Para continuar a minha cobertura do Trapped in the Closet, volto de Paredes de Coura e vejo que o Will Oldham faz de polícia no capítulo 15. Espero que isto não estrague o divertimento de ninguém. Porra. Pareceu-me ser ele e depois googlei "Trapped in the Closet" e "Will Oldham" e confirmei. O maior, depois do vídeo do Kanye West, o Trapped in the Closet. Era a última fronteira. Há que lembrar, contudo, que já há anos que ele faz uma versão do "Ignition" do Kels ao vivo. Só é pena não ser "Ignition (Remix)", um dos melhores singles dos anos 2000.
quinta-feira, agosto 16, 2007
quarta-feira, agosto 15, 2007
The plot gets thicker
O capítulo de hoje foi muito bom, dos melhores de sempre. Há umas variações na música, telefonemas com um tipo com grills, funcionam optimamente bem. Há cada vez mais revelações e este teve imensas, depois do de ontem que não teve muita coisa.
Há algo que me irrita em toda a publicidade e imprensa à volta do festival de Paredes de Coura. É dizerem que aquilo é "o festival mais alternativo do país". Por amor de Deus, aquele é um festival que quase não arrisca e nem sequer traz as bandas no momento exacto em que estão a dar. Isso foi, por exemplo, o que se disse quando trouxeram os Arcade Fire, um fenómeno totalmente de 2004, diga-se o que se quiser, à escala mundial, visto toda a gente do mundo ter internet, no verão de 2005, um ano depois, mais ou menos. Não que isso interesse muito ou que seja mau, mas é uma questão de se dizer a verdade. O cartaz deste ano é bastante fraco, só fico com pena de não ver a M.I.A. e talvez os Spoon. Mas vou ver os Sonic Youth pela segunda vez em dois meses e terceira vez no geral e também as Electrelane pela primeira. E gosto dos Peter, Björn & John, mas não o suficiente para estar muito feliz por vê-los. Claro que isto é bom, mas não é a melhor coisa do mundo, que não correm assim tantos riscos, já para não falar da vergonha que foi anunciarem aos bocados o cartaz que se mostrava cada vez mais fraco.
Há algo que me irrita em toda a publicidade e imprensa à volta do festival de Paredes de Coura. É dizerem que aquilo é "o festival mais alternativo do país". Por amor de Deus, aquele é um festival que quase não arrisca e nem sequer traz as bandas no momento exacto em que estão a dar. Isso foi, por exemplo, o que se disse quando trouxeram os Arcade Fire, um fenómeno totalmente de 2004, diga-se o que se quiser, à escala mundial, visto toda a gente do mundo ter internet, no verão de 2005, um ano depois, mais ou menos. Não que isso interesse muito ou que seja mau, mas é uma questão de se dizer a verdade. O cartaz deste ano é bastante fraco, só fico com pena de não ver a M.I.A. e talvez os Spoon. Mas vou ver os Sonic Youth pela segunda vez em dois meses e terceira vez no geral e também as Electrelane pela primeira. E gosto dos Peter, Björn & John, mas não o suficiente para estar muito feliz por vê-los. Claro que isto é bom, mas não é a melhor coisa do mundo, que não correm assim tantos riscos, já para não falar da vergonha que foi anunciarem aos bocados o cartaz que se mostrava cada vez mais fraco.
terça-feira, agosto 14, 2007
Kels
Regozijai, irmãos. Chegou o capítulo 13. De quê? Do Trapped in the Closet a maior história dos nossos tempos escrita, composta e interpretada pelo maior contador de histórias dos nossos tempos. Estou, claro, a falar do R. Kelly. O Kels. Antes de ser julgado definitivamente por várias acusações de pedofilia (não é ele no vídeo; ele não sabia que ela tinha 14 anos; porque é que não prendem o Akon e o T-Pain em vez dele?), toda a próxima dezena de dias terá um novo episódio do Trapped in the Closet por dia. O que é magnífico, porque é melhor entretenimento que qualquer outra coisa do mundo agora. Este décimo terceiro capítulo não é dos melhores da saga, não acontece nada muito grande nem há um clímax, nem sequer uma revelaçãozita, só se descobrem nomes de duas personagens que aí vêm, mas vale por ter o Kels com cabelo branco a fazer de velho. Não há nada melhor. Depois de "Same Girl" com o Usher, o single muito ao estilo da saga, só que com princípio, meio e fim, é óptimo ver novos episódios. E deve haver muito para acontecer, quer dizer, depois do stripper anão ainda há um mundo de oportunidades a serem narradas em falsete.
segunda-feira, agosto 13, 2007
Reynolds on Moz
Ando a ler o Bring The Noise do Simon Reynolds (um dos meus críticos favoritos), depois de tê-lo pousado, e é óptimo voltar a ler a entrevista de 1988 ao Morrissey no Melody Maker. Acaba assim:
As I neurotically double-check if the tape is running, I mutter by way of apology, "I've had some bad experiences with tape recorders."
