas, é platónico). O Ys da Joanna Newsom é intenso e bonito e é o tipo de coisa que eu gostaria de ter em vinil. Talvez seja barato, é da Drag City. Comprei o Yellow House dos Grizzly Bear e outra Joana contou-me que eles eram uma banda gay e viu-os em Paris e não consigo, por muito que tente, odiá-la por isso. Também viu os TV On The Radio e era a única pessoa do mundo que poderia vê-los e eu não ficar chateado com ela (já tinha ficado chateado com um amigo e com o meu primo). Mas o Tunde Adebimpe estava bêbedo ou assim e parece que foi mau. Os Grizzly Bear não. Isso rendeu-me a a melhor prenda de sempre (obrigado, obrigado, obrigado, espero que ela já saiba o que quero dizer), como é que se pode odiar alguém nestas condições? Não há respeito.
O Kingdom Come chegou e confirma o génio do Just Blaze. O Dr. Dre irrita uma vez, os Neptunes destoam tremendamente, o Chris Martin surpreende (não que tenha algo contra ele, estes casamentos raramente resultam - como será o John Darnielle com o Aesop Rock, já que isso é capaz de acontecer?) numa das faixas mais bonitas do ano. É um bocado por aí. Mas não é o disco do ano, não é, de todo, consistente, mas quando raio é que o Jigga foi consistente? Nem no Reasonable Doubt, nem no Blueprint, nem no Black Album. É isso que a crítica tem esquecido, do Kelefa Sanneh ao Tom Breihan.
E é basicamente isto. Foi o que me saiu nesta altura. O Doctor's Advocate (acho que me enganei e escrevi "Devil" da outra vez) é a maior insistência de sempre numa insignificância. E a perpetuação da notoriedade de uma pessoa extremamente idiota. Trazer o gangsta rap de volta é parvo, pois, infelizmente, ele nunca morreu. Legado dos NWA? "Nigga nigga fuck fuck bitch bitch dope dope", é este o legado deles. O próprio Dre dizia-o. E precisamos disso? Claro que não. Mas há música boa por baixo daquilo tudo, mesmo que queiramos dar um tiro na cabeça do tipo.
Em compensação, dei por mim em Barcelona a ver Arrested Development. O sorriso estampado na cara do Speech, politicamente correcto, música conservadora (banda de versões funk/soul com dois rappers anónimos e genéricos - o "relaxado" e o "agressivo" ou "como levar uma fixação por Sly Stone longe de mais") fez-me ter vontade de abraçar o 50 Cent ou assim. Hipocrisia, sou um hipócrita. A parte boa foi que havia um velho genial no meio do palco que não fazia absolutamente nada senão ser velho e mexer-se um bocado.

terça-feira, outubro 31, 2006

Justin Blaze, pessoa mais importante de sempre

Quando toca ao tópico "The Game", a minha mão direita tem escrito "Love" e a minha mão esquerda "Hate". Mas há algo em que ambas concordam: ambas querem esmurrá-lo. The Game é um idiota. É pouco inteligente, é misógino, adora o estilo de vida gangsta, glorifica a violência enquanto dedica canções a gente que morreu em tiroteios, é, basicamente o pão-nosso-de-cada-dia da ignorânica de muitos rappers americanos. Mas a voz e o flow dele são coisas magníficas que muitos produtores adoram embelezar. E aposto que andam à luta para fazê-lo. "Hate or Love It", "Dreams" e "Church for Thugs" fizeram-me, basicamente, comprar The Documentary (e já escrevi algures que sem remorsos, visto ter sido em segunda mão).
Just Blaze ("Justin Blaze", como o Jigga lhe chama agora) está em fogo. Mesmo. Depois de "Show Me What You Got" (onde Jay-Z lhe chama isso, vi hoje o vídeo, depois dos Wu-Tang Clan no VH1 Hip-Hop Honors que passou na MTV Base, e é carros e carros e carros - a sério, parece um vídeo de Jamiroquai - e James Bond) e "Kingdom Come", ambos de El Presidente, agora aparece-nos "Why You Hate The Game", com direito a coro gospel e nove minutos de puro deleite. The Game com Nas e a Marsha das Floetry num, para citar alguém, "clássico instantâneo". Tem a particularidade de ter o Blaze a falar (e não a rimar, numa entrevista no Village Voice ele dizia que rimava melhor que milhares de rappers - o braggadocio normal - e que, se quisesse, envergonhava toda a gente, mas não queria, até tem uma voz boa, só falta ver o flow dele). Claro que The Game ainda não se esqueceu de aproveitar todas as oportunidades para falar de gente morta, especialmente de Eazy-E (ainda não ouvi nenhum tema do novo Devil's Advocate que não dissesse "Eazy" ou referisse, de alguma forma, o tipo - e se ele continuar em tronco nu mostrará sempre a tatuagem de NWA que tem) e de Compton. Mas isso não é assim tão mau porque ninguém (espero eu) gosta dele pelo que ele tem para dizer. É que ele não tem nada para dizer.
Na capa da Urb de um mês destes estava o David Andrew Sitek (dos TV on The Radio), o Tadd Mullinix (Dabrye) e o Just Blaze. Todos lado a lado vestindo fatos impecáveis. São os produtores, segundo a revista, mais importantes da actualidade. Concordo com a parte do Sitek e do Blaze, e o Mullinix também é grande. Pode não ser o único a dar piada ao The Game, mas é um dos que o faz melhor (o Kanye West também é grande a fazê-lo, e descobri hoje que o disco do ano para ele é o The Eraser do Thom Yorke, mas mesmo antes ele já tinha estragado tudo dizendo que gostava muito de Keane). E não pára. Estou a prever mais cinco ou seis grandes malhas do Blaze até ao final do ano. Como diz o Jigga, "you got two months to put your shit together", Blaze, e eu sei que consegues fazê-lo num só dia.

