O meu irmão conhece um tipo, ou conheceu-o um dia, ou conheceu-o uma noite, que sabe de cor os aniversários de todas as celebridades apenas por ver o IMDB todos os dias no trabalho. Não sabe, contudo, aniversários de Agosto, porque está de férias. Como é que ele fará aos fins-de-semana? Descobre no ano a seguir? Dois anos depois? É um mistério interessante. Talvez nem sequer tenha conhecido ninguém assim. Talvez estivesse bêbedo. Talvez o tenha imaginado. Talvez o tenha inventado para me contar para ser mais divertido. De qualquer forma, não é boa ideia dar a entender que o meu irmão é alcoólico. Não é. Nem eu. Tudo isto porque abri o IMDB e na primeira página descobri que o Mel Brooks fez anos ontem (ainda é ontem nos EUA) e porque me lembrei disto. Também gostava de andar pelo velho Oeste e cumprimentar o Count Basie. Deve ser divertido.
sexta-feira, junho 29, 2007
quarta-feira, junho 27, 2007
Gordon Jones
Sempre disse isto, mas hoje faz mais sentido. O Gordon Brown, o novo primeiro-ministro inglês, é igualzinho ao Terry Jones dos Monty Python.
Seth Rogen
Interrompi o meu estudo por motivos de força maior. O Seth Rogen estava a ser entrevistado pelo Conan O'Brien e uma coisa dessas não se perde. Sempre o adorei desde que o vi há uns 5/6 anos pela primeira vez no Freaks & Geeks, uma das minhas séries favoritas de sempre. Depois também apareceu no Undeclared e em praticamente tudo o que o Judd Apatow fez desde essa primeira série. Espero que Knocked Up seja um clássico, visto ter o Judd Apatow em muito boa conta, mesmo tendo sido ele responsável pelo Cable Guy e por aquele filme em que o Dan Aykroyd e o Daniel Stern raptam o Damon Wayans. Quero lá saber se é arte ou não, o homem é um génio cómico. Os dois homens são génios cómicos. O Seth Rogen é, como todas as pessoas famosas deviam ser, amigo do RZA e usa uma t-shirt do Liquid Swords do GZA no 40 Year Old Virgin. Para além disso, é gordo, usa óculos de massa e costuma ter barba. É fisicamente impossível não adorá-lo.
terça-feira, junho 26, 2007
Dizzee Rascal
"Pussy'ole (oldskool)" e "Sirens" são das melhores malhas do ano. Sem dúvida. A primeira tem o "woo yeah" de "It Takes Two", o mega-clássico de Rob Base & DJ E-Z Rock, e isso só pode ser bom, soando definitivamente a 2007. "Sirens" é demasiada estranha para ser a resposta inglesa ao "99 Problems" do Jay-Z (o disco do Kano, Home Sweet Home, de 2005, tinha várias, até samplava Black Sabbath, por amor de Deus!). Mas funciona muito bem, até as guitarras chungas são boas. E é um deleite ouvir a Lily Allen a cantar "So you wanna be a gangsta..." em "Wanna Be". É por isto que ter recebido o disco no correio na semana passada foi um óptimo acontecimento, especialmente numa altura em que, através do vício do MBNet, chegam discos todos os dias. E eu nunca gostei de grime nem nunca liguei muito ao Dizzee Rascal. Ele tem a idade do meu irmão, ainda por cima. Claro que há coisas muito parvas, como "Suk My Dick" (podia jurar que havia uma canção do Eminem - um dos meus ódios pessoais - com exactamente o mesmo tema, e já aí não tinha piada nenhuma), e um drum'n'bass que não serve para nada, só para ouvir o flow dele lá por cima e para o sample de voz feminina aqui e ali em "Da Feelin'", com umas sirenes que ficam mal e felizmente não aparecem em "Sirens". A par do I'll Sleep When You're Dead do El-P, Maths + English é o meu disco de hip-hop do futuro favorito de 2007.
segunda-feira, junho 25, 2007
Now, usually I don't do this, but...