"Oh, I've had some bad experiences with people actually... you're very lucky."
Delicioso.
As I neurotically double-check if the tape is running, I mutter by way of apology, "I've had some bad experiences with tape recorders."
"Oh, I've had some bad experiences with people actually... you're very lucky."
Delicioso.
Allen on Bergman, Scorsese on Antonioni
Hoje no New York Times.
And yet the man was a warm, amusing, joking character, insecure about his immense gifts, beguiled by the ladies. To meet him was not to suddenly enter the creative temple of a formidable, intimidating, dark and brooding genius who intoned complex insights with a Swedish accent about man’s dreadful fate in a bleak universe. It was more like this: “Woody, I have this silly dream where I show up on the set to make a film and I can’t figure out where to put the camera; the point is, I know I am pretty good at it and I have been doing it for years. You ever have those nervous dreams?” or “You think it will be interesting to make a movie where the camera never moves an inch and the actors just enter and exit frame? Or would people just laugh at me?”
What does one say on the phone to a genius? I didn’t think it was a good idea, but in his hands I guess it would have turned out to be something special.
e
I used to have long phone conversations with him. He would arrange them from the island he lived on. I never accepted his invitations to visit because the plane travel bothered me, and I didn’t relish flying on a small aircraft to some speck near Russia for what I envisioned as a lunch of yogurt. We always discussed movies, and of course I let him do most of the talking because I felt privileged hearing his thoughts and ideas. He screened movies for himself every day and never tired of watching them. All kinds, silents and talkies. To go to sleep he’d watch a tape of the kind of movie that didn’t make him think and would relax his anxiety, sometimes a James Bond film.
Via filmes do Bond e tinha piada, o Bergman. Simpático.
(e o Scorsese)
And yet the man was a warm, amusing, joking character, insecure about his immense gifts, beguiled by the ladies. To meet him was not to suddenly enter the creative temple of a formidable, intimidating, dark and brooding genius who intoned complex insights with a Swedish accent about man’s dreadful fate in a bleak universe. It was more like this: “Woody, I have this silly dream where I show up on the set to make a film and I can’t figure out where to put the camera; the point is, I know I am pretty good at it and I have been doing it for years. You ever have those nervous dreams?” or “You think it will be interesting to make a movie where the camera never moves an inch and the actors just enter and exit frame? Or would people just laugh at me?”
What does one say on the phone to a genius? I didn’t think it was a good idea, but in his hands I guess it would have turned out to be something special.
e
I used to have long phone conversations with him. He would arrange them from the island he lived on. I never accepted his invitations to visit because the plane travel bothered me, and I didn’t relish flying on a small aircraft to some speck near Russia for what I envisioned as a lunch of yogurt. We always discussed movies, and of course I let him do most of the talking because I felt privileged hearing his thoughts and ideas. He screened movies for himself every day and never tired of watching them. All kinds, silents and talkies. To go to sleep he’d watch a tape of the kind of movie that didn’t make him think and would relax his anxiety, sometimes a James Bond film.
Via filmes do Bond e tinha piada, o Bergman. Simpático.
(e o Scorsese)
sábado, agosto 11, 2007
Be Kind, Rewind
Já há trailer do novo do Michel Gondry. Grande, grande, grande. Melhor par cómico de sempre. Mos Def e Jack Black é uma dádiva dos Deuses. E, a julgar pelo trailer, a viagem do Gondry pelos sonhos/subconsciente ainda não se esgotou em nada. Parece que há-de ser o filme mais tipo entretenimento dele, mas vai ser certamente óptimo.
sexta-feira, agosto 10, 2007
terça-feira, agosto 07, 2007
Imagens
Adorava ter fotografias em cada post, assim como o Sasha Frere-Jones, que nunca ninguém sabe bem o que quer dizer, nem com as fotografias nem com os textos. Isto porque em Inglaterra vi escrito num cartaz colocado à porta de uma igreja. Dizia "Jesus, the greatest comeback of all". Nada mais errado. Toda a gente sabe que o "greatest comeback of all" foi o dos Go-Betweens em 1999, ainda por cima com as Sleater-Kinney. Tirando isso, gosto do novo disco dos Go! Team, gostei dos Of Montreal e dos National pela segunda vez ao vivo e tenho uma imagem, mas não uma fotografia, porque eu não tenho uma máquina para tirar fotografias a tudo. Gostava de ter, um dia.