sexta-feira, outubro 27, 2006

Para continuar os dois últimos posts

Tenho andado sem grande atenção ao mundo em geral (nas últimas 3 semanas acumulei mais jornais, revistas e suplementos de jornais que nunca, sem sequer chegar a lê-los realmente, o que é mau porque perdi o texto do Mário Lopes sobre Grizzly Bear - só o apanhei agora - no Y de não-sei-quando e o texto do João Bonifácio sobre Ty no mesmo - não percebo porque é que é assim tão estranho haver um MC que não objectifica as mulheres e não fala de violência, há milhares assim e é altura de isso deixar de ser assim tão especial, mas nunca deixará de ser louvável, não significa, obviamente, automaticamente boa música, tenho quase a certeza de que o Mike Shiinoda não é dessa onda e, apesar disso, é a maior nulidade musical de todo o sempre), por isso perdi o aparecimento de "Lost Ones". É a terceira faixa que aparece por aí de Kingdom Come, e é basicamente uma grande desilusão. É "Feelin' It", tema do Reasonable Doubt, dez anos depois sem nada de especial. Não vale, pura e simplesmente, a pena.
Quanto a LCD Soundsystem, tenho ouvido o tal set no autocarro e fico sempre com vontade de sair duas ou três paragens antes para vir a correr para casa, mas entretanto adormeço sempre e não consigo fazê-lo. Quando entram os sopros não há nada melhor. Tenho mesmo de começar a correr. O Tom Breihan não gosta de nenhuma das faixas que apareceram por aí do Jay-Z. Mas gosta dos Killers. Basicamente - e até posso de vez em quando admitir que os Killers tinham um ou dois singles memoráveis (irritantes mas memoráveis) no primeiro disco -, não consigo lembrar-me das mil audições que fiz do "When You Were Young" ou lá como se chama. Só me lembro que o tipo agora tem um bigode (e isso é, basicamente, sempre louvável).
Apareceu por aí uma nova produção dos Neptunes para a Gwen Stefani e...ela canta yodel, não há propriamente paciência para isso, por isso é para descartar. Fui ao aniversário da ZDB ontem, com Blectum from Blechdom, e acho sempre louvável fazer-se electrónica de brincar com as gémeas Olsen a passar por trás. E a cantar. Gosto do facto de elas terem nascido no meu ano. Acho que estou a começar a gostar de dubstep (fui para os estúdios da Valentim de Carvalho a ouvir Burial - estava a chover e andei de transportes públicos, é difícil ser mais urbano decadente que isso - e a capa do UM fez-me pegar em Kode 9 and The Space Ape e parece-me tudo muito bem) e a querer fortemente que chegue o dia 18 para ver Digital Mystikz com Buraka Som Sistema algures em Lisboa, organizado pela ZDB. É algo que chega cá à hora certa, que apanha algo de cá mais ou menos também à hora certa, e todos ficamos a ganhar se for num barracão como aquele em que foram os Animal Collective em Cacilhas e se aparecer gente como aquela que aparece nas fotografias de festas do Cobra Snake. Falhei Bonde do Role no Mercado por falta de paciência para baile-funk, espero não falhar isso.