Alguém fez a seguinte pesquisa no Google: "quero saber se o akon morreu ou não". Eu também gostava imenso de saber e que a resposta não fosse "não".
terça-feira, junho 19, 2007
Ear Drum
E, por falar nos UGK ("Country Cousins" é grande), há uma faixa do novo do Talib Kweli produzida pelo Just Blaze - que tem um blog novo, linkado aí à direita, onde mostra que é um geek do caraças, tendo em conta que foi o homem que produziu o "Girls, Girls, Girls" do Jay-Z - que sampla a mesma canção que "Rock Co.Kane Flow", produção do Jake One para os De La Soul com o MF Doom. A canção é dos Space e chama-se "Deliverance". Para confirmar aqui. É boa, mas "Rock Co.Kane Flow" é um clássico moderno que devia ser muito mais valorizado, mesmo dois anos depois de ter sido lançado. Aqui a dança do robot é incrível.
Single do ano
UGK e Outkast - Int'l Players Anthem
Uma delícia. O sample do Willie Hutch que pouco muda, que os produtores até já usaram antes noutro artista, o verso inicial do Andre 3000, o vídeo, em que os UGK e um dos Three 6 Mafia gozam com o kilt dele...absolutamente perfeito. Meditação sobre o deixar de ser um player com o casamento, sempre pela perspectiva altamente machista e misógina, que não consegue alterar em nada a enormidade da canção. "Easy as A-B-C, simple as 1-2-3, get down with UGK, Pimp C B-U-N B." Underground Kingz vai ser grande, tendo em conta estes metais, este falsete, estes versos e a melhor canção pop do ano não ter sequer um refrão. Pergunta ao Paul McCartney se não acreditares.
Uma delícia. O sample do Willie Hutch que pouco muda, que os produtores até já usaram antes noutro artista, o verso inicial do Andre 3000, o vídeo, em que os UGK e um dos Three 6 Mafia gozam com o kilt dele...absolutamente perfeito. Meditação sobre o deixar de ser um player com o casamento, sempre pela perspectiva altamente machista e misógina, que não consegue alterar em nada a enormidade da canção. "Easy as A-B-C, simple as 1-2-3, get down with UGK, Pimp C B-U-N B." Underground Kingz vai ser grande, tendo em conta estes metais, este falsete, estes versos e a melhor canção pop do ano não ter sequer um refrão. Pergunta ao Paul McCartney se não acreditares.
segunda-feira, junho 18, 2007
Primavera fora do tempo
Fui ao Primavera Sound. Tinha pensado fazer uns desenhos, mas isso nunca chegou a ser acabado. Paciência. Vi dezenas de bandas, com um cartaz incrível num país aqui ao lado que nunca poderia existir por cá. E quem disser "Paredes de Coura" está a milhas de distância do que aquilo é. Claro que há vários problemas: as sobreposições, tanto de horários como de som, o som propaga-se entre os vários palcos, tornando muitos concertos piores com tanta interferência; as filas; ou a cerveja a 3 euros, quando um pack de 12 cervejas de 25 cl da mesma marca que patrocina o festival custa 4 euros em qualquer supermercado de Barcelona.
Tive várias lutas internas, especialmente as seguintes: ver Grizzly Bear até ao fim vs. ver Wilco do princípio; ver Battles vs. ver os Sonic Youth a tocar o Daydream Nation do início ao fim. Na primeira luta, entre a minha banda favorita de 2006 e a minha banda favorita de sempre, ganharam os Wilco. Vi metade dos Grizzly Bear, que, depois de um começo francamente mau, entraram nos eixos. No dia anterior tinha-os visto a serem impedidos de entrar no backstage do palco em que iam tocar, uma coisa incompreensível. Na segunda luta não precisou de ganhar ninguém. Os Klaxons cancelaram e os responsáveis pelo festival perceberam que seria um erro tremendo sobrepôr Battles e Sonic Youth, tendo os Battles passado para a hora dos Klaxons. Afinal os Klaxons servem para alguma coisa.
No dia mundial sem tabaco, dentro de um autocarro fechado e cheio de gente, vi uma idiota alcoolizada e irritante que não se calava - palavras altíssimas como "bissexual" saíam daquela boca -, na companhia de um totó e um de um tipo com ar de ex-presidiário, fumar. Ninguém fez nada. Adorava ter denunciado a situação ao motorista, a multa parecia ser grande, mas um dos tipos tinha ar de ex-presidiário e eu sou um menino. As proibições de fumo dos sítios não são respeitadas. Espanha não é um país mais civilizado que Portugal. Também no Apolo, onde é proibido fumar, as pessoas fumam sem problemas, só um ou outro segurança é que implica. Se existe proibição de fumar, por que não fazer cumpri-la? Expulsava-se as pessoas ao segundo aviso, não? Uma das maiores desilusões da minha vida foi ter visto o sinal de proibição de fumar e depois este não ter sido cumprido. Pensar que "finalmente..." e sair tremendamente desiludido.