Pronto, é esta a imagem, mais publicidade.

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quinta-feira, agosto 02, 2007
quarta-feira, agosto 01, 2007
Bergman on Antonioni
Quando a Joana me disse ontem, ao telefone, que o Antonioni também tinha morrido, pensei logo nisto:
[on Michelangelo Antonioni] "He's done two masterpieces, you don't have to bother with the rest. One is Blow-Up, which I've seen many times, and the other is La Notte, also a wonderful film, although that's mostly because of the young Jeanne Moreau. In my collection I have a copy of Il Grido, and damn what a boring movie it is. So devilishly sad, I mean. You know, Antonioni never really learned the trade. He concentrated on single images, never realising that film is a rhythmic flow of images, a movement. Sure, there are brilliant moments in his films. But I don't feel anything for L'Avventura, for example. Only indifference. I never understood why Antonioni was so incredibly applauded. And I thought his muse Monica Vitti was a terrible actress."
Está na página do IMDB do Bergman, na secção de trivia. É muito mais divertido do que qualquer homenagem que passe por "a forma como filmava e sentia o sofrimento e as imagens bonitas". Também não quero muito saber do sofrimento e das imagens bonitas, mas gostei do Sétimo Selo (não costumo usar nomes em português, mas há alguém no mundo que não seja sueco e saiba falar sueco?), o único filme que vi dele. Esta citação é gira porque morreram no mesmo dia e, apesar de não ter palavrões, tem o Bergman a chamar chato a alguém ("diz o roto ao nu"?).
[on Michelangelo Antonioni] "He's done two masterpieces, you don't have to bother with the rest. One is Blow-Up, which I've seen many times, and the other is La Notte, also a wonderful film, although that's mostly because of the young Jeanne Moreau. In my collection I have a copy of Il Grido, and damn what a boring movie it is. So devilishly sad, I mean. You know, Antonioni never really learned the trade. He concentrated on single images, never realising that film is a rhythmic flow of images, a movement. Sure, there are brilliant moments in his films. But I don't feel anything for L'Avventura, for example. Only indifference. I never understood why Antonioni was so incredibly applauded. And I thought his muse Monica Vitti was a terrible actress."
Está na página do IMDB do Bergman, na secção de trivia. É muito mais divertido do que qualquer homenagem que passe por "a forma como filmava e sentia o sofrimento e as imagens bonitas". Também não quero muito saber do sofrimento e das imagens bonitas, mas gostei do Sétimo Selo (não costumo usar nomes em português, mas há alguém no mundo que não seja sueco e saiba falar sueco?), o único filme que vi dele. Esta citação é gira porque morreram no mesmo dia e, apesar de não ter palavrões, tem o Bergman a chamar chato a alguém ("diz o roto ao nu"?).
M.I.A.
É impossível não adorar alguém que começa um disco de dança chunga com uma citação do Jonathan Richman, ainda por cima do tempo dos Modern Lovers. É impossível.
Kyp Malone

(e os meus pêsames para a Joana, para a minha mãe, para o João Bonifácio e para a Mafalda por causa da morte do Bergman)
quinta-feira, julho 26, 2007
How did this bitch get the remix?
Uma das piores actividades de quem escreve sobre o que quer que seja é transcrever entrevistas. Especialmente as que, como é o caso, demoram mais de uma hora. É uma tarefa extremamente aborrecida e, quando não há grande urgência, tem-se sempre tendência a adiar. Aconteceu-me isso com a entrevista que fiz ao Kyp Malone há quase duas semanas, que será publicada talvez na segunda ou assim, não sei, não vou estar cá para ver. Vou para Inglaterra amanhã. Não sei porquê, mas costumo assinalá-lo sempre que vou lá. No ano passado fi-lo, mas foi depois. Vou ver Os Mutantes, que não vi cá, porque é com muito mais coisas (com o Diplo, os Bonde do Rolê e a Amanda Blank). É só para dizer que fui a um concerto em Londres, a minha vontade de ver Os Mutantes não é assim tão grande, depois de ter visto as fotografias deles no Ípsilon e no New York Times na semana passada. Estão velhos. Mas a Amanda Blank é uma rapper que me parece divertida, pelo menos as rimas em canções dos Spank Rock ("Bump") e dos Plastic Little ("Crambodia", podia jurar que o sample é d'Os Mutantes, mas não tenho certezas, soa mesmo a isso) são muito apreciadas por mim, mesmo que ela não tenha um estilo muito idiossincrásico e se limite a dizer coisas porcas. É a maneira como ela faz que salva tudo, acelerando o discurso a meio, etc. Deve dar um espectáculo interessante, mesmo que eu não conheça absolutamente nada dela que não seja essas duas canções ("My rhymes are painfully fresh / my pussy's tastin' the best" está ao nível do "My Neck, My Back" da Khia, com "All you ladies pop yo' pussy like this" e "Do it now, lick it good, suck this pussy just like you should"). Deve ser divertido. Espero que seja divertido.
quarta-feira, julho 25, 2007
The Kings of Comedy
Três comediantes no mesmo vídeo. O Sasha Frere-Jones da New Yorker dizia, na Slate Magazine sobre o Kanye West, quando saiu o College Dropout, que ele era um comediante. Um entertainer é certamente, mas é uma noção interessante na mesma. Acontece que "Can't Tell Me Nothing" não é uma canção assim tão boa (nem assim tão má quanto eu pensava). Habituei-me a ela, o refrão é bom e cantarolável e já nem me importo muito com isso. Apareceu, no site dele, um novo vídeo para ela. É magnífico. Para além do comediante que fez a canção, outros dois aparecem, dois donos das melhores barbas do mundo: Zach Galifianakis e Will Oldham. O Will Oldham não tem barba aqui, escolhe apenas as patilhas e o bigode que dão sempre um bocadinho de classe à sua cara, mas quem não acha que ele é um comediante nunca o viu ao vivo. Quase melhor do que a música é o que ele diz quando não está a tocá-la, um tipo cheio de piada. No meio do campo e com dançarinas adolescentes, o Zach Galifianakis canta a letra com uma cara séria e o Oldham faz parvoíces com ele. É bastante divertido.
terça-feira, julho 24, 2007
The Darjeeling Limited
Adoro o Wes Anderson. Todos os filmes dele são estupendamente bons, não gosto assim tanto tanto do Bottle Rocket, mas o resto é magnífico. The Darjeeling Limited é o quinto filme do homem e o trailer já apareceu na internet. Topa-se, logo nas primeiras imagens, que é um filme dele (até quando entra a música), talvez mais facilmente do que qualquer outro realizador actual. O Jason Schwartzman (com bigode, boa escolha), o Adrien Brody e o Owen Wilson são irmãos que atravessam a Índia e se reencontram. A família é sempre importante no Wes Anderson, e isto parece-me muito, muito bem, como tudo o que ele fez até hoje. Uma das melhores presenças dos filmes dele, tirando o Life Aquatic With Steve Zissou, é o Kumar Pallana, um actor indiano que era o dono do café no Texas onde o Wes Anderson e o Owen Wilson iam. Era uma boa ideia fazer um filme na Índia sem o indiano que ele põe nos filmes, mas seria realmente bom que ele voltasse aos filmes do tipo. É que a forma como ele diz "You son-of-a-bitch!" é quase poesia.
segunda-feira, julho 23, 2007
Jeff Tweedy e a parte mais importante do Conan
Ontem, no New York Times (não vai durar muito tempo, mas é muito boa)), publicaram uma lista de discos recentes dos quais o Jeff Tweedy gosta. Entre eles, Grizzly Bear e Battles. É estranho pensar que deixei os Grizzly Bear a meio para ver os Wilco e que perdi o início dos Battles para ver o fim dos Wilco no Primavera Sound. Dr. Dog, Grizzly Bear, Battles, A Hawk and a Hacksaw e Panda Bear (não é assim tão difícil saber coisas sobre os Animal Collective, Sr. Tweedy). E há esta frase: "I’m probably the only person that wanted to be a rock critic and failed at it and started a band." E que banda. E isto não vinha na biografia dos Wilco que eu comprei e li. Que desperdício de tempo.
A parte mais importante da tal entrevista do Conan é esta:
But the great thing about The Simpsons for me personally is that for the last 14 years of doing my show, I've been working hard on this comedy, but it's pretty disposable. I could light my arms on fire on the show tonight and you might see it for a couple of days on YouTube, but then it's gone.
I'm constantly, no matter where I go in the world, running into people who know which episodes of The Simpsons I worked on, and they're quoting lines to me. I think long after my Late Night show is gone, I feel like the Simpsons episodes I worked on will always be in the ether. People will be watching them on some space station, like, 200 years from now. That's a nice feeling. It's always gonna be there. It's something I'm really proud of. I'm always going to be connected to these people, and every couple of years I'll get to talk about it, and think about it, and it's fantastic.
A parte mais importante da tal entrevista do Conan é esta:
But the great thing about The Simpsons for me personally is that for the last 14 years of doing my show, I've been working hard on this comedy, but it's pretty disposable. I could light my arms on fire on the show tonight and you might see it for a couple of days on YouTube, but then it's gone.