As filas para o Auditorium eram horríveis, de 20 minutos, e chegar lá à hora, ou pouco antes da hora marcada dos concertos era sinónimo de perder 15 minutos do concerto ou mais. No Jonathan Richman a espera foi curta, talvez só tenha perdido 5 minutos, mas ele só tocou 30, o que incompreensível para alguém que tem uma obra tão vasta, com centenas de canções e uma boa parte delas ainda por cima em espanhol. Mas é um sítio bonito e deu para ver um coro gospel a incorporar "I Can't Help Falling in Love With You" do Elvis Presley em "Ladies and Gentlemen We Are Floating in Space" dos Spiritualized, como acontecia na primeira versão do disco, antes da família do senhor ter proibido isso.
Girl Talk tem todas as melhores malhas do mundo, os saltos, as palmas e todos os passos de dança, e é das melhores coisas que já vi na vida. E não passa de um tipo em frente ao computador. Se este gajo nunca vier cá a Lisboa alguém tem de pagar. Unstoppable e Night Ripper são clássicos modernos e são estupidamente bons. Fiquei contente por ver o Johnny Marr com os Modest Mouse, por ver o Jeff Tweedy, e muito mais coisas. E duas semanas depois ainda penso nisso, apetece-me repetir os Of Montreal no Sudoeste e os Sonic Youth em Paredes de Coura.
Tive várias lutas internas, especialmente as seguintes: ver Grizzly Bear até ao fim vs. ver Wilco do princípio; ver Battles vs. ver os Sonic Youth a tocar o Daydream Nation do início ao fim. Na primeira luta, entre a minha banda favorita de 2006 e a minha banda favorita de sempre, ganharam os Wilco. Vi metade dos Grizzly Bear, que, depois de um começo francamente mau, entraram nos eixos. No dia anterior tinha-os visto a serem impedidos de entrar no backstage do palco em que iam tocar, uma coisa incompreensível. Na segunda luta não precisou de ganhar ninguém. Os Klaxons cancelaram e os responsáveis pelo festival perceberam que seria um erro tremendo sobrepôr Battles e Sonic Youth, tendo os Battles passado para a hora dos Klaxons. Afinal os Klaxons servem para alguma coisa.
No dia mundial sem tabaco, dentro de um autocarro fechado e cheio de gente, vi uma idiota alcoolizada e irritante que não se calava - palavras altíssimas como "bissexual" saíam daquela boca -, na companhia de um totó e um de um tipo com ar de ex-presidiário, fumar. Ninguém fez nada. Adorava ter denunciado a situação ao motorista, a multa parecia ser grande, mas um dos tipos tinha ar de ex-presidiário e eu sou um menino. As proibições de fumo dos sítios não são respeitadas. Espanha não é um país mais civilizado que Portugal. Também no Apolo, onde é proibido fumar, as pessoas fumam sem problemas, só um ou outro segurança é que implica. Se existe proibição de fumar, por que não fazer cumpri-la? Expulsava-se as pessoas ao segundo aviso, não? Uma das maiores desilusões da minha vida foi ter visto o sinal de proibição de fumar e depois este não ter sido cumprido. Pensar que "finalmente..." e sair tremendamente desiludido.
As filas para o Auditorium eram horríveis, de 20 minutos, e chegar lá à hora, ou pouco antes da hora marcada dos concertos era sinónimo de perder 15 minutos do concerto ou mais. No Jonathan Richman a espera foi curta, talvez só tenha perdido 5 minutos, mas ele só tocou 30, o que incompreensível para alguém que tem uma obra tão vasta, com centenas de canções e uma boa parte delas ainda por cima em espanhol. Mas é um sítio bonito e deu para ver um coro gospel a incorporar "I Can't Help Falling in Love With You" do Elvis Presley em "Ladies and Gentlemen We Are Floating in Space" dos Spiritualized, como acontecia na primeira versão do disco, antes da família do senhor ter proibido isso.