I'm constantly, no matter where I go in the world, running into people who know which episodes of The Simpsons I worked on, and they're quoting lines to me. I think long after my Late Night show is gone, I feel like the Simpsons episodes I worked on will always be in the ether. People will be watching them on some space station, like, 200 years from now. That's a nice feeling. It's always gonna be there. It's something I'm really proud of. I'm always going to be connected to these people, and every couple of years I'll get to talk about it, and think about it, and it's fantastic.
With the radio on
Esta semana saiu no Guardian um artigo de uma repórter que foi à procura dos sítios que o Jonathan Richman menciona na canção Road Runner dos seus Modern Lovers. Soa muito melhor do que é realmente, mas é sempre uma boa oportunidade de recordar o quão boa é a canção e do quão genial é o Richman. Por que raio foi ele só tocar meia-hora em Barcelona transcende-me. Espero mesmo que ele venha cá em Fevereiro ou lá o que é.
A Vanity Fair cobre o lançamento do filme dos Simpsons com um artigo daqueles grandes e bons que eles fazem e um top dos melhores episódios de sempre (o número um é magnífico, com os Ramones a cantarem os parabéns ao Mr. Burns dizendo que ele é velho, o que leva a que ele peça para o Smithers matar os Rolling Stones, devo tê-lo visto, sem exagero, mais de 20 vezes, tinha-o gravado em VHS, para além de um com um ladrão de casas idoso e do Stampy, o elefante do Bart) Há também uma óptima entrevista curta (em relação ao resto) ao Conan O'Brien, que é basicamente uma versão expandida das citações dele que aparecem no artigo maior, uma história oral com algumas das pessoas envolvidas na criação da série, mesmo que Matt Groening, James L. Brooks e Sam Simon estejam de fora. Uma boa parte da história vinda de um grande, grande senhor:
I pleaded with Matt and advised him strongly from my elder-statesman position to not work with Fox. "Whatever you do, don't work with those guys! They're gangsters! They're gonna take your rights away!" He's never let me forget it.
O Finding Forever do Common é óptimo: "The Game" é um grande, grande single e "Drivin' Me Wild" também será. Este e o Ear Drum do Talib Kweli são óptimos discos de MCs "conscientes" ou lá o que é. Falta o Graduation do Kanye West e o novo do Lupe Fiasco e esta família fica toda completa (não que o Kweli pertença realmente a ela, só até certo ponto).
Ao ver o novo vídeo dos Travis (óptimo vídeo, canção medíocre, o vocalista soa como a Crissie Hynde, o que é estranho, e o vídeo tem o grande Demetri Martin a despir todas as t-shirts com dizeres que acompanham a letra que tem vestidas), lembrei-me de que hoje descobri que o Zach Galifianakis (que fez uma das minhas coisas favoritas de sempre, uma das maneiras mais brilhantes de acabar um especial de comédia) e a Sarah Silverman (o facto de o Sarah Silverman Program nunca ter sido comprado pela SIC Radical só pode querer dizer que aquela gente está morta ou pelo menos adormecida) aparecem no pior filme de sempre, que eu até vi no cinema na altura (não tinha nada melhor para fazer, gostava de dizer que hoje em dia já tenho, mas não, continuo a não ter): Heartbreakers. Mas só vi um bocado, a barba do Galifianakis já era boa na altura, mas podia ser melhor. Leva para aí um 3 em 5 por causa do esforço. Às vezes sinto, quando estou a ver coisas ou do Galifianakis ou do Martin, que piadas sem muitos conectores entre elas não é a melhor forma de comédia, mas o que eles fazem com o formato ao vivo é estupendo e a criatividade que têm para fazer outras coisas, como tocar piano ou guitarra, usar escritos, trazer gente de fora, etc. Para além do mais, gente como Steven Wright e o Emo Philips sempre foi grande a fazer isso mesmo (claro que com estilos obviamente totalmente diferentes e idiossincrásicos) e nenhum mal vem ao mundo por causa disso.
Vi o Death Proof hoje e gostei, mas teria gostado bastante mais se tivesse chegado a tempo de ver o início e se fosse o Grindhouse todo. O diálogo é óptimo e é sempre magnífico ouvir o que o Tarantino dá aos seus actores para dizer. Por muito que gire à volta do mesmo e que siga uma fórmula, é sempre excelente entretenimento. É giro ver como ele evoluiu do Reservoir Dogs (que tem apenas uma mulher, a que tenta matar o Tim Roth) para isto, onde muitas e muitas mulheres se defrontam com o Kurt Russell. Mas é difícil ver isto sem ver o Planet Terror do Rodriguez. Desde que li sobre isso no New York Times em Janeiro que fiquei completamente ansioso pela chegada do filme cá, e saber que nunca chegará é bastante mau. Sobre o diálogo, guardei algures isto desse mesmo artigo, que já não dá para ler online:
Mr. Tarantino called his female characters’ dialogue, which simultaneously evokes both “Sex and the City” and teenage girls’ MySpace profiles, “some of the best dialogue I’ve ever written in my life.” After finishing the script he sent it to Bob Dylan, because he thought Mr. Dylan “would appreciate the wordplay.” He has not yet heard back.