Girl Talk tem todas as melhores malhas do mundo, os saltos, as palmas e todos os passos de dança, e é das melhores coisas que já vi na vida. E não passa de um tipo em frente ao computador. Se este gajo nunca vier cá a Lisboa alguém tem de pagar. Unstoppable e Night Ripper são clássicos modernos e são estupidamente bons. Fiquei contente por ver o Johnny Marr com os Modest Mouse, por ver o Jeff Tweedy, e muito mais coisas. E duas semanas depois ainda penso nisso, apetece-me repetir os Of Montreal no Sudoeste e os Sonic Youth em Paredes de Coura.
segunda-feira, maio 28, 2007
Lupe Fiasco
Tem uma nova canção. Chama-se "US Players" e sampla "The Eraser" do Thom Yorke, do disco com o mesmo nome do ano passado. As primeiras palavras citam Good Charlotte e isso nunca é boa ideia. Tem o Kanye West e o Pharrell, o primeiro que nos seus discos consegue às vezes ser um rapper interessante, o segundo que não conseguiria nem que a sua vida dependesse disso. O beat não altera absolutamente nada da canção e basicamente só me lembro do Kanye West a falar do MySpace uma ou outra vez como todos os outros rappers do mundo em 2006/2007. "The Eraser" é uma canção óptima, "US Placers" não é uma coisa abjecta, mas também não parece servir para nada. Pelo menos é melhor que "Can't Tell Me Nothing", o novo single de West. Está disponível na Spine Magazine.
quarta-feira, maio 09, 2007
Clássico
Toda esta semana, The Non-Definitive Guide to Character Actors na Stylus. Espero ver na lista os meus favoritos desde sempre, mesmo que já tenham subido muito na carreira, como o Philip Seymour Hoffman, o John C. Reilly, o Forest Whitaker, o Don Cheadle, o William H. Macy e toda a gente dos filmes com muita gente do Robert Altman, do Steven Soderbergh e do Paul Thomas Anderson, só para dizer alguns.
segunda-feira, abril 30, 2007
Best Albino
É capa do Village Voice esta semana, numa reportagem óptima. Victor Varnado é um albino negro comediante. Pérolas como as que se seguem podem ser encontradas aqui.
"I am a black albino, though, ladies. You know what I'm talking about: All the benefits of being black without the disappointed looks from your parents," he continues.
"Race and racism is so arbitrary," he says. "Sometimes people see me and they think I'm 'acting black.' Once, I was in a secondhand clothing store with one of my friends and commenting on the fashion, joking: 'I need baggy pants and long T-shirts—what rappers might wear.' And this white woman came up to me and said: 'I really find what you're saying offensive.' And then I said, 'I'm black,' and she was like, 'OK. It's fine.' Then she walked away."
"I am a black albino, though, ladies. You know what I'm talking about: All the benefits of being black without the disappointed looks from your parents," he continues.
"Race and racism is so arbitrary," he says. "Sometimes people see me and they think I'm 'acting black.' Once, I was in a secondhand clothing store with one of my friends and commenting on the fashion, joking: 'I need baggy pants and long T-shirts—what rappers might wear.' And this white woman came up to me and said: 'I really find what you're saying offensive.' And then I said, 'I'm black,' and she was like, 'OK. It's fine.' Then she walked away."
quinta-feira, abril 26, 2007
Ladies Love Cool R, but do Ladies Love Guitar Hero?
Afinal de contas, isto chama-se "Ladies Love Cool R", portanto, Rob Harvilla no Village Voice sobre se jogar Guitar Hero - há noites em bares com concursos disso - atrai ou não membros do sexo oposto.
sexta-feira, abril 20, 2007
The Trio
Não sei porquê, mas em termos de comédias ou de aparentados, algo me diz que gostarei bastante de três filmes este ano: Grindhouse, Hot Fuzz e Blades of Glory.
O primeiro estreará cá em dupla dose, o que é uma ideia estúpida e não o verei certamente separado, ainda por cima sem os trailers do início. Passei muita da minha infância a saber de cor quase todas as falas de Desperado do Robert Rodriguez e a saber a história toda do Bruce Willis no Pulp Fiction muito antes de ter visto o filme. Claro que, hoje em dia, sei que o mérito está todo no Tarantino e não no Rodriguez, mas não é como se o Rodriguez não fizesse bom entretenimento. Até o raio do Once Upon a Time in Mexico diverte, estava a passar na televisão no outro dia. E o último projecto deles juntos - sem contarmos Sin City, o único filme realmente bom do Rodriguez que vi, em que Tarantino realizou uma cena que eu nem sei qual foi -, From Dusk Til Dawn, é um óptimo filme de zombies e tem o Harvey Keitel a fazer de padre, o que é sempre positivo. Tenho a certeza que vou gostar de ver o Sayid do Lost e o Rico do Six Feet Under a matar o que quer que seja que eles matam no filme, bem como a Rose McGowan com uma perna de metrelhadora, porque é o tipo de coisa de que se gosta.
O que me leva de volta aos zombies. Adorei o Shaun of The Dead, basicamente porque é um filme de zombies tremendamente inteligente e cheio de piada e quando eles atiram discos do Prince aos zombies é das melhores coisas que saíram de Inglaterra nos anos 2000. E não há maneira de o Hot Fuzz não ser bom. É um filme de acção passado numa cidadezinha de Inglaterra com explosões e muita pompa tirada de coisas como a saga do Lethal Weapon e tal. Não pode falhar, e ainda por cima o Edgar Wright faz um dos dois trailers que aparecem antes do Grindhouse como filme e que nunca passará cá em sala. O Simon Pegg é um génio cómico e essas coisas todas.
O Blades of Glory parte da premissa "Let's kick some ice" para juntar Will Ferrell e Jon Heder no primeiro duo masculino de patinagem artística. É a mesma história de sempre dos filmes do Ferrell mas que funciona sempre. As piadas parecem ser inteligentes e fugir a muitos clichés normais quando esperamos que elas sejam previsíveis e não o são no último segundo. Também tem o Will Arnett e a mulher dele, a Amy Poehler, a fazer de irmãos casados.
Não há maneira possível de isto falhar.
O primeiro estreará cá em dupla dose, o que é uma ideia estúpida e não o verei certamente separado, ainda por cima sem os trailers do início. Passei muita da minha infância a saber de cor quase todas as falas de Desperado do Robert Rodriguez e a saber a história toda do Bruce Willis no Pulp Fiction muito antes de ter visto o filme. Claro que, hoje em dia, sei que o mérito está todo no Tarantino e não no Rodriguez, mas não é como se o Rodriguez não fizesse bom entretenimento. Até o raio do Once Upon a Time in Mexico diverte, estava a passar na televisão no outro dia. E o último projecto deles juntos - sem contarmos Sin City, o único filme realmente bom do Rodriguez que vi, em que Tarantino realizou uma cena que eu nem sei qual foi -, From Dusk Til Dawn, é um óptimo filme de zombies e tem o Harvey Keitel a fazer de padre, o que é sempre positivo. Tenho a certeza que vou gostar de ver o Sayid do Lost e o Rico do Six Feet Under a matar o que quer que seja que eles matam no filme, bem como a Rose McGowan com uma perna de metrelhadora, porque é o tipo de coisa de que se gosta.
O que me leva de volta aos zombies. Adorei o Shaun of The Dead, basicamente porque é um filme de zombies tremendamente inteligente e cheio de piada e quando eles atiram discos do Prince aos zombies é das melhores coisas que saíram de Inglaterra nos anos 2000. E não há maneira de o Hot Fuzz não ser bom. É um filme de acção passado numa cidadezinha de Inglaterra com explosões e muita pompa tirada de coisas como a saga do Lethal Weapon e tal. Não pode falhar, e ainda por cima o Edgar Wright faz um dos dois trailers que aparecem antes do Grindhouse como filme e que nunca passará cá em sala. O Simon Pegg é um génio cómico e essas coisas todas.
O Blades of Glory parte da premissa "Let's kick some ice" para juntar Will Ferrell e Jon Heder no primeiro duo masculino de patinagem artística. É a mesma história de sempre dos filmes do Ferrell mas que funciona sempre. As piadas parecem ser inteligentes e fugir a muitos clichés normais quando esperamos que elas sejam previsíveis e não o são no último segundo. Também tem o Will Arnett e a mulher dele, a Amy Poehler, a fazer de irmãos casados.