A Vanity Fair cobre o lançamento do filme dos Simpsons com um artigo daqueles grandes e bons que eles fazem e um top dos melhores episódios de sempre (o número um é magnífico, com os Ramones a cantarem os parabéns ao Mr. Burns dizendo que ele é velho, o que leva a que ele peça para o Smithers matar os Rolling Stones, devo tê-lo visto, sem exagero, mais de 20 vezes, tinha-o gravado em VHS, para além de um com um ladrão de casas idoso e do Stampy, o elefante do Bart) Há também uma óptima entrevista curta (em relação ao resto) ao Conan O'Brien, que é basicamente uma versão expandida das citações dele que aparecem no artigo maior, uma história oral com algumas das pessoas envolvidas na criação da série, mesmo que Matt Groening, James L. Brooks e Sam Simon estejam de fora. Uma boa parte da história vinda de um grande, grande senhor:
I pleaded with Matt and advised him strongly from my elder-statesman position to not work with Fox. "Whatever you do, don't work with those guys! They're gangsters! They're gonna take your rights away!" He's never let me forget it.
O Finding Forever do Common é óptimo: "The Game" é um grande, grande single e "Drivin' Me Wild" também será. Este e o Ear Drum do Talib Kweli são óptimos discos de MCs "conscientes" ou lá o que é. Falta o Graduation do Kanye West e o novo do Lupe Fiasco e esta família fica toda completa (não que o Kweli pertença realmente a ela, só até certo ponto).
Ao ver o novo vídeo dos Travis (óptimo vídeo, canção medíocre, o vocalista soa como a Crissie Hynde, o que é estranho, e o vídeo tem o grande Demetri Martin a despir todas as t-shirts com dizeres que acompanham a letra que tem vestidas), lembrei-me de que hoje descobri que o Zach Galifianakis (que fez uma das minhas coisas favoritas de sempre, uma das maneiras mais brilhantes de acabar um especial de comédia) e a Sarah Silverman (o facto de o Sarah Silverman Program nunca ter sido comprado pela SIC Radical só pode querer dizer que aquela gente está morta ou pelo menos adormecida) aparecem no pior filme de sempre, que eu até vi no cinema na altura (não tinha nada melhor para fazer, gostava de dizer que hoje em dia já tenho, mas não, continuo a não ter): Heartbreakers. Mas só vi um bocado, a barba do Galifianakis já era boa na altura, mas podia ser melhor. Leva para aí um 3 em 5 por causa do esforço. Às vezes sinto, quando estou a ver coisas ou do Galifianakis ou do Martin, que piadas sem muitos conectores entre elas não é a melhor forma de comédia, mas o que eles fazem com o formato ao vivo é estupendo e a criatividade que têm para fazer outras coisas, como tocar piano ou guitarra, usar escritos, trazer gente de fora, etc. Para além do mais, gente como Steven Wright e o Emo Philips sempre foi grande a fazer isso mesmo (claro que com estilos obviamente totalmente diferentes e idiossincrásicos) e nenhum mal vem ao mundo por causa disso.
Vi o Death Proof hoje e gostei, mas teria gostado bastante mais se tivesse chegado a tempo de ver o início e se fosse o Grindhouse todo. O diálogo é óptimo e é sempre magnífico ouvir o que o Tarantino dá aos seus actores para dizer. Por muito que gire à volta do mesmo e que siga uma fórmula, é sempre excelente entretenimento. É giro ver como ele evoluiu do Reservoir Dogs (que tem apenas uma mulher, a que tenta matar o Tim Roth) para isto, onde muitas e muitas mulheres se defrontam com o Kurt Russell. Mas é difícil ver isto sem ver o Planet Terror do Rodriguez. Desde que li sobre isso no New York Times em Janeiro que fiquei completamente ansioso pela chegada do filme cá, e saber que nunca chegará é bastante mau. Sobre o diálogo, guardei algures isto desse mesmo artigo, que já não dá para ler online:
Mr. Tarantino called his female characters’ dialogue, which simultaneously evokes both “Sex and the City” and teenage girls’ MySpace profiles, “some of the best dialogue I’ve ever written in my life.” After finishing the script he sent it to Bob Dylan, because he thought Mr. Dylan “would appreciate the wordplay.” He has not yet heard back.