Não há maneira possível de isto falhar.
sexta-feira, abril 13, 2007
A melhor banda do mundo
A melhor banda do mundo volta para o mês que vem mas já há um vídeo deles a tocar "Hate it Here" ao vivo no loft de Chicago onde gravam os discos e ensaiam e essas coisas todas. Está aqui e soam bem como tudo, como se Nels Cline sempre tivesse feito parte da banda e como se nunca tivessem saído mil membros desde que esta começou. É essa a chave de tudo. Mesmo que este último disco pareça não ter a mãozinha do Jim O'Rourke, tem óptimas canções que seguem quase sempre a estrutura canção normal e depois solo e às vezes canção outra vez. Só que uma "canção normal" é imenso vindo de quem vem, e o Jeff Tweedy nunca deve ter escrito uma realmente má desde que lançou o A.M.. Então é tudo mais ou menos normal, sem grandes artifícios de produção, e depois gloriosos solos. E, de alguma forma, eles conseguem ser bem sucedidos nisso. Parece ser um disco de rompimento de uma relação ou algo parecido, tendo todas as canções a ver com a saída de cena da amada, se é verdade, se não, não quero saber, já ninguém fazia um disco tão bom a partir disso desde o Get Lonely dos Mountain Goats.
quinta-feira, abril 12, 2007
Panda Bera

4Taste, 4Real
E a Joana - que gosta da camisola - diz que aquilo é feito em fábrica. Assusta-me saber que alguém desenhou isso e depois alguém disse "é uma boa ideia, vamos fazer muitas".
domingo, abril 01, 2007
Don't quit your day job!
É o que o Consequence diz. O problema é que ele devia seguir o próprio conselho. Gosto da voz dele, sempre gostei, mas não aguento um álbum inteiro daquilo. As cenas com os A Tribe Called Quest, a nova vida nos dois discos do Kanye West, até aí tudo bem. Há coisas giras em Don't Quit Your Day Job!, mas é uma desilusão porque se torna tudo demasiado enfadonho e igual. É o primeiro disco do Kanye outra vez sem os convidados todos e as outras vozes e as produções magistrais e as canções enormes. Não que não tenha piada aqui e ali, mas, sinceramente, não me apetece.
Português/brasileiro
No AV Club do Onion há uma secção recorrente chamada "Random Rules". Para além de tirar o nome de uma canção óptima dos Silver Jews, tem celebridades a mostrar os conteúdos dos seus I-Pods, partindo do princípio básico de que toda a gente famosa tem um. Entre outras coisas, descobre-se que o Paul Rudd, que já foi um tipo irritante nos anos 90 e agora tem andado metido com a pandilha toda do Judd Apatow e essa gente que faz comédias divertidas e assim, é fã de Neutral Milk Hotel. E muitas outras coisas. Mas numa edição com o guitarrista dos Explosions in the Sky, surge isto:
Chico Buarque, "Acalanto"
MR: I want to say he's from Brazil, but he might be from Portugal. I'm just a sucker for melody in any respect. There's no one particular genre of music that I'm listening to, so whenever I hear something, even if it's in a foreign language, and it's got that hook, I'm looking for it. We played a few shows in Portugal a couple years ago, and whoever was driving us around in the car was playing Chico Buarque's record, and I'm like, "Who is this?" It was our friend Rodrigo, who's in the Spanish band Migala. When I voiced an interest in it, just out of the kindness of his heart, he gave me the record.
É a primeira vez que vejo isto acontecer. Interessante. E a melhor coisa de 2007 é a coluna semanal do Rob Corddry no Suicide Girls (e eu que pensava que aquilo servia outros propósitos).
Chico Buarque, "Acalanto"
MR: I want to say he's from Brazil, but he might be from Portugal. I'm just a sucker for melody in any respect. There's no one particular genre of music that I'm listening to, so whenever I hear something, even if it's in a foreign language, and it's got that hook, I'm looking for it. We played a few shows in Portugal a couple years ago, and whoever was driving us around in the car was playing Chico Buarque's record, and I'm like, "Who is this?" It was our friend Rodrigo, who's in the Spanish band Migala. When I voiced an interest in it, just out of the kindness of his heart, he gave me the record.
É a primeira vez que vejo isto acontecer. Interessante. E a melhor coisa de 2007 é a coluna semanal do Rob Corddry no Suicide Girls (e eu que pensava que aquilo servia outros propósitos).
segunda-feira, março 12, 2007
Batalhas
Pode parecer pouco, mas não é. Não me lembro de onde estava no dia 31 de Dezembro de 2003 da parte da noite. Lembro-me de todos os dias 31 de Dezembro da parte da noite de 1999 a 2006, tirando esse. É uma tragédia. Ninguém quer saber disso. Nem eu, realmente. Mas bloqueei aí. De qualquer forma, hoje é um dia em que o hino do mundo todo devia ser este.
É impossível ouvir isto e não dançar (o Christopher Walken escolheu a canção errada para dançar) e ficar com isto na cabeça, traulitando no meio da rua, algo que não era tão estranho numa canção desde talvez "Dracula Mountain" dos Lightning Bolt. Mas eu nunca gostei muito de Lightning Bolt, só dessa canção, e não me estampa um sorriso na cara assim tantas vezes. Há tudo aqui em "Atlas", a melodia, a batida, tudo. A letra não se percebe, mas em vez dos efeitos da voz soarem cómicos (longe da chipmunk soul de gente como RZA, Just Blaze, Kanye West ou até o idiota do Akon) e maus, complementam perfeitamente o resto. E dança-se.
Hoje também é o dia em que elejo como meu herói pessoal Greg Gillis, ou seja, Girl Talk. Night Ripper animou-me bastante em 2006, mas continua a fazê-lo. E só isso é digno de registo. Um homem que alterna assim de "Holland, 1945" dos Neutral Milk Hotel para "There It Go (The Whistle Song)" de Juelz Santana merece o mundo. E vou vê-lo daqui a poucos meses, pelo que vejo de vídeos (especialmente aqui), um concerto dele é uma festa, e ele dá uma performance do caraças para alguém que não tem mais nada que um laptop. É o que qualquer DJ devia ser (ele diz que não é DJ): um fã que se mostra visivelmente excitado por tudo o que passa e dança ao som disso.
E ainda não sei o que fiz na passagem de ano de 2003 para 2004. Lembro-me de 2002 para 2003, de 2004 para 2005, e de todas as outras. Mas não me lembro dessa. Continuo a não me importar com isso, mas continuo a importar-me na mesma. E, pela primeira vez neste blog, sou obrigado a concluir: foda-se, sou mesmo estúpido.
É impossível ouvir isto e não dançar (o Christopher Walken escolheu a canção errada para dançar) e ficar com isto na cabeça, traulitando no meio da rua, algo que não era tão estranho numa canção desde talvez "Dracula Mountain" dos Lightning Bolt. Mas eu nunca gostei muito de Lightning Bolt, só dessa canção, e não me estampa um sorriso na cara assim tantas vezes. Há tudo aqui em "Atlas", a melodia, a batida, tudo. A letra não se percebe, mas em vez dos efeitos da voz soarem cómicos (longe da chipmunk soul de gente como RZA, Just Blaze, Kanye West ou até o idiota do Akon) e maus, complementam perfeitamente o resto. E dança-se.
Hoje também é o dia em que elejo como meu herói pessoal Greg Gillis, ou seja, Girl Talk. Night Ripper animou-me bastante em 2006, mas continua a fazê-lo. E só isso é digno de registo. Um homem que alterna assim de "Holland, 1945" dos Neutral Milk Hotel para "There It Go (The Whistle Song)" de Juelz Santana merece o mundo. E vou vê-lo daqui a poucos meses, pelo que vejo de vídeos (especialmente aqui), um concerto dele é uma festa, e ele dá uma performance do caraças para alguém que não tem mais nada que um laptop. É o que qualquer DJ devia ser (ele diz que não é DJ): um fã que se mostra visivelmente excitado por tudo o que passa e dança ao som disso.
E ainda não sei o que fiz na passagem de ano de 2003 para 2004. Lembro-me de 2002 para 2003, de 2004 para 2005, e de todas as outras. Mas não me lembro dessa. Continuo a não me importar com isso, mas continuo a importar-me na mesma. E, pela primeira vez neste blog, sou obrigado a concluir: foda-se, sou mesmo estúpido.
segunda-feira, fevereiro 26, 2007
A balança está finalmente equilibrada
Resultados:
Three 6 Mafia: 1
Three 6 Mafia: 1
Martin Scorsese: 1
Comediantes/Actores
Esqueci-me do tópico que o Jack Black e o Will Ferrell lançaram, mais ou menos. Tenho andado a reparar numa teoria do meu professor de inglês que diz que alguns dos melhores actores estão na comédia pela capacidade tremenda de encarnar personagens. Como a comédia inglesa. As pessoas do Little Britain ou de outras séries, como o League of Gentlemen, criam personagens com uma facilidade tremenda, andado a saltitar de sotaque em sotaque e personalidade em personalidade com uma facilidade brutal. E, diz ele, é mais do que o Jack Nicholson ou outros actores conseguem fazer. Mas também, "versatilidade" não é propriamente o nome do meio do Ferrell e do Black. Mas é o nome do meio de um Robin Williams ou de muitos outros.
Subscrever:
Mensagens (Atom)