domingo, julho 15, 2007
"Orchestral shit"
I’m making songs, nigga, songs that you can have Carnegie Hall play one day, I’m making songs that you can write out on a piece of paper and give it to another band, and they’ll do it. - RZA, na Urb
Depois de uma semana bastante atarefada (dois sets de CIMENTO., o Dancestation - o Will Ferrell seria a melhor pessoa para fazer de Nic Offer dos !!! num possível biopic, não? -, o Kyp Malone no Lounge e em entrevista no dia a seguir - melhor pessoa de sempre? -, textos, etc.), leio isto da Urb e fico à espera do 8 Diagrams. Não só por isto, mas há-de ser bom, mesmo que o Ghostface não apareça e o ODB esteja morto (ele também não fez nada nos últimos discos). Vi o Science of Sleep ontem e cada vez gosto mais do Michel Gondry. Não consigo deixar de pensar no que o Charlie Kafuman faria se tivesse escrito o argumento, mas mesmo assim é óptimo. O próximo supostamente tem o Mos Def e o Jack Black como melhores amigos e, mesmo que eu pensasse muito - e acho que até já disse isto bastante veezs -, não arranjaria par melhor (por acaso há dois anos arranjaram, o Mos Def e o Elvis Costello, mas foi só um cameo no Talladega Nights).
Depois de uma semana bastante atarefada (dois sets de CIMENTO., o Dancestation - o Will Ferrell seria a melhor pessoa para fazer de Nic Offer dos !!! num possível biopic, não? -, o Kyp Malone no Lounge e em entrevista no dia a seguir - melhor pessoa de sempre? -, textos, etc.), leio isto da Urb e fico à espera do 8 Diagrams. Não só por isto, mas há-de ser bom, mesmo que o Ghostface não apareça e o ODB esteja morto (ele também não fez nada nos últimos discos). Vi o Science of Sleep ontem e cada vez gosto mais do Michel Gondry. Não consigo deixar de pensar no que o Charlie Kafuman faria se tivesse escrito o argumento, mas mesmo assim é óptimo. O próximo supostamente tem o Mos Def e o Jack Black como melhores amigos e, mesmo que eu pensasse muito - e acho que até já disse isto bastante veezs -, não arranjaria par melhor (por acaso há dois anos arranjaram, o Mos Def e o Elvis Costello, mas foi só um cameo no Talladega Nights).
quinta-feira, julho 12, 2007
Mas é necessário dizê-lo
Os Panic! At The Disco continuam a ser francamente maus, bem como os Gym Class Heroes, duas bandas que me fizeram inflacionar o preconceito contra os Fall Out Boy.
terça-feira, julho 10, 2007
My Chemical Romance e uns vídeos
Ouvi, finalmente, The Black Parade. Parece-me um bom disco, fácil de gostar, que não justifica, de todo, ódios desmesurados. Boas canções, boas melodias, óptimos singles - até aqueles de que não gostava não soam nada mal...adoro os Modest Mouse, são uma das minhas bandas favoritas dos anos 2000, desde o The Moon & Antarctica que têm uma sucessão de óptimos discos (também são só mais dois), inclusivamente o deste ano, com o Johnny Marr (guitarrista de uma das minhas bandas favoritas, que também parece ter influenciado os MCR). Há muita coisa por aqui que navega pelos mesmos campos, a temática da morte e tal, só que sem letras boas. Até há momentos que soam a Modest Mouse ("Mama" até parece uma do novo, o que, tendo em conta que este disco é de 2006, é estranho, até o que o tipo canta, "Mama, we're all gonna die", podia ser MM). O pior dos My Chemical Romance são as letras, quase sempre horríveis, mas, tirando isso, do swing de big band da primeira metade do século XX de "House of Wolves" às bandas de marcha de "Welcome to the Black Parade" (cada vez gosto mais da canção toda e não só do refrão e da ponte que quando se sobrepõem é magnífico), isto é manifestamente bom. Hoje vou ver se tento os Fall Out Boy, para continuar na minha descoberta desta gente.
Li no New York Times no próprio dia mas não liguei muito. Também acho que não acabei de ler, mas os Boredoms, em pleno dia do Live Earth (acho que só vi os Police com o Kanye West e o John Mayer, foi horrendo, e eu lembrava-me de os Police serem bons), fizeram um concerto grátis com 77 bateristas. 7/7/7, 77 bateristas. A lista é extensa e tem muita gente boa, como malta dos Gang Gang Dance, dos Oneida, dos Modest Mouse, dos Lightning Bolt, etc. Tudo boa gente de boas bandas daquela zona e de outras zonas. Até o Jim Black, que julgo já ter visto tocar com o Carlos Bica (faz parte da formação Azul), estava lá, a não ser que haja dois Jim Black bateristas, o que também é possível. O Andrew W.K., esse idiota, por amor de Deus, esteve lá, deve ter ido vestido de branco e feito um discurso no início, motivador do caraças. Há uns vídeos disso no YouTube e na Pitchfork, e isto parece-me muito bem, e muito menos chato do que devia ser (para chatice de bateristas, ouvir Bumps, a banda dos três bateristas de uma das melhores bandas do mundo, o Dan Bitney, o John McEntire e o John Herndon dos Tortoise).
Para continuar em vídeos da Pitchfork (há coisas muito boas no Forkcast, apesar de eu já não ler textos da Pitchfork há mesmo muito tempo), Girl Talk no festival de jazz de Montréal. O meu herói. Ele tem um suporte para o laptop e vai para o meio da rua fazer a festa. É criminoso ele nunca ter vindo cá. Criminoso.
Zach Hill, dos Hella, não foi um dos bateristas convidados pelos Boredoms, mas toca no disco da Marnie Stern, que é as Sleater-Kinney reencarnadas cruzadas com o Eddie Van Halen. Tapping hipnótico na guitarra, com boas canções. Cada vez gosto mais do disco, memso não ligando muito ao fim e à faixa em que ela descreve uma viagem. Nunca pensei muito nisso, fui ouvindo desde há uns meses, e tem coisas realmente boas. Também há uns vídeos bons no YouTube dela a tocar com ele agora que deixou de vez (e ainda bem) o IPod (ela tocava com um IPod em vez de um baterista). Este é o tipo de coisa que podia ir a Paredes de Coura, mas certamente que teremos duas ou três bandas que são a enésima "revitalização" do som "pop puro" dos "anos 80", ou seja, "o futuro", apesar de estarmos a quase um mês do festival e o cartaz não estar, de todo, fechado.
Li no New York Times no próprio dia mas não liguei muito. Também acho que não acabei de ler, mas os Boredoms, em pleno dia do Live Earth (acho que só vi os Police com o Kanye West e o John Mayer, foi horrendo, e eu lembrava-me de os Police serem bons), fizeram um concerto grátis com 77 bateristas. 7/7/7, 77 bateristas. A lista é extensa e tem muita gente boa, como malta dos Gang Gang Dance, dos Oneida, dos Modest Mouse, dos Lightning Bolt, etc. Tudo boa gente de boas bandas daquela zona e de outras zonas. Até o Jim Black, que julgo já ter visto tocar com o Carlos Bica (faz parte da formação Azul), estava lá, a não ser que haja dois Jim Black bateristas, o que também é possível. O Andrew W.K., esse idiota, por amor de Deus, esteve lá, deve ter ido vestido de branco e feito um discurso no início, motivador do caraças. Há uns vídeos disso no YouTube e na Pitchfork, e isto parece-me muito bem, e muito menos chato do que devia ser (para chatice de bateristas, ouvir Bumps, a banda dos três bateristas de uma das melhores bandas do mundo, o Dan Bitney, o John McEntire e o John Herndon dos Tortoise).
Para continuar em vídeos da Pitchfork (há coisas muito boas no Forkcast, apesar de eu já não ler textos da Pitchfork há mesmo muito tempo), Girl Talk no festival de jazz de Montréal. O meu herói. Ele tem um suporte para o laptop e vai para o meio da rua fazer a festa. É criminoso ele nunca ter vindo cá. Criminoso.
Zach Hill, dos Hella, não foi um dos bateristas convidados pelos Boredoms, mas toca no disco da Marnie Stern, que é as Sleater-Kinney reencarnadas cruzadas com o Eddie Van Halen. Tapping hipnótico na guitarra, com boas canções. Cada vez gosto mais do disco, memso não ligando muito ao fim e à faixa em que ela descreve uma viagem. Nunca pensei muito nisso, fui ouvindo desde há uns meses, e tem coisas realmente boas. Também há uns vídeos bons no YouTube dela a tocar com ele agora que deixou de vez (e ainda bem) o IPod (ela tocava com um IPod em vez de um baterista). Este é o tipo de coisa que podia ir a Paredes de Coura, mas certamente que teremos duas ou três bandas que são a enésima "revitalização" do som "pop puro" dos "anos 80", ou seja, "o futuro", apesar de estarmos a quase um mês do festival e o cartaz não estar, de todo, fechado.